Relatório do FMI reduz previsão de crescimento brasileiro

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De acordo com a matéria do Estadão, o Fundo Monetário Internacional divulgou relatório que diminui ainda mais a estimativa de crescimento brasileiro. A projeção de crescimento para o PIB brasileiro é de apenas 0,3% em 2015 (em outubro, a perspectiva era de 1,4%). Para 2016, a estimativa é de 1,5%.

Excluindo os países produtores de petróleo, o Brasil foi o que teve maior corte nas projeções.

 

PIB se aproxima do chão, inflação já passou do teto

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A cada nova projeção feita para o crescimento do PIB brasileiro em 2014, o número se aproxima um pouco mais do zero. Segundo o último boletim Focus divulgado pelo Banco Central, agora a expectativa é de que a economia do país cresça apenas 0,3%. A estimativa também caiu para 2015 – de 1,04% para 1,01%.

Foi a 17ª queda consecutiva da projeção para o crescimento do país. Entre os indicadores acompanhados pela pesquisa do BC, o destaque é a produção industrial, que deve encerrar o ano com perdas de 1,94%, número levemente melhor que os 1,98% apontados na semana anterior, mas ainda no terreno negativo.

Enquanto isso, apesar dos esforços do Banco Central de elevar a taxa básica de juros a fim de conter o avanço dos preços, a inflação segue ascendendo. De acordo com números divulgados pelo IBGE, com a alta de 0,39% em setembro, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses já ultrapassou o teto de 6,5% estabelecido pelo governo, atingindo os 6,62%. Contando somente os meses de 2014, ele já está em 4,72%.

Segundo o instituto, os preços dos alimentos voltaram a subir e foram para 0,28%, depois de recuarem 0,32% em agosto, puxados, principalmente, pelas carnes, que ficaram 2,30% mais caras de um mês para o outro, pela refeição fora de casa, que teve aumento de 0,90%, e pelo leite longa vida, com 1,47%.

No entanto, nada impediu a presidente de defender – com direito a olhares enviesados – sua política econômica em entrevista recente ao Bom Dia Brasil. Mais uma vez, culpou um contexto mundial de crise insistentemente negado pelos entrevistadores. No momento mais quente, chegou a bater boca com a jornalista Miriam Leitão sobre alguns dados apresentados. Ao final do segundo bloco, se fez necessário um adendo da parte dos apresentadores do programa esclarecendo os números jogados no confronto. Apesar de Miriam Leitão não estar errada sobre o PIB da Alemanha para 2014, a taxa passada por Dilma foi seu único acerto, já que se referia ao crescimento atual, e não o previsto para todo o ano. De resto, fez uso de dados imprecisos para validar seus argumentos. Para sorte do telespectador e azar da candidata, os profissionais à sua frente estavam bem preparados para o embate.

Dilma: de “gerentona” e “mãe do PAC” à entrega de apenas 7% das creches prometidas

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Há uma distância enorme entre o que tentou vender o marketing petista, de que Dilma seria merecedora de apelidos como “gerentona“, da realidade. Nos últimos dias, várias manchetes de obras e feitos que não foram realizados ou que ficaram aquém do esperado se destacaram no noticiário. Por exemplo, quando da sua campanha nas eleições de 2010, Dilma afirmou que construiria seis mil novas creches no país, mas, anos depois, entregou somente 417 – ou 7% do que fora prometido.

Mais do que metas não cumpridas, os números mostram que atender à demanda da sociedade por creches e pré-escolas (essa fase, a partir dos 4 anos, terá oferta obrigatória a partir de 2016) é uma tarefa difícil de ser cumprida. Mesmo que todas as 8.348 unidades autorizadas para construção desde 2007 até agora fiquem prontas, elas ainda serão insuficientes.

(grifos nossos)

Outra obra que ficou pelo caminho foi a Refinaria Premium I em Bacabeira, a 60 km de São Luís do Maranhão. Anunciada em 2010 pelo ex-presidente Lula e sua então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao lado de Roseana e José Sarney, a refinaria produziria 600 mil barris/dia e empregaria 25 mil pessoas. À época do anúncio, quando não existia nem seu projeto básico, foi dito que ela entraria em funcionamento em 2016, mas até hoje só houve despesas e nenhum retorno.

Quatro anos depois, o que se vê é a paralisação da obra, que somente em terraplanagem, consumiu R$ 583 milhões, além de mais R$ 1 bilhão em projetos, treinamentos, transporte, estudos ambientais. Todo o montante foi pago pela Petrobras. O custo total da refinaria está estimado em R$ 38 bilhões, mas a própria empresa afirmou, em nota enviada ao GLOBO, que “somente após a conclusão da etapa de consulta ao mercado será possível mensurar o custo total da refinaria”. A previsão, agora, é que ela entre em operação em 2018.

(grifos nossos)

O Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou diversas irregularidades na terraplanagem do local, e disse que a pressa em dar visibilidade à refinaria causou um prejuízo de R$ 84,9 milhões em função de uma ação extrajudicial e um aditivo. Os auditores do órgão afirmaram que houve mudanças no projeto que comprometeram toda a construção.

Para completar, de todas as obras de infraestrutura da Copa do Mundo, que beneficiariam a população e cujo legado foi usado como justificativa para trazer o evento para o país, apenas 45% ficarão prontas. O número inclui estádios, empreendimentos de mobilidade urbana, aeroportos e portos.

De 30 obras nos 13 aeroportos, apenas 18 foram concluídas. “Só oito das 35 obras de mobilidade urbana previstas (23%) foram entregues até agora”, alerta o jornalista Rodrigo Prada, diretor do Portal 2014, responsável pela pesquisa. (…) E completa: “sem contar as dez obras esperadas no entorno das arenas restantes, das quais apenas seis foram concluídas”.

(grifos nossos)

Entre essas obras está o tão falado trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo. De acordo com a própria Dilma, ele ficaria pronto para a Copa, mas, após diversos adiamentos de leilões para a sua concessãosó será concluído em 2020, com seis anos de atraso.

Até mesmo o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um dos grandes responsáveis pela eleição de Dilma, apresenta números insatisfatórios. Segundo dados levantados pela VEJA e pela ONG Contas Abertas, o governo concluiu menos de 30% das obras rodoviárias do programa.

Dados do próprio governo apontam que foram 421 empreendimentos prometidos e 126 entregues. Maior ainda é o número de obras que ainda estão em “ação preparatória” ou em fase de licitação: 133, o equivalente a 31,6% do total, continuam apenas no papel.

A conclusão contraria o que diz o próprio governo, que normalmente enfatiza os dados financeiros para apresentar um balanço positivo do Programa de Aceleração do Crescimento. Ao todo, apenas 12% das quase 50.000 obras do PAC foram entregues.

Baseado na constante irrigação de verba federal em projetos de infraestrutura, o programa vem se mostrando frustrante para quem esperava melhorias nos serviços estatais. E talvez seja justamente essa a maior ironia que o governo atual precisa explicar aos eleitores. No caso, fato a “mãe do Programa de ACELERAÇÃO do Crescimento” ter de constantemente lidar justamente com a REDUÇÃO deste crescimento refletido pelo fenômeno que a imprensa batizou de “Pibinho“.