Para se livrar do processo, Temer exonerou 10 de 12 ministros com mandato na Câmara

02/08/2017 - Brasília - DF, Brasil - O presidente Michel Temer faz pronunciamento após a aprovação do relatório que desautoriza o STF a investigá-lo

A nomeação em si já é algo questionável. Afinal, por ela, o presidente da República desloca para o executivo parlamentares que foram escolhidos para atuarem no legislativo. Um vez ocupando um ministério, é possível toda uma gama de manipulações nas bancadas, o que configura uma gritante interferência entre os poderes. Mas o Brasil não se cansa de provar que pode ir ainda mais baixo na manobra.

A prática se tornou evidente nos últimos meses do governo Dilma. Por medo da inevitável queda, exonerava alguns de seus auxiliares para que reocupassem a cadeira no Congresso e garantissem votos à base governista. Com Temer, entretanto, o uso vem sendo explorado ao limite. No 2 de agosto de 2017, para arquivar a denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, o peemedebista exonerou 10 de 12 ministros com mandato de deputado federal. E só livrou dois deles porque não havia vantagem em seus casos específicos.

De acordo com a Exame, a articulação foi toda tramada por Aécio Neves, o alvo principal do levante de Rodrigo Janot contra a base da gestão Temer. Ou o tucano que mais tinha interesse na manutenção de Temer no cargo – afinal, após o bombardeio, o mineiro segue firme no Senado.

Curiosamente, justo a ala paulista do PSDB dificultou o arquivamento. Apenas um dos 12 deputados federais por São Paulo voltou em acordo com a vontade de Aécio, configurando mais um racha na na sigla: enquanto o grupo encabeçado pelos mineiro queria salvar Temer, o que responde a Geraldo Alckmin preferia ver o sangramento em praça pública do Presidente da República. O partido chegou ao cúmulo de recomendar voto contrário ao relatório entregue por Paulo Abi-Ackel, do PSDB de Minas Gerais.

O conflito entrega que, para 2018, há o risco de os tucanos reprisarem os erros que os fizeram perder as últimas quatro eleições presidenciais.

Dallagnol confirmou que o contingenciamento do governo Temer já compromete a Lava Jato

22/06/2016 – Brasília – DF, Brasil – O Procurador da República, coordenador da Força Tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, durante Comissão Geral da Câmara dos Deputados para debater o projeto de lei que estabelece medidas contra a corrupção.

O governo Temer vem contingenciando os recursos da Polícia Federal. O Ministério da Justiça alega que estaria apenas redistribuindo os trabalhos com outras praças. Mas, desde o início, os críticos apontam que esta seria uma das muitas jogadas sujas para enfraquecer a Lava Jato.

Uma entrevista do próprio Deltan Dallagnol alinhou a visão da operação com a dos críticos: essa atitude vem, sim, comprometendo os trabalhos em Curitiba. Eles não foram interrompidos, e a prisão de Aldemir Bendine na 42ª etapa é prova disso. Mas já não caminham com a mesma velocidade. E isso interessa muito aos investigados:

Há uma série de linhas de investigação que estão paradas ou andando de modo lento, quando elas poderiam já estar avançadas. Veja que das últimas sete operações pedidas e deflagradas na Justiça, da Lava-Jato, seis partiram do Ministério Público Federal (MPF), apenas uma da Polícia Federal. Se a PF estivesse com recursos humanos, tivesse com uma equipe adequada, nós teríamos, em vez de sete, 12 operações, seis da PF e seis do MPF.”

Os números soam bem claros. Enquanto, no primeiro semestre de 2016, a Lava Jato foi às ruas em nove oportunidades, os investigadores conseguiram deflagrar apenas quatro novas fases no início de 2017.

Parece nítido que o governo Temer vem sufocando a operação. Em 2018, o eleitor será incansavelmente lembrado disso. Depois não adianta reclamar do resultado da votação.

O Mercosul confirmou: o socialismo pariu mais uma ditadura, a da Venezuela

21/07/2017- Mendoza – Argentina- Sessão Plenária dos senhores Presidentes dos Estados membros do Mercosul, estados associados, México e convidados especiais

E o recado veio pela voz de um brasileiro, no caso, Michel Temer, que assume a presidência do bloco econômico pelo próximo semestre. O encontro da cúpula ocorreu na Argentina. Ao substituir Mauricio Macri no comando do Mercosul, o presidente do Brasil deixou claro que a Venezuela já não é mais uma democracia. Ou seja: mesmo em sua versão “século XXI”, o socialismo pariu mais uma ditadura, para máximo azar dos venezuelanos.

“Essa é a postura do Mercosul em seu conjunto. Nossos chanceleres reconheceram formalmente a ruptura da ordem democrática na Venezuela. (…) Somos profundamente sensíveis à deterioração do quadro político-institucional, às carências sociais que, nesse país amigo, ganham contornos de crise humanitária. (…) Nossa mensagem é clara: conquistamos a democracia, em nossa região, com grande sacrifício, e não nos calaremos, não nos omitiremos frente a eventuais retrocessos.

Com isso, o processo para que a Venezuela deixe o bloco deve seguir o rumo. Atualmente, ela já se encontra suspensa. Tanto que Nicolás Maduro não participou deste encontro.

Não foi por falta de alerta. Desde antes da entrada dos bolivarianos mais ao norte, os críticos apontavam o processo de corrosão da democracia venezuelana em curso desde os mandatos de Hugo Chávez. Mas a lição, ao que tudo indica, não foi aprendida por aqueles que abriram caminho para os ditadores. Na semana em que o centésimo manifestante morreu protestando contra Maduro, o PT achou por bem reforçar o apoio ao regime.

Reforma Trabalhista: por 46 a 19, Senado aprova urgência, confirmando força de Temer na Casa

O Senado Federal aprovou hoje a urgência na Reforma Trabalhista, permitindo com que seja votada daqui a duas sessões, sem voltar para análise. Para além das decorrências óbvias do requerimento aprovado, o placar de 46 a 19 mostra que Michel Temer ainda está forte no Senado.

Um presidente “em queda” não aprova requerimento de urgência algum, menos ainda para algo tão polêmico, a jamais com placar elástico dessa forma.

Aos que gostam ou não da notícia, ela é notícia: ele não cai no Senado Federal (já não cairia na Câmara, mas essa votação joga pá de cal nos planos de impeachment).

Pra escapar da CCJ, Michel Temer tem encontro fora da agenda com mensaleiro condenado

02/08/2017 - Brasília - DF, Brasil - O presidente Michel Temer faz pronunciamento após a aprovação do relatório que desautoriza o STF a investigá-lo

Definitivamente, Michel Temer não está muito preocupado com a opinião pública, menos ainda com as notícias que saem pela grande mídia. Ou, ainda que esteja, a preocupação maior é salvar-se na Câmara, cuja CCJ votará em breve o pedido de seu impeachment.

Assim, algumas ações impopulares acabam sendo necessárias.

Foi o caso da reunião fora da agenda que teve com Waldemar da Costa Neto, condenado no mensalão do PT, mas que ainda exerce grande poder de comando sobre o PR. Para piorar, segundo informa a repórter Andréia Sadi, da Globonews, o encontro não estava na agenda.

Prisão de Geddel, ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff, deixa petistas em “cilada narrativa”

Geddel Vieira Lima (PMDB/BA) é aliado de Michel Temer, foi seu ministro e acabou pedindo demissão depois de ser acusado pelo também ex-ministro Marcelo Calero. Geddel Vieira Lima foi preso ontem pela PF. Então, presume-se, os petistas estão batendo bumbo, não é mesmo? Claro que não.

Isso porque o mesmo Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff, foi preso sob acusação de fatos havidos entre 2011 e 2013. Na época, ele era Vice-Presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e, como é sabido, a CEF pertence ao governo federal, que estava sob Dilma no referido período.

O grande problema das narrativas é esse: os fatos não costumam dar atenção a ela, e aí tudo fica complicado. E isso vale também para os “temeristas” (ou o que quer que seja isso), quando dizem que o grupo atual é muito diferente daquele que comandou o país outrora.

Será?

Análise: fracasso retumbante da “Greve Geral” é outra boa notícia para Michel Temer

Antes de tudo, é bom deixar claro: não é que a “Greve Geral” deu apenas um pouco errado, não é que as manifestações foram um leve fracasso… O patamar é outro! Em Brasília, por exemplo, vendedores ambulantes reclamaram da falta de gente (não é piada).

Com isso, o óbvio: Michel Temer comemora. Já seria matematicamente complicadíssimo tirá-lo pela via do impeachment, e agora com protestos esvaziados tudo fica tecnicamente impossível.

Nossa análise, já expressada noutras ocasiões, é no sentido de que a baixa adesão não decorra apenas de uma apatia coletiva. Nada disso. O problema é que os movimentos anti-Temer mais organizados acabam se mostrando favoráveis ao pessoal de vermelho – e aí o povo não adere.

Por fim, também fica mais e mais aparente a ideia de que mesmo alguns adversários preferem que ele não caia. Melhor assim, para todos eles – os políticos.

Matemática: com 1/3 da Câmara, Temer não cai; justamente 1/3 da Câmara está sob investigação

Foto: Mario Roberto Duran Ortiz

Como já falamos aqui algumas vezes, é praticamente impossível que Michel Temer caia por meio de um impeachment. Isso por conta dos números: atualmente, ele tem maioria e, para cair, precisaria ter menos de um terço.

Agora, o jornal Gazeta do Povo traz outro número lamentável: exatamente um terço da Câmara dos Deputados está sob investigação.

Um retrato do Brasil.

Reunindo Dilma, Lula, Temer e Aécio, a “Frente Anti-Lava Jato” implode todas as narrativas

Muita gente não entendeu uma declaração de Lula, no final da semana passada, tecnicamente em favor de Michel Temer. Apesar da sensatez estratégica, considerando que o argumento valeria para todos, alguns militantes ficaram sem ação.

Agora, segundo informa o Painel da Folha, a coisa tende a ficar um tanto tragicômica. Seguem trechos, voltamos depois:

“Advogados de Temer, Dilma, Lula e Aécio articulam manifesto para questionar o Judiciário e o MP

Nós contra eles 2.0 – Os advogados de Michel Temer (PMDB), Dilma Rousseff (PT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Aécio Neves (PSDB) articulam o lançamento de um manifesto para questionar a atuação da Justiça e do Ministério Público. Os debates se desenrolam em um grupo de WhatsApp intitulado “Prerrogativas” — e a OAB é alvo frequente de críticas. Nas discussões, tratam da confecção de texto que prega o fim do que chamam de “Estado de exceção” e a “retomada do protagonismo da advocacia”.

Criador… – O “pai” do manifesto dos criminalistas é o ex-presidente Lula. A ideia, que antes se restringia a trocas de mensagens no grupo, ganhou força depois do ato de desagravo aos defensores do petista, em maio, em São Paulo. Os questionamentos à delação da JBS deram o impulso final na articulação.

…e criatura – Alberto Toron, advogado de Aécio Neves e Dilma Rousseff, Cristiano Zanin, defensor de Lula, e Antonio Mariz de Oliveira, de Temer, estão na linha de frente da formulação do manifesto. Todos os políticos estão na Lava Jato e foram fortemente implicados na delação de Joesley e Wesley Batista.

Teoria e prática – Outros criminalistas fazem parte do grupo que prepara o texto. Eles discutem criar um curso para debater o que seria ‘Estado de exceção'” (grifamos)

Pois é

A primeira narrativa a sofrer com isso é a do “golpe”. Se já estava morta e enterrada, agora não sobrou nem o pó. Além dessa, também perde a sustentação a tese mais recente, e não menos estapafúrdia, de que defender a Lava Jato seria ajudar Lula para 2018 (chega a ser esquisito acreditar que alguém a sério defenda isso).

E o fato acaba complicando a situação dos que vêem (ou viam, porque agora não há como manter o ponto-de-vista) em Michel Temer uma figura antagônica a Lula. O mesmo valendo para Aécio.

No fim, o “nós contra eles” usado pelo Painel da Folha de SP é a impressão deixada pelo tal manifesto. Depois, não dá para reclamar do declínio da classe política e suas velhas figuras.

Na leitura da denúncia contra Michel Temer, as cadeiras estavam vazias no plenário da Câmara

Falamos há pouco sobre quão difícil (talvez impossível) seria Michel Temer cair por força do Congresso Nacional, já aprovou na CCJ do Senado a Reforma Trabalhista. E agora, na Câmara, mais uma mostra disso.

Vejam estes posts, de dois repórteres da Globonews, voltamos em seguida:

A denúncia só segue adiante se for aprovada por pelo menos 2/3 da Câmara. E o contingente mostrado nas fotos dá uma pista bem razoável de que isso estaria um tanto distante. Ou, repetindo, quase impossível.