A Lava Jato exige que o PP pague R$ 2,3 bilhões pelos prejuízos causados no Petrolão

Com três completados agora em março, a Lava Jato decidiu começar uma nova fase em seu quarto ano de atividade. A fase em que deposita o boleto na caixa dos correios dos partidos cobrando com juros e correção monetária os danos que fizeram à coisa pública, no caso, principalmente a Petrobras. E a primeira fatura é para lá de salgada: a operação quer que o Partido Progressista devolva R$ 2,3 bilhões aos cofres públicos.

Você não leu errado. São bilhões mesmo. Divididos pelas seguintes motivações:

  • Multa de R$ 1,38 bilhões
  • Indenização de R$ 460,6 milhões pelo propina que corroeu a estatal
  • E pelo menos outros R$ 460,6 milhões por danos morais

A ação cita dez políticos ligados ao partido. Decore os nomes:

  • Nelson Meurer (PP-PR)
  • Mário Negromonte Júnior (PP-BA)
  • Arthur Lira (PP-AL)
  • Otávio Germano (PP-RS)
  • Luiz Fernando Faria (PP-MG)
  • Roberto Britto (PP-BA)
  • Pedro Corrêa (PP-PE)
  • Pedro Henry (PP-MT)
  • João Pizzolatti (PP-SC)
  • Mário Negromonte (PP-BA)

As eleições do ano que vem dependem da sua boa memória.

A Petrobras fechou 2016 com o primeiro trimestre positivo desde que foi vítima do Petrolão

A notícia de fato começa ruim. A Petrobras fechou 2016 com prejuízo, o terceiro ano seguido. Mas basta comparar os números para confirmar que o problema agora foi substancialmente menor. O déficit de R$ 14,8 bilhões do ano passado é menos da metade dos R$ 34,8 bilhões de 2015, ou dois terços dos R$ 14,8 bilhões de 2014.

Mas, ao se observar o quarto trimestre da última temporada, a notícia boa surge. Após uma sequência bem ruim, finalmente fechou o período com saldo positivo. O mercado esperava mais, mas os R$ 2,5 bilhões já quebram a sequência negativa.

A melhor notícia de todas, contudo, diz respeito à dívida da empresa, que sofreu uma queda de 20%.

Nada como tirar o PT de dentro da estatal.

Que venham resultados ainda melhores.

Por relato da Odebrecht, conclui-se que você pagou a eleição de aliados do PT noutros países

08.10.2013 - Marcelo Odebrecht. Global mega trends looking forward to 2020 and beyond in key application markets. Foto: Worldsteel.

Nos depoimentos que tem dado ao TSE, a Odebrecht vem adiantando o que delatou à Lava Jato. Um dos pontos mais importantes foi confessado por Hilberto Silva. A empreiteira teria bancado as campanhas feitas por João Santanna em El Salvador, Angola, Venezuela, República Dominicana e Panamá.

Porque isso é importante: Marcelo Odebrecht já confessou ter se sentido o “otário do governo” por ser forçado a investir em projetos nos quais não acreditava. Em outras palavras, em troca de uma fatia maior do orçamento público, a empreiteira irrigava o caixa dois do partido nas principais eleições. E, ao que tudo indica, a coisa extrapolava as fronteiras do Brasil, atingindo até mesmo nações que findariam numa ditadura, como a Venezuela.

Ou seja… Seu dinheiro, caro leitor, teria servido indiretamente para eleger forças esquerdistas na América Latina e até mesmo na África. E há quem acredite que o Foro de São Paulo era apenas uma teoria conspiratória contada contra o PT.

Nos EUA, a Petrobras está sendo processada por poluição causada pela refinaria de Pasadena

E Pasadena continua dando dor de cabeça à Petrobras, desta vez por questões ambientais. O Environment Texas e o Lone Star chapter do Sierra Club são grupos ambientalistas dos Estados Unidos. Eles estão processando a estatal brasileira por violar os limites de poluição permitidos para a refinaria.

Até segunda ordem, Pasadena é o pior negócio firmado pela gestão petista durante a passagem pelo comando do Brasil. Por tudo de ruim que o prejuízo bilionário causou, há apenas um ponto a se celebrar: os números forçaram a queda da máscara de Dilma Rousseff. Depois de conhecidos, desistiram de chamá-la de “gerentona”.

Mas, ao que tudo indica, a refinaria continuará rendendo pesadelos ao Brasil.

Afinal, o que foi o Petrolão?

Para entender o Petrolão, é preciso antes compreender o Mensalão, esquema utilizado pelo governo Lula para comprar votos do baixo clero do Congresso. Por três anos, esteve ativo,e o pagamento era feito em dinheiro vivo. Mas, em 2005, Roberto Jefferson jogaria toda a sujeira no ventilador, desmantelando a organização e deixando o PT sem uma base que sustentasse a reeleição no ano seguinte.

Depoimentos de Roberto Jefferson, no primeiro escândalo, e Delcídio do Amaral, no segundo, deixam bem clara a origem do Petrolão: ele nasce do medo de uma derrota em 2006. Seguindo conselhos de José Janene, Lula teria fatiado a Petrobras com dois grandes partidos (PMDB e PP, além do próprio PT) para garantir apoio naquela eleição.

Segundo Delcídio, o próprio ataque a uma eventual privatização da Petrobras, tema bastante martelado pela propaganda petista no segundo turno contra Alckmin em 2006, fazia parte da estratégia. Afinal, uma vitória tucana naquele ano desmantelaria o esquema.

Fato é que o plano deu certo e a população reelegeu Lula. Não só isso, elegeu e reelegeu a sucessora dele.

Deitando-se sobre o caso Braskem, a Justiça americana investiga o período que vai de 2006 a 2014. Críticos da Lava Jato exploram a informação como sendo fruto de uma atuação partidária da Lava Jato, pois evitaria tocar em desvios cometidos na gestão FHC. Mas está claro que não é este o caso. Que de fato mergulham no maior escândalo da história, aquele que teria servido para garantir ao PT um dúzia a mais de anos no comando do Brasil, plano que só não se concretizou por completo porque Dilma Rousseff sofreu um processo de impeachment.

Enfim… Não era povo, não interesse nacional, não era ideologia, não era nada que pudesse justificar tamanho descalabro. Era só o poder pelo poder. E quem pagou por isso foi a maior estatal do Brasil. E, principalmente, a própria democracia – o que é muito mais grave.

Em dois anos, Sérgio Moro já condenou 83 investigados pela Lava Jato

À frente da Lava Jato na primeira instância, Sérgio Moro já proferiu a sentença em 23 ações penais, atingindo 83 condenados. Tudo isso antes de a delação da Odebrecht colocar 77 executivos da empreiteira do outro lado da sala. E trazer à tona a participação de mais 200 autoridades envolvidas no esquema que depenou a Petrobras durante os governos Lula e Dilma Rousseff.

Em outras palavras, dá para concluir que o trabalho feito pela operação até o momento mal passou da metade, se é que já chegou a ela.

O ano de 2017 será tão ou mais barulhento do que 2016. Mas só assim o Brasil tem alguma chance de andar na linha.

A Lava Jato denunciou Lula por sua participação no esquema que corroeu a Petrobras

Sim, Deltan Dallagnol já chamou Lula de “comandante máximo” do esquema que levou a Petrobras a uma situação de quase falência. Mas, naquela ocasião, denunciou o ex-presidente pela participação na compra de um triplex no litoral de São Paulo. Agora, o petista enfrenta suas acusações mais sérias: estaria à frente do Petrolão. Os crimes envolveriam corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Lula não foi denunciado só. Marcelo Odebrecht, Antonio Palocci, Branislav Kontic, Paulo Melo, Demerval Gusmão, Glaucos da Costamarques, Roberto Teixeira e até Marisa Letícia entraram na denúncia. Com o agravante de o primeiro já ter confessado basicamente todos os crimes e estar assinando um acordo de delação premiada.

É grave. É gravíssimo! Lula nunca esteve tão cercado.

Nunca foi citada? Pois aí vão 10 citações comprometedoras a Dilma Rousseff só na Lava Jato

Os petistas têm adotado uma tática a um só tempo arriscada e mocoronga, que consiste em dizer que Dilma NUNCA foi citada na Lava Jato. Arriscada porque basta checar os fatos divulgados por toda a imprensa; mocoronga porque a informação verdadeira depois volta com mais força ainda.

E agora acharam que seria uma boa ideia voltar à carga, já que o conteúdo de uma das delações de executivos da Odebrecht chegou à mídia. Naquele, ao menos pelo que foi vazado, não falam o nome da ex-presidente. Aí, fizeram a festa. Mas também não falaram o nome de Lula, Palocci, Dirceu nem qualquer outro petista enroscado.

Por quê? Porque são MAIS DE SETENTA delações só da Odebrecht e, por óbvio, cada executivo lidava com um grupo político, um partido etc. Há ainda algumas dezenas de delatores e é claro que todo mundo aparecerá. Aliás, Dilma já aparece no adiantamento do que o próprio Marcelo Odebrecht disse.

De todo modo, aos fatos. Segue uma lista com 10 (preferimos parar no número cabalístico, mas há mais) citações comprometedoras a Dilma Rousseff APENAS NA LAVA JATO.

NESTOR CERVERÓ

Segundo um dos mais “célebres” delatores da Lava Jato, Dilma SABIA SIM do negócio de Pasadena, a refinaria micada pela qual a Petrobras pagou uma fortuna imensurável, em negócio que causou extremo prejuízo e, segundo acusações, não foi meramente barbeiragem administrativa. E a petista, na época, era nada menos que PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO da estatal. Ou sabia, e compactuou, ou não soube de nada e era incompetente. Não há terceira hipótese. E Cerveró insiste na primeira.

PAULO ROBERTO COSTA

Este outro “clássico” das delações lavajatísticas já foi mais além. Mencionou Palocci em dois momentos, ambos referentes a doações ilegais para a campanha de quem? Sim, Dilma Rousseff. Está aqui e aqui. Também afirmou que Dilma teve ciência da compra da Petroquímica Suzano por preço altíssimo.

ALBERTO YOUSSEFF

Fechando a tríade que deu origem à série dos delatores, vem o doleiro dizer que tanto Dilma quanto Lula SABIAM SIM DE TODO O ESQUEMA DA PETROBRÁS. Não só disse como reafirmou em acareação com Paulo Roberto Costa.

RICARDO PESSOA (UTC)

O empreiteiro revelou que doações à campanha de Dilma Rousseff, embora aparentemente figurassem como “caixa 1”, eram na verdade resultado de propina. Em suma: para conseguir bons contratos, precisariam doar (“legalmente”) à campanha. Seria uma chantagem criminosa, portanto. E mais: isso teria continuado mesmo no segundo mandato de Dilma.

OTÁVIO AZEVEDO (ANDRADE GUTIERREZ)

Houve polêmica sobre uma alegada propina paga diretamente à campanha de Dilma. Ele disse e depois “desdisse”. Mas o principal – e de maior valor – não foi exatamente desdito. Vamos lá: para além da propina (se houve ou não, enfim), ele também disse que pagou pesquisas eleitorais, PARA DILMA, sem declará-las. Foi por meio de um contrato feito diretamente com o Vox Populi no valor de R$ 10 milhões.

ZWI SKORNICKI

O engenheiro, acusado de intermediar contratos e relações não muito ortodoxas, confessou ter participado do pagamento de US$ 5 milhões (mais de R$ 15 milhões) a João Santana pela campanha de Dilma. Ainda disse que valor foi “descontado” de uma propina que deveria ir ao PT.

JOÃO SANTANA E MÔNICA MOURA

Vão no mesmo sentido as informações decorrentes da prisão do marqueteiro do PT e sua esposa. Monica Moura, em depoimento a Sergio Moro, entregou o ouro da campanha de 2014 de Dilma Rousseff.

PEDRO CORREA

Aí a coisa vai ficando mais tensa. Ele entregou vários nomes, e disse que Dilma prometeu já em 2003 a ajudar na nomeação de Paulo Roberto Costa. Entre tantos relatos, chega a dar detalhes de um encontro entre o (ainda não) delator da Lava Jato, a cúpula do PP e ninguém menos que a ex-presidente. Seu depoimento é considerado um dos mais certeiros contra a petista.

DELCÍDIO DO AMARAL

O senador ex-petista foi apenas LÍDER do Governo Dilma no Senado. Como todos sabemos, ele foi preso e fez um acordo com delação premiada. Sobra para Lula, sobra para Mercadante, sobra para Aécio e claro que também para Dilma Rousseff. Diogo Ferreira, ex-chefe de gabinete de Delcídio do Amaral e também delator, afirmou que o então chefe tratou com Dilma sobre a liberação de Marcelo Odebrecht, no que seria uma ação contra a operação Lava Jato.

MARCELO ODEBRECHT

E por fim, mas não menos importante, o dono da maior construtora do país também cita a petista. E mais de uma vez. Uma rapaziada bateu bumbo alegando que ele teria dito algo como “Dilma não pediu vantagem indevida”, não destacando o resto do depoimento: “ela sabia de tudo”. E a revista Isto É foi além: Marcelo Odebrecht teria dito que pagou R$ 4 milhões à campanha de Gleisi Hoffmann a pedido de Dilma.

BÔNUS: DANIELLE FONTELES

Como diriam aqueles infomerciais: “e não é só isso!”; pois não é, mesmo. Vamos a um 11º item, de outra operação: a dona da Agência Pepper, em seu depoimento à Acrônimo, colocou Giles Azevedo no meio do furacão, dizendo que ele orientava na montagem da estrutura de abastecimento financeiro de campanhas. Quem é esse? O então auxiliar mais próximo de Dilma Rousseff. Que campanhas eram essas? As duas (2010/2014) da petista. Mais bônus: um outro auxiliar próximo de Dilma também está enroscado.

Enfim, há outras citações, é claro. Esta lista é até simplória. Mas serve para COMPROVAR que é MENTIRA esse negócio de Dilma não ser citada na Lava Jato, não aparecer em delação e assim por diante. Mentira. A boa e velha tática esquerdista de falar uma mentira várias vezes para ver se virará verdade.

Não virará.

E sugerimos que não apenas divulguem como também guardem este post, cheio de links comprovando a falácia. Quando alguém vier com o papinho, manda bala.

Após suposta propina a Renan, empreiteira viu contratos com a Petrobras crescerem 584%

19.08.2015 - Presidente do senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), concede entrevista. Foto: Jane de Araújo/Agência Senado.

Esse detalhe foi muito bem observado pelo Antagonista na denúncia apresentada por Rodrigo Janot contra Renan Calheiros. Entre 2003 e 2009, a Serveng, empreiteira que teria pago R$ 800 mil em propina ao senador, somou R$ 51 milhões em contratos com a Petrobras. Isso equivale a uma média de R$ 7,2 milhões por ano.

Uma vez paga a propina, os contratos da empreiteira com a estatal saltaram para R$ 197 milhões em quatro anos. A média subiu para 49,25 milhões por ano, um crescimento de 584%.

Os números escancaram o absurdo chamado Brasil. E explicam o porquê de empresas como Odebrecht terem um setor inteiro dedicado a relações criminosas com governos.

Marcelo Odebrecht entregou à Lava Jato que Dilma sabia de todos os crimes na Petrobras

Já se sabia que, em sua monstruosa delação, a Odebrecht não entregaria todos os pecados, mas quase todos. No acordo com a Lava Jato, havia uma brecha para sobrevivência política e mercadológica da marca. Contudo, já foi uma grande vitória para os investigadores, pois as delações saltaram de três grandes nomes envolvidos para – especulam – mais de duzentos.

Aos poucos os detalhes serão conhecidos. E o Estadão já adiantou um muito importante: Marcelo Odebrecht até aliviou para Dilma Rousseff, dizendo que ela jamais pediu recursos para ela mesma. Mas confirmou que ela sabia de toda a roubalheira que rolava na Petrobras.

Isso não só justificaria o impeachment que a cassou, como pode ainda render a ela problemas com a Justiça.

O brasileiro que foi às ruas pedir de volta o cargo dela fez a coisa certa.