Michel Temer acabou com o “presidentA”: oficialmente, Dilma agora é “(ex-)presidente”

Uma das primeira iniciativas de Dilma Rousseff foi revertida por uma das primeiras iniciativas de Michel Temer. E, agora, o horroroso “presidenta” foi abolido da comunicação oficial do governo. No site do Planalto já é possível ler que “Michel Temer é o presidente da República interino desde 12 de maio de 2016, após o Senado Federal afastar temporariamente a presidente Dilma Rousseff”.

A medida tem, claro, um efeito mais simbólico do que prático, mas parece em sintonia com as primeira palavras ditas ontem pelo presidente, quando afirmou não ter interesse em personalizar programas de gestões anteriores, em nítida referência às práticas do PT nos últimos 13 anos. Não diferir o gênero do cargo principal foi uma forçação de barra por parte de Dilma para fingir que fazia algo pelas mulheres. Voltar atrás torna tudo mais neutro como nunca deveria ter deixado de ser.

Placar dos ministros investigados: Dilma Rousseff 21 x 8 Michel Temer

De volta à oposição, a esquerda voltou a se preocupar com a qualidade dos ministros que auxiliam o presidente da República. E logo fizeram questão de espalhar que 7 dos nomeados por Michel Temer estavam sendo alvos da Lava Jato. Tolinhos. São 8 ministros. Ou 13 a menos do que os investigados que auxiliaram Dilma Rousseff nos pouco mais de 5 anos de desgoverno. Destes 21 nomes, ao menos 5 foram exonerados apenas no minuto final.

Um deles participa dos dois momentos: Henrique Alves, ministro do Turismo na gestão anterior e nesta.

Michel Temer bem que poderia ter evitado levantar essa bola para o adversário. Mas, de alguma forma, achou que era um risco que compensava correr. Espera-se que não tenha agido, assim, para dificultar a ação da Lava Jato. Até porque esses 8 nomes continuarão sob investigação, mas aos cuidados de um STF que, diferentemente da gestão anterior, contará com um único membro nomeado pelo partido do presidente: Celso de Mello, ainda pelo longínquo governo Sarney.

Abaixo, a lista completa:

Ministros investigados no Governo Temer

  1. Bruno Araújo
  2. Eliseu Padilha
  3. Geddel Vieira Lima
  4. Henrique Alves
  5. Mendonça Filho
  6. Raul Jungmann
  7. Ricardo Barros
  8. Romero Jucá

Ministros investigados no Governo Dilma

  1. Aloizio Mercadante
  2. Antonio Palocci
  3. Arthur Chioro
  4. Carlos Gabas
  5. Celso Pansera
  6. Edinho Silva
  7. Edison Lobão
  8. Erenice Guerra
  9. Fernando Bezerra
  10. Fernando Pimentel
  11. Gilberto Carvalho
  12. Gleisi Hoffmann
  13. Guido Mantega
  14. Henrique Alves
  15. Izabella Teixeira
  16. Lula
  17. Mario Negromonte
  18. Mauro Borges
  19. Mozart Sales
  20. Paulo Bernardo
  21. Silas Rondeau

 

O impeachment de Dilma difere do de Collor por não ser iniciativa de Brasília, mas do Brasil

Lula e Dilma já entregaram os pontos quanto ao impeachment. Enquanto a presidente se preocupa em sabotar o governo Temer, queimando o que consegue de verba pública, e aparelha as gestões petistas menores, autorizando o que puder aos governadores e prefeitos do partido, o ex-presidente apenas reforça junto à bancada no Senado que mais uma vez os parlamentares precisarão soar um disco arranhado, gritando contra o que chamam de “golpe” sempre que o microfone abrir para eles.

Mas essa versão dos acontecimentos vingará?

Muito leva a crer que não.

A “narrativa” finalmente tornou-se uma palavra absorvida pela noticiário, ainda que estivesse presente há décadas nos bastidores do petismo. Era através dela que o partido se acostumava a basicamente escrever a história do país, sempre de seu ponto de vista, independente de qualquer respeito à realidade. E assim o PT foi galgando degrau a degrau até concluir mais de 13 anos na Presidência da República.

Mas uma voz ganharia notoriedade nos últimos anos e finalmente ofereceria uma alternativa ao conto de fadas petista. Na verdade, muitas vozes. A de milhares, milhões que usam suas redes sociais diariamente para negarem a digestão calada das informações compartilhadas.

O impeachment de Dilma difere bastante do de Collor por não ter sido uma iniciativa de Brasília, mas do Brasil. Não havia oposição ao lado dos manifestantes, nem centrais sindicais, movimentos estudantis, professores, artistas, imprensa, nada. Se não foi um movimento nascido do “povo”, no sentido de ter se originado das camadas mais pobres da população, ao menos é do “povo”, quando se entende que não havia qualquer entidade centralizando o discurso desde aquele novembro de 2014.

Há alguns anos, o PT já perceberia a perda do controle da comunicação. Naquele final de 2013, tentaria fazer vingar o entendimento de que os mensaleiros estavam sendo presos sem qualquer prova. Claro, era uma deturpação da teoria do domínio de fato. Mas não vingaria. Hoje, todo o petrolão é investigado olhando para cima, buscando o topo da cadeia de comando. Entre Joaquim Barbosa e José Dirceu, a disputa foi vencida pelo primeiro.

Por isso, é possível hoje concluir que o PT não faz da leitura dos fatos o que bem entende. Do contrário, teria evitado a perda do seu maior trunfo, a Presidência da República. Se não conseguiram emplacar o discurso no comando de 70% do orçamento do país, não é fora dele que conseguirão.

Não vai ter golpe porque não vai ser golpe. Está tudo muito bem documentado. Sempre que o petismo ousar mentir, basta achar o link com a verdade e jogá-lo no debate. E restará ao petista apenas o grito, a agressão, o chilique, a derrota. Merecidamente.