Esquerdista que concorreu à presidência do Brasil defende fuzilamento dos adversários

Foto: Screenshot do YouTube

Muitos dirão que se trata de uma figura insignificante (o que não deixa de ser, já que ficou em penúltimo lugar na corrida presidencial brasileira no ano passado). Outros tentarão usar a desculpa de que ele citava um “poema”. Mas a verdade é que, se fosse qualquer mísero personagem do “outro lado” com discurso tão repugnante, a imprensa já teria levantado a ficha criminal do meliante ao ponto de ele não mais ter condições de frequentar espaços público.

Disse Mauro Iasi, candidato em 2014 à presidência pelo Partido Comunista Brasileiro:

“Nós estamos dispostos a oferecer a você o seguinte: um bom paredão, onde vamos colocá-lo na frente de uma espingarda com uma boa bala, e vamos oferecer, depois de uma boa pá, uma boa cova. Com a direita e o conservadorismo, nenhum diálogo.”

Ao final da fala, o público que o ouvia o aplaudiu. Para conferir com seus próprios olhos esse absurdo, clique no player abaixo:

PCB cobra do Estado anistia e reparação material

‘Partidão’ é a primeira pessoa jurídica a entrar com pedido na Comissão de Anistia

Matéria do jornal O Globo:

BRASÍLIA – Apesar de uma história longeva, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) — o velho Partidão, fundado em 1922, e perseguido por décadas, passando por duas ditaduras — experimentou curtíssimos períodos de legalidade. Agora, a direção do partido entrou com pedido de anistia e quer a reparação material do Estado. Argumenta que, se não fosse a perseguição ao movimento comunista e a morte de suas principais lideranças, a legenda hoje seria um dos “expoentes da política brasileira”. O comando do PCB ressalta, inclusive, que deixou de receber o Fundo Partidário na ilegalidade.

O PCB protocolou esse pedido recentemente na Comissão de Anistia. É a primeira pessoa jurídica a requerer os benefícios da lei, que, até hoje, permitiu pagamentos de indenizações apenas a pessoas perseguidas pela ditadura. O PCB foi o partido que mais tempo permaneceu na ilegalidade ou clandestinidade na história republicana do Brasil. Mas a direção do partido hoje não é a mesma de tempos atrás. O partido rachou, se dividiu e surgiu o PCdoB, no início da década de 60. Nos anos 1990, parte do PCB virou PPS. Pouco expressivo na política nacional, o PCB hoje tem cerca de 13 mil filiados, e sua principal liderança é o ex-líder sindical Ivan Pinheiro, que chegou a disputar a Presidência da República em 2010. Entre os nove postulantes, terminou em oitavo lugar com pouco mais de 39 mil votos.

“Não fosse a incansável perseguição política sofrida pelo PCB, dúvidas não há de que figuraria hoje como um dos expoentes na política do país. É imprescindível para a própria afirmação da democracia brasileira que o Estado repare, ainda que parcialmente, os erros cometidos outorgando ao PCB reconhecimento e compensação pelos prejuízos históricos e materiais que lhe foram causados”, argumenta o partido no pedido à comissão, que é assinado por Pinheiro; pelo secretário nacional de Organização, Edilson Gomes; e pelo advogado do partido, Gustavo Tepedino.

Os requerentes contam a história do partido e citam suas lideranças e outros comunistas, como Luiz Carlos Prestes, Carlos Marighella, Apolônio de Carvalho, David Capistrano e Manuel Fiel Filho. O PCB lista ainda o que considera ser uma série de danos inestimáveis, como o confisco de bens, a perda de mandatos eletivos, a necessidade de parlamentares pertencentes ao PCB filiarem-se formalmente a outras representações e a perda do Fundo Partidário.

“Sem registro do TSE, não tinha direito aos recursos, mesmo tendo, durante o regime militar, parlamentares de seus quadros formalmente vinculados a outras legendas”. O maior prejuízo, diz o PCB, foi o aniquilamento das vidas. “O projeto político tornou-se acéfalo, com a precipitação da morte das principais figuras responsáveis pela propagação de ideias, bem como a de jovens que lhe dariam continuidade”.

Partido deixa cálculos para serem feitos pela Comissão

O PCB diz ser impossível quantificar os danos e deixa a critério da Comissão da Anistia o cálculo desse prejuízo. Integrantes do colegiado entendem que o pedido é controverso e se, aprovado, o partido terá direito ao teto máximo de prestação única, que é de R$ 100 mil.

A UNE foi anistiada recentemente, recebeu mais de R$ 20 milhões pela destruição de sua sede, no Rio, mas foi uma iniciativa do Congresso Nacional. O PCB diz que, se a UNE foi beneficiada, eles também podem ser.

O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, afirmou que na história republicana brasileira os comunistas são, comprovadamente, o grupo político que mais sofreu perseguição ao longo do tempo.

— Nossa Constituição prevê reparação aos que foram atingidos por atos de exceção desde 1946 exatamente pelo fato de que, nesta época, o Partido Comunista foi colocado novamente na clandestinidade, após a Assembleia Constituinte — disse Paulo Abrão, acrescentando tratar-se de um pedido de anistia incomum, mas garantindo que a comissão “se debruçará sobre ele no tempo certo e tomará a decisão segundo a legislação”.

Ivan Pinheiro afirmou que irá protocolar o documento também na Comissão da Verdade.

— Recebemos informações, denúncias e documentos que contam a história dessa perseguição — disse Pinheiro.

Parte desses documentos, inédita, está anexada ao pedido na Comissão de Anistia. Arquivos da repressão demonstram essa perseguição. Há ainda documentos de autoria de Marighella, sobre a atuação eleitoral do PCB no cenário de ilegalidade, e relatos sobre reuniões e congressos do PCB.

Antigo integrante do PCB e um dos fundadores do PPS, o deputado federal Roberto Freire (PPS-SP) discorda do pedido da direção de seu antigo partido. Freire foi candidato a presidente pelo PCB em 1989. Obteve cerca de 770 mil votos. O PPS considera que sua história é a do antigo PCB.

— Nós fizemos o que devíamos. Fomos perseguidos, companheiros nossos foram assassinados, mas a compreensão é que fizemos o que tinha que ser feito. Não estamos precisando de nenhuma indenização e não queremos pedidos de desculpas de ninguém. Isso não é negócio de igreja. Cumprimos nossa obrigação de comunistas, de lutar por outra sociedade e contra outro regime, que nos perseguiu. E que para nós basta. Tanto que saímos vitoriosos e hoje vivemos uma democracia — disse Freire. — Agora, quem quiser ser herdeiro de 22 (ano de fundação do PCB) pode ser. Só não quero que se desvirtue a História.

(grifos nossos)

Comentário

É muito difícil lutar contra o capitalismo sem uma verbinha pública, não é mesmo?