Lula diz que não deve desculpas e emenda: “quem deve pedir” são os investigadores

É mais do que sabido que a situação de Lula está complicadíssima. Há poucos dias, ele pediu para não ser mais investigado em Curitiba e ouviu do juiz Sergio Moro um redondíssimo “não!”.

Também recentemente o maior jornal do planeta disse que ele “enganou o mundo”. Por fim, já sem qualquer esperança na salvação de Dilma Rousseff, ele tenta (por ora, praticamente em vão) evitar uma debandada em massa do PT.

Não é sem motivo, portanto, que ele esteja nervoso. E esse nervosismo se refletiu em entrevista recente concedida à rede BBC. Pelas tantas, depois de dizer que Dilma mostraria “Judas” em seu depoimento no Senado, o líder messiânico do petismo manda mais essa, perguntado sobre se pediria desculpas:

– Lula: Eu não. Quem tem que pedir desculpas é quem está inventando acusações.

As acusações, que segundo as provas não são nada inventadas, saem dos investigadores da Força Tarefa da Lava Jato, formada por Procuradores da República e policiais federais.

Eles estão inventando algo? Devem desculpas? Ou é Lula quem as deve? A essa altura, o leitor tem a resposta para isso.

Dirceu, Vaccari e Vargas querem que PT peça “desculpas” por corrupção

Jose Dirceu - Joao Vaccari - Andre Vargas - pedido de desculpas - mea culpa - corrupcao - Lava Jato - Foto Heuler Andrey Getty

Do ponto de vista estratégico, considerando a devastação completa decorrente da Operação Lava Jato (sem contar os efeitos também do Mensalão), a esta altura o PT não teria muita coisa a perder assumindo a culpa. É o que instituições sérias fazem nesse tipo de circunstância. Mas, vale repetir, é o que fazem instituições SÉRIAS.

De todo modo, chama atenção que três líderes petistas – todos presos, claro – defendam tal procedimento. Trata-se de José Dirceu, João Vaccari e André Vargas.

O partido seguirá o conselho? Quase certeza de que não fará isso. Arruinaria a tal “narrativa” que estão construindo para 2018.

Mas é divertidíssimo imaginar como ficaria a cara da militância caso optem pelo “mea culpa”.

As “desculpas” de Moro e o método da repetição da mentira

O juiz Sergio Moro não pediu desculpas ao STF pela divulgação dos áudios de Lula. Repetindo: ele não pediu desculpas ao STF pela divulgação dos áudios de Lula. Mais uma vez: não pediu desculpas por isso.

Pois é, não teve isso. Mas não adianta: a notícia saiu de forma equivocada em diversos veículos e, para a militância, o erro tornou-se verdade. Antes de tudo, não é de se espantar que, para eles, algo falso seja tratado como correto. Basta lembrar que, ora, são governistas! E quem trata este governo como correto definitivamente não tem muita dificuldade em tentar legitimar qualquer cascata.

Importante frisar que alguns veículos fizeram a devida correção, mas ainda assim devemos apontar o erro crasso que os governistas passam como se fosse um fato. Vejamos.

No ofício remetido ao STF, Sergio Moro disse o seguinte:

“Diante da controvérsia decorrente do levantamento do sigilo e da r. decisão de V.Ex.ª, compreendo que o entendimento então adotado possa ser considerado incorreto, ou mesmo sendo correto, possa ter trazido polêmicas e constrangimentos desnecessários. Jamais foi a intenção desse julgador, ao proferir a aludida decisão de 16/03, provocar tais efeitos e, por eles, solicito desde logo respeitosas escusas a este Egrégio Supremo Tribunal Federal” (grifos nossos)

Compreensível que pessoas menos afeitas à linguagem jurídica das correspondências oficiais seja induzida ao erro, embora – a esta altura dos acontecimentos – seja temerário não contar com alguém mais familiarizado com os protocolos do Poder Judiciário nos grandes veículos. De todo modo, e é patente, basta ler com alguma atenção: as “escusas” são por conta da “controvérsia”, dos “tais efeitos” (que seriam, afinal, a polêmica causada).

Ele ainda deixa claro em um aposto: “POR ELES”. Era só ler..

Não pediu desculpas, portanto, pelo ATO, sobre o qual segue sustentando a legalidade, mas sim pela repercussão exagerada, alegando não ser essa a intenção. Ponto.

E a lorota repetida não vira verdade.. Já não virava antes e menos ainda viraria hoje, na era da informação, com as pessoas mostrando a verdade em tempo real nas redes.

Sergio Moro - Foto Evaristo Sa AFP

No mais, vale a regra de ouro: combatamos a mentira com a verdade, sempre. Eles repetem a falácia? Nós repetimos o que de fato houve:

Sérgio Moro não pediu desculpas ao STF pela divulgação dos áudios de Lula. Sérgio Moro não pediu desculpas ao STF pela divulgação dos áudios de Lula. Sérgio Moro não pediu desculpas ao STF pela divulgação dos áudios de Lula.