Fundo de aposentadoria da Petrobras, envolvido na Lava Jato, tem rombo de R$ 27,3 bilhões

A Petrobras, como muitas empresas públicas, possui um fundo de pensão destinado à aposentadoria de seus funcionários, a fim de complementar o valor que todos receberiam normalmente. Trata-se do “Petros”, cujo custeio (obviamente) se dá mediante desconto em folha.

Por tratar-se de uma empresa imensa, o saldo desse fundo é também imenso. E é aí que a coisa fica perigosa.

Isso porque esse fundo foi envolvido em todo tipo de negociata, causando prejuízo a todos os colaboradores que, de novo é óbvio, são os funcionários da empresa. Segundo depoimento de Nestor Cerveró, o então ministro Edison Lobão deu ordem para que verba do “Petros” atendesse o banco BVA.

E agora revela-se o rombo de tantos e tantos atos congêneres: R$ 27,3 bilhões. Sim, isso mesmo, VINTE SETE BILHÕES E TREZENTOS MILHÕES DE REAIS.

Os funcionários terão de pagar por isso. Depois, ainda dizem que pensavam no “trabalhador”…

Renan Calheiros, Lindbergh Farias e deputado petista teriam desviado R$ 50 milhões

lindbergA edição desta semana da revista IstoÉ destaca uma reportagem sobre investigações da PF que miram o presidente do Senado e envolve parlamentares petistas. Leiam o trecho:

Um golpe perpetrado recentemente contra os fundos de pensão Postalis e Petros começa a ser desvendado pela Polícia Federal. Inquérito sigiloso obtido com exclusividade por ISTOÉ traz os detalhes de um esquema que desviou R$ 100 milhões dos cofres da previdência dos funcionários dos Correios e da Petrobras. Parte do dinheiro, segundo a PF, pode ter irrigado as contas bancárias do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e do deputado federal e ex-ministro de Dilma, Luiz Sérgio (PT-RJ), atualmente relator da CPI do Petrolão. Prestes a ser enviado ao Supremo Tribunal Federal, devido à citação de autoridades com foro especial, o inquérito traz depoimento de um funcionário do grupo Galileo Educacional, empresa criada pelo grupo criminoso para escoar os recursos dos fundos. Segundo o delator identificado como Reinaldo Souza da Silva, o senador Renan Calheiros teria embolsado R$ 30 milhões da quantia paga, Lindbergh R$ 10 milhões e o deputado Luiz Sérgio, o mesmo valor.

Para desviar os recursos dos fundos de pensão, os acusados, segundo a investigação da PF, montaram o grupo Galileo Educacional a fim de assumir o comando das Universidades Gama Filho e UniverCidade, ambas no Rio de Janeiro, que passavam por dificuldades financeiras. Para fazer dinheiro, o grupo Galileo lançou debêntures que foram adquiridas pelo Postalis e pelo Petros. De acordo com a PF, a operação foi feita apenas por influência política e sem nenhum critério técnico. O dinheiro, em vez de ser aplicado nas universidades, teria sido desviado para um emaranhado de empresas e depois, segundo o delator, remetido a Renan, Lindbergh e Luiz Sérgio. Em pouco menos de um ano, o MEC descredenciou boa parte dos cursos de ambas universidades e os fundos arcaram com o prejuízo.

Nas seis páginas de denúncia, o delator cita, além dos parlamentares, os supostos operadores desses políticos e de seus partidos, imbricados numa rede de empresas de fachada que teriam servido para lavar os recursos dos fundos de pensão. Até agora, PF e Ministério Público já ouviram mais de 20 pessoas, pediram o indiciamento de algumas delas e chegaram a cogitar prisões cautelares e a apreensão de passaportes.

Os prejuízos dos fundos de pensão Petros e Postalis já geraram notas por aqui, como “Funcionários da Petrobras podem ter salário reduzido para cobrir o rombo do Petrolão” e “Como PT, PP, PR e PMDB tomaram parte da aposentadoria dos trabalhadores brasileiros

Funcionários da Petrobras podem ter salário descontado para cobrir o rombo do Petrolão

Assim como já acontece com os funcionários dos Correios, agora é a Petrobras quem se vê obrigada a criar mais descontos na folha de pagamento de seus funcionários para cobrir os prejuízos do fundo de pensão ao qual estão associados. Leiam os trechos desta reportagem de Alexandre Rodrigues em O Globo:

Funcionários e aposentados da Petrobras correm o risco de ter de fazer contribuições extras para cobrir prejuízos do fundo de pensão da estatal, a Fundação Petros, a partir de 2017. É o que indica um relatório elaborado por dois conselheiros independentes da Petros com base nos números de 2014, que ainda não foram divulgados pela entidade. Um dos alvos das investigações da Operação Lava-Jato, a Petros fechou 2014 com o seu principal plano de previdência no vermelho pelo segundo ano consecutivo, com um déficit técnico de R$ 6,2 bilhões, diz o relatório.

A Petros entrou na mira da Lava-Jato depois que o advogado Carlos Alberto Pereira Costa, um dos auxiliares do doleiro Alberto Youssef, disse em delação premiada que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso anteontem, intermediava negócios na Petros e em outros fundos de pensão. O negócio envolvendo Vaccari teria rendido, segundo o advogado, R$ 500 mil em propinas a ex-gerentes da Petros.

O custo da corrupção, pela primeira vez, está sendo diretamente transferido para o salário dos trabalhadores. Enquanto isso, o governo age fortemente nos bastidores e já conseguiu barrar a criação de uma CPI dos Fundos de Pensão, que investigaria o uso político dos recursos das entidades ligadas às estatais Petrobras (Petros), Correios (Postalis), Banco do Brasil (Previ) e Caixa Econômica Federal (Funcef).dilma_petrobras

Segundo a PF, propina da Petrobras pode ter sido intermediada por tesoureiro do PT

Do Estadão:

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A Polícia Federal pode ter chegado à conclusão sobre a transação que teria envolvido o pagamento de propina de R$ 500 mil a dois diretores do fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, feito com empresas de José Janene (PP-PR) e Alberto Youssef. No computador do doleiro há uma pasta com 12 arquivos referentes aos negócios dele com a Petros. As transações teriam sido intermediadas pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e tratado diretamente com dois diretores do fundo, indicados pelo partido.