A Lava Jato já tira o sono de políticos de 18 países latino-americanos

No Peru, um ex-presidente teve a prisão decretada. No Panamá, advogados tiveram o mesmo destino. Na Colômbia, contratos foram cancelados pela Justiça. E histórias semelhantes estão acontecendo na Argentina, República Dominicana, Chile, Venezuela, enfim… Já são 18 os países latino-americanos trabalhando em parceria com a Lava Jato. Ou basicamente os países que viveram em algum momento sob o comando de participantes do Foro de São Paulo.

É preciso reconhecer: o escândalo não é mais brasileiro, é latino. Ou ao menos tem na região seu centro de comando, uma vez que suspeitas são investigadas também na África e em bancos europeus.

Ao escrever sobre o Foro de São Paulo, Olavo de Carvalho já usou os seguintes termos: “Nunca se viu, no mundo, em escala tão gigantesca, uma convivência tão íntima, tão persistente, tão organizada e tão duradoura entre a política e o crime”.

As descobertas da Lava Jato nos países que foram dominados pela esquerda deixada evidente que, bem… Olavo tinha razão.

Indiretamente, a Lava Jato conseguiu pedir a prisão do ex-presidente… do Peru!

Há um tempo, a Lava Jato chegou ao Peru. E já vem fazendo suas primeiras vítimas graúdas. Um juiz determinou que Alejandro Toledo passe pelo menos 18 meses em prisão preventiva. Motivo: teria recebido 20 milhões de dólares em propina da Odebrecht. Com isso, teria beneficiado a empreiteira brasileira na licitação da Rodovia Interoceânica Sul, que liga a nação vizinha ao Brasil.

Toledo presidiu o Peru entre 2001 e 2006, quando Lula ainda estava no primeiro mandato (a foto mais acima é de 2003). Mas o crime pelo qual é investigado se deu anos após a conclusão do mandato de ambos. O ex-presidente peruano teria usado de sua proximidade com governo local para tráfico de influência, situação que muito se assemelha a uma das investigações que atinge o petista no Brasil.

Se o mandado internacional de fato for cumprido, Toledo há de se tornar o segundo ex-presidente peruano em cárcere – Alberto Fujimori está em cárcere desde 2007.

Fica a dúvida se a Lava Jato atingirá feito semelhante no Brasil.

No Peru, a esquerda ainda tem coragem de criticar a corrupção – e da Odebrecht

A esquerda peruana está revoltada com o escândalo de pagamento de propina a funcionários públicos e convocou um ato contra a corrupção a ocorrer no próximo 16 de fevereiro. A antagonista dessa história os brasileiros conhecem bem. Trata-se da mesma Odebrecht que protagonizou os maiores desvios investigados pela Operação Lava Jato.

O Implicante, contudo, estranha o posicionamento da esquerda contra a corrupção. Mas, claro, por causa da experiência brasileira. Desde 2005, o esquerdismo nacional finge que não chegou ao poder pregando a ética e uma limpa na sujeira dos governos que o antecederam. E hoje resta evidente que apenas aprofundaram as práticas ao ponto de quebrar a economia e sumir com uma década de desenvolvimento do país.

Como no Peru não houve Mensalão, ainda podem se dar a esse luxo. E o Implicante deseja sorte na empreitada. Pois corrupção merece sempre ser combatida. Sempre.

José Dirceu vem também sendo alvo de investigação no Peru

Foto: José Cruz/ABr

Além de cadeia por envolvimento no Mensalão e no Petrolão, José Dirceu vem sendo alvo de investigações que extrapolam as fronteiras brasileiras. Mais cedo, citamos o caso em Portugal envolvendo a Oi e a Portugal Telecom. Agora o Zero Hora noticia que o petista está na mira também da Procuradoria-Geral da República no Peru.

Foto: José Cruz/ABr
José Dirceu | Foto: José Cruz/ABr

Por lá, Dirceu é suspeito de repasses de empreiteiras brasileiras – sempre elas – a integrantes do governo Alan García, que presidiu o Peru entre 2006 e 2011. Há até a suspeita de que o esquema tenha sobrevivido ao mandato seguinte. “Tudo indica que Dirceu atuou como lobista das empreiteiras.” A fala é de Sérgio Tejada, pré-candidato à presidência do Peru por uma coligação de esquerda.