Ironia da política: ao substituir Janot, Temer pode usar uma famosa “cartada” esquerdista

13/07/2017- Brasília – DF, Brasil- Cerimônia de Sanção da Lei de Modernização Trabalhista.

Em breve, o mandato de Rodrigo Janot como Procurador-Geral da República chega ao fim e, diante disso, como determina a Constituição Federal, caberá ao Presidente da República nomear seu substituto. A tradição, até hoje, é a seguinte: a Procuradoria elabora uma lista tríplice e o escolhido tende a ser o mais votado.

Mas isso não é regra legal. E, ao que parece, Michel Temer poderá não segui-la.

Segundo informações da repórter Andréia Sadi, da Globonews, a favorita do Planalto seria Raquel Dodge, que foi chamada de “anti-Janot” e seria também a predileta de José Sarney, Moreira Franco e Renan Calheiros.

Porém, e se ela não for a mais votada da lista tríplice? A saída será adotar uma “cartada” famosa na esquerda: ela seria ainda assim a escolhida, sob o fundamento de ser a “primeira mulher” a ocupar o cargo. Com isso, as críticas seriam enfraquecidas.

Claro que escolher alguém APENAS pelo gênero é algo totalmente inaceitável. E também é claro que a Procuradora, em que pese o rumor político, tem muitas virtudes jurídicas – e isso acaba suprimido, no discurso, na retórica narrativa, pelo fato de ser mulher.

De certa forma, o feitiço do esquerdismo vira-se contra a própria esquerda. Talvez agora todos percebam que certas “cartadas” podem e devem ser objeto de debate e questionamento.

STF x PGR: em documento oficial, Gilmar diz que ação de Janot é “tiro que sai pela culatra”

Como se sabe, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, pediu a saída de Gilmar Mendes do caso de Eike Batista, ao qual o Magistrado concedeu Habeas Corpus. O fundamento do pedido seria a esposa de Mendes, que trabalha num escritório que atende Eike em causas cíveis.

Instado a responder, o Ministro foi duro em um ofício dirigido à Presidência do Supremo. Já de início, cita um provérbio português:

“Ninguém se livra de pedrada de doido nem de coice de burro”

Mas vai além. Segue trecho:

“O instituto da arguição de impedimento foi usado como um ataque pessoal ao magistrado e, pior, à sua família. A ação do Dr. Janot é um tiro que sai pela culatra. Animado em atacar, não olhou para a própria retaguarda. As verdadeiras vítimas de sua imprudência foram as altas instituições do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria-Geral da República”

Pois é. Forte.

E a íntegra pode ser lida aqui.

Seletiva?! A segunda lista de Janot atingiu partidos das campanhas de Dilma, Aécio e Marina

Ainda não se sabe o conteúdo completo da segunda “lista de Janot”, mas a imprensa já descobriu que ao menos oito partidos foram atingidos por ela. Além dos três maiores (PT, PMDB e PSDB), surgem DEM, PSD, PRB, PSB e PTB.

O campeão de citações até aqui é o PMDB, com 14 “delatados”. O PT vem em segundo lugar, com 11, seguido do PSDB, com 6.

É interessante notar onde estavam essas siglas na campanha presidencial passada. Metade delas apoiava a reeleição de Dilma Rousseff. Outras três pediam voto para Aécio Neves. Mas nem Marina Silva escapou, uma vez que concorreu pelo PSB.

  • Dilma Rousseff
    PT, PMDB, PRB, PSD
  • Aécio Neves
    PSDB, DEM, PTB
  • Marina Silva
    PSB

Mais do que nunca, um dos principais argumentos esquerdistas foi destroçado: a Lava Jato não tem preferência partidária.

Dois anos após a primeira “lista de Janot”, os casos abertos seguem sem qualquer conclusão

Dilma Rousseff ainda acreditava que concluiria o mandato quando o procurador-geral da República apareceu com a “lista de Janot”. Era 6 de março de 2015. Ao todo, o documento renderia 27 inquéritos, sendo 25 no Supremo Tribunal Federal. A “Lava Jato” finalmente chegava ao foro privilegiado.

Dois anos se passaram. E no que deu o trabalho de Rodrigo Janot? Duas de cada cinco investigações foram arquivadas. E outros 17 casos seguem abertos sem qualquer conclusão.

O foro privilegiado é uma mentira que a Justiça brasileira conta para si mesma. Mas talvez nem ela acredite nessa lorota.

E 2016 deve acabar sem que Rodrigo Janot apresente denúncias contra Renan Calheiros

A imprensa já nem sabe mais precisar quantos inquéritos atingem Renan Calheiros. No noticiário recente, é possível ler colunistas falando em 9, 11 e até mesmo 13. Aparentemente, a única certeza é que se trata de um número ímpar. Contudo, nenhum risco correrá o presidente do Senado se esse punhado de inquéritos não for convertido em denúncias. Ou ainda que estas denúncias sejam aceitas pela STF.

O Ministério Público curte jogar a culpa no STF, que curte jogar a culpa no sistema. Mas, quando a pergunta chega a Gilmar Mendes, ele a devolve ao Ministério Público, apontando o pouquíssimo número de denúncias em tanto tempo de investigação.

Em coluna para o Estadão, Vera Magalhães adianta que Rodrigo Janot terminará 2016 sem apresentar qualquer denúncia contra Calheiros. Desta forma, o presidente do Senado só correrá risco de virar réu por denúncia apresentada ainda no primeiro semestre de 2013, uns seis meses antes de Janot assumir a PGR.

O Implicante não se cansa de afirmar: se a Justiça tarda, ela falha.

STF e PGR parecem mestres na arte de tardar.

A Lava Jato cobrará de políticos como Gleisi e Collor mais de R$ 360 milhões pelo Petrolão

Durante os anos em que esteve sob o comando do PT, recursos foram desviados da Petrobras ao bilhões de reais. Essa grana saiu da estatal pela ação de funcionários da empresa, de empreiteiras contratadas ou mesmo de agentes públicos com foro privilegiado. De acordo com o Globo, um grupo de ao menos nove políticos teria sido responsável sozinho pela subtração de R$ 366,5 milhões. E o Ministério Público Federal pedirá na justiça que estes valores sejam devolvidos aos povo brasileiro – com juros e correções monetárias.

Entres os políticos que receberão a cobrança há senadores (Fernando Collor, Benedito Lira e Gleisi Hoffmann), ex-ministros (Paulo Bernardo), deputados (Nelson Meurer , Aníbal Gomes, Vander Loubet e Arthur Lira) e até um ex-deputado (João Pizzolatti).

Os números foram levantados com base em 13 inquéritos da Lava Jato que atingem o grupo e serão avaliados pela Procuradoria-geral da União.

Na denúncia ao STF, PGR afirma que Paulo Bernardo era o “operador” de Gleisi Hoffmann

Gleisi Hoffmann - Paulo Bernardo - Operador - Operacao Lava Jato - Foto Fabio Rodrigues Pozzebom Jornal Grande Bahia

As definições de “casal unido” foram atualizadas. Segundo a Procuradoria-Geral da República, os petistas Gleisi Hoffmann (senadora) e Paulo Bernardo (ex-ministro de Lula e Dilma Rousseff) partilhariam mais do que o amor incondicional.

Nos termos da denúncia, a parceria ia muito além, já que Bernardo foi apontado como “operador” de Gleisi.

Que parceria! Vale conferir este trecho:

O desempenho dessa função por Paulo Bernardo, como um verdadeiro operador de sua esposa –inclusive valendo-se da importância do ministério então por ele ocupado–, exatamente como dito por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que o apontaram como solicitante da vantagem indevida em favor da codenunciada Gleisi…

Pois é. Aguardemos como Gleisi reagirá nas sessões restantes da comissão de impeachment.

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Caiado protocola pedido para a PGR investigar “vaquinha” de Dilma

Dilma Rousseff - Vaquinha - Caiado

Enquanto as notícias dão conta de BILHÕES, nos mais diversos esquemas, implicando o partido de Dilma Rousseff e Lula, bem como suas gestões, há fieis que não perdem a fé e doam para seus líderes espirituais. Por essas e outras, a presidente afastada já arrecadou cerca de R$ 660 mil reais para que possa viajar o país com jatinhos da FAB.

Não, ela não aceita voar com as demais pessoas em aviões comuns.

Enfim… Agora, o líder do DEM no Senado Federal, Ronaldo Caiado, quer que a Procuradoria-Geral da União investigue essa tal “vaquinha”. Segundo o parlamentar, pode ter sido usado algum subterfúgio que não esteja em consonância com a lei, mais propriamente a possibilidade de doação de empresas.

Vejamos o que se apura.

Para Janot, não há irregularidade nas escutas de Lula autorizadas por Moro

Lula - Despesas - Foto Evaristo Sa - AFP

Quem não se lembra das conversas telefônicas de Lula, cujo “Tchau, Querida” acabou virando um bordão nacional? Pois é, pois é. Todos nos recordamos.

E recordamo-nos também da pesadíssima campanha midiática segundo a qual tal procedimento poderia ter sido irregular – alguns falando até mesmo em competência do STF usurpada por Sérgio Moro.

Pois mais essa tese furada da militância vai pro espaço. Quem garante isso é o próprio Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, para quem as escutas foram legítimas, sem quaisquer irregularidades.

E agora? Agora fica por isso mesmo. A maioria vai fingir que o PGR não disse nada e a turminha de sempre continuará dizendo que foram ilegais

Porque eles são assim. Nosso papel é ingrato, mas honesto: combatemos a mentira e a mistificação com a verdade e os fatos concretos.

Cientista político pede à PGR prisão de Lula por compra de votos contra o impeachment

23.09.2008 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa na abertura da 63ª Assembléia-Geral das Nações Unidas. Foto: Ricardo Stuckert/PR.

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O sociólogo e cientista político Bolívar Lamounier enviou na semana passada um ofício ao Procurador-Geral da República Rodrigo Janot sugerindo a prisão preventiva do ex-presidente Lula por sua atuação na negociação de cargos no governo em troca de votos contrários ao impeachment de Dilma Rousseff.Ele acusa Lula de “orquestrar e conduzir” o esquema de compra de votos que ocorre “em plena luz do dia, sem qualquer disfarce”.

No ofício, Lamounier argumenta que há jurisprudência sobre o tema justamente na Ação Penal 470, que julgou o caso do Mensalão.

Apesar da tentativa ser válida, o pedido do cientista político peca em alguns detalhes: de fato, Lula prefere o escuro da madrugada, e não a luz do dia, para conduzir suas negociações. E lança mão de tantos estratagemas para não ser flagrado novamente pela Justiça que podemos considerá-lo praticamente um mestre dos disfarces.