Fase difícil: Marina Silva enfrenta oposição dentro do partido sobre as Reformas

Vem chegando aquele período famoso, o “meio do ano imediatamente anterior às eleições”, no qual um fenômeno bissexto acontece já há tempos: a reaparição de Marina Silva. Desta vez, foi por declarações as reformas, o que contraria a posição dos parlamentares de esquerda.

E isso inclui, claro, os membros da Rede Sustentabilidade. Desse modo, a opinião da provável candidata à presidência causou “turbulência” em seu partido, segundo informa a Coluna do Estadão.

Na opinião do Implicante, Marina Silva desta vez está correta. Pode acontecer.

Paraná Pesquisas: novos números inviabilizam Aécio Neves e consolidam Jair Bolsonaro

Embora o levantamento tenha sido restrito ao São Paulo, é possível tirar algumas conclusões e, como prometido, isso será feito agora, de forma pormenorizada. O que chama atenção mais imediata, claro, é a boa posição de João Doria, na liderança. Mas há outros fatores que merecem comentos.

Aécio Neves

Confirmados tais números, ele estaria inviabilizado. Quarta colocação no maior colégio do país? Aí, não tem como. Soma-se a isso as derrotas recentes “dentro de casa”, temos uma situação pra lá de complexa. E lembrando que as delações que o comprometeriam nem mesmo foram liberadas.

Enfim, talvez seja estrategicamente mais razoável concorrer ao governo de Minas Gerais ou, para garantir mesmo, repetir a dose no Senado.

Jair Bolsonaro

Muitos apostavam (e apostam) que nenhum partido daria legenda, que no fim não seria candidato, entre especulações do tipo. Bobagem. Na faixa dos 15% entre o eleitorado paulista, é um nome consolidado. Um fato posto, gostem ou não os adversários.

Com tais números, é natural que surjam ofertas mais generosas de diversas legendas.

Marina Silva

Seria mesmo um feito impressionante manter a posição de “terceira via” por mais essa eleição. Mas não tem como. Em 2010, estava forte; em 2014, houve aquela onda depois da tragédia com Eduardo Campos, mas no fim chegou pior que na eleição anterior.

E agora, a quarta colocação. Resta saber, claro, como será no resto do país, mas a tendência é mesmo que Jair Bolsonaro a supere.

Seletiva?! A segunda lista de Janot atingiu partidos das campanhas de Dilma, Aécio e Marina

Ainda não se sabe o conteúdo completo da segunda “lista de Janot”, mas a imprensa já descobriu que ao menos oito partidos foram atingidos por ela. Além dos três maiores (PT, PMDB e PSDB), surgem DEM, PSD, PRB, PSB e PTB.

O campeão de citações até aqui é o PMDB, com 14 “delatados”. O PT vem em segundo lugar, com 11, seguido do PSDB, com 6.

É interessante notar onde estavam essas siglas na campanha presidencial passada. Metade delas apoiava a reeleição de Dilma Rousseff. Outras três pediam voto para Aécio Neves. Mas nem Marina Silva escapou, uma vez que concorreu pelo PSB.

  • Dilma Rousseff
    PT, PMDB, PRB, PSD
  • Aécio Neves
    PSDB, DEM, PTB
  • Marina Silva
    PSB

Mais do que nunca, um dos principais argumentos esquerdistas foi destroçado: a Lava Jato não tem preferência partidária.

Dilma, Aécio, Marina e Campos: a Odebrecht doou a todos os principais candidatos de 2014

Apesar de não apresentar muitas novidades às pessoas que ficaram mais atentas ao noticiário dos últimos anos, o depoimento de Marcelo Odebrecht ao TSE serviu para acrescentar alguns pingos nos is. A campanha de Dilma Rousseff em 2014 recebeu pelo menos R$ 150 milhões da empreiteira. Mas não foi a única.

Aécio Neves teria pedido R$ 15 milhões. Quanto a Eduardo Campos e Marina Silva, que compuseram uma chapa juntos até o morte do primeiro, não foi revelado o valor pois não eram o objeto da ação movida no tribunal.

Marcelo também não detalhou quanto teria sido via doação oficial, ou quanto teria sido caixa dois. Mas afirmou que nenhum político no Brasil conseguia se eleger sem doações ilegais.

Paraná Pesquisas: rejeição a Lula passa dos 45%; Bolsonaro tem 17%, menos que Aécio e Temer

O instituto Paraná Pesquisas fez um levantamento nacional sobre a rejeição dos potenciais candidatos à Presidência da República em 2018. E o vencedor foi Lula. Confiram os resultados a seguir:

Lula 45,7%
Aécio Neves 25%
Michel Temer 24,4%
Jair Bolsonaro 17,9%
Marina Silva 12,3%
Roberto Justus 9,9%

Esta conta é importantíssima, muitas vezes até mais do que as intenções de voto. Isso porque determina o “teto” de um candidato, ou seja, até onde pode crescer.

Há certo consenso no mundo da política acerca dos 40%, considerado limiar máximo de rejeição com alguma chance eleitoral. E Lula o ultrapassou faz tempo.

Outro dado interessante é que Bolsonaro, sobre quem a grande imprensa só publica notícias desfavoráveis, apareça com menos rejeição que quase todos os “grandes”, exceção feita a Marina Silva.

2018 será interessante. Mais do que muitos supunham.

Nas redes sociais, a “corrida presidencial” vem sendo liderada por Aécio e Bolsonaro

Não, rede social não garante vitória em nenhuma eleição. Ao menos era isso o que diziam os críticos de Donald Trump quando confrontados com o argumento de que o candidato republicano tinha uma alcance muito maior do que quaisquer de seus adversários. Preferiam acreditar no que diziam as pesquisas, que sempre apontavam vitória de Hillary Clinton com bastante facilidade.

Mas as urnas provaram que as pesquisas não estavam entendendo bem a realidade.

O Implicante acredita que as redes sociais servem ao menos para mostrar qual político vem conseguindo conversar mais – ou melhor – com os eleitores. E isso, claro, faz um enorme diferencial em qualquer campanha, por vezes definindo o vencedor em disputas apertadas.

Com isto em mente, somou neste início de fevereiro a quantidade de seguidores dos principais presidenciáveis do Brasil nas duas principais redes. E chegou ao gráfico abaixo:

Ou seja… Se de fato rede social for um fator importante nas próximas eleições, e é claro que isso tende a fazer cada vez mais diferença, Aécio Neves e Jair Bolsonaro partiriam favoritos na disputa por uma vaga no segundo turno. Cabe menção, claro, a Marina Silva, a candidata que consegue dosar melhor a presença tanto no Twitter, como no Facebook. Lula e Serra chamam atenção no sentido oposto: enquanto estão muito presentes em uma rede, praticamente desaparecem na outra.

Fica a dúvida, contudo, se este fator será tão importante no Brasil de 2018 como foi nos Estados Unidos de 2016.

Será que Marina Silva está mesmo tão imune assim à Lava Jato?

Em 12 de junho de 2016, Lauro Jardim publicou em O Globo que Léo Pinheiro, da OAS, estava entregando em sua delação premiada que a construtora alimentou o caixa 2 da campanha de Marina Silva em 2010, quando a ex-petista concorreu à Presidência da República pelo PV. De fato, o TSE desconhece qualquer doação do tipo, o que reforçaria a suspeita de que o pagamento ocorrera “por fora”. Mas…

Mas essa delação foi literalmente triturada por Rodrigo Janot quando, em agosto, quando detalhes do acordo foram vazados para a revista Veja. O leitor deve lembrar bem, pois se trata daquela capa que mostrava Dias Toffoli também na mira do delator.

Pelo visto, não foi só o ministro do STF que ficou aliviado com a suspensão do acordo.

A eleição de 2016 fortaleceu Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Michel Temer para 2018

Finalizada a eleição 2012, o “pódio” com os partidos que mais fizeram prefeitos era composto, na ordem, por PMDB, PSDB e PT. Dois anos depois, eram justo estes três partidos que encabeçavam as chapas presidenciais no segundo turno, no caso, com Dilma Rousseff e Michel Temer representando petistas e peemdebistas, e Aécio Neves e Aloysio Nunes fazendo as vezes dos tucanos.

Não foi coincidência.

É comum a população da capital ser influenciada por formadores de opinião mais midiáticos. No interior, contudo, poucas vozes falam mais alto do que as dos gestores públicos. Entre 2013 e 2014, pelo menos 48 milhões de eleitores viveram sob a gestão de prefeitos do PT e do PMDB. E isso serviu de base para Dilma e Temer receberem 43,2 milhões de votos no primeiro turno, e 54,5 milhões no segundo.

Observando os resultados de 2016, o PT caiu para décima força. Por mais que o PMDB tenha mais prefeituras, o PSDB governará mais eleitores. E a medalha de bronze coube ao PSD, partido nascido no início do governo Dilma para desidratar adversários do petismo.

Se prevalecer a lógica, 2018 será um embate entre PMDB e PSDB, ambos partidos que hoje dividem a mesma base. Nestas siglas, os menos arranhados são Michel Temer e Geraldo Alckmin. Na oposição, só Ciro Gomes (PDT) e Flavio Dino (PCdoB) lograram algum sucesso, mas o segundo tem mais um ciclo como governador do Maranhão pela frente. Quanto a Marina Silva, ainda lidera pesquisas e nutre a simpatia de uma ala esquerdista, sem falar que, ao que tudo indica, não ser atingida pela Lava Jato fará uma enorme diferença.

Ainda não soam os heróis que o Brasil precisa. Mas talvez sejam o que o país merece. E isso não foi um elogio. A exatamente ninguém.

Após resultado pífio nesta eleição, Marina Silva diz que não sabe se será candidata em 2018

Brasília, 08.05.2008 - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, discursa durante o lançamento do Plano Amazônia Sustentável. Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr.

Marina Silva tentou vender seu projeto de partido como uma possível terceira via, algo que captasse a simpatia de petistas e tucanos, siglas que polarizam a disputa presidencial desde 1994. Mas, com o tempo, vem ganhando a antipatia de ambos os lados, principalmente do mais à direita.

Porque, nessa de ficar em cima do muro, o REDE irritou bastante a população que queria o impeachment de Dilma Rousseff. Ao ponto de ficar muito claro que não havia ali um projeto de país, mas de poder pessoal, algo que só ganhou força quando o marketing do PT entregou a candidatura feminina do partido a Dilma Rousseff, alguém que Lula pensava ter controle sobre.

A eleição de 2016 veio e o partido de Marina Silva só conseguiu fazer 5 prefeitos em primeiro turno. Com esse nível de articulação, nenhum candidato a presidente demonstra força para ir muito longe. E, ainda que negando o fiasco, Marina deixou claro em entrevista ao Estadão que não está claro se ela será candidata a presidente por uma terceira oportunidade consecutiva:

Ainda não sei se serei candidata. Dei minha contribuição em 2010 e 2014 e minha presença ajudou a produzir dois segundos turnos.”

Os derrotados na campanha de 2014 (Marina e Aécio Neves) apostaram que a melhor alternativa em tempos de Lava Jato era sair um tanto dos holofotes, deixando que a crise política destruísse nomes como Dilma, Lula ou mesmo Eduardo Cunha. Isso é bem pouco para o que o Brasil precisa – antes de mais nada, alguém que esteja disposto a ir para a linha de frente assumir as responsabilidades.