Com cortes na saúde e na educação, governo Dilma dará R$ 83 milhões de patrocínio a clubes de futebol

A política social romana era sintetizada no conceito de “Pão e Circo”, segundo o qual o povo se tornaria pacífico se recebesse diversão e ao menos não passasse fome. No Brasil de hoje, a parte alimentícia anda complicada diante do desemprego acentuado e da crise econômica no geral. Mas o circo vai bem, obrigado.

Mesmo cortando bilhões de saúde e educação, entre outras áreas essenciais e estratégicas, o governo Dilma anunciou – com direito a cerimônia e tudo – um pacote de R$ 83 milhões em patrocínio para clubes de futebol, por meio da Caixa (banco estatal). O maior beneficiado será o Flamengo, com R$ 25 milhões. Depois, Cruzeiro e Atlético Mineiro, cada um com R$ 12,5 milhões.

A bizarra festança ainda serviu para que a presidente anunciasse uma revisão na Lei Pelé, obviamente atendendo a demandas dos clubes. E ainda, na maior cara de pau, disse que criaria uma CLT própria para atletas, alegando ser uma proteção aos jogadores (uma mentira, já que a CLT atual protege muito mais e qualquer mudança seria justamente para aliviar a barra dos clubes).

Dilma Rousseff - futebol

Desse modo, descobrimos que de fato não é em todo setor que há crises ou cortes drásticos. A cartolagem futebolística pode respirar aliviada.

Petrobras mantém patrocínio às escolas de samba do Rio, mesmo em crise

Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, na Marquês de Sapucaí (Sambódromo), no centro da cidade.

Segundo o Globo, esta semana o presidente da Liesa (Liga das Escolas de Samba do Rio), Jorge Castanheira, anunciou que, por mais um ano, a estatal patrocinará a elite do carnaval carioca. A Petrobras engordará  em R$1 milhão a conta de todas as escolas do grupo especial, que são 12 ao total.

O crédito virá via renúncia fiscal de ICMS. Ou seja: a Petrobras adianta os recursos e depois debita do que paga ao governo do Rio.