Mensalão e Lava Jato: com a 3ª condenação, penas de José Dirceu superariam 42 anos de cadeia

O chamado “guerreiro do povo brasileiro” já poderia pedir música no Fantástico, caso fosse aplicada a regra dos “três gols” também às condenações penais. Ele foi condenado pela segunda vez na Lava Jato, já tendo havido fato similar no curso do Mensalão.

Vamos às contas, portanto.

Pelo STF, após o julgamento dos mensaleiros, recebeu pena de 7 anos e onze meses. Claro, saiu em pouco tempo e acabou perdoado pelo Ministro Barroso. Mas o perdão foi relativamente inócuo, já que recebeu quando já cumpria a primeira de suas condenações na Lava Jato, de 23 anos e 3 meses.

E hoje saiu a nova: 11 anos e 3 meses.

Desse modo, as penas somadas dariam 42 anos e 5 meses de prisão. E o futuro do pretérito do título não é eufemismo, mas fato: o ordenamento de execução penal no Brasil permite a saída do regime fechado em prazo no geral inferiores àqueles da sentença.

Mas taí. Terceira condenação, mais de 42 anos numa somatória simples. Será que terá mais?

É fantástico.

Afinal, o que foi o Petrolão?

Para entender o Petrolão, é preciso antes compreender o Mensalão, esquema utilizado pelo governo Lula para comprar votos do baixo clero do Congresso. Por três anos, esteve ativo,e o pagamento era feito em dinheiro vivo. Mas, em 2005, Roberto Jefferson jogaria toda a sujeira no ventilador, desmantelando a organização e deixando o PT sem uma base que sustentasse a reeleição no ano seguinte.

Depoimentos de Roberto Jefferson, no primeiro escândalo, e Delcídio do Amaral, no segundo, deixam bem clara a origem do Petrolão: ele nasce do medo de uma derrota em 2006. Seguindo conselhos de José Janene, Lula teria fatiado a Petrobras com dois grandes partidos (PMDB e PP, além do próprio PT) para garantir apoio naquela eleição.

Segundo Delcídio, o próprio ataque a uma eventual privatização da Petrobras, tema bastante martelado pela propaganda petista no segundo turno contra Alckmin em 2006, fazia parte da estratégia. Afinal, uma vitória tucana naquele ano desmantelaria o esquema.

Fato é que o plano deu certo e a população reelegeu Lula. Não só isso, elegeu e reelegeu a sucessora dele.

Deitando-se sobre o caso Braskem, a Justiça americana investiga o período que vai de 2006 a 2014. Críticos da Lava Jato exploram a informação como sendo fruto de uma atuação partidária da Lava Jato, pois evitaria tocar em desvios cometidos na gestão FHC. Mas está claro que não é este o caso. Que de fato mergulham no maior escândalo da história, aquele que teria servido para garantir ao PT um dúzia a mais de anos no comando do Brasil, plano que só não se concretizou por completo porque Dilma Rousseff sofreu um processo de impeachment.

Enfim… Não era povo, não interesse nacional, não era ideologia, não era nada que pudesse justificar tamanho descalabro. Era só o poder pelo poder. E quem pagou por isso foi a maior estatal do Brasil. E, principalmente, a própria democracia – o que é muito mais grave.

Roberto Jefferson desabafa e em seguida trava diálogo interessante com uma jovem politizada

De quando em vez, mencionamos aqui a importância das redes sociais, para o bem e para o mal. Quase sempre, é verdade, políticos se atrapalham e fazem lambanças em seus perfis online. Mas há casos em que ocorre oposto.

Foi o que houve agora com Roberto Jefferson, que fez um desabafo sobre Mensalão/Petrolão e o post desembocou numa espécie de “encontro de gerações”.

No diálogo, ele e uma jovem garota conversam sobre a recente história política brasileira. E “jovem” porque ela é de fato um tanto nova: tinha apenas 11 anos quando estourou o primeiro grande escândalo, por conta das revelações de Jefferson.

Enfim, confiram o papo, que também serve como alento a todos nós sobre a nova geração:

https://twitter.com/thainacatao/status/797823938088882176

https://twitter.com/thainacatao/status/797827128905629701

https://twitter.com/thainacatao/status/797829021799170048

https://twitter.com/thainacatao/status/797831200001900544

https://twitter.com/thainacatao/status/797833865704435712

 

É isso aí. Os bons políticos sabem usar as redes de forma interessante. Quanto ao mais, foi realmente graças aos eventos de 2015 que tudo o mais aconteceu.

STF “perdoa” Dirceu pelo Mensalão, mas não muda muita coisa: ele continua preso na Lava Jato

José Dirceu acaba de receber indulto do STF, referente à condenação que recebeu por conta do Mensalão. O benefício foi concedido pelo Ministro Luís Roberto Barroso.

Ocorre que o petista continuará preso, pois foi condenado a 23 anos na Operação Lava Jato.

De todo modo, já passou da hora de o Congresso Nacional acabar com os benefícios às vezes inexplicáveis de nossas leis. Presos que saem para “comemorar” datas, indultos etc.

Lula criou o Petrolão para evitar um processo de impeachment em decorrência do Mensalão

Com o PT fora da Presidência da República, parece estar mais fácil para os delatores detalharem o que sabem ao Ministério Público Federal. Delcídio do Amaral, que por 13 anos foi senador pelo PT, e chegou a liderar o governo na gestão Dilma Rousseff, entregou que o Petrolão foi criado por Lula para evitar um processo de impeachment decorrente do Mensalão.

Como o brasileiro sabe hoje, Dilma Rousseff só foi cassada após perder apoio parlamentar. Sufocado em 2005 pelo Mensalão, em vez de atacar o legislativo, Lula o comprou, fatiando a Petrobras com o PMDB e o PP, além, claro, do próprio PT. Desta forma, garantiu apoio para buscar a reeleição. E, com a propina desviada do esquema, se financiou para campanha.

Delcídio falou nos seguintes termos:

Quando veio o mensalão, ele (Lula) percebeu, ou ele se arruma ou poderia ser impichado. (…) O Lula fez uma revisão das posições que ele vinha assumindo, dizendo ‘ou eu abraço o PMDB ou eu vou morrer’. Foi então que o PMDB estabeleceu tentáculos em toda a estrutura do governo, como o Ministério das Minas e Energia e a Eletrobras. O setor elétrico, que era feudo do PFL, passou a ser do PMDB.”

Ou seja… O impeachment que foi evitado em 2005 rendeu o impeachment que afundou o PT em 2016. Neste sentido, para lá de justo. Mas a um alto custo: uma década de desenvolvimento do Brasil.

Não precisava ter sido assim.

Para salvar Lula, o petismo usa o mesmo argumento que não salvou Dirceu (“não há provas”)

Aos poucos o petismo vai ficando enfadonho pois cada vez mais repetitivo. Quando o Ministério Público Federal deixou bem claro que Lula era o “comandante máximo” do esquema que praticamente faliu a Petrobras, os petistas logo correram para as redes sociais alegando ausência de provas. Detalhe: a coletiva de Deltan Dallagnol ainda nem havia chegado à metade.

Quem acompanhou o noticiário de novembro de 2013 pode ter vivido um déjà vu. Naquele mês, o STF mandou José Dirceu e José Genoino para a cadeia pelos crimes cometidos no Mensalão. Para tanto, Joaquim Barbosa precisou se valer do domínio de fato, teoria que já havia condenado vários corruptos na América Latina e finalmente foi posta em prática no Brasil. Por ela, prova-se a culpa responsabilizando o topo da hierarquia, uma vez que só eles seriam capazes de coordenar a quadrilha, e justo eles seriam os principais beneficiados.

O que gritaram os petistas? Que Dirceu e Genoino foram condenados sem provas.

Gritaram em vão, pois Dirceu já chegou a ser preso novamente. E hoje ninguém dúvida dos crimes cometidos.

Se Lula for depender desse argumento, cumprirá uma pena bem longa. E será bem justo.

A Lava Jato concluiu o serviço incompleto de Barbosa: acusou Lula de chefiar o esquema

Para mandar José Dirceu para a cadeia, Joaquim Barbosa precisou tirar da manga a “teoria do domínio de fato”. E se esforçou para provar no plenário do STF que, se todos os subordinados ao ministro de Lula agiam em benefício dos interesses do ministro de Lula, o ministro de Lula seria o chefe daquele esquema.

O jurista Ives Gandra, já na época, alertou a opinião pública de que a aplicação estava incompleta. Porque o principal beneficiado não era José Dirceu, mas o próprio Lula. Portanto, o próprio Luiz Inácio Lula da Silva deveria ter virado réu. Mas Barbosa nada podia fazer, pois o então procurador-geral da República simplesmente não incluiu o então presidente na denúncia.

Com a Lava Jato não teve conversa. Deltan Dallagnol usou a mesma lógica do domínio de fato. Levantou provas que demonstram que o Petrolão foi uma adaptação do Mensalão: em vez de dinheiro vivo, usava-se cargos na Petrobras para se comprar apoio parlamentar. Pior: com a ciência de que seriam usados para desvios de dinheiro. E o observou que o esquema continuou mesmo após a saída de José Dirceu do governo Lula. Logo, o chefe não deveria ser, mas algum superior. E acima dele só havia o presidente da República.

Por isso o Ministério Público foi muito claro ao dizer: “Lula é comandante máximo do esquema de corrupção“.

A Justiça caminha para finalizar o trabalho que o STF se negou a completar anos atrás. Isso, claro, se o atual STF tiver interesse em fazer justiça – coisa que há tempos não é possível garantir.

Lava Jato: depoimento de Valério a Moro é bomba atômica com Celso Daniel e Mensalão

Em abril, coincidentemente no dia da mentira, avisamos que a Lava Jato ganharia contornos terríveis para o PT. A fase deflagrada naquele dia, “Carbono 14”, poderia complicar a vida do PT de formas ainda mais avassaladoras. Afinal, encontraram um fio de meada que viria desde o assassinato de Celso Daniel, passando pelo Mensalão e culminando no Petrolão.

A cúpula do PT teria sido chantageada por conta do homicídio do então prefeito de Santo André, um caso ainda repleto de mistério. Justamente Marcos Valério, figura-chave do Mensalão, participou das negociações para comprar o silêncio de Ronan Maria Pinto. E então os valores envolvidos nesse negócio foram “repostos” por meio do Petrolão, o que leva tudo para a Lava Jato.

O que era uma forte suspeita da fase “Carbono 14” agora se transformou em depoimento registrado. Aliás, Marcos Valério aproveitou para falar do uso, pelo PT, de blogs e jornalistas para massacrar adversários e destruir reputações.

Mas é preciso falar mais dessa verdadeira bomba atômica.

Não é mero acaso ou pura coincidência a reunião dos três piores escândalos petistas num único enredo. Os fatos são todos encadeados não por circunstâncias fortuitas, mas sim pela presença das mesmas figuras realizando as mesmas práticas. Não por acaso, a expressão “ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA” aparece em vários momentos.

Segundo a PF, Pasadena estaria ligada à “Orcrim” da Petrobras. O governador petista Fernando Pimentel, entre outros crimes em seu indiciamento pela PF, também consta o de “Organização Criminosa”. Paulo Bernardo, ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff e marido da senadora petista Gleisi Hoffmann (PR), foi denunciado e o juiz, ao aceitou tal denúncia, destacou o trecho em que ele foi apontado como chefe da “Organização Criminosa”.

Todos eles agiam separadamente? Cada uma seria, no caso de haver condenação, uma “Orcrim” autônoma?

Eis que o próprio Lula, bem recentemente, foi ele mesmo denunciado como chefe de uma “Organização Criminosa” com o objetivo de melar a Lava Jato. Justamente a investigação que abarca todos os escândalos.

A coisa está ficando muito mais feia do que o imaginado.

Marcos Valério delatou a Moro o que sabe sobre a relação de Lula com a morte de Celso Daniel

Conforme adiantado aqui mesmo no Implicante, Sérgio Moro finalmente teve a oportunidade de bater um papo com Marcos Valério, o publicitário que cumpre a maior pena dentre os condenados pelos crimes do Mensalão. E os sempre ágeis Antagonistas já conseguiram descobrir o teor da conversa.

Sim, Lula foi o centro da pauta. E a respeito do tema mais espinhoso da história do PT: o assassinato de Celso Daniel. De acordo com o relato trazido pelos jornalistas, Valério entregou a Moro que, a pedido de Silvio Pereira, tentou comprar o silêncio de Ronan Maria Pinto – o empresário estava chantageando o ex-presidente com informações sobre a morte do companheiro de partido.

Valério buscou o deputado federal José Janene, que negou ajuda. Só depois surgiu a ideia de usar o Banco Schahin, onde foi levantado um empréstimo quitado com propina de uma sonda da Petrobras.

O que Ronan Maria Pinto ameaçava contar? Era verdade? Se não era verdade, por que Lula comprou o silêncio?

A Lava Jato caminha para responder todas essas questões. E dessa vez sem nenhum petista na Presidência do país.

 

Em vídeo de 2013, Joaquim Barbosa diz que Ricardo Lewandowski desrespeita o STF com chicanas

Quem acompanha o perfil de Joaquim Barbosa no Twitter pode estar decepcionado com toda a conivência do ex-presidente do STF com o que fazia o PT para evitar sofrer um processo de impeachment. Mas, não faz muito tempo, o ex-ministro lavou a alma dos brasileiro ao peitar uma solicitação de Ricardo Lewandowski no plenário.

Na ocasião, se o julgamento do mensalão seguisse se arrastando, crimes prescreveriam e os meliantes sairiam impune. Foi quando Lewandowski pediu para discutir novamente uma questão que já havia sido superada por unanimidade. E Barbosa não se conteve. Além de literalmente dizer que o companheiro de toga estava ali fazendo um “chicana”, disse com todas as letras que o juiz que viria a arbitrar a manutenção dos direitos políticos de Dilma não respeitava a história “multicentenária” do STF.

https://www.youtube.com/watch?v=G-Qk2QkZQvw

Para relembrar o embate, basta acionar o player acima.