Valter Pomar, militante e ex-dirigente do PT, denuncia eleições internas: “fraude sistêmica”

Falamos ontem do encolhimento do Partido dos Trabalhadores, bem como das acusações de fraudes ocorridas no processo interno de eleição. E quem também fala disso, de forma um tanto mais contundente, é Valter Pomar, militante com longo histórico no partido e que já nele já ocupou cargos de direção, considerado mais à esquerda das correntes majoritárias.

Em texto publicado no site Página 13, ligado à “Articulação de Esquerda”, ele bateu pesado. Seguem trechos:

“Fraude sistêmica, planejada e em escala industrial (…) – em Minas Gerais, foram inscritos cerca de 400 municípios para realizar a eleição apenas de delegados e delegadas estaduais, sem informar quem registrou estes municípios e quem neles se responsabilizaria pelo processo eleitoral. Valendo dizer que a própria comissão organizadora eleitoral estadual reconheceu que, no caso de 93 municípios, não havia localizado quem se dispusesse a organizar a eleição (um claro indicador de que a iniciativa de fazer o processo partiu de fora e de cima); – a média de comparecimento nesses municípios foi de 80% dos filiados e filiadas aptos, havendo casos de incríveis 115% (sic!!!), número que contrasta com a média do estado, que foi de 30%. Valendo dizer que onde houve chapa municipal e não houve fiscalização, o comparecimento também foi discrepante (…)

Uma fraude sistêmica, planejada em escala industrial. Em muitos casos, trata-se de uma reprise da fraude realizada em 2013, quando foram fabricadas atas de votação e mortos votaram”

Aparentemente, o racha interno desta vez é mesmo intenso.

PT perde 1.120 diretórios municipais e eleições internas tem suspeitas de fraudes

O Partido dos Trabalhadores, cujos líderes estão no centro das grandes investigações em curso, realizou eleições internas no início de abril, e os números do PED (Processo de Eleição Direta) revelados não são positivos.

Segundo o Estadão, o PT encolheu 27%, e em 1120 municípios nem mesmo conseguiu formar uma chapa para concorrer. A Folha de SP, por sua vez, trata das suspeitas de fraudes, com direito à acusação de que mesmo filiados mortos tiveram votos registrados.

Tempos não muito favoráveis ao partido.

O culto messiânico a Lula tornou o PT gigante, mas hoje é o motivo da ruína do partido

O Partido dos Trabalhadores nasceu em 1980, mediante a união de dois segmentos da sociedade que, diziam seus então líderes, não eram suficientemente representados pelas demais (e ainda poucas) legendas: metalúrgicos e intelectuais.

Os primeiros eram as caras mais visíveis, o viés “gente como a gente”, que buscava atingir o povo de forma mais direta; os outros eram o suporte teórico, que levavam esse ideários os jornais, às revistas, à TV, ao mundo artístico etc.

Como bom partido socialista, o PT também passou a existir em torno de uma única pessoa, e essa pessoa desde sempre era Lula. Um líder aqui, outro ali, mas ninguém chegava (nem poderia chegar) perto do prestígio do líder máximo. Nenhuma novidade, considerando o PDT de Leonel Brisola e o PCB de Luís Carlos Prestes, para ficar só em dois exemplos.

Tal insistência, em princípio, custou caro aos petistas. Em 1989, ao contrário do que às vezes faz parecer, Lula não estava com essa bola toda. Na verdade, as pesquisas apontavam segundo turno entre Brizola e Collor; o PT foi “de última hora” e o resto é história.

Já em 1994 e 1998, de fato, o partido passou a ocupar o papel de líder da oposição – e Lula, por consequência, o líder acima disso tudo. E assim foi até 2002, quando finalmente, depois de muita insistência, algo simplesmente IMPENSÁVEL em um partido mais democrático de qualquer país do mundo, ele entra.

A popularidade altíssima, que decorreu desse messianismo, fez com que o PT se tornasse a grande força política nacional. Aparecer com Lula num comício era certeza de vitória praticamente no país todo. E isso durou alguns anos.

E aí começa a curva para baixo.

O partido começou a desmoronar justamente pelo viés de cultu messiânico, segundo o qual o líder Lula é INQUESTIONÁVEL e toda e qualquer acusação contra tal figura seria BLASFÊMIA. Denúncias foram surgindo e o dogmatismo petista fazia com que nada fosse tratado como real. Era tudo mentira, loucura, conspiração etc.

Porém, o povo não é exatamente idiota, e começou a perceber. O pessoal do partido, todavia, não abriu mão (e nnca abrirá) da defesa irrestrita do líder que simplesmente NÃO PODE SER ACUSADO.

Desse modo, estamos onde estamos. Neste ano, as urnas “consagraram” a ruína do PT. Mas os petistas continuam – e continuarão – mantendo o dogma da infalibilidade de Lula. O mesmo dogma que fez o partido crescer e tornar-se gigante, é hoje o principal fator de sua ruína.

psse alguém acha exagero falar em messianismo, que faça uma busca pelos termos “Lula + Cristo” e veja os resultados

Mais do mesmo: PT acabará escolhendo Lula como “novo” presidente do partido

Com o término do mandato de Rui Falcão, e a menos que o partido tire da cartola qualquer solução mágica, o provável é que Lula seja o “novo” presidente do PT. Não se trata de uma homenagem ao líder histórico num momento pra lá de difícil, mas sim da mais pura falta de opção viável.

Dilma Rousseff foi recusada, pois não é exatamente uma unanimidade entre os petistas (aliás, vale sempre lembrar, eles não a querem nem mesmo presidindo a Fundação Perseu Abramo, vai vendo só!).

Quais outros sobraram? Chegaram a citar o nome de Lindbergh Farias, senador pelo Rio de Janeiro, pois isso atrairia os jovens. Bobagem, claro. O dito cujo já tem quase cinquenta anos e a simples sugestão a sério de seu nome, com o objetivo de aproximar os “jovens”, mostra o porquê de o partido estar tão distante da juventude. Além de tudo, seu nome aparece em algumas denúncias e escândalos.

Esse, aliás, tem sido o principal impedimento de muitos líderes petistas. Uns estão presos, outros tem seus nomes citados em tudo que é rolo, e além de tudo há as inúmeras correntes internas, com suas brigas já tradicionais. Qualquer nome será recebido com ressalvas e o partido não se dar ao luxo de encolher ainda mais (pois sim, claro que muitos aproveitarão algo assim para pular fora, usando exceções previstas na lei de fidelidade partidária).

Sobrou Lula. Provavelmente, será Lula. Nada de novo, mais do mesmo etc. O caminho natural do Partido dos Trabalhadores é esse.

Tribunal Eleitoral desaprova contas do PT em São Paulo. Alguém surpreso?

O Partido dos Trabalhadores leva a sério a máxima de que colhemos o que plantamos. A fase atual não é nada boa, mas tudo que agora ocorre resulta diretamente das ações de seus dirigentes.

Como se não bastasse a tempestade que se assola sobre Lula, a rejeição extrema ao partido, além obviamente do impeachment, agora mais essa.

As contas do PT em São Paulo foram desaprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral.

O TRE identificou a ausência de extratos bancários, recursos sem identificação de doadores e mesmo o uso do Fundo Partidário quanto este estava suspenso. O partido terá agora de devolver um total de R$ 223.322,05 aos cofres públicos (Erário e Fundo Partidário).

Nada de muito novo, não é mesmo? E o que se colhe é o que se planta.

Rejeição do PT é tão grande que precisam EXIGIR de seus candidatos a exibição da estrela vermelha

Ninguém quer saber do PT, especialmente os petistas que participam das eleições deste ano. A rejeição do partido chegou a patamares altíssimos. Em São Paulo, por exemplo, 70% dos eleitores dizem que jamais votarão em Fernando Haddad – e mesmo Marta Suplicy, até ontem petista, é rejeitada por 54%.

Não por acaso, claro, o “prefeitão” tratou de esconder o PT de suas peças. Mas acontece que o partido gostou nada disso e EXIGIU uma mudança.

Como manda quem pode e obedece quem tem juízo, ele obedeceu.

Sim, a situação chegou a esse ponto: precisam EXIGIR que os candidatos não escondam o vínculo partidário.

A parte boa é que nós, eleitores, não nos deixaremos enganar e, no fim, pouco importa se há estrela vermelha, azul, sol, lua etc. Sabemos muito bem quem é do partido, estando ou não oficialmente ligado a ele.

Empresa da Marta vale R$ 6,3 milhões, mas ela a declarou por R$ 49,5 mil. Uma vez petista…

Um dos truques da eleição deste ano será a presença de diversas figuras históricas do PT em outras legendas, não por acaso atacando ex-o partido (até então amado). O motivo? Baixa popularidade. Em São Paulo, por exemplo, nada menos que UM QUINTO dos prefeitos eleitos pela legenda já pularam fora.

Mas há aquele velho ditado: a pessoa sai do PT, mas o PT não sai da pessoa.

Vejamos o caso de Marta Suplicy, que até anteontem era “parça” do Lula e companhia, foi ministra mesmo da Dilma Rousseff, mas elabora uma narrativa segundo a qual não estaria ligada a nada disso. O problema é que, como sempre, os fatos acabam atropelando o roteiro fictício.

Quando ela fez sua declaração de bens e renda ao tribunal eleitoral, imediatamente surgiram boatos, já que alguns valores não pareciam compatíveis com a realidade. E agora descobre-se que uma empresa declarada, cujo valor real é de R$ 6,3 milhões, consta como se valesse R$ 49,5 mil.

Nada de novo, não é mesmo? Vão precisar de muito mais talento para convencer o eleitor paulistano de que ela não é o que sempre foi.

Afinal, uma vez petista…

Nestas eleições, dirigentes do PT desistem de falar em “golpe” e já fogem de Dilma e Lula

A realidade bateu à porta do PT. Demorou, é verdade, mas bateu. Enquanto publicamente militantes e dirigentes insistem em matraquear a tese do “golpe”, bem como aplaudir Dilma Rousseff e Lula, a estratégia interna talvez seja o exato oposto.

Neste ano, como se sabe, há eleições municipais e, também como se sabe, a popularidade da legenda não está aquela maravilha. Tanto menos as da presidente afastada e a de seu eterno líder.

Vale lembrar que um quinto dos prefeitos eleitos pelo partido em São Paulo o abandonaram e aqueles ainda resistentes enfrentam rejeição recorde.

PT - Lula - Dilma Rousseff - Eleições 2016

Assim, pensando pragmaticamente, alguns dirigentes já desistiram de falar em “golpe” e, mais do que isso, planejam táticas de campanha que praticamente excluem o partido e suas figuras mais rejeitadas.

Resta ao eleitor, é claro, não cair nessa conversa-mole.

E isso vale para petistas que esconderão a legenda e também para os que saíram do partido, mas o partido não saiu deles. E nunca sairá.

Leia também: Candidato a prefeito perde mais da metade dos votos ao citar ligação com o PT

Dirceu, Vaccari e Vargas querem que PT peça “desculpas” por corrupção

Jose Dirceu - Joao Vaccari - Andre Vargas - pedido de desculpas - mea culpa - corrupcao - Lava Jato - Foto Heuler Andrey Getty

Do ponto de vista estratégico, considerando a devastação completa decorrente da Operação Lava Jato (sem contar os efeitos também do Mensalão), a esta altura o PT não teria muita coisa a perder assumindo a culpa. É o que instituições sérias fazem nesse tipo de circunstância. Mas, vale repetir, é o que fazem instituições SÉRIAS.

De todo modo, chama atenção que três líderes petistas – todos presos, claro – defendam tal procedimento. Trata-se de José Dirceu, João Vaccari e André Vargas.

O partido seguirá o conselho? Quase certeza de que não fará isso. Arruinaria a tal “narrativa” que estão construindo para 2018.

Mas é divertidíssimo imaginar como ficaria a cara da militância caso optem pelo “mea culpa”.

Golpe? PT autoriza alianças municipais com o PMDB!

PT - PMDB - Eleições 2016

A essa altura, todos nós sabemos que a lorota do “golpe” já foi pelo ralo. Os petistas insistem nessa ladainha, é claro, até mesmo porque não restou nada, no mundo real, para que se apegassem em busca de um argumento.

Entendemos o desespero. Mas as coisas se tornaram ainda mais patéticas com o anúncio de que o partido permitirá alianças com o PMDB, justamente a agremiação que alegam estar no comando do “golpe”.

É mole?

De um lado, a necessidade de construir uma narrativa com vistas nas eleições de 2018, dizendo que o país passa por um processo “golpista”. De outro, o pragmatismo para as eleições deste ano, com a baixíssima popularidade do partido, fazendo com que firmem alianças com o alegado “algoz”.

Estão mesmo desesperados. Faz parte. O país, contudo, está próximo de finalmente respirar com certo alívio.

Por fim, nossa recomendação: boicote total a todos os candidatos a prefeito que estejam ligados direta ou indiretamente ao PT. Não votar em petistas, nem em quem a eles se aliar, independentemente do partido.