Gestão Doria: após limpeza de pichações, muro de avenida começa a receber jardim vertical

Conforme já comentamos por aqui, as pichações da Avenida 23 de Maio, em São Paulo, seriam substituídas por jardins verticais, pagos pelo Sindverde. No início, o tema causou polêmica, pois a esquerda tentou dar viés ideológico para algo aprovado por 97% da população.

Com isso, e todos a esta altura já sabem, João Doria aumentou ainda mais sua popularidade.

Pois bem: os jardins verticais já começaram a ser instalados. Melhor assim, não?

Primeira detida por lei antipichação de Doria tentou, pelo PT, ser vereadora de São Paulo

No dia 21 de fevereiro, João Doria sancionou em São Paulo a lei antipichação, aquela que prevê multa de R$ 10 mil para pichações em monumentos, ou R$ 5 mil para comerciantes que vendam spray a menores de 18 anos.

Já no 4 de março, a iniciativa atingiu o primeiro pichador. Ou melhor: pichadora.

Trata-se de Maira Machado Frota Pinheiro. Ao contrário do que pregava a esquerda, ela não era nenhum excluído tentando usar os muros da cidade para se fazer ouvir. Ela é uma estudante de Direito de 26 anos que disputou uma vaga como vereadora da cidade e chegou a receber 1.294 votos. Por qual partido? Sim, pelo PT.

A notícia deixa cada vez mais evidente que toda a gritaria na defesa de pichações tinha, por trás, um viés partidário. De uma partido que fez por merecer a derrota que sofreu.

Guerra ao picho: com João Doria, prisões de pichadores cresceram 1.850% em São Paulo

João Doria declarou guerra aos pichadores que emporcalham São Paulo. Afinal, nada menos do que 97% da população é contra pichações. Com isso, a GCM foi às ruas. O número de detenções não assusta. Mas espanta, no entanto, a comparação com a gestão anterior.

Em janeiro de 2017, foram detidos 39 pichadores em São Paulo. E por que há um crescimento de 1.850% ali no título? Porque, no mesmo período de 2016, a gestão Haddad prendeu apenas dois meliantes.

Dois. Um número que não parece compatível com o tamanho de São Paulo, ou mesmo com a quantidade de muros e monumentos atacados diariamente na cidade.

O que leva a entender que não havia tanto interesse assim em combater o problema.

Bizarrices da Justiça: quer que Doria peça permissão para limpar grafite feito sem permissão

O juiz Adriano Marcos Laroca, da 12ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo, determinou que a gestão Doria só poderá limpar os muros da cidade se antes pedir permissão ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade. Se a decisão for ignorada, a multa diária chegará a meio milhão de reais.

O Implicante vai colocar a decisão em outros termos: a prefeitura de São Paulo só está autorizada a limpar grafites feitos sem permissão se antes pedir permissão ao Conpresp. Faz algum sentido?

Mais uma vez, o judiciário agiu em consonância com os interesses daqueles que prejudicam a sociedade. É lamentável.

SP, antes e depois: quem seria contra a limpeza de pichações promovida por João Doria?

Como já falamos aqui, 97% dos paulistanos são CONTRA as pichações. E o número ainda soa alto, já que não faz nem sentido ser favorável a isso – sobretudo e especialmente quando se trata de imóveis públicos.

Ainda assim, contrariando até a mais gritante obviedade, petistas e toda sorte de esquerdistas tentaram iniciar uma campanha contra a limpeza da cidade. Claro que falhou.

Basta ver a foto que ilustra este post, do Túnel 9 de Julho, antes e depois da limpeza. Como alguém seria contra? Ninguém é, exceto aqueles que fingem oposição por pura picuinha partidária.

Por fim, a posição da esquerda sobre o tema mostra claramente o fosso que separa o esquerdismo do povo de verdade. Torcemos para que isso fique cada vez mais evidente.

Outra verdade da pesquisa: quem mais defende pichações é a população mais rica de São Paulo

Você já leu aqui no Implicante que 97% da população de São Paulo, segundo o Datafolha, são contra as pichações que emporcalham os muros da cidade. Mas a pesquisa diz bem mais do que desconfia a vã filosofia petista. Quem são esses 3% que apoiam os pichadores da capital?

Bom… A depender do recorte da amostra, eles crescem um pouco. Por exemplo, eles são majoritariamente homens:

  • 3% dos homens se dizem a favor da pichações
  • Apenas 2% das mulheres pensam o mesmo

Esse apoiador é jovem. Assim se dividiu o apoio às pichações:

  • 7% entre 16 a 24 anos
  • 2% entre 25 a 34 anos
  • 1% entre 35 a 44 anos
  • 1% entre 45 e 59 anos
  • 2% acima dos 60 anos

Ele é um pouco maior entre os que são mais escolarizados:

  • 2% concluíram o ensino fundamental
  • 3% concluíram o ensino médio
  • 3% concluíram o ensino superior

E ele concentra-se justamente nas famílias mais ricas:

  • 3% com renda familiar até 2 salários mínimos
  • 2% com renda familiar até 5 salários mínimos
  • 4% com renda familiar até 10 salários mínimos
  • 5% com renda familiar acima dos 10 salários mínimos

Homem, jovem, com ensino superior e renda familiar acima dos R$ 9.458,00 mensais. Ou seja… Pode aposentar o papo de que pichação é a voz dos excluídos.

Mas será que é possível encontrar na pesquisa recortes ainda mais definitivos? Sim.

  • Entre os que dizem ter o PT como partido de preferência, 5% se disseram a favor das pichações
  • Entre os que votaram em Fernando Haddad, esse recorte sobe para 8%, a maior concentração observada

Se havia alguma dúvida de que esta é uma discussão meramente partidária, já não deveria mais haver.

Avise ao seu amigo defensor de pichadores que 97% da população de São Paulo discorda dele

O Datafolha foi às ruas com o debate que só interessa à esquerda, uma vez que João Doria iniciou uma guerra contra pichadores (e em toda as entrevistas eles deixou bem claro que o problema são os pichadores, e não os grafiteiros): você é a favor ou contra a pichação? E sobre o grafite?

O jornalismo está comemorando que 85% dos entrevistados se disseram a favor do grafite. Mas, para comemorar, ignoraram que 97% se disseram contra as pichações, o inimigo real desta guerra. Apenas 3% se disseram a favor. Ou seja…Boa sorte a Doria nessa guerra. Principalmente agora que ele sabe que luta ao lato de 97% dos paulistanos.

Boa sorte a Doria nessa guerra. Principalmente agora que ele sabe que luta ao lato de 97% dos paulistanos.

Pichou? Não pagou a limpeza? Doria quer colocar pichadores para limparem São Paulo

Se o pichador for pego sujando São Paulo, será multado em R$ 5 mil e convidado a restaurar o local vandalizado. Reincidindo na prática, a multa sobe para R$ 10 mil. Se a pichação atingir obras de arte ou o patrimônio histórico da cidade, a multa passa dos R$ 50 mil. E se o delinquente não tiver condições de arcar com o prejuízo? Vai quitar o que deve trabalhando na limpeza da cidade, ou mesmo na jardinagem.

É o que João Doria quer. Mas isso precisa ter força de lei. Para tanto, já acionou sua bancada na Câmara de Vereadores para concretizar a ideia o quanto antes.

O que o prefeito quer não é nada de outro mundo. Aliás… É. Do mundo civilizado. Qualquer cidade decente do planeta coloca vândalos do tipo para arcarem com serviço comunitário. E é bizarro como isso no Brasil não é regra das mais antigas.

Que Doria obtenha sucesso na iniciativa. E o quanto antes.

Dória quer que pichadores paguem multa alta ou prestem serviço de limpeza e jardinagem

O prefeito de São Paulo, João Dória, defendeu uma nova proposta acerca dos pichadores: quem vandalizar monumento público terá de pagar multa. E ela será pesada, de cerca de R$ 50 mil. Mas e quem não puder pagar? Aí entram os serviços comunitários.

Para compensar o prejuízo, o autor do vandalismo trabalhará em favor da comunidade, como na limpeza urbana e na jardinagem.

Temos a mais completa certeza de que a grande maioria da população aprovará mais essa; como também tem aprovado a campanha de limpeza urbana e combate às pichações. E temos outra mais completa certeza: a esquerda, como sói, ficará contra.

Esses dois fatores comprovarão o acerto da medida.

Se sua arte não respeita as regras mais básicas de convivência, ela não é arte, é vandalismo

Arte é uma forma de comunicação. E, como forma de comunicação, deve gozar dos mesmos direitos que a liberdade de expressão goza.

Contudo, arte é bem menos importante do que o artista adoraria que fosse. Pois, na ânsia por comunicar-se de uma maneira, digamos, mais lúdica, finda prejudicando o entendimento da mensagem, ainda que torne seu consumo mais prazeroso. Cabe discussão também sobre o conhecimento que o emissor possui a respeito do tema discutido em sua obra. Um minuto a mais dedicado à forma como ele transmitirá a mensagem é um minuto a menos aprofundando-se no assunto debatido.

Enfim… Arte é mais forma do que conteúdo.

Mas não sou do tipo que a limita à produção dos seus mais virtuosos representantes. Aceito como arte aquilo apresentado tanto pela mais cara das orquestras como o mais pobre dos repentistas. E, claro, acredito que não se limita à classe artística: gastronomia é arte; urbanismo é arte; a forma como Steve Jobs desenvolvia dispositivos tecnológicos era arte; um código que faz o sistema rodar sem qualquer falhas, acreditem, é arte; uma constituição bem escrita é arte; o modo como o proprietário da Urca do Tubarão engarrafa a cachaça na sua frente é arte; e assim por diante.

Mas há alguns limites. Eu, por exemplo, acredito que ela pode incomodar. Em alguns casos, acho que só funciona, ou funciona melhor, quando incomoda. Humor, prefiro quando sarcástico. Punk rock a favor do sistema soa algo ridículo. E sempre curto quando o filme me embrulha o estômago.

Contudo, a arte não pode ser uma agressora. Pelo simples fato de que eu e você não podemos ser agressores. E a arte não é melhor do que eu ou você. Assim como a gente, ela deve entender que o limite da liberdade dela é o limite da liberdade de quem não quer consumir o que ela tem a oferecer.

Um baterista que ouse ensaiar às quatro da manhã em cima do meu apartamento receberá a devida visita da polícia. Assim como o boteco que ouse bancar um tecladista na rua de trás em horário inapropriado. Vale também para o repentista que queira interromper o meu almoço, o cordelista que insiste para que eu aceite o poema dele no meio da rua, a atriz que tumultue com uma performance qualquer evento que eu organize, e assim por diante.

Por que, então, aceitar como arte as palavras ou pinturas publicadas em um muro sem qualquer autorização dos responsáveis por aquela parede? E, sim, estou colocando no mesmo grupo as pichações e os grafites. Se você é capaz de fazer os mais belos dos painéis, não faltará quem queira seu trabalho exposto na própria edificação, por vezes pagando caro por isso.

Quando montei minha última banda, em nosso melhor ano, fizemos 30 apresentações. Porque encontramos 30 pessoas interessadas em nos convidar para um palco. Mas foi o melhor dos anos. No pior, não passamos de 8 “shows”. Isso significa que ficamos 357 dias sem uma única oportunidade de apresentar nossas canções.

Tenho amigos, contudo, que conseguiam trabalho em mais de uma centenas de datas. Porque ou eram mais talentosos, ou mais esforçados, ou ambos. E é assim que o jogo funciona. Oportunidade não é algo que te dão, é algo que você conquista com suas liberdades. Mas conquista respeitando as liberdades dos outros.

Um muro pichado passa uma mensagem. A mensagem de que aquele ambiente não possui a devida segurança. E isso leva insegurança a quem frequenta o espaço pacificamente. E segurança a quem quer prejudicar aquele espaço. Um condomínio pichado no seu último andar é uma mensagem a qualquer bandido: a portaria deste prédio é ineficaz, se é que existe.

Todas estas mensagens somadas desvalorizam o edifício, a vizinhança, o bairro, e até a cidade. Como os bairros ricos terão caixa para limpar a sujeira, os danos serão mínimos. E o prejuízo de fato recairá sobre os mais pobres, que verão suas pequenas propriedades desvalorizadas, viverão o estresse da poluição visual e conviverão com o medo no muro da própria casa.

A arte não agride. A arte não prejudica. A arte não torna ainda mais difícil a vida de quem já não leva uma vida fácil.

Se o seu trabalho não respeita estas regras básicas de convivência, sinto dizer, você não é um artista, você é um vândalo.

Marlos Ápyus é formado em comunicação, mas já trabalhou como músico e desenvolvedor web. Enquanto não retoma os trabalhos no Políticas.Info, assina textos em primeira pessoa no blog.implicante.org.