Em vez de remédios, Labogen importava BEBIDAS e JOIAS

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Segue trecho de reportagem do Estadão:

Labogen importava joias e bebidas no lugar de remédios – Faturas tentavam camuflar compra de produtos que nada tinham a ver com as atividades do ‘laboratório lavanderia’ de doleiro preso – De caixas de vinhos e espumantes a coleções de joias italianas, de instrumentos musicais e tecnológicos holandeses a rolos de seda chinesa, o laboratório Labogen Química Fina viveu um aparente período de pujança no comércio exterior depois que seu controle foi assumido, em 2009, pelo grupo do doleiro Alberto Youssef, alvo maior da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Documentação de posse dos investigadores, no entanto, revela que o Labogen foi usado por Youssef para por em prática ousado esquema de fraudes no câmbio paralelo de dólar e euros a partir de importações fictícias de insumos farmacêuticos. As invoices – faturas de operações em outros países que exibem quantidade do bem adquirido, o valor, as condições de quitação, a forma de transporte e prazos de entrega – traziam dados relativos a pagamentos de medicamentos. Mas, na verdade, a importação era de bebidas finas e outros produtos de clientes de Youssef.”

Esse é o mesmo Youseff que garantiu indicar delegado para o DEIC na hipótese de Padilha ser o governador de SP. E, aqui, outras informações sobre o acordo do laboratório com o Ministério da Saúde, com Padilha de testemunha. E, claro, não se deve esquecer a conversa entre Youseff e André Vargas (deputado afastado do PT após denúncias de vínculo com o referido doleiro) acerca da indicação feita por Padilha.

Alguns petistas (sobretudo do DCE da Internet) dão a entender que, com Padilha, haverá mais chuvas. Não dá para dizer que ele consiga fazer chover, mas até que o camarada tem seus dons…

Homem que recebeu de doleiro esteve com Gleisi duas vezes

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Reportagem da Folha de S. Paulo:

Um dos beneficiários das contas operadas pelo doleiro Alberto Youssef participou de duas reuniões no Palácio do Planalto em 2013, onde foi recebido pela senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR). Homem do mercado financeiro, Cláudio Honigman e o pai dele receberam um total de R$ 75 mil em 2009 da MO Consultoria, empresa controlada por Youssef e investigada pela Polícia Federal, na Operação Lava Jato, por movimentar recursos do doleiro. A MO também pagou R$ 170 mil de pensões alimentícias para a família de Honigman, por meio de cheques depositados na conta do advogado dele. Youssef é investigado por comandar esquema de lavagem de dinheiro e por manter relações suspeitas com empresários e políticos.

Em 21 agosto do ano passado, o nome de Cláudio Honigman aparece na agenda de reuniões da Casa Civil, identificado como presidente do Banco Mizuho do Brasil, instituição financeira internacional com sede no Japão. Outros dois representantes do banco participam desse encontro de apresentação com Gleisi Hoffmann, que estava acompanhada de seu assessor especial, segundo registros oficiais.

No mês seguinte, Honigman voltou a participar de uma reunião com Gleisi, dessa vez com outros representantes do grupo Mizuho e também com a presença do ministro César Borges (Transportes) para apresentação de programas de infraestrutura do governo federal. Quem marcou os encontros com a ministra e levou Honigman e os outros representantes do grupo Mizuho foi o senador Gim Argello (PTB-DF).
(…)
Honigman também esteve em uma negociação alvo de inquérito da PF em 2011, que envolveu o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira na compra de um avião que havia entrado no país por US$ 1, o que levantou suspeita de lavagem de dinheiro. A transação com Teixeira não se concretizou. Outra investigação também cita Teixeira e Honignam. Em 2011, a Polícia Civil do Distrito Federal enviou à Receita indícios de que Teixeira movimentou de maneira ilegal mais de US$ 1 milhão.
(…)

Acordo com Labogen teve Padilha como testemunha

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Matéria do jornal O Globo:

SÃO PAULO – O termo de compromisso da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) de citrato de sildenafila com o Labogen — empresa usada pelo doleiro Alberto Youssef para remessas ilegais de dinheiro para o exterior — que reunia o Laboratório Farmacêutico da Marinha (LFM) e a indústria farmacêutica EMS, foi assinado em dezembro passado sem levar em conta alertas de setores técnicos do Ministério da Saúde. O documento foi assinado em 11 de dezembro pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do ministério, Carlos Gadelha, e pelo capitão Almir Diniz de Paula, do LFM. O então ministro da Saúde Alexandre Padilha assinou o documento como testemunha.

No ato da assinatura, estava presente também Leonardo Meirelles, apontado como testa de ferro de Youssef e sócio da Labogen. Ele chegou a ser preso na Operação Lava-Jato e é um dos réus no processo, acusado de crime financeiro e lavagem de dinheiro.

O GLOBO teve acesso aos documentos do projeto de PDP, desfeito após a Operação Lava-Jato, da Polícia Federal (PF), revelar que o Labogen era uma empresa de fachada. O projeto era por cinco anos, com valor de R$ 134,4 milhões. Na análise, na qual consta um “de acordo” de Gadelha, os técnicos afirmam que o Labogen não possuía os documentos necessários, como o Certificado de Boas Práticas de Fabricação, embora fosse o responsável pelo desenvolvimento e fabricação do insumo. Dizem ainda que a EMS já fabricava as versões 25mg, 50mg e 100mg e tinha tecnologia para transferir ao LFM, e que a demanda apresentada estava superestimada. Isso porque o projeto previa 4,55 milhões de comprimidos de 20 mg por ano, enquanto as compras, de julho de 2012 a junho de 2013, tinham chegado a apenas a 2,161 milhões.

Dois dias antes da assinatura do compromisso, José Miguel do Nascimento Junior, diretor de Assistência Farmacêutica do ministério, enviou e-mail ao diretor responsável pelos projetos de parceria, Eduardo Jorge Oliveira, alertando que a necessidade maior era para o medicamento na versão 50 mg, e não na de 25 mg ou 20 mg, como previsto no projeto: “Favor atentar para o destaque em vermelho: Neste sentido, não deve haver PDP para a apresentação de 25 mg e sim, somente da sildenafila 50 mg”. Ele repassou junto um e-mail da área técnica, que havia sido consultada.

Os PDPs foram criados para incentivar a produção de remédios no Brasil. O projeto do Labogen e seus parceiros era apenas para produzir comprimidos de citrato de sildenafila de 20 mg, indicado para hipertensão arterial pulmonar. No texto repassado por Nascimento Junior, consta que a doença é de baixa prevalência e incidência. Diz ainda que em São Paulo o medicamento é comprado pelo governo estadual por apenas R$ 0,81, e no Rio de Janeiro, por R$ 0,95. Enquanto isso, o valor de aquisição previsto no projeto chegava a R$ 6,53 por comprimido no primeiro ano do acordo, e R$ 5,32 no último. Hoje o SUS paga R$ 5,88 por comprimido, mas 14 estados já compram mais barato. Os maiores preços são de Goiás (R$ 12,70) e Mato Grosso do Sul (R$ 11,66).

Labogen não tinha alvará da prefeitura

Os técnicos do Ministério da Saúde também ressaltaram na nota técnica, que analisou o projeto apresentado pelo LFM, que o citrato de sildenafila não tem mais patente, e que várias empresas já têm registro do princípio ativo na Anvisa. No e-mail repassado a Oliveira, o técnico lembra que o produto deve sofrer uma forte redução de preços em todos os estados, pois estão entrando genéricos no mercado. Mesmo assim, sugere que o preço a ser usado no primeiro ano do acordo para a sildenafila 50 mg, que deveria ser feita pela PDP, fosse de R$ 4,47, o mesmo do Mato Grosso do Sul, que aparece entre os que pagam mais caro pela versão de 20 mg. O preço pago atualmente pelo governo federal, segundo ele, é de R$ 5,32 e, portanto, ao usar o valor do Mato Grosso do Sul haveria um “desconto de 16% sobre o preço atualmente praticado”.

A fábrica do Labogen, em Indaiatuba (SP), foi visitada por técnicos do ministério no dia 20 de setembro. Apenas quatro dias antes, em 16 de setembro, foi enviada diretamente a Gadelha uma carta, e não um contrato, assinada pela EMS e pelo Labogen comunicando que as duas empresas haviam fechado parceria.

De acordo com o laudo da visita, quase todos os documentos ficaram de ser apresentados depois. O ex-frentista Esdra Ferreira, alçado a sócio do laboratório por Youssef, disse em depoimento à Polícia Federal que sua atividade era cuidar das licenças e levá-las a órgãos públicos. Informou que a fábrica do Labogen não tinha alvará da prefeitura de Indaiatuba, alvará dos bombeiros ou licença da Anvisa, mas que havia um “ok” do órgão em relação à planta e ao maquinário.

Contou que ele mesmo comprou pela internet, em cemitérios de equipamentos usados, 60 a 80 máquinas, que foram revestidas de chapas de alumínio para ficarem com cara de novas e que estariam prontas para serem usadas.

As escutas da PF mostram que, no mesmo dia da visita, a conversa entre Youssef e o deputado André Vargas (PT-PR) começou cedo. Pouco depois das 8h, Youssef mandou SMS a Vargas dizendo: “Hoje vou na indústria visita dos técnicos”. Por volta de 17h, mandou outra mensagem: “Terminou a visita fomos bem temos que aguardar relatório”. Vargas responde: “Vamos cobrar. Preciso do retorno sobre a estruturação”.

Leonardo Meirelles, do Labogen, afirmou à PF que os contatos com o Ministério da Saúde eram feitos por Marcus Cézar Ferreira de Moura, que trabalhou por alguns meses no setor de eventos do Ministério da Saúde e recebeu para atuar na campanha eleitoral que elegeu a presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, Moura era atendido por Carlos Gadelha e Eduardo Jorge Oliveira.

Em troca de mensagens interceptadas pela PF, o grupo do doleiro comemorou a assinatura do acordo: “Tava todo mundo lá, tava o ministro, o tal de Jorge, Gadelha, cumprimentamos todo mundo”.

(…)

(grifos nossos)

Doleiro Youssef prometeu ajudar em indicação de delegado para o DEIC… se Padilha ganhar a eleição!

anjos existem
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A situação de Alexandre Padilha fica ainda mais complicada. Segue trecho de reportagem de Daniel Haidar, publicada agora na Veja:

Doleiro Youssef prometeu cargo no ‘governo Padilha’ – ‘Se o Padilha ganhar o governo, ajudo ele e muito’, disse Youssef a Nelma Kodama, que queria indicar um delegado para o Deic – O doleiro Alberto Youssef prometeu à também doleira Nelma Kodama ajudar a beneficiar um delegado da Polícia Civil caso Alexandre Padilha, pré-candidato petista ao governo de São Paulo, seja eleito em outubro. A promessa foi feita por Youssef no dia 5 de março, em conversa por Blackberry Messenger, e aparece em relatório da Polícia Federal sobre as mensagens interceptadas, com autorização da Justiça, durante a operação Lava-Jato. “Se o Padilha ganhar o governo, ajudo ele e muito”, disse Youssef na mensagem para Nelma, por volta das 13 horas. A conversa começou com uma pergunta da doleira: “Você tem acesso ao delegado-geral do Estado de São Paulo?”. Ela estava interessada em indicar um delegado para trabalhar no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), unidade especializada no combate a organizações criminosas como as chefiadas por Youssef e Nelma. O nome do apadrinhado da doleira não foi mencionado na conversa (…) Em dezembro do ano passado, o Labogen, um laboratório de fachada comandado por Youssef, conseguiu assinar um contrato com o Ministério da Saúde para produzir um medicamento em parceria com a EMS e o Laboratório da Marinha. O negócio permitiria um ganho de 31 milhões de reais. A parceria foi cancelada pela pasta depois que as investigações da operação Lava-Jato mostraram que laranjas do doleiro tiveram contato com diretores do ministério. O Labogen chegou a contratar Marcus Cezar Ferreira de Moura, ex-assessor de Padilha no Ministério da Saúde, para atuar como lobista em Brasília. Em conversa do deputado federal André Vargas (PT-PR) com Youssef, Vargas diz que Moura foi indicado para contratação por Padilha.” (grifo nosso)

E agora, Padilha?

Em conversa gravada pela PF, petista revela que Padilha indicou executivo de laboratório fantasma

André Vargas e ministro Alexandre Padilha - foto Ricardo Weg (12)

Reportagem do Jornal Nacional desta quinta (24) trouxe o áudio da conversa entre o ainda deputado (e ainda petista) André Vargas (PT-PR) e o doleiro Alberto Yousseff, onde os dois falam sobre a indicação de um executivo do Labogen. Segundo Vargas, a indicação seria do próprio Padilha:

[youtube]https://youtu.be/ufZMQThHMsU[/youtube]

Transcrição do portal G1:

Documentos da Polícia Federal apontam indícios de envolvimento do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha com o doleiro Alberto Youssef, preso durante a Operação Lava Jato sob a acusação de chefiar um suposto esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a PF, movimentou cerca de R$ 10 bilhões.

A Polícia Federal analisou o conteúdo de 270 mensagens trocadas de 19 de setembro do ano passado a 12 de março deste ano entre Youssef e o deputado André Vargas (PT-PR).

Em uma das trocas de mensagens, em 28 de novembro do ano passado, a PF encontrou a citação ao nome de Padilha que, para os policiais, é possivelmente o ex-ministro da saúde Alexandre Padilha.

Na ocasião, segundo documentos da PF, André Vargas diz a Youssef que Padilha indicou um executivo para o Labogen, laboratório do doleiro que teria sido usado no esquema de lavagem de dinheiro.

– Vargas diz: “Achei o executivo”.
– Youssef responde: “Ótimo, traga ele para nos reunirmos e contratarmos”.
– Vargas responde: “Sexta ele estará aí. Dá o número do celular e fala que é Marcos, estará em São Paulo no dia seguinte ou segunda e que foi o Padilha que indicou”.

Segundo o relatório da PF, “Marcos” é Marcuz Cezar Ferreira de Moura, coordenador de promoção de eventos da assessoria de comunicação do Ministério da Saúde na gestão de Padilha. Depois, Moura participou de reuniões na Labogen.

A PF concluiu que existem “indícios que os envolvidos tinham uma grande preocupação em colocar à frente do Labogen alguém que não levantasse suspeitas das autoridades fiscalizadoras”.

No inicio da noite, a assessoria do ex-ministro Alexandre Padilha divulgou nota na qual nega ter feito a indicação do executivo.

“O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha repudia o envolvimento do seu nome e esclarece que não indicou nenhuma pessoa para a Labogen. Se como diz a Policia  Federal, os envolvidos tinham preocupação com as autoridades fiscalizadoras, eles  só poderiam se referir aos filtros e mecanismos de controle criados por Padilha dentro do Ministério da Saúde justamente para evitar ações deste tipo. A prova maior disso é que nunca existiu contrato com a Labogen e nunca houve desembolso por parte do Ministério da Saúde”, diz a íntegra da nota.

André Vargas afirmou que não recebeu de Padilha nenhuma indicação e disse que responderá a todos os questionamentos “nos foros competentes”. Segundo o deputado, “vazamentos seletivos e fora do contexto não podem servir a qualquer prejulgamento”.

Deputados
A investigação menciona também o deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP). Em uma troca de mensagens de 25 de setembro passado, Youssef diz a André Vargas: “Achei que vc estivessse aqui na casa do Vacarezza”. Vargas responde: “Tô indo;”

Para a polícia, o doleiro Alberto Youssef mantinha relações com o deputado federal Cândido Vaccarezza, “inclusive indicando que houve uma reunião na casa do deputado, reunião esta entre Alberto Youssef, o deputado André Vargas e Pedro Paulo Leoni Ramos”, ministro no governo Fernando Collor e diretor de uma empresa que é sócia oculta do Labogen.

Vaccarezza disse que conhece Pedro Paulo Leoni Ramos e Alberto Youssef, mas não tem relações de amizade com eles. O deputado também negou que tenha realizado na casa dele uma reunião com Vargas e os demais mencionados na investigação da PF.

O relatório sobre as mensagens trocadas entre o doleiro e o deputado André Vargas mostra que a rede de contatos deles chegou também à Caixa Econômica Federal por meio do Funcef, o fundo de pensão da Caixa, terceiro maior do país.

Por mensagem, Youssef pergunta se pode falar em nome de Vargas em uma reunião no Funcef. O deputado responde que sim. A PF relata ainda que André Vargas tem um contato no Funcef: Carlos Borges, diretor de Participações Societárias e Imobiliárias, membro do conselho da Vale. Borges não foi localizado para comentar.

No relatório, a Polícia Federal demonstra a proximidade entre o doleiro e o deputado André Vargas, que  combinam caronas e até uma visita para tomar café na casa do parlamentar.

(grifos nossos)

 

Doleiro preso repassou mais de R$ 7 milhões a campanhas eleitorais

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Nota do blog Radar Político, do Estadão:

Brasília e São Paulo – A Polícia Federal trabalha com novas pistas que podem elevar em mais R$ 2,7 milhões os recursos distribuídos na campanha eleitoral de 2010 com intermediação do doleiro Alberto Yousseff, preso no mês passado pela Operação Lava Jato. Trocas de mensagens do suspeito de comandar um esquema de lavagem de dinheiro citam mais valores e datas de doações, além do ex-presidente do PP Pedro Corrêa, condenado no processo do mensalão.

Documentos apreendidos pelos investigadores mostram que, além dos R$ 4,64 milhões encaminhados a deputados e diretórios do PP e ao PMDB de Rondônia sob intermediação de Yousseff, revelados ontem pelo Estado, o doleiro teria intermediado outros repasses para destinatários ainda não identificados. A movimentação financeira será alvo de análise da Procuradoria Eleitoral.

Uma das pistas aponta a existência de um personagem identificado apenas como “Chico Lopez”. Em troca de e-mail com Yousseff, o interlocutor lista nove correlações de datas e valores que vão de julho a setembro de 2010, num total de R$ 2,669 milhões. A PF anota que será necessário identificar o destinatário desses recursos.

Cidades. Na lista de comunicações sob suspeita há uma mensagem de outro interlocutor, ainda não identificado pela PF. O título é “número das contas”. O conteúdo traz uma lista de nomes, contas bancárias e valores. Pedro Corrêa aparece nesta relação como beneficiário de R$ 20 mil. Há ainda na relação um ex-funcionário da Câmara e uma servidora do Ministério das Cidades, controlado pelo PP desde o governo Luiz Inácio Lula da Silva. O total dos recursos que deveriam ser depositados é de R$ 100 mil, mas não se sabe se os funcionários seriam os destinatários ou intermediários desses recursos.

O Estado mostrou nesta segunda-feira, 7, que documentos da investigação mostram Yousseff intermediando contribuições da empreiteira Queiroz Galvão e da Jaraguá Empreendimentos, ambas fornecedoras da Petrobrás, ao diretório nacional do PP, às seções regionais da legenda na Bahia e em Pernambuco e aos deputados Nelson Meurer (PR), Roberto Teixeira (PE), Aline Corrêa (SP) e Roberto Britto (BA), além de Pedro Henry (MT), que renunciou ao mandato após ter ordem de prisão expedida pela condenação no processo do mensalão.

O diretório do PMDB de Rondônia, controlado pelo presidente nacional em exercício do partido, senador Valdir Raupp, também aparece na lista. Essas doações correspondem a valores declarados por partidos e candidatos à Justiça Eleitoral.

Além de suspeito de comandar o esquema de lavagem, Yousseff é investigado pela ligação com o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, detido na mesma operação da PF. O doleiro deu um Land Rover de R$ 250 mil ao ex-diretor e pagou despesas dele com hotel, segundo a apuração. Indicado pelo PP e com trânsito amplo no PMDB e no PT, Costa foi um dos principais operadores da construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e é suspeito de corrupção passiva.

O Estado voltou a procurar Pedro Corrêa e os deputados e diretórios citados nos e-mails de Yousseff que não haviam sido localizados antes, mas ninguém quis comentar o caso.

(grifos nossos)

Diretor do Ministério da Saúde ajudou empresa usada por doleiros

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Matéria da Folha de S. Paulo:

Nomeado pelo então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um diretor da pasta é suspeito de ter ajudado uma empresa que foi usada por doleiros a obter um acordo de R$ 31 milhões para que um medicamento fosse produzido por laboratórios públicos, segundo papéis da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

 O acordo foi assinado em dezembro passado, quando Padilha estava no ministério.

 E-mails apreendidos pela PF apontam que o diretor de produção industrial e inovação do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Oliveira, teria ordenado que a Labogen, empresa cuja folha de pagamento é de R$ 28 mil mensais, se associasse com a EMS, o maior laboratório do país, que teve um faturamento de R$ 5,8 bilhões em 2012.

 PARCEIRA DESIGUAL

 A primeira dúvida dos policiais foi: o que um gigante do ramo farmacêutico faz com uma empresa que não tem mais do que 20 funcionários em Indaiatuba, no interior de São Paulo?

Os policiais também estranharam que a Labogen não tivesse nem licença da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para produzir medicamentos.

 Uma das suspeitas da PF é que a Labogen tivesse o papel de pagar propina para obter o negócio com a Saúde.

A parceria da Labogen com a EMS visava a produção de 35 milhões de comprimidos por ano de cloridrato de sildenafila (o Viagra), indicado pelo ministério no tratamento de hipertensão pulmonar.

O Laboratório Farmacêutico da Marinha era o parceiro público das outras duas empresas, uma exigência do programa da pasta. O objetivo da parceira é injetar tecnologia nos laboratórios públicos.

Ontem, após ser questionado pela Folha e ter acesso à investigação da PF, o ministério suspendeu a parceria e decidiu abrir uma sindicância para investigar o diretor citado nas mensagens.

 Os R$ 31 milhões seriam pagos em cinco anos, após os parceiros começarem a entregar a droga produzida.

 DOLEIROS

A Labogen foi apanhada na Operação Lava Jato porque foi usada pelo doleiro Alberto Youssef para fazer remessas ilegais de US$ 37 milhões (R$ 85 milhões) simulando importações, de acordo com laudos da PF.

 A relação da Labogen com o diretor de inovação do ministério foi descoberta a partir de e-mails interceptados pela PF. Um deles foi remetido pelo diretor-executivo da Labogen, Pedro Argese, a um dos sócios do laboratório, Leonardo Meirelles, que foi preso pelos policiais.

 Ao visitar a fábrica da EMS, ele diz que “soube que foi por ‘determinação e indicação’ do sr. Eduardo Jorge” que ocorreu a parceria. “Fato esse derivado dos contatos realizados. Pediu assim que nos compuséramos e firmássemos parceria entre a EMS e a Labogen para futuras PDPs”.

 As iniciais são da Parceria para o Desenvolvimento Produtivo, programa do ministério que visa transferir para laboratórios públicos a produção de medicamentos.

 As mensagens são copiadas para Mauro Boschiero, da GPI Participações e Investimentos, cujo papel não está claro para a PF. O advogado de Boschiero, Arnaldo Malheiros Filho, diz que a GPI estava interessada em comprar a Labogen, mas o negócio não foi adiante.

 Uma mensagem de Mauro Boschiero levou a PF a aumentar ainda mais as suspeitas sobre a ilegalidade no negócio com o Ministério da Saúde. “Deletem-no urgente. As citações que foram feitas derrubam nosso projeto.”

 O advogado de Boschiero diz que a ordem para destruir a mensagem foi para evitar que concorrentes soubessem da parceria.

(…)

(grifos nossos)

Comentário

O escândalo da Operação Lava Jato chega tão perto do ex-ministro Alexandre Padilha, pré-candidato do PT/SP ao governo do estado, que a foto acima – onde ele aparece ao fundo, na ocasião da assinatura do contrato com o Labogen – foi anexada aos autos da Operação Lava Jato.