Mesmo com parecer contrário da PGR, Fachin retira de Sergio Moro três processos contra Lula

O Ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, retirou de Sergio Moro, que julga o caso na primeira instância, três processos envolvendo o ex-presidente Lula. A Procuradoria-Geral da República, nos três casos, foi contra a mudança.

Um caso, envolvendo Angola e Odebrecht, o ministro acatou argumento da defesa e transferiu o processo para o Distrito Federal. E também foi remetido ao DF um outro caso, envolvendo Lula e Dilma na construção das usinas de Jirau e Santo Antonio. O terceiro foi encaminhado a São Paulo, e trata de suposta mesada da Odebrecht a “Frei Chico”, irmão de Lula.

Polêmica à vista, portanto.

Lava Jato: após Odebrecht doar ao PT, Lula apoiaria privatizações na Petrobras, diz delator

Como sabemos, o tema “privatização” é tratado como pecado mortal pela esquerda, que tem verdadeiro pânico do setor privado. Esse medo, é bem verdade, costuma desaparecer na hora das doações eleitorais.

E a esquerda também costuma usar eufemismos ou relativizações quando algum governo por ela comandado precisa desonerar a máquina pública ou, enfim, atender a outros anseios. Nesses casos, fala-se em CONCESSÃO. Pois é.

Mas o que vai agora é um tanto mais complexo. Segundo Pedro Novis, ex-presidente da Odebrecht, a empresa teria recebido apoio de Lula, Palocci e Dilma Rousseff.

Segundo o delator, a Petrobras tinha outros planos, mas a cúpula do governo agiu de outra forma. Segue trecho do depoimento:

“A Petrobrás teria nos cortado as pernas se não fosse pelo apoio do ex-presidente Lula e do ministro Palocci (…) Foi fundamental o apoio do presidente Lula e do ministro Palocci e da ministra Dilma enquanto presidente do conselho de administração para esse processo que eu acho extremamente legítimo. O que nos fizemos não foi contra lei. Ao contrário, Fomos estimulados a fazer o processo de privatização, foi definido que a Petrobrás não ia mais participar. Os outros grupos privados brasileiros se deram muito felizes” (grifamos)

E então um Procurador pergunta se “o investimento valeu a pena”, considerando as doações eleitorais ao PT. A resposta:

“Nesse sentido, valeu a pena”

Pois é.

Se aceitasse delatar em 2014, Odebrecht teria economizado R$ 8 bilhões e ninguém seria preso

Em 2014, bem no início da Operação Lava Jato, a Odebrecht negou uma proposta de acordo, que envolvia delações premiadas e multa de US$ 20 milhões (cerca de R$ 62 milhões), mas a empreiteira recusou. Após a prisão de diversos executivos e o avanço do processo, eles finalmente toparam.

A multa de agora, porém, foi mais elevada: US$ 2,58 bilhões (cerca de R$ 8 bilhões).

Um péssimo negócio, baseado na equivocada convicção de que nada abalaria o governo e o apoio da cúpula do partido que o comandava seria suficiente para evitar o pior.

Fica o exemplo a todos.

Lava Jato: Lula levou pessoalmente a ditador de Cuba proposta da Odebrecht , diz delator

Lula teve mais uma citação direta e pessoal por parte dos executivos da Odebretch, desta vez no depoimento de João Carlos Mariz Nogueira.

No ano de 2014, em Cuba, o delator afirma ter presenciado conversa entre o ex-presidente e o então representante do Itamaraty, Marcelo Câmara, na qual o petista disse ter levado uma proposta da Odebrecht ao conhecimento do ditador da ilha, Raúl Castro.

A proposta seria para ajudar na viabilidade de uma linha de crédito, para construção de um anexo ao Porto de Mariel, obra também realizada pela construtora, com financiamento do BNDES.

Lula estava em Cuba para fazer palestras pagas pela Odebrecht.

Os quatro maiores pesadelos de Lula na Operação Lava Jato

O líder petista atualmente enfrenta quatro pesadelos verdadeiramente monstruosos na Operação Lava Jato. Não é exagero, portanto, comparar aos Quatro Cavaleiros do Apocalipse, guardadas as óbvias proporções entre a narrativa de São João e a realidade lulista.

No início, os delatores faziam referência, mas não testemunhavam DIRETAMENTE sobre Lula. Agora, a coisa mudou, pois os “graúdos” passam a citá-lo nominal e pessoalmente.

Em vez de Peste, Guerra, Fome e Morte, são eles:

Odebrecht

São diversos delatores e dois deles com peso ainda mais forte: Emílio e Marcelo Odebrecht. Com as delações dos executivos da Odebrecht, as coisas começaram a ficar verdadeiramente feias para Lula.

Leo Pinheiro

O dono da OAS falou do triplex no Guarujá, disse que Lula pediu para que evidências fossem destruídas e citou até uma reforma no apartamento de São Bernardo. Em tempo: também explicou que “Brahma” era mesmo o petista.

Marqueteiros

Os depoimentos de João Santana e Monica Moura ainda não foram detalhadamente divulgados, mas o que se adiantou não foi coisa pouca. José Dirceu teria dito que tais depoimentos poderiam levar à prisão de Lula e também Dilma.

Palocci

Apontado como “operador” de Lula por Marcelo Odebrecht, o ex-ministro de Lula e de Dilma Rousseff já se reuniu para tratar de delação premiada e disse a Sergio Moro que, havendo interesse, vai apresentar “fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser certamente do interesse da Lava Jato”.

Enfim

Nenhum desses processos foi concluído e, evidentemente, o petista terá toda a chance de defender-se de maneira plena. De todo modo, esses quatro obstáculos não serão facilmente vencidos.

Delator da Odebrecht diz que dinheiro para sítio em Atibaia ficava em cofre na sua sala

O engenheiro Emyr Costa, um dos delatores da Odebrecht na Lava Jato, revelou em detalhes como funcionava o esquema de pagamento da reforma no sítio de Atibaia. Tudo vinha de dinheiro vivo que ele guardava num cofre em sua sala.

Também disse que materiais do triplex no Guarujá foram adquiridos assim.

Seguem trechos:

“O meu superior hierárquico Carlos Armando Paschoal me chamou no seu escritório e me disse que era para eu destacar um engenheiro de confiança para mandar até o apartamento de cobertura que era utilizado pelo então presidente da República, o Lula, e que depois fosse ao sítio em Atibaia para realizar algumas reformas (…) O sítio seria utilizado pelo presidente Lula também, palavras dele (…) As obras que foram solicitadas serem feitas eram: a construção de uma pequena casa para alojamento dos seguranças da Presidência da República, a construção uma edícula de quatro suítes, próxima à casa principal do sítio, a construção de duas áreas de depósitos, uma que seria usada para quarto de empregada e outra para adega do então presidente. A construção de uma sauna perto da piscina e o conserto do vazamento da piscina. E teve também conclusão de um campo de futebol (…)

Disse que eram necessários R$ 500 mil. O Carlos Armando, então, me autorizou a iniciar o trabalho e disse que ia mandar entregar o dinheiro lá, através dessa equipe de operações estruturadas. Nunca tinha manejado na obra somas dessa natureza. Comprei um cofre, desses que você compra nesses caminhões que ficam em alguns lugares, comprei um cofre especificamente e coloquei lá dentro de um armário na minha sala. Semanalmente, separava mais ou menos R$ 100 mil e colocava num envelope fechado, entregava para o Frederico, que por sua vez entregava para o senhor Aurélio, para que o senhor Aurélio fizesse os pagamentos. Era dinheiro de caixa dois que eu recebi efetivo e tinha autorização para gastar. (…)

Uma coisa também que eu vi na TV, e é interessante pra vocês, é que numa dessas investigações que a Policia Federal fez no apartamento do Lula, em São Bernardo, vocês encontraram vários recibos de material de construção. Eram recibos que eram pagos com esse dinheiro, e esse Aurélio deve ter entregue ao Lula pra dizer ‘guarde aí’ (…) Durante a obra ninguém teve contado com o Lula nem família. Única coisa que a gente sabia que Frederico ia perguntar algum detalhe técnica da obra, de acabamento e o senhor Aurélio dizia que ia perguntar para dona Marisa e depois ele repassava as informações.” (grifamos)

Tudo já é suficientemente deplorável, mas os detalhes fazem com que se mostre ainda pior.

Não é piada: Odebrecht descobriu que roubavam internamente o “departamento de propina”

Como se sabe, a Odebrecht criou um “setor de propina”, denominado “Departamento de Operações Estruturadas”, que realizava os pagamentos não exatamente ortodoxos. Pois bem: descobriram que houve roubo interno até mesmo lá.

Sim, isso mesmo: roubaram de quem já estava fazendo trambique.

Tudo porque, obviamente, tal departamento tinha um controle menos rígido, já que nem tudo era documentado e planilhado. Havia brechas, portanto, para que algumas verbas fossem subtraídas, num caso que evoca aquele dito dos “cem anos de perdão”.

Como o total de pagamentos, em nove anos, chegou a mais de R$ 10 bilhões, resta saber quanto foi “desviado do desvio”. Talvez não tenha sido pouca coisa.

Delator diz que, ainda na Presidência da República, Lula era “cartão de visita” da Odebrecht

A relação da Odebrecht com Lula remete ao início do próprio PT, por volta de 1980, quando ele teria atuado em favor da empresa numa greve. Após a eleição de 2002, o patriarca da empresa mantinha reuniões com o então Presidente da República, e seus “prepostos” para acertara pendências eram Alexandrino de Alencar (pela construtora) e Gilberto Carvalho.

E é justamente Alencar quem diz isso:

“Emilio tinha algumas reuniões com lula, se ficava alguma pendencia de agenda depois eu cobrava o Gilberto. Ficou aquela pendencia, como está andando? Ele fazia um follow up do que estava andando”

Mas o mais importante vem depois, quando informa sobre viagens de Lula ainda na presidência:

“Ele ia para o Peru, para o Panamá, onde tínhamos obras, então mandávamos uma ajuda de memoria de uma página, não mais do que isso, para contextualizar o presidente nos assuntos do Panamá”

Após sair do Planalto, o expediente prosseguiu, mas então por meio de palestras. Ele também explica como foi no Panamá:

“Ele foi fazer uma palestra com empresários e a presença do presidente Martineli. Depois, tivemos um jantar no qual estava o presidente martinelli e voltamos para o Brasil. Formadores de opinião, a imprensa, as obras, isso tudo cria um ‘goodview’ interessante do país”

Mais:

“O Lula é uma figura nos países na África e América Latina, um quase um ‘popstar’. Com respeito, então ele levava uma imagem positiva. Nós combinávamos, e que é muito público, que todo lugar que ele ia, ele fazia uma palestra. Uma palestra de vender o Brasil. Logicamente, que nosso pessoal lá estava por trás convidando formadores de opinião e jornalistas para mostrar essa relação nossa com ele”

Por fim, seria um

“cartão de visita muito importante o presidente do país saber que ele (Lula) tinha uma relação diferenciada com o grupo”

O depoimento pode ser visto aqui:

Auge da sem vergonhice: políticos pediram Caixa 2 à Odebrecht até na eleição do ano passado

Aquela história de que o brasileiro não desiste nunca nem sempre é algo louvável. Na política, salvo raras exceções, a persistência se dá invariavelmente nas práticas nada ortodoxos. E este caso ilustra bem tal comportamento.

Imagina-se que, com o avanço da Lava Jato, a turma ficaria intimidada. Nem todos.

Segundo delatores da Odebrecht, houve candidato pedindo repasses por fora mesmo nas eleições de 2016. Sim, no ano passado, já com muita gente presa.

Quando se trata de política, definitivamente o melhor do Brasil não é o brasileiro.

Juiz dos Estados Unidos condena Odebrecht a pagar R$ 8 bilhões por corrupção

A empresa Odebrecht acaba de ser condenada por um juiz norte-americano em razão das práticas de corrupção. O valor total da condenação é de US$ 2,6 bilhões, cerca de R$ 8 bilhões.

E o Brasil receberá a maior parte, de R$ 7 bilhões. Estados Unidos e Suíça também deverão ser indenizados.

Trata-se de um acordo, no qual a empresa confessou as propinas e aceitou pagar uma indenização.