Romero Jucá surge em grampo defendendo “pacto” que melaria a Lava Jato e protegeria até Lula

Indicado pelo PMDB nacional, Sérgio Machado presidiu a Transpetro, subsidiária da Petrobras, por uma década. No STF, dividia um inquérito com Renan Calheiros. Mas, ao ajudar a apanhar Romero Jucá em grampo, atingiu um dos maiores inimigos políticos do presidente do Senado, o atual presidente em exercício, Michel Temer – ou ao menos a legitimidade do governo atual.

Porque Jucá, hoje ministro do Planejamento, ainda que tantas vezes em resposta às ameaças veladas de Machado, se permitiu posicionamentos que podem (ou devem) lhe custar o cargo no executivo.

Quando citam a possibilidade de o impeachment passar, fica a sensação de que Jucá defende um acordo com o Supremo, ainda que não fique claro que, nesse trecho, o tema ainda seja Lava Jato:

MACHADO – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer].

JUCÁ – Só o Renan [Calheiros] que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.

MACHADO – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.

JUCÁ – Com o Supremo, com tudo.

MACHADO – Com tudo, aí parava tudo.

JUCÁ – É. Delimitava onde está, pronto.

Num segundo momento, quando comentam a força política de Eduardo Cunha, Jucá defende que um “boi de piranha” seja sacrificado para a absolvição dos demais culpados:

MACHADO – O Renan [Calheiros] é totalmente ‘voador’. Ele ainda não compreendeu que a saída dele é o Michel e o Eduardo. Na hora que cassar o Eduardo, que ele tem ódio, o próximo alvo, principal, é ele. Então quanto mais vida, sobrevida, tiver o Eduardo, melhor pra ele. Ele não compreendeu isso não.

JUCÁ – Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem.

Quando Machado volta a insistir que precisa de ajuda, mais uma vez Jucá se mostra disponível:

MACHADO – [Sussurrando] O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele ser presidente da Câmara? [Mudando de assunto] Amigo, eu preciso da sua inteligência.

JUCÁ – Não, veja, eu estou a disposição, você sabe disso. Veja a hora que você quer falar.

Como poderia ser essa ajuda? No momento mais grave, Jucá, sem citar nomes, menciona conversa tida com ministros do STF onde é sugerida a queda de Dilma. Parte de Machado a sugestão de que até mesmo Lula saia protegido ao final do processo. O ministro Planejamento conclui a fala defendendo um pacto.

JUCÁ – [Em voz baixa] Conversei ontem com alguns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de [inaudível] sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’. Entendeu? Então… Estou conversando com os generais, comandantes militares. Está tudo tranquilo, os caras dizem que vão garantir. Estão monitorando o MST, não sei o quê, para não perturbar.

MACHADO – Eu acho o seguinte, a saída [para Dilma] é ou licença ou renúncia. A licença é mais suave. O Michel forma um governo de união nacional, faz um grande acordo, protege o Lula, protege todo mundo. Esse país volta à calma, ninguém aguenta mais. Essa cagada desses procuradores de São Paulo ajudou muito. [referência possível ao pedido de prisão de Lula pelo Ministério Público de SP e à condução coercitiva ele para depor no caso da Lava jato]

JUCÁ – Os caras fizeram para poder inviabilizar ele de ir para um ministério. Agora vira obstrução da Justiça, não está deixando o cara, entendeu? Foi um ato violento…

MACHADO -…E burro […] Tem que ter uma paz, um…

JUCÁ – Eu acho que tem que ter um pacto.

São diálogos fortes que, em qualquer país sério, custaria a demissão do envolvido. Resta observar se o governo Temer de fato terá interesse em tornar o Brasil este país sério, ou se reprisará a antecessora e protegerá em seus gabinetes elementos complicados com a Justiça.

Governo anuncia novas regras para “acelerar” o PAC

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Reportagem do Estadão:

BRASÍLIA – A ministra do Planejamento, Miriam Belchior, anunciou há pouco uma mudança nas medições de execução das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com o objetivo de acelerar o andamento das obras de infraestrutura. Durante encontro com governadores e representantes dos Estados, em que apresentou uma nova seleção para investimentos do programa, a ministra disse que, a partir de agora, as medições da execução das obras serão feitas quatro vezes: aos 40%, 60%, 90% e, a última, no momento de fechar o contrato.

Miriam Belchior disse que essa alteração vem sendo feita desde o PAC 1. Inicialmente, a cada medição era necessário fazer a glosa (atestado de regularidade) da obra. Depois, o sistema implantado foi de até três medições. Agora, serão quatro, começando com 40%. “Estamos fazendo uma aposta aqui que, com isso, vamos conseguir aumentar a velocidade”, disse. Os recursos só são liberados ao fim do aval em cada uma das medições.

A ministra, contudo, fez uma ressalva aos presentes. Ela disse que não se pode “acumular e só resolver os problemas” com 40% da execução sob pena de demorar “um tempão” para resolver o novo aditamento da obra e atrasar o cronograma de execução.

Miriam Belchior lembrou que esses recursos fazem parte dos R$ 31 bilhões anunciados pela semana passada para o PAC 2 e que parte desses recursos estão reservados para os Estados. Esses recursos, explicou ela, podem ser usados em obras do programa Minha Casa Minha Vida, na construção de creches, pré-escolas e quadras esportivas em escolas, unidades básicas de saúde, pavimentação e saneamento básico.

Segundo a ministra, no caso da Minha Casa Minha Vida, obras de pavimentação e saneamento, as inscrições começaram no dia 4 de fevereiro e vão até o dia 5 de abril. “Temos uma pauta importante de obras sob a responsabilidade dos Estados e temos feito, durante todo o período do PAC, reuniões com os estados para equacionar situações que precisam ser vencidas”, afirmou.

O encontro, realizado na sede do Ministério do Planejamento, conta com a presença dos governadores do Acre, Tião Viana; de Mato Grosso, Silval Barbosa; de Rondônia, Confúcio Moura; do Piauí, Wilson Martins; do vice-governador do Espírito Santo, Divaldo Vieira, e de representantes de outras unidades da federação.

(grifos nossos)

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