A inacreditável desculpa de Dilma Rousseff para atacar o núcleo de Temer e não ser atingida

Falamos há pouco da entrevista da ex-presidente Dilma à Folha de SP, especificamente da explicação inusitada acerca da conversa com Marcelo Odebrecht. Em suma: disse que estava indo ao banheiro, acabou não entendendo nada do papo. Pois é.

Mas há outro trecho interessantíssimo, vale conferir (e voltamos depois):

A senhora afirmou recentemente que conhecia bem o grupo de Michel Temer no PMDB e disse que não deixou Moreira Franco roubar.
Diz-me com quem tu andas que eu te direi quem és.

A senhora soube de algo que comprometa o Temer?
Não, querida, isso eu não posso dizer. Porque se eu soubesse ele não demorava nem dois minutos para sair. Já do Moreira eu suspeitava. Suspeito. O Eliseu Padilha [ministro da Casa Civil] é do Rio Grande do Sul, como eu. Sai na rua e pergunta para as pessoas quem ele é.

Se a senhora sabia tanto, por que eles ficaram no seu governo?
Eu soube bem lá pelo fim do governo.

A senhora conviveu muitos anos com eles.
Eu não convivi não, querida. “Yo”, no. Agora, há uma coisa gravíssima no Brasil, que não é se rouba ou deixa roubar, porque isso você pune, prende.

Situação complicada, né? Ela precisa, a um só tempo, atacar o núcleo de Michel Temer, mas não deixar que a coisa espirre pra cima da própria imagem. Aí saem essas coisas até um tanto engraçadas, como dizer isso de Eliseu Padilha, sem mencionar que ele foi seu ministro.

Moreira Franco, então, esteve por quatro anos em seu ministério.

E dizer que soube “lá pelo fim do governo” é algo complicado, considerando que ela convidou Eliseu Padilha para ser seu articulador em 2015.

Eis um problema da esquerda, no geral, e de muitos petistas, em especial: as “narrativas” começam a exigir retoques e os fatos acabam atrapalhando esses enredos.

Dilma Rousseff sobre um ministro: “não o deixei roubar, querida”. Ok, mas e os outros?

Sob pretexto de atacar Michel Temer, que tem Moreira Franco como grande aliado, Dilma Rousseff fez uma declaração e tanto em entrevista concedida ao Valor Econômico. Basicamente, disse o seguinte:

“O gato angorá tem uma bronca danada de mim porque eu não o deixei roubar, querida. É literal isso: eu não deixei o gato angorá roubar na Secretaria de Aviação Civil. Chamei o Temer e disse: ‘Ele não fica. Não fica!‘.” (grifamos)

Em primeiro lugar, Moreira Franco (Brizola, líder do PDT, a que Dilma pertenceu antes de ir para o PT, chamava-o de “gato angorá”) ficou QUATRO ANOS no primeiro escalão dilmista. Um tempo e tanto, não é mesmo?

Mas há um outro dado aí.

A declaração traz como decorrência óbvia o fato de que ela, afinal, tinha ciência do que faziam seus ministros. Assim sendo, como ficam todos os outros? Ou vai dizer, nos demais casos, que não sabia de nada? Essa desculpa ficou complicada agora.

aqui uma lista de ministros da era Lula/Dilma que estão sob investigação.

E agora?

Dilma diz ter mudado ministro para não deixá-lo roubar – após 4 anos no governo dela?!

Dilma Rousseff apareceu em entrevista no Valor Econômico vendendo-se como alguém que não tolerava corrupção em seu governo. O alvo principal foi Moreira Franco, que surge com o apelido de “gato angorá” em uma das planilhas da Odebrecht. A presidente cassada alegou, inclusive, haver um certo rancor da parte do ex-ministro porque teria sido impedido de “roubar”.

O gato angorá tem uma bronca danada de mim porque eu não o deixei roubar, querida. É literal isso: eu não deixei o gato angorá roubar na Secretaria de Aviação Civil. Chamei o Temer e disse: ‘Ele não fica. Não fica!‘.”

O que Dilma não conta na entrevista é que tudo não foi assim tão de imediato, afinal, Moreira Franco foi ministro dela durante todo o primeiro mandato. De 1 de janeiro de 2011 a 15 de março de 2013, chefiou a Secretaria de Assuntos Estratégicos; de 16 de março de 2013 a 31 de dezembro de 2014, a Secretaria de Aviação Civil.

Ela só o tirou do cargo quando assumiu o segundo mandato.

Confira 38 nomes dos mais de 170 políticos que surgiram na segunda “lista de Janot”

A Globo já dá como certa a citação de pelo menos 170 nomes na segunda “lista de Janot”, dessa vez baseada nas delações da Odebrecht para a operação Lava Jato. São autoridades que têm ou já tiveram em algum momento foro privilegiado.

Deste grupo maior, a emissora já confirmou um total de 38. E, ao que tudo indica, seguirá o mesma rotina de verões passados: a cada nova edição do Jornal Nacional, um novo punhado de autoridades é revelado de forma a deixar o assunto sempre em pauta.

O Implicante resume abaixo os 38 nomes já conhecidos:

DEM

  1. José Carlos Aleluia
  2. Rodrigo Maia

PMDB

  1. Edison Lobão
  2. Eduardo Cunha
  3. Eliseu Padilha
  4. Eunício Oliveira
  5. Geddel Vieira Lima
  6. Lúcio Vieira Lima
  7. Luiz Fernando Pezão
  8. Marta Suplicy
  9. Moreira Franco
  10. Paulo Skaf
  11. Renan Calheiros
  12. Renan Filho
  13. Romero Jucá
  14. Sérgio Cabral

PRB

  1. Marco Pereira

PSB

  1. Lídice da Mata

PSD

  1. Gilberto Kassab

PSDB

  1. Aécio Neves
  2. Aloysio Nunes
  3. Beto Richa
  4. Bruno Araújo
  5. Duarte Nogueira
  6. José Serra

PT

  1. Andres Sanchez
  2. Antonio Palocci
  3. Dilma Rousseff
  4. Edinho Silva
  5. Fernando Pimentel
  6. Guido Mantega
  7. Jorge Viana
  8. Lindbergh Farias
  9. Luiz Inácio Lula da Silva
  10. Marco Maia
  11. Tião Viana

PTB

  1. Paes Landim

Sem partido

  1. Anderson Dornelles

Nomeação de Moreira Franco é lamentável, mas comparar à de Lula é abuso de má-fé

Nós do Implicante seguimos contra a nomeação de Moreira Franco ao ministério, mantendo a posição firmada por aqui há mais de dez dias. Nas condições “normais”, já não seria razoável, mas nos dias de hoje é algo ainda mais negativo.

Porém, e este é um “porém” fundamental, este caso não tem nada a ver com o de Lula. Nada vezes nada. Os que buscam uma similaridade fazem por pura má-fé, aí então seguidos pelos que aderem à tese por burrice.

Moreira Franco foi citado numa delação da Lava Jato, Lula estava sob investigação, já havia sido conduzido coercitivamente e as especulações sobre sua prisão corriam na mídia. Isso já encerra tudo, mas vale pormenorizar alguns outros aspectos.

O que é, afinal, uma “citação”? Trata-se da menção a um nome, por delator, algo que será investigado e, caso concluam pela procedência do que foi delatado, há o indiciamento e, depois disso, a denúncia. Uma testemunha (ou um delator) meramente CITAR um nome, sob qualquer ponto de vista jurídico, não é condição bastante para que a pessoa citada não possa mais ocupar cargo público.

Convenhamos, isso é o óbvio. Ah, mas então por que fomos e somos contra a nomeação de Moreira Franco? Porque nossa posição vai além do ponto meramente jurídico, sobretudo quando se trata de um momento de tamanha turbulência na política nacional.

Lula, por sua vez (e claro que também fomos contra), já tinha passado – E MUITO! – da fase da mera citação. Não se tratava mais de apenas um delator citando seu nome, mas sim de condução coercitiva realizada, investigações abertas e assim por diante.

Outro ponto importante é que Temer garantiu afastar um ministro quando houver denúncia e demiti-lo de vez se a denúncia for aceita. Havendo isso, a diferença de um para o outro são ainda mais abissais.

Por fim, aos esquerdistas que reclamam dos que agora não batem panela, a questão deve ser posta em perspectiva real: por que vocês aplaudiram a nomeação de um investigado e agora repudiam a de alguém meramente citado?

Não, eles não responder.

Em apenas 5 horas, a Justiça brasileira tomou 3 decisões bizarras tumultuando todo o país

A primeira foi conhecida no início da tarde, quando a Justiça de São Paulo proibiu João Doria de limpar a sujeira feita nos muros de São Paulo sem pedir permissão antes. Pior: estipulou multa de meio milhão de reais caso a decisão seja ignorada.

A segunda veio da Justiça de Minas Gerais, que viu vínculo empregatício entre o UBER e os motoristas que fazem uso do aplicativo. Com isso, está aberta a porteira para brasileiros reclamarem de vínculo empregatício em qualquer serviço que lhe renda algum trocado, o que fará com que empresas de tecnologia pensem duas vezes antes de aceitarem cadastros no Brasil.

Ao final da tarde, a mais polêmica de todas: em Brasília, o STF ignorou a decisão que afastou Lula da Casa Civil e liberou Moreira Franco para que se torne ministro do governo Temer, inclusive com foro privilegiado. Com isso, e com certa razão, o petista já está correndo atrás de regalia semelhante.

O problema brasileiro não restringe-se a um único poder. O mal a ser combatido está nos três. E essa será uma longa guerra.

O governo Temer não pode se dar ao “luxo” de repetir os erros do governo Dilma

Já se sabe que Moreira Franco foi citado algumas vezes na delação que a Odebrecht assinou com a Lava Jato. Quem é Moreira Franco? É o secretário do Programa de Parcerias e Investimentos de Michel Temer. Contudo, o presidente deve promovê-lo a secretário-geral da Presidência, o que renderia ao delatado poderes e privilégios de ministro. Com isso, ganharia foro privilegiado e toda a Justiça branda promovida pelo STF em Brasília.

Sim, lembra muito o gesto de Dilma Rousseff ao nomear Lula para a Casa Civil, o que torna a decisão ainda mais equivocada – também vai de encontro aos anseios da população a criação de dois novos ministérios, somando um total de 28.

O resultado é que a esquerda já se assanhou e partiu para o ataque não só a Temer, mas a todo brasileiro que foi às ruas pedir o impeachment de Dilma.

Claro que querem apenas fazer festa em cima do ato, do contrário, teriam ao menos prometido um mandado de segurança semelhante ao que barrou a nomeação do ex-presidente.

Mas este é um “luxo” – para não chamar de coisa bem pior – que Michel Temer não pode se permitir. É verdade que tem apoio do Congresso, mas não tem popularidade para peitar a imprensa esquerdista. E apoio no Congresso não é tudo, afinal, Dilma teve a maior base parlamentar que este Brasil já conheceu. E caiu mesmo assim.