Tiro no pé: a burrice esquerdista ajudou no sucesso do filme sobre Olavo de Carvalho

“O Jardim das Aflições”, do cineasta pernambucano Josias Teófilo (à direita na foto), que retrata o filósofo Olavo de Carvalho, é uma obra com méritos bastantes para todo e qualquer sucesso. Porém, como se sabe, não é o que tende a acontecer com quem desafie o esquerdismo.

Exceto, claro, quando a estratégia canhota é calcada em sua própria burrice existencial e essencial. E foi o que houve.

Pouco antes da estreia do documentário, cineastas esquerdistas promoveram um “boicote” e, com isso, o filme passou a ganhar a atenção também daqueles menos envolvidos com a política. Um marketing espontâneo que certamente repercutiu na bilheteria. Depois disso, a revista Época tratou do tema, também citando outros casos, e assim mais propaganda positiva apareceu na grande imprensa (que, sabemos, não é exatamente “direitista” em seus cadernos culturais).

Eis que Danilo Gentili, líder de audiência em seu horário, entrevistou não apenas o cineasta, mas também Olavo de Carvalho (vejam a seguir; voltamos depois):

Daí pra frente, sucesso. E todo esse processo é registrado no artigo de João Brizzi, publicado na revista Piauí

CLARO que o filme continuaria sendo uma ótima obra, independentemente do “boicote”. Mas é também óbvio que, com a medida estapafúrdia (e, vamos sempre lembrar, autoritária), a esquerda deu visibilidade ao documentário, ajudando a impulsionar seu sucesso. É o que acontece com quem vive numa microbolha que julga refletir as ideias do resto do mundo.

Quanto ao mais, que “O Jardim das Aflições” abra caminho para mais e mais obras.

psleiam a resenha feita por nosso colunista Thiago Pacheco.

Thiago Pacheco: “Generosidade, aflição: um filme que, ainda bem, existe”

Estreou ontem, em cinemas de algumas capitais brasileiras, o documentário “O Jardim das Aflições”, dirigido pelo cineasta pernambucano Josias Teófilo. Produzido exclusivamente com doações feitas por meio de “crowdfunding” e patrocínios privados, o filme retrata o filósofo, professor e “polemista” Olavo de Carvalho – o uso das aspas serve apenas para indicar o quão pequena e circunstancial essa imputação se torna quando comparada com as outras duas: filósofo e professor. Dizer que Olavo é “polemista” não é uma mentira, claro: quem ouviu o podcast “True Outspeak” e acompanha suas postagens diárias no Facebook sabe disso. Não se trata também de diminuir a relevância de seus comentários mais pontuais, jocosos, sarcásticos, satíricos, ácidos – chame-os como quiser. Eles são parte fundamental do que ele faz. Como quem ilumina o caminho com uma velha lamparina a querosene e maldiz uma pedra em seu sapato, avisa que há um urso nas proximidades e que ele é um filho da puta perigoso, mas que há meios de continuar na trilha em segurança.

A “polêmica” é uma fração menor do que Olavo faz – mas no ambiente previsto e descrito por ele, já há bastante tempo, se tornou uma questão aberrantemente central, tanto é que os maiores divulgadores de “O Jardim das Aflições” acabaram sendo seus detratores: atores, cineastas e produtores esquerdistas que protestaram contra a inclusão do documentário em um festival pernambucano de cinema. O epíteto “o filme que não deveria existir” foi cunhado por um ator, e houve diversas manifestações semelhantes do establishment cultural, cujo uso do cachimbo estatal entortou as bocas que só sabem repetir “a narrativa” da luta de classes e da revolução permanente. Isso sem falar nas vestais escandalizadas com palavrões, cigarros e armas de fogo, as quais só mordem, de maneira tão didática, a chumbada, provando, assim, o ponto segundo o qual não fazem a menor idéia de contra o que estão se “insurgindo”.

Mas, se tem detratores intentos, Olavo tem muito mais admiradores sinceros – o fato de as duas únicas exibições em Curitiba terem lotado, e os ingressos esgotados com muitos dias de antecedência, bem o demonstra. E há, é claro, uma importante distinção: ao contrário de quem habitualmente o xinga, o associa ao “fascismo”, “nazismo”, “extrema-direita” etc., os admiradores de Olavo o conhecem – conhecem sua obra, seu pensamento; são seus alunos, ex-alunos, leitores; enfim, pessoas que pouco ligam para o “fla-flu ideológico” que sua obra possa encetar e estão mais interessadas no que ele propõe: conhecimento. Antes, autoconhecimento.

O documentário tem o mesmo título de um dos mais importantes livros escritos por Olavo, e isso é explicado logo de saída: como o idealismo é o caminho para a tragédia e o morticínio. Não é sem motivo que um dos temas centrais de seus ensinamentos seja a importância do autoconhecimento – conhecer as próprias limitações e defeitos é o primeiro passo para ser livre. Se você não os conhece, há uma chance enorme de que eles sejam usados para escravizá-lo. É só a partir da consciência do indivíduo que a realidade pode ser apreendida. A ânsia por alterá-la e melhorá-la, no mais das vezes, não passa do devaneio de um adolescente que sequer varreu o próprio quarto mas quer determinar como todos os seus semelhantes devem viver e se comportar. O poder do Estado, alerta Olavo, alimenta e é alimentado por essas visões utópicas da ideologia, e cresce e sempre crescerá exponencialmente.

Teófilo dosou, cuidadosamente, o quanto da vida pessoal de Olavo é exibida no filme – o documentário não se ocupa da sua rotina, mas de seu pensamento. Assim é que já há resenhas maledicentes em que se diz que é uma mera reprodução de suas “palestras”, o que é absolutamente injusto com a excelente edição. Quando o filme acabou, eu tive a sensação de que havia começado há pouco tempo, e acabado muito cedo – quase como ler um texto de Olavo: mesmo com bastante conteúdo e informação, é tão bem escrito que se torna fácil de ler e compreender, fluído. Essa clareza, a objetividade que não perde em substância, também é marcante no filme.

Em uma das passagens mais bonitas do documentário, Olavo, ao lado de Roxanne, sua esposa, conta como frequentemente tem entre seus alunos “loucos de todo o gênero” que o abordam com idéias mirabolantes como construir um “ufoporto”, e Roxanne o interrompe para dizer que ele é incapaz de interromper essas tresloucadas exposições, ouvindo-as com o semblante sério, sem jamais contradizer o interlocutor. É a enorme generosidade de Olavo de Carvalho que é melhor retratada no documentário. Adquirir um vastíssimo conhecimento, para ele, parece pouco – o que importa, de verdade, é, no dizer de sua esposa, “libertar inteligências”, e é exatamente isso que ele faz: seja entre seus alunos, seja entre detratores seus que não sabem explicar porque ele está “errado” ou é um “picareta” (embora isso se dê de uma outra maneira). Quem não gosta de Olavo raramente se dispõe a debater com ele, e mais raramente ainda expõe as razões pelas quais ele estaria “errado” – e por uma razão muito simples: é muito difícil. Em uma das passagens mais esclarecedoras do filme, ele diz que é muito mais importante ter uma idéia “verdadeira” do que uma idéia “original”, e como idéias “originais” são raras; cada vez mais raras. Sem humildade – sem conhecer as próprias limitações – é muito difícil compreender, verdadeiramente, o caminho que ele aponta: o que não é mero falatório, vindo de um autodidata sem qualquer “rabo preso” acadêmico. Haveria maior prova de independência e honestidade intelectual? Sempre me pareceu que não, especialmente quando se considera que o meio acadêmico brasileiro há muito tempo virou uma madraça ideológica da pior espécie.

Enfim, devo esclarecer que sou um diletante – não fui aluno de Olavo e, se fosse, já teria tomado um pito dele, certamente, pela minha total falta de disciplina e organização com estudos e leitura. No entanto, ele dispensou a mim a enorme generosidade que “O jardim das aflições” tão bem retrata. Me recebeu em sua casa, quando morava em Curitiba, onde passei uma tarde inteira a ouvi-lo, ainda sem entender inteiramente a importância daquele momento – o que aconteceu ontem, quando assisti “O jardim das aflições” e compreendi o quão decisivo foi, para mim, aquele dia.

Thiago Pacheco é advogado, pós graduado em Processo Civil e formado em jornalismo. Escreve no Implicante às quintas-feiras.

O Jardim das Aflições: confira trailer do filme boicotado por cineastas esquerdistas

Olavo de Carvalho em "O Jardim das Aflições"

Dias atrás, falamos sobre o boicote de cineastas esquerdistas ao filme “O Jardim das Aflições“, documentário de Josias Teófilo sobre o filósofo Olavo de Carvalho. Nada de novo, convenhamos. Para a esquerda, só existe “debate” quando todos concordam entre si.

Confiram agora o trailer:

A obra entra em cartaz em junho, mas haverá pré-estreia exclusiva no dia 31/05. Veja aqui.

Mais do que recomendar, o Implicante EXIGE (com todo respeito) a presença de todos vocês :)

Cineastas esquerdistas retiram filmes de festival por presença de obras de “direita”

Há uma anedota recorrente: para a esquerda, “debate” é sempre entre os que concordam; há seis pessoas numa bancada e um endossa a tese do outro, sem qualquer variação que saia do supérfluo. O pior é que não se trata de anedota, mas de fato.

E tal episódio é prova disso.

Segundo noticia a Folha de SP, pelo menos SETE CINEASTAS retiraram seus filmes do CinePE, festival de cinema de pernambuco. Motivo: presença de obras direitistas. Uma seria “O Jardim das Aflições” (foto), documentário sobre o filósofo Olavo de Carvalho. A outra, por incrível que pareça, é um filme narrando a elaboração do Plano Real.

Um exemplo não apenas da falta de democracia por parte do esquerdismo, mas de como funcionam as bolhas em que se fecham, recusando a presença – mesmo mínima – de qualquer elemento muito divergente.

Ironia: a obra sobre Olavo de Carvalho tem como um dos temas a “tirania da coletividade sobre a individualidade humana” – nas palavras de Josias Teófilo, diretor de “O Jardim das Aflições”. O “boicote”, ao fim e ao cabo, serve para comprovar essa tese.