Sérgio Cabral teria mandado Marcelo Calero grampear Michel Temer? Os horários se encaixam

O jornalista Claudio Tognolli publicou em seu canal no YouTube que Marcelo Calero registrou em áudio a pressão sofrida por Geddel Vieira Lima a mando da Polícia Federal. Mas que o ministro da Cultura teria ido além e gravado inclusive o presidente da República. E mais: a mando de Sérgio Cabral, que havia sido detido pela operação Calicute, uma das fases da Lava Jato.

Faz sentido? Bom… Sérgio Cabral foi detido na manhã de 17 de novembro de 2016. A primeira conversa de Calero com Michel Temer se deu horas depois, na tarde daquela quinta-feira. A gravação em si, contudo, teria rolado num segundo encontro, por volta das 21 horas.

Os horários batem.

Temer recriou o MinC para agradar artistas, artistas recusam homenagem do MinC

17.11.2015 - Vice-presidente Michel Temer no congresso da Fundação Ulysses Guimarães. Foto: Romério Cunha

Ao assumir ainda interinamente a Presidência do Brasil, Michel Temer devolveu o Ministério da Cultura à pasta da Educação, dando um mínimo de sentido à sigla MEC (Ministério da Educação e Cultura). Mas todo um mar de artistas achou um absurdo ter que dividir espaço com uma pasta tão vital e, após muito barulho, o peemedebista recriou o MinC.

Bom… Ao menos três artistas estão pouco se importando com que Michel Temer possa fazer para agradá-los. E recusaram homenagens oferecidas pelo Ministério da Cultura atual. Mostrando que pouco se importam com a Constituição Federal, com as leis em geral ou mesmo com os 54,5 milhões de votos que a chapa Dilma/Temer recebeu em 2014, eles dizem que este governo seria ilegítimo.

O Implicante se nega a dar visibilidade a tais figuras. Mas deixa o protesto: ilegítimo é dedicar tanta verba pública a artistas que possuem plenas condições de fazer fortunas por seus próprios meios.

O governo Temer trabalha para a Lei Rouanet ter prestação de contas em tempo real

24.05.2016, Brasília - O novo ministro da Cultura, Marcelo Calero, durante cerimônia de posse no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato.

Até hoje, a Lei Rouanet trabalha num formato arcaico, com duas contas bancárias. Numa, a verba entra no projeto. Noutra, ela sai por intermédio de transferências bancárias ou cheques. Tudo isso torna a prestação de contas lenta – um projeto assinado por Claudia Leitte levou três anos para ser reprovado, por exemplo.

O governo Temer trabalha para resolver esse problema. A ideia é que tudo funcione com uma única conta manipulada por uma espécie de cartão de crédito em negociação com o Banco do Brasil. Mas não para por aí: com o sistema eletrônico, a prestação de contas ocorreria em tempo real pela Portal da Transparência. Ou seja… O próprio cidadão brasileiro poderia fiscalizar o uso dos recursos pela internet.

É claro que isso não resolve todos os problemas envolvendo a Lei Rouanet, mas já evitaria as fraudes mais rasteiras e, aparentemente, mais corriqueiras.

A intenção de Marcelo Calero, ministro da Cultura, é ter o dispositivo em pleno funcionamento já em 2017.