Odebrecht usou o “departamento de propina” para aportar R$ 3,5 milhões na Carta Capital

O jornal O Globo revelou detalhes da delação premiada do executivo Paulo Cesena, que já foi diretor financeiro da Odebrecht e até o mês passado presidia a subsidiária Odebrecht Transport.

Segundo a delação, entre 2007 e 2009, o ministro Guido Mantega, então Ministro da Fazenda de Lula (ele ocuparia o mesmo cargo sob Dilma Rousseff), pediu que fosse realizado um financiamento à Editora Confiança, à qual é subordinada a revista Carta Capital. Valor: R$ 3,5 milhões.

E isso foi feito pelo “Setor de Operações Estruturadas”, eufemismo para o “departamento da propina” da construtora.

Não bastasse o pedido atípico, feito por um Ministro de Estado, e a estruturação ter rolado por tal departamento, mais curioso ainda foi o “pagamento”. Isso porque, ainda segundo a delação, o valor não foi devolvido em dinheiro, mas sim “descontando” em forma de patrocínio a eventos e páginas de publicidade. Ou seja: uma operação de crédito recebe outra contrapartida; na prática, torna-se verba publicitária, mesmo.

Por fim, aí vão as palavras do delator:

“Marcelo Odebrecht me chamou para uma reunião em sua sala, no escritório em São Paulo, e me informou que a companhia faria um aporte de recursos para apoiar financeiramente a revista ‘Carta Capital’, a qual passava por dificuldades financeiras. Marcelo me narrou que esse apoio era um pedido de Guido Mantega, então ministro da Fazenda (…) Entendi que esse aporte financeiro tinha por finalidade atender a uma solicitação do governo federal/Partido dos Trabalhadores, pois essa revista era editada por pessoas ligadas ao partido” (grifamos)

Complicado.