PM que derrubou Orlando Silva joga dinheiro no chão, agride servidores e é preso na sede do governo do DF

O policial militar João Dias Ferreira, pivô do escândalo que derrubou o ex-ministro do Esporte Orlando Silva (PCdoB-BA), foi preso na tarde de ontem (07) no Palácio do Buriti após ter agredido dois servidores e jogado R$ 159 mil no chão (!?). Notícia da Folha.com:

O policial militar João Dias Ferreira, que acusou um esquema de desvio de dinheiro no Ministério do Esporte, foi solto na noite desta quarta-feira após pagar fiança. Ele havia sido detido horas antes após ter agredido dois servidores do governo do Distrito Federal e ter jogado R$ 159 mil no chão, dinheiro que diz ser de propina de pessoas ligadas ao governador Agnelo Queiroz (PT), ex-chefe da pasta.

Segundo o advogado de Ferreira, ele recebeu “inúmeras” propostas de pessoas ligadas a Agnelo e, ontem, teria decidido aceitar para poder filmar a entrega do dinheiro.

O pagamento seria um “cala-boca” para que o policial não falasse das irregularidades no Ministério do Esporte e os desdobramentos do caso.

“Ele recebeu ontem esse dinheiro na casa dele de pessoas que ele entende que sejam do governo, como forma de ‘cala-boca’. Ele resolveu então ir devolver o dinheiro e foi na secretaria de Paulo Tadeu, que é quem ele entende que foi a origem do dinheiro”, disse o advogado de Ferreira, André Cardoso.

O policial foi preso em flagrante na tarde desta quarta-feira, na sede do governo do DF, o Palácio do Buriti. Ele foi detido após agredir uma assessora da secretaria de governo, comandada por Paulo Tadeu –um dos principais aliados de Agnelo.

O dinheiro jogado no chão durante a confusão está sendo periciado pela polícia.

Após ser solto pela Polícia Civil, Ferreira será agora encaminhado à corregedoria da Polícia Militar, que pode prendê-lo, já que um dos agredidos também é policial. Segundo o advogado, ele filmou a entrega do dinheiro e o ocorrido nesta quarta-feira.

Ferreira é dono de duas ONGs que desviaram mais de R$ 3 milhões do Esporte, quando Agnelo era ministro e também na gestão de Orlando Silva –que caiu após as acusações. Durante a crise no Esporte, João Dias Ferreira centrou as acusações em Orlando Silva, sem implicar diretamente Agnelo.

Segundo a assessoria de Agnelo Queiroz, Ferreira agrediu duas servidoras da secretaria de governo e que a motivação de Ferreira é “escusa”.

“Quanto ao secretário de governo, Paulo Tadeu, ele não se encontrava no Palácio durante o episódio. A segurança do Palácio do Buriti abriu procedimento para apurar como se deu o acesso de João Dias ao prédio. O governo do Distrito Federal também vai apurar com que objetivos escusos o policial apareceu nesta tarde, de forma despropositada, no Palácio do Buriti”, diz a nota do governo.

(grifos nossos)

Comentário

Um cinegrafista amador nos enviou vídeo exclusivo da confusão:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=o-sd-WQMQ1A[/youtube]

Orlando Silva entregará renúncia hoje à tarde

Os portais já noticiam a saída de Orlando Silva do Ministério do Esporte. Silva é acusado de comandar um esquema de desvio de recursos públicos para os cofres do PCdoB. A denúncia foi feita à revista “Veja” pelo policial militar João Dias Ferreira.

Abaixo a informação da Folha de São Paulo:

Integrante do PC do B afirmou que o ministro Orlando Silva (Esporte) vai entregar o cargo nesta quarta-feira (26) à presidente Dilma Roussef.

O governo já está buscando nomes para substituí-lo na pasta. Os cotados para a vaga são os deputados Aldo Rebelo (PC do B-SP) e Luciana Santos (PC do B-PE).

O ministro já está no Palácio do Planalto. A situação de Orlando se agravou ontem (25), data em que o STF (Supremo Tribunal Federal) iniciou, de fato, as investigações de um suposto envolvimento do ministro na pasta.

Há dois critérios vistos como ideais no governo para orientar a nova nomeação: ter perfil para jogar duro com Fifa e CBF, como deseja Dilma; e ser capaz de desmobilizar as irregularidades no Esporte, mesmo que isso implique demitir correligionários.

Íntegra aqui.

Comentário:

Acesse o nosso arquivo e obtenha todas as informações sobre mais este escândalo do governo Dilma.

O “indestrutível” Orlando Silva mimetiza Lula, mata a “faxineira” e coloca todo o governo Dilma sob suspeição

Lula, como todos sabem, nunca foi cerimonioso com as palavras. Em julho de 2005, auge do Mensalão, o ex-presidente concedeu uma “entrevista” na França que ficou antológica por sua desfaçatez. Poucas vezes na história do Brasil um dirigente público chegara a um nível tão baixo para justificar os crimes praticados por seus subordinados. “O que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente”, assentiu. A versão de crime eleitoral, forjada pelo advogado criminalista e então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para esconder o provável sistema de compra de votos, seria só um detalhe. O raciocínio, além de simplório, era destruidor: “se todos cometem crimes, porque pegar no pé do PT”? A partir de então, corruptos de todas as matizes partidárias trocaram o discurso. O “não fui eu” cedeu espaço para o “fui eu, e daí”?

Hoje é Orlando Silva quem segue os passos de Lula. Mais comedido que o outro integrante da família Silva, Orlando declara inocência, mas desde as primeiras denúncias deixou escapar que não instaurou o delito na pasta, apenas deu prosseguimento ao que já vinha sendo feito por seu antecessor, Agnelo Queiroz (PT-DF). No dia 17 deste mês, o (ainda) ministro Orlando Silva distribuiu responsabilidades:

“A única vez que encontrei este caluniador (o PM João Dias) foi no Ministério do Esporte. Eu era secretário-executivo do Agnelo, que me recomendou que recebesse e firmasse o convênio”.

Mesmo com a resma de contratos fraudados que ligam a sua gestão a crimes de toda ordem, o (ainda) ministro Orlando Silva deu de ombros às denúncias e tentou por fim a rumores de demissão declarando-se “indestrutível”. Indestrutível? Por quê? O que tornou o episódio do Esporte diferente dos ocorridos em outros ministérios, e que resultaram na demissão de seus titulares?

Dilma, que parecia tão disposta a debelar crises, passou a tratar Orlando Silva com um cuidado incomum:

“Ela me sugeriu serenidade, paciência e reafirmou confiança no nosso trabalho”, respirou o (ainda) ministro após sair de uma reunião com a presidente.

A resistência de Orlando Silva em permanecer no cargo, e a indulgência despudorada de Dilma, sugerem que há algo além de uma pretensa “boa vontade com um aliado histórico”, como fazem crer alguns representantes do jornalismo áulico.

A queda de Orlando Silva pode ser até uma questão de tempo. O problema de fundo não é quando, mas como. Caso arestas não forem completamente aparadas, o episódio Orlando Silva poderá tornar-se um calvário para a administração Dilma. Quem não garante que o esquema montado no Ministério do Esporte não esteja em curso, também, em outros ministérios? Na verdade, há vários indícios de fraudes em contratos com ONGs celebrados por outras pastas. O silêncio de Dilma e sua relutância em bater de frente com o (ainda) ministro só corroboram com essa possibilidade.

O futuro do “indestrutível” Orlando poderá não ser muito auspicioso, mas sua insistência em resistir às evidências destruiu o mito da “faxineira” e enfraqueceu a autoridade de Dilma. Afinal, se a presidente foi tão parcimoniosa com um aliado envolvido até o pescoço em irregularidades, porque haverá de ser diferente com os demais partidos aliados que fizerem “sistematicamente” a mesma coisa?

A partir de agora ficará ainda mais difícil controlar os “apetites” da base.

Surge mais uma prova contra Orlando Silva: Ministro beneficiou ONG investigada por fraudes

Ao contrário do que a patrulha virtual do PT reunida em torno do MAV (Militância de Assuntos Virtuais) tenta demonstrar, não foi por “falta de provas” que Dilma deu sobrevida ao ministro do Esporte Orlando Silva. Os relatos das últimas semanas e a fartura de documentos que incriminam o (ainda) ministro do Esporte são mais do que suficientes para botá-lo no olho da rua. Hoje, surge mais uma evidência clara, inconteste, da ligação de Silva com o Policial Militar João Dias Ferreira. Dias acusa o ministro de comandar um esquema de desvio de recursos do ministério para o PCdoB.

A edição desta terça (25) da Folha de São Paulo apresenta a prova definitiva da participação de Orlando Silva em transações que resultaram no desvio de milhões dos cofres públicos. Em 2006, Orlando assinou um despacho que beneficiou a ONG de João Dias. Na época, sindicâncias internas do próprio Ministério do Esporte apontavam sinais de fraude nos negócios do PM. Mesmo assim, Orlando Silva assinou um novo convênio com a ONG do policial, além de reduzir drasticamente as exigências para a formalização do contrato. 

Abaixo a reportagem de Filipe Coutinho e Fernando Mello:

O ministro do Esporte, Orlando Silva, autorizou de próprio punho uma medida que beneficiou uma organização não governamental do policial militar que hoje o acusa de comandar um esquema de desvio de dinheiro público.
Em julho de 2006, Orlando assinou um despacho que reduziu o valor que a ONG de João Dias Ferreira precisava gastar como contrapartida para receber verbas do governo, permitindo que o policial continuasse participando de um programa do ministério.
A medida foi autorizada mesmo depois de auditorias internas terem apontado os primeiros indícios de fraude nos negócios do policial com o ministério, num período em que ele ainda mantinha relação amistosa com o governo.
Os documentos obtidos pela Folha são os primeiros a estabelecer uma ligação direta entre Orlando e o policial.
O ministro está no centro de uma crise há dez dias, desde que Ferreira afirmou que os desvios nos convênios das ONGs com o Esporte serviam para alimentar os cofres do PC do B, partido que controla o ministério desde 2003.
Orlando diz que não conhece o policial e o acusa de mentir para se defender contra as cobranças que passou a sofrer mais tarde para devolver os recursos que suas ONGs receberam do governo.
Em julho de 2006, Orlando assinou um ofício que reduziu exigências e fixou em 6% a contrapartida da Associação João Dias num convênio com o ministério do Esporte.
O percentual era inferior ao que vinha sendo exigido pela pasta nos contratos com outras ONGs do Distrito Federal, que na época tinham que entrar com 30% em média, de acordo com levantamento feito pela Folha.
Era mais baixo, até mesmo, do que a contrapartida exigida pelo Esporte no primeiro convênio assinado com outra ONG do policial (Federação Brasiliense de Kung Fu). Firmado um ano antes, em 2005, esse contrato previa índice de aplicação de recursos, por parte da entidade, de 22%.
O primeiro convênio do policial com o ministério foi reprovado pela área de fiscalização da pasta em abril de 2006, três meses antes de Orlando assinar o despacho que ajudou o policial a ganhar outro convênio com o governo.
A fiscalização do ministério constatou várias irregularidades na execução do primeiro convênio e vetou sua renovação. Para contornar o problema, o policial reapresentou o projeto com outra ONG, a Associação João Dias.
O documento obtido pela Folha mostra que Orlando liberou o novo convênio e definiu a contrapartida menor, de 6%. É uma prerrogativa do ministro conceder ou não esse tipo de benefício para as ONGs nesses casos.
Em seu despacho, Orlando argumenta que fixou a taxa em 6% para atender a uma sugestão da área técnica do ministério, mas o parecer dos técnicos não faz nenhuma sugestão e diz apenas que o ministro tinha autoridade para decidir o que fazer.

Íntegra aqui (para assinantes).

Comentário

Bom, além das gravações entregues por João Dias à Polícia Federal, onde assessores diretos do ministro aparecem combinando versões para burlar as investigações da Polícia Federal, temos agora a assinatura de Orlando Silva num documento que beneficiou claramente o policial que hoje o acusa. As provas não se resumem a isso, o próprio Ministério do Esporte admite que milhões de reais foram roubados dos cofres públicos.

Provas de ilícitos nos contratos com ONGs e outras entidades não faltam. Tanto é assim que o procurador-geral da República pediu a abertura de inquérito para apurar o envolvimento do ministro do Esporte nas fraudes. Queriam um documento assinado por Orlando Silva que atestasse, na melhor das hipóteses, sua inaptidão para o cargo? Agora a “mídia” localizou uma.

Sinceramente, não sei que outra “prova” a presidente acha necessária para defenestrar Orlando Silva do ministério.

Dilma pensa em demitir Orlando Silva e manter controle do Esporte com partido ligado a escândalos

Em reunião realizada na madrugada desta quinta (20), a presidente Dilma decidiu afastar o ministro Orlando Silva do cargo. Apesar de acreditar na inocência de Silva, Dilma avaliou que mantê-lo à frente da pasta geraria mais desgastes numa área sensível do governo que é o Ministério do Esporte. De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, o nome mais cotado para ocupar o lugar de Orlando Silva é o da ex-prefeita de Olinda (PE) Luciana Santos, também do PCdoB.

Abaixo as informações Estadão:

BRASÍLIA – Preocupada com a crise no Ministério do Esporte, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião de emergência logo que chegou de Angola, na noite desta quinta-feira, 20, com a coordenação política do governo. Apesar de não ter convicção do envolvimento do ministro Orlando Silva em fraudes nos convênios da pasta, Dilma está certa de que o desgaste político é irreversível. Ela decidiu substituir Orlando, mas a tendência é que mantenha o ministério com o PC do B.

Dilma ouviu os relatos do ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, sobre o andamento das investigações na Polícia Federal e no Ministério Público. A pedido de Orlando, a Advocacia-Geral da União impetrou queixa-crime contra o policial militar João Dias Ferreira e o motorista Célio Soares Pereira, que o acusam de desvio de recursos no programa Segundo Tempo.

“Nós temos de ter muita serenidade nessa hora porque não apareceu nenhuma prova contra o Orlando”, disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, momentos antes de participar da reunião com Dilma, no Palácio da Alvorada. Carvalho afirmou que o governo não planeja tirar o ministério do PC do B.

A saída de Orlando, porém, é considerada questão de tempo pelo Palácio do Planalto. Auxiliares de Dilma suspeitam de ações da Fifa e da CBF para desgastar o ministro, mas o PC do B vê o dedo do PT na operação e avisou que abrirá guerra contra o governador petista do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, caso seja abandonado à própria sorte.

Ainda em Angola, Dilma defendeu Orlando e o PC do B, definido por ela como um aliado histórico. “Não se faz apedrejamento moral de ministro”, afirmou. “Temos de apurar os fatos, temos de investigar. Se apurada a culpa das pessoas, puni-las. Agora, isso não significa demonizar quem quer que seja, muito menos partidos que lutaram no Brasil pela democracia.” Dilma qualificou como “tolice” os comentários de que o governo está em rota de colisão com o PC do B.

Íntegra aqui.

Comentário:

O esforço de Dilma poderá ser inócuo já que os escândalos no ministério não se resumem à suposta ligação de Orlando Silva com esquemas de desvio no Esporte. Ao contrário, de acordo com as denúncias tornadas públicas nos últimos dias, outros integrantes do PCdoB estariam envolvidos no esquema já que os desvios serviriam para abastecer – também – os cofres do partido.

Hoje o jornal Folha de São Paulo informa que o Ministério do Esporte repassou nos últimos anos R$ 9,4 milhões a uma organização não governamental dirigida por dois ex-cabos eleitorais de um integrante da cúpula da pasta, o secretário de Esporte Educacional, Wadson Ribeiro.

Caso seja confirmada a informação do Estadão, e Dilma opte por manter o PCdoB no comando da pasta, a presidente não terá se livrado do problema, apenas transferido a titularidade.

Orlando Silva pagou R$ 370 mil à vista por terreno em Campinas

Em agosto de 2010, Orlando Silva Júnior comprou, por R$ 370 mil, um terreno no distrito de Sousas, em Campinas (SP). Silva, que é ministro do Esporte desde 2006 e recebia à época da compra R$ 10.748.43 mensais, pagou o terreno à vista usando um cheque administrativo.

A informação abaixo é de Silvio Navarro e está na edição de hoje (19) da Folha de São Paulo. Comentários (e cálculos) após a reportagem:

O ministro do Esporte, Orlando Silva, comprou com um cheque de R$ 370 mil um terreno em um condomínio nobre de Campinas (SP), onde constrói uma casa.
A aquisição ocorreu em 8 de agosto do ano passado. Silva é desde 2006 ministro do Esporte, cujo salário até 2010 era de R$ 10,7 mil.
O condomínio onde é erguida a casa possui um pesqueiro e está ladeado por fazendas. Segundo funcionários, uma engenheira é quem monitora as obras, em fase final de construção.
O ministro nega que seu imóvel faça parte do condomínio, mas os nomes dele e de sua mulher, Ana Petta, constam da lista de proprietários fixada na portaria. Para chegar ao local é preciso registrar-se no condomínio.
A mulher do ministro foi líder estudantil em Campinas e seu irmão, Gustavo Petta, é secretário de Esporte.
Filiado ao PC do B, Silva instalou uma placa com o número do partido, o 65.
Corretores de imóveis afirmaram que uma casa no local custa cerca de R$ 1 milhão, mas que aquele terreno demorou para ser vendido devido à existência de um duto subterrâneo da Petrobras.
Segundo reportagem do portal UOL, técnicos da estatal visitaram os terrenos da região, que poderiam ser desapropriados, gerando possível lucro ao ministro.
A Petrobras afirmou que “não existe previsão de desapropriação de terrenos na área”. Em entrevista, o ministro disse que o imóvel é o único bem que possui.
“Corresponde ao valor das economias ao longo de toda a minha vida”, declarou.

Reportagem aqui.

Comentário:

Não sabemos o que o ministro Orlando Silva faz nas horas vagas. O que conseguimos apurar é que de 95 até 97, o ministro  presidiu a UNE no Estado da Bahia. Após esse período, Silva fez parte da direção do PCdoB e, mais tarde, em 2003, ingressou no governo Lula. Primeiro como Secretário Nacional do Esporte, e depois Secretário-Executivo do Ministério do Esporte. As informações são do próprio ministério e estão disponíveis no portal “Vermelho” (conveniado ao PCdoB).

Se formos avaliar os rendimentos do ministro a partir do período em que esteve à frente do Ministério do Esporte, chegamos ao seguinte cálculo:

Salário mensal (2006 a 2010) = R$ 10.748, 43

4 anos = 48 meses

48 x 10.748,43 = 512.924,64

————————————————————————————-

Total sem impostos* = R$ 512.924,64

 

*Valor sem 13°, previdência social e eventuais benefícios

 

Como dissemos logo no início, não sabemos o que o ministro Orlando Silva faz – ou fazia – nas horas vagas, tampouco qual a sua situação econômica antes de chegar ao governo. O que sabemos é que, se formos avaliar unicamente o seu rendimento como ministro do Esporte, no período anterior à compra do terreno de R$ 370 mil, seus ganhos reais, tirando os impostos (aproximadamente 30% de IR), giravam em torno de R$ 360 mil. A compra foi feita em agosto, portanto, alguns meses antes de completar 4 anos à frente do ministério. Ah, um adendo importante: desses aproximados 360 mil, diminuam aí uns R$ 30 mil que ele devolveu aos cofres por ter confundido os cartões de crédito na hora de efetuar pagamentos pessoais.

É importante salientar que o cálculo foi feito a partir de dados públicos divulgados pela imprensa.

Orlando é advogado e assumiu o ministério com 34 anos. “Um dos ministros mais jovens da história do país”, como costumam sublinhar os camaradas do PCdoB. O que sabemos agora é que, além de ser um “jovem ministro”, é também um homem que sabe economizar.

Orlando Silva: da tapioca ao escândalo de milhões

Até 2008, Orlando Silva era nome do cantor das multidões, pois ninguém nem sabia quem era o ministro dos esportes – não tanto por mérito de quem ocupava a pasta, mas por deméritos de quem a deixava, Agnelo Queiroz.

Esse Orlando Silva nunca se envolveu em escândalo de ONGs de fachada – nem comeu tapioca com nosso dinheiro

Orlando Silva, o ministro, ficou famoso quando pagou tapioca com dinheiro público por meio do cartão corporativo. Ele disse que foi um “engano”, e isso nos autoriza supor que talvez quisesse comprar pastel ou empada.

Na época, a governosfera-sem-licitação saiu em defesa do ministro, dizendo que era algo menor. De fato, é mesmo algo menor em proporção financeira, mas que serve para definir caráter. Afinal, o sujeito que fura uma fila é o mesmo que, na administração pública, tem propensão para outras coisas.

Isso lembra a anedota do sujeito que oferece dois milhões para uma garota, a fim de um programa. Ela topa e ele então oferece cem reais. Nervosa, ela diz “o que você pensa que eu sou?”, e ele responde “o que você é eu já sei, agora é uma questão de negociar o preço”. Atribuem o chiste a Churchill e ele serve bem ao caso, guardadas as óbvias proporções.

Afinal, “o que é” o ministro já descobrimos com a tapioca, foi algo público e notório, mesmo diante de espantosas defesas perpetradas pela blogosfera ligada ao governo federal (mediante contratos milionários com ou sem licitação). Ele já deixou claro como tratava o dinheiro público… e então surgem as novas denúncias.

Em fevereiro deste ano, reportagem do Estadão apontou o programa “Segundo Tempo” como “instrumento financeiro do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)”. Orlando Silva escapou da demissão, isso quando já se falava naquela baboseira de “faxina” ministerial (como se não fosse a própria presidente que nomeasse os sacripantas envolvidos em fordunços).

Agora, o caldo entorna ainda mais (ou a tapioca queima?), pois o ministro é DIRETAMENTE acusado de participar e ser beneficiário do esquemão. Ele foi acusado por um militante do próprio PCdoB que também participou do tal “Segundo Tempo”.

O que se tem: desvios COMPROVADOS e destinados a pessoas ligadas ao PCdoB, partido do Ministro. Isso é fato, com provas, depoimentos, números etc. Agora, a acusação de envolvimento direto. Ou seria corrupto, como acusa o PM militante de seu partido, ou apenas incompetente ao extremo.

Como não dá mais para falar em tapioca, naquele sentido de pouca grana, algumas teses de defesa surgem para trazer alívio cômico à tragédia. Um especialista em economia que também tem especialização em falir as próprias finanças, sem essa nem aquela, dá a entender que isso é resultado do fato de que Dilma “não ser curvou” à FIFA.

Lorota, pois a Presidente da República assinou decreto ISENTANDO A FIFA DE TODO E QUALQUER IMPOSTO FEDERAL ATÉ O FINAL DE 2015. Talvez isso não seja “curvar-se”, mas sim algo cuja “analogia de postura” seria bem menos louvável – e certamente indelicado para publicar.

E também não é “culpa da imprensa”. Sério, já ficou ridículo isso de “pig”, tal e coisa. Depois do terceiro ministro que cai, na boa, é preciso ao menos COGITAR a hipótese de que haja sim tramóias no governo.

Daí voltamos à tapioca.

Países desenvolvidos tendem a repreender crimes menores, buscando evitá-los e dando a eles tratamento de coisa grave, apostando no fato de que isso pode ser o início de uma “carreira”. No Brasil, ao contrário, pequenos delitos não merecem tanta atenção, e quem os denuncia é objeto de escárnio.

Agora, com a “evolução” do acepipe nordestino a um escândalo de milhões, temos o “efeito tapioca”. O resultado de quando não se afasta o gestor público mesmo depois que ele deixa claro ser o que é.

Nova crise à vista: soldado da PM ameaça ministro do Esporte

As próximas horas serão decisivas para o futuro do ministro do Esporte, Orlando Silva. De acordo com o blog “Político” da revista Época, João Dias Ferreira, soldado da polícia Militar do Distrito Federal, diz ter revelações contundentes sobre desvios de dinheiro no programa “Segundo Tempo” do Ministério.

As informações abaixo são de Murilo Ramos, voltamos nos comentários:

O soldado da Polícia Militar do Distrito Federal João Dias Ferreira é um personagem recorrente de denúncias envolvendo o Ministério do Esporte. Dias presidiu duas entidades acusadas de desviar cerca de R$ 2 milhões do programa Segundo Tempo do Ministério. Desde o começo das denúncias, Ferreira sempre se manteve na sombra. Há duas semanas, porém, ele mudou de atitude. Ferreira criou um blog e passou a atacar desafetos por meio dele. No blog, Dias promete, entre outras coisas, fazer revelações sobre “arrecadadores da gestão do Orlando Silva (ministro do Esporte)”. Ferreira afirma, também, que um ex-servidor do ministério, supostamente requisitado por Orlando Silva, cobrava propina para “sumir” com processos de prestação de contas dos convênios supostamente fraudados. Dias afirma que não pagou pelo serviço, mas dará nomes de quem teria aceitado pagar. O advogado de João Dias disse que não conseguiu localizá-lo para comentar o conteúdo do blog. Em nota à revista, o Ministério do Esporte afirma que não comentará “invencionices” do policial. Disse, ainda, que o autor das denúncias deveria “procurar a justiça”.

Reportagem publicada no blog Quidnovi, na sexta-feira, afirma que o soldado João Dias detalhou, a uma pessoa próxima à presidente Dilma Rousseff, desvios de dinheiro do programa Segundo Tempo para o PC do B, partido do ministro Orlando Silva. Ainda de acordo com a reportagem, Dias deu informações sobre desvios no contrato que o Ministério do Esporte mantém com uma empresa de publicidade. Entre os favorecidos com as supostas irregularidades estariam ex-funcionários e o chefe de gabinete do ministro Orlando Silva, Vicente José de Lima Neto. Segundo o Ministério do Esporte, a empresa foi contratada mediante licitação e as afirmações (João Dias) não têm fundamento. “As insinuações são invencionices”, diz a nota.

Íntegra aqui.

Comentário:

A revista Veja que chega às bancas neste sábado (15) traz novas revelações sobre o caso. Resta saber qual a gravidade das novas descobertas, e se elas serão suficientes para defenestrar mais um ministro do governo Dilma. Em breve saberemos.