Conforme arquitetado há meses pelo PT, Dilma agora finge que é a favor de novas eleições

O advogado de Dilma Rousseff finalmente leu a tal carta aberta que vinha prometendo e nela está lá a defesa de um plebiscito a respeito da convocação de novas eleições presidenciais. A presidente afastada alega que somente através do voto será possível contornar a crise política (que já vem sendo contornada desde que saiu da Presidência da República). Mas tudo não passa de um teatro acertado com o PT há dois meses.

A prova está na matéria publicada na Folha de S.Paulo em 9 de junho. Nela, é dito que Lula se reuniu “com cerca de 25 senadores em um jantar na casa de Roberto Requião”. Que o encontro serviu para “selar uma proposta que será levada formalmente a Dilma: a de que poderão salvá-la do impeachment em troca de que, reempossada, proponha um plebiscito para a população decidir se quer ou não novas eleições presidenciais“.

Mas eles não querem nada disso. Tanto que prometem lutar para que as novas eleições saiam derrotadas do plebiscito. Conforme escreveu a Folha: “O argumento que será usado para ela é o de que, se conseguir derrotar a proposta de novas eleições na consulta popular, reconquistaria a legitimidade para presidir o país.

Ou seja… Dilma Rousseff quer evitar a qualquer custo a convocação de novas eleições, que seriam usadas somente para justificar a mudança de votos de alguns senadores.

Tudo não passa de uma farsa. Como basicamente foi a gestão petista.

Dilma defenderá a convocação de um plebiscito, mas é tudo teatro combinado com Lula. Entenda

Segundo matéria da Folha de S.Paulo deste 5 de agosto, Dilma Rousseff publicará uma carta aberta à nação defendendo a convocação de um plebiscito como alternativa ao processo de impeachment. Ao jornal, a presidente afastada diz: “Darei apoio integral à iniciativa de convocação de um plebiscito, com o objetivo de definir a realização de novas eleições e a reforma política no país“. Mas a publicação alerta que isso será feito contra a vontade do próprio PT.

Mas atenção: TUDO NÃO PASSA DE UM TEATRO. E a própria Folha de S.Paulo ajuda a desmentir a trama. Basta reler a notícia publicada em 9 de junho.

No texto, é dito que Lula se reuniu “com cerca de 25 senadores em um jantar na casa de Roberto Requião“. Para que serviu o encontro? Para “selar uma proposta que será levada formalmente a Dilma: a de que poderão salvá-la do impeachment em troca de que, reempossada, proponha um plebiscito para a população decidir se quer ou não novas eleições presidenciais“.

Porque Dilma Rousseff, Lula e os 25 senadores querem novas eleições? Não, eles não querem. Eles, inclusive, lutarão para que as novas eleições saiam derrotadas do plebiscito. Conforme escreveu a Folha em 9 de junho: “O argumento que será usado para ela é o de que, se conseguir derrotar a proposta de novas eleições na consulta popular, reconquistaria a legitimidade para presidir o país.

Ficou claro por que o PT está se dizendo contra o plebiscito? Porque já se prepara para pregar contra a convocação das novas eleições e manter Dilma Rousseff no cargo.

No final, trata-se apenas de uma atitude desesperada de quem sabe que já sabe que será condenada no processo de impeachment. E quer oferecer alternativas ao senadores que a condenarão.

Reino Unido: velhinhos mão-na-massa dão um baile na “geração hashtag”

colunas_gravz_2

Todos já sabemos, a esta altura, que os eleitores do Reino Unido optaram pela saída da União Europeia, um resultado eleitoral que espantou a muitos e decorreu da votação expressiva dos mais velhos.

Independentemente do mérito da decisão, há um dado importante a merecer debate por si só: a mesma rapaziada que simplesmente não foi votar (o voto por lá é optativo) agora está inconformada com o resultado.

O caso é perfeito retrato dessa “geração hashtag” (ou “juventude textão”). Em vez de adotar medidas efetivas e práticas, muitos (muitos!) jovens de hoje preferem enfrentar os problemas colocando banner em avatar de rede social, fazendo petições inócuas, criando eventos de existência apenas virtual e, claro, fazendo aqueles longos textões indignados (muitos até mesmo ficcionais, dentro da chamada “literatura de fanfic”).

Descobriram, afinal, que fazer apenas esse tipo de coisa não adianta nada. Os problemas só podem ser resolvidos por meio de ações concretas, não “lacradas” online.

Enquanto a molecada café-com-leite vive nesse mundo de fantasia, no qual TUDO é possível e NADA lhes pode ser negado, os mais velhos do Reino Unido – habituados a meter a mão na massa para resolver os problemas – deram um verdadeiro baile e, por que não dizer?, também uma surra eleitoral.

E falo aqui mais da improvável vitória do que da margem de votos, que foi mesmo apertada. Numa analogia: o time ganhar por 1 gol de outro supostamente bem mais forte tem efeito similar ao golear de 7 uma equipe parelha.

Vários argumentos estapafúrdios apareceram pra tentar explicar ou refutar o resultado, merecendo destaque (negativo) os que tentaram reputar menos valor ao voto dos mais velhos, já que teriam “menos tempo de vida” para arcar com os efeitos da decisão.

Isso é uma bobagem inacreditável, já que justamente os mais experientes – sobretudo os de lá – sabem muito bem, e por experiência própria, o que significa uma mudança geopolítica dessa monta. Se esse tipo de coisa dependesse apenas da meninada de 18/19 anos, aliás, todo o Reino Unido seria uma grande fazenda comunitária na qual cada um faria o que bem entendesse (para dali a dois meses entrar em colapso total).

De mais a mais, é melhor mesmo o futuro de um país ser decidido pela parcela da população que vai em peso para as urnas, obviamente mais preocupada com os fatos, ao contrário daquela fatia etária que dá de ombros para uma eleição, certamente mais interessada nos números de “like” e outras coisas igualmente importantíssimas.

A situação fica ainda mais vergonhosa quando se considera o dado estatístico: há bem menos pessoas maiores de 50 anos do que abaixo dessa idade. Por mais que uma população idosa cresça, em todo lugar esse número é sempre inferior àquele da mais jovem (com exceção talvez das praças de Águas de Lindóia e da torcida do Santos).

Os jovens do Reino Unido, portanto, preferiram não ir às urnas. E agora devem arcar com as consequências desse desleixo. Senão pela democracia, também pelo efeito pedagógico.

E é preciso ter MUITO respeito com os “velhos” que foram responsáveis por distribuir pontapés nos nazistas. Muito respeito, mesmo. No mesmo sentido, essa nova geração precisa acordar de uma vez para a vida real, que quase nunca se altera apenas por campanhas online – muitas das quais elaboradas ou apoiadas apenas por marketing pessoal de engajamento fingido.

Que o episódio, por fim, sirva para esse aprendizado. E que a molecada agradeça aos “velhos” também por mais essa lição.

Fernando Gouveia é co-fundador do Implicante, onde publica suas colunas às segundas-feiras. É advogado, pós-graduado em Direito Empresarial e atua em comunicação online há 15 anos. Músico amador e escritor mais amador ainda, é autor do livro de microcontos “O Autor”.

Dilma, Lula e o truque fajuto do plebiscito

A situação de Dilma Rousseff é pra lá de complicada. Até mesmo aliados do PT já largaram de mão. Mas ainda assim estão tentando emplacar um último truque, algo como uma “mandrakaria de misericórdia”.

Trata-se de uma “consulta popular” acerca da realização ou não de eleições. Sim, isso mesmo: as pessoas iriam para as urnas decidir se vão para as urnas. Bizarrice completa, sem dúvida, mas foi o que sobrou.

Claro que algo assim não passaria, até porque exige uma mudança na Constituição, algo que não leva menos de seis meses. E claro que todo mundo com polegar opositor também reconhece a impossibilidade, mas a ala petista da imprensa ainda tenta emplacar.

Já era. Não vai rolar.

Suíça rejeita o tal “salário básico” de 2 mil euros para quem não faz nada

Suiça - Plebiscito

É preciso reconhecer que, em parte, a euforia da esquerda brasileira quanto ao tema se deve à cobertura um tanto empolgada também de nossa imprensa. Em suma: divulgaram como bem provável a aprovação de uma espécie de “renda básica da cidadania”, na Suíça, mesmo para quem não faz nada.

Não seria pouca coisa, aliás: receberiam R$ 2,2 mil euros (mais de R$ 8 mil).

Aí começou por aqui aquela comemoração meio atrapalhada, misturando empáfia ideológica e ignorância pura e simples. Diziam, entre outras coisas: “viu só? e depois falam que nossa ideia é atrasada” ou “olhaí o projeto do Suplicy rolando num país desenvolvido” e assim por diante.

Mas o povo suíço, consultado sobre o tema em plebiscito, rechaçou completamente essa estrovenga. Afinal, um país desenvolvido não chegou aonde chegou à toa e, por conta disso, não vai jogar tudo pelos ares em nome de alguma traquitana que meia dúzia de esquerdistas acham uma boa ideia.

E os que soltaram rojões, claro, agora estão em silêncio. Até que algum país vote novamente algo do tipo.