Temer defende abertura de Brasil ao mundo e a urgência da Reforma do Ensino Médio

No Exame Fórum 2016, realizado em São Paulo, o Presidente Michel Temer pontuou várias ações de seu governo, mas claro que puxaremos a brasa para as sardinhas de nossa predileção, especificamente: mudança na política externa (finalmente!) e a Reforma do Ensino Médio (também finalmente!).

Seu perfil em rede social repercutiu parte do discurso realizado no evento e seguem os posts sobre esses temas.

É isso. Apoiamos integralmente tanto a mudança no rumo do Itamaraty quanto a Reforma do Ensino Médio. Nos dois casos, troca-se a ideologia até meio rasteira pela eficiência e os resultados práticos positivos.

Já estava na hora.

Filho de ditador gasta em compras o dobro da dívida com o Brasil

Reportagem do jornal O Globo:

RIO – Quando Ali Bongo assumiu a presidência do Gabão, quatro anos atrás, a Embaixada dos EUA em Libreville reportou a Washington um roubo de R$ 84 milhões (€ 28 milhões) no Banco Central regional, que atende a oito países da África Central.

Os diplomatas americanos registraram em documento – disponível nos arquivos do WikiLeaks – a versão corrente na época: o ditador gabonês Omar e seu herdeiro Ali foram os beneficiários, e usaram parte dos recursos para financiar partidos políticos franceses, apoiando inclusive o então presidente da França, Nicolas Sarkozy.

A quantia roubada era equivalente a 5% do capital do banco. E dez vezes maior que o valor do perdão da dívida do Gabão com o Brasil proposto pela presidente Dilma Rousseff ao Senado.

O caso enfureceu governantes sócios dos Bongos no Banco dos Estados da África Central. Todos se sentiram roubados. A família Obiang, que governa a Guiné Equatorial, exigiu mudanças na direção e na forma de operação do banco.

Ontem, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo comemorou 34 anos no poder. Aos 71 anos de idade, ele é o mais antigo ditador africano em atividade.

Obiang comanda um país cuja riqueza subterrânea, em petróleo, contrasta com a plena miséria da superfície: sete de cada dez habitantes (600 mil) sobrevivem com renda inferior a US$ 2 por dia, segundo o Banco Mundial.

Apenas 44% da população da Guiné Equatorial têm acesso à água potável e a desnutrição impera entre 39% das crianças com menos de 5 anos. O presidente, no entanto, se destaca entre os oito governantes mais ricos do planeta, segundo a revista “Forbes”.

A Guiné Equatorial tem uma dívida de R$ 27 milhões (US$ 12 milhões) pendente há duas décadas com o Brasil. O governo Lula chegou a anunciar sua liquidação, com anistia, mas não concretizou. A presidente Dilma Rousseff decidiu renegociá-la com anistia.

No centro do interesse brasileiro estão petróleo e contratos de obras que fizeram o fluxo de comércio entre o Brasil e a Guiné Equatorial se multiplicar, saltando de US$ 3 milhões em 2003 para cerca de US$ 700 milhões no ano passado. Nesse período, o ditador Obiang tornou-se um “caro amigo” para o ex-presidente Lula. E personagem relevante aos olhos da presidente Dilma, para quem “o engajamento com a África tem um sentido estratégico”.

Auxílio a acusado de genocídio

Para o clã Obiang, a anistia financeira do Brasil não tem qualquer significado, além de uma espécie de aval político a uma ditadura contestada na ONU e sob investigação em tribunais da Europa e dos Estados Unidos.

Para os Obiang, uma quantia de R$ 27 milhões (valor da dívida com o Brasil) é dinheiro de bolso. Teodorín, filho mais velho e virtual sucessor do ditador, gastou o dobro disso numa única noitada de compras na Christie’s, em Paris. Foi durante o leilão da extraordinária coleção de arte de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, em 2009 – informou o Departamento Antilavagem do Ministério das Finanças da França em relatório aos juízes parisienses Roger Le Loire e René Grouman.

Parte dos lotes que Teodorín arrematou incluía obras de Rodin, Degas e Monet. Elas foram apreendidas pela Justiça no final do ano passado. A polícia levou, também, peças de mobiliário avaliadas em R$ 117 milhões (US$ 52 milhões) e uma coleção de carros (sete Ferrari mais alguns Bentley, Bugatti Veyron, Porsche Carrera, Maybach Mercedes, Aston Martin, Maserati e Rolls-Royce).

O “tesouro”, como ficou registrado no boletim de ocorrência, estava em uma das residências do herdeiro Obiang em Paris – a mansão número 42 da avenida Foch (distrito 16), com 101 ambientes distribuídos em seis andares. Alguns dos veículos foram leiloados no mês passado.

No final do ano passado, a Justiça francesa mandou prender Teodorín por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele recorreu, mas a decisão foi mantida. No último carnaval esteve em Salvador, mas não foi preso: a polícia alegou que não sabia de sua presença na capital baiana e nem mesmo do pedido de prisão na França.

Com movimentos limitados também está Omar al-Bashir, 69 anos de idade, dos quais 24 no governo do Sudão. Ele foi condenado pelo Tribunal Penal Internacional, das Nações Unidas, por genocídio. Recorreu, mas a sentença foi confirmada no ano passado.

Bashir suprimiu os partidos políticos, censurou a imprensa e dissolveu o Parlamento. Autonomeou-se líder do Conselho Revolucionário para a Salvação Nacional, e também chefe de Estado, primeiro-ministro e chefe das Forças Armadas. É o ditador de um país cuja superfície é pobre, mas cujo subsolo tem promissoras reservas de petróleo.

O Sudão tem uma dívida de R$ 98 milhões (US$ 43,5 milhões) com o Brasil. O governo informou ao Senado que pretende perdoar 90% do total – ou seja, uma anistia de R$ 88,2 milhões (US$ 39,2 milhões).

Para Bashir, isso equivale a uma dádiva financeira e política. Ele é o primeiro presidente da República no exercício da função a se tornar o alvo de um mandado internacional de prisão por genocídio. O apoio do governo Dilma Rousseff foi, até agora, um dos raros gestos de solidariedade que recebeu neste ano.

(grifos nossos)

Brasil e aliados querem aproveitar punição ao Paraguai para incluir Venezuela no Mercosul. Em nome da democracia…

Reportagem do Estadão:

MENDOZA, ARGENTINA – Brasil, Argentina e Uruguai articulavam ontem, no primeiro dia de reunião técnica do Mercosul em Mendoza, a punição do quarto membro fundador do bloco do Cone Sul, o Paraguai, e uma oportuna manobra para incluir a Venezuela como sócia plena do organismo. A punição aos paraguaios – último entrave para o ingresso de Caracas no Mercosul – deriva do processo de impeachment que destituiu, na semana passada, o então presidente Fernando Lugo.

Amanhã, a presidente brasileira, Dilma Rousseff, a argentina, Cristina Kirchner, e o uruguaio, José Mujica, tendem a decidir num café da manhã no Hotel Intercontinental de Mendoza o futuro do Paraguai – que está suspenso das reuniões do bloco desde o fim de semana – no Mercosul. Na avaliação dos três países, a destituição de Lugo e a posse de seu vice, Federico Franco, não deu ao primeiro tempo suficiente para que se defendesse de várias acusações, incluindo a de “má gestão”.

Sem o obstáculo de Assunção, cujo Senado era o único que vinha obstruindo a entrada da Venezuela no Mercosul – solicitada por Hugo Chávez em 2004 –, Caracas deve ganhar sinal verde para o ingresso.

“A Venezuela poderia entrar como membro pleno. É uma possibilidade. As normas são meio ambíguas. Tudo depende da interpretação jurídica. Mas isso tudo será definido na reunião trilateral”, explicou uma fonte diplomática ao Estado. Segundo vários diplomatas, quando a suspensão do Paraguai for levantada, após a eleição prevista para abril de 2013, a entrada da Venezuela será um fato consumado.

A Argentina é o país que mais defende que o bloco tome esta atitude agora. Nas conversas preliminares, o entendimento é que este “é o momento mais apropriado” para se tomar tal decisão. A medida criaria um constrangimento político ao Paraguai, já que o Congresso paraguaio é contrário à entrada da Venezuela no bloco.

Em contrapartida, Dilma, Cristina e Mujica, indicaram ao Estado fontes dos países envolvidos, devem aplicar “punições brandas” ao Paraguai. A carta de fundação do Mercosul prevê sanções a países-membros que rompam a ordem democrática. Assunção se defende afirmando que o rito do processo de impeachment – que no caso de Lugo não passou de 30 horas – é definido, segundo a Constituição, pelo Senado.

Desde o início da semana, Brasília tenta convencer o venezuelano Hugo Chávez para que reverta a suspensão da venda de combustível ao país (mais informações nesta página).

Nas conversas que autoridades brasileiras têm mantido com Chávez, a ideia é evitar que ele radicalize com o Paraguai. “Temos de ter cuidado e delicadeza no caso do Paraguai”, disse um veterano diplomata argentino sobre as iminentes medidas.

“Os paraguaios podem encarar decisões mais fortes do Mercosul como uma reedição da Tríplice Aliança”, explicou, em referência à coalizão militar de Brasil, Argentina e Uruguai que infligiu pesada derrota ao Paraguai durante a guerra de 1864 a 1870.

As alternativas que estão sendo avaliadas pelos três países consistem na proibição do Paraguai de participar das reuniões ordinárias do Mercosul e das cúpulas de ministros e presidentes.

Mas a punição não deve chegar à expulsão do país do bloco ou a sanções econômicas.

O país ficaria excluído temporariamente das deliberações políticas e comerciais do Mercosul, mas seria obrigado a cumprir as determinações dos sócios.

“As restrições seriam temporárias. Até que o Paraguai tenhas as eleições presidenciais e parlamentares em abril. Ou, antes, caso decidam antecipá-las”, explicou uma fonte diplomática brasileira.

A posição favorável à manobra para incluir a Venezuela no bloco deve ganhar força hoje com a chegada de representantes de Estados associados do Mercosul, como o presidente boliviano, Evo Morales. Além de participar da cúpula presidencial, Evo será a estrela da “cúpula dos povos”, ou “cúpula social”, que reunirá num estádio de futebol de Mendoza representantes de ONGs de esquerda da América do Sul.

(grifos nossos)

Comentário

O impeachment no Paraguai, que até Fernando Collor de Mello considerou legal, servirá de pretexto para que os países do Mercosul punam o Congresso paraguaio. Não por ter apeado Lugo do poder, mas por ter rejeitado Hugo Chávez no bloco.

Para embaixador brasileiro em Teerã, Ahmadinejad foi “incompreendido” quando afirmou querer “varrer Israel do mapa”

O embaixador Antonio Salgado sustentou que a declaração polêmica do premiê iraniano foi apenas uma “frase infeliz” e “mal compreendida no Ocidente”, em debate com o chanceler britânico. Notícia do Correio do Brasil:

O embaixador brasileiro em Teerã, Antonio Salgado, advertiu contra a “demonização” do Irã e disse que a frase “infeliz” do presidente Mahmoud Ahmadinejad sobre “varrer Israel do mapa” – citada como evidência de intenções agressivas – foi “aparentemente mal compreendida” no Ocidente.

– Na realidade ele não queria dizer que Israel deveria desaparecer do mapa, mas sim desaparecer da história. Seria mais uma analogia com o que aconteceu com a União Soviética ou a África do Sul do apartheid – afirmou Salgado em debate no Rio com o chanceler britânico, William Hague.

O diplomata disse que, em vez de aprovar novas sanções contra o Irã -defendidas por Hague como “pressões pacíficas”-, o Ocidente deveria insistir em negociações sobre o programa nuclear. Citou a proposta “passo a passo” feita pela Rússia, que prevê um processo paulatino de concessões mútuas.

– Não estou defendendo o Irã, mas existe nos últimos anos uma demonização que tem mais a ver com a fase inicial da revolução [islâmica]. Depois houve oportunidades de normalizar relações com o Ocidente que foram perdidas – acrescentou.

Ao relativizar a declaração de Ahmadinejad – por sua vez uma citação do aiatolá Khomeini, líder da Revolução Islâmica – o diplomata retomou polêmica que vem desde que ela foi reportada pelo diário norte-americano The New York Times em 2006.

Especialistas como o norte-americano Juan Cole dizem que a frase foi mal traduzida e a versão correta é metafórica, e não uma ameaça de guerra:

– Esse regime de ocupação sobre Jerusalém deve desaparecer da página do tempo.

Outros, porém, argumentam que o próprio governo do Irã já usou a expressão “varrer do mapa” em páginas em inglês na internet.

No debate promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) no palácio do Itamaraty, Hague não recuou diante das críticas de brasileiros – que também questionaram, como o embaixador Marcos Azambuja, a viabilidade de uma solução para o caso iraniano enquanto Israel mantiver arsenal atômico.

O britânico disse que a recente invasão da embaixada de seu país em Teerã “mostra como é difícil tentar boas relações com o Irã” e que há “sinais perigosos” vindos do país, como o suposto complô para matar o embaixador saudita em Washington.

Visita ao Brasil

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, planeja visitar o Brasil neste ano e reunir-se pela primeira vez com o líder brasileira, Dilma Rousseff, anunciou o embaixador iraniano, Mohsen Shaterzadeh, na véspera.

– “Em um futuro próximo, vocês ouvirão falar e terão notícias da visita do presidente Ahmadinejad ao Brasil – declarou o embaixador, sem dar detalhes sobre a possível data.

Shaterzadeh, que depois de três anos deixará a Embaixada do Irã no Brasil, indicou que será uma visita “exclusiva” ao Brasil, sem passar por outros países vizinhos.
Na semana passada, o governante iraniano visitou Venezuela, Nicarágua, Equador e Cuba, mas “por problemas de agenda não pôde vir ao Brasil”, ressaltou o embaixador, que destacou as relações dos dois países.

– Observamos a política externa da presidente Dilma como uma continuidade da política de Lula, mas é natural que neste início de governo esteja olhando mais para dentro. Apesar disso, não acreditamos que haja mudanças na relação Brasil-Irã – comentou o diplomata.

Shaterzadeh lembrou que em novembro de 2009 Ahmadinejad visitou o Brasil e seis meses depois Lula viajou a Teerã, em encontros que promoveram a assinatura de 28 acordos e reuniões de 115 delegações governamentais e privadas.

Comentário

A interpretação do embaixador para a frase consegue piorar a tentativa de minimizar a declaração antissemita de Ahmadinejad. Varrer da história, mas não do mapa??? Como assim, embaixador?

Os petistas de carteirinha dirão que isso faz parte da diplomacia, afinal o embaixador tem de manter uma relação cordial com o país que o hospeda. Para eles, motivo de repúdia, mesmo, seria se o embaixador brasileiro em Washington fizesse uma declaração a favor da atuação americana Iraque, por exemplo.

Blogueira cubana Yoani Sánchez pede ajuda a Dilma

Em vídeo postado no Youtube, Yoani faz apelo para que a presidente brasileira intervenha junto às autoridades cubanas. Proibida de deixar o país desde 2004, a blogueira recebeu convite para participar de um evento na Bahia em fevereiro. Notícia de O Globo:

RIO – A blogueira cubana Yoani Sánchez, uma das vozes mais famosas de oposição ao governo Raúl Castro, divulgou um vídeo em que pede ajuda à presidente Dilma Rousseff para deixar o país.

Sem obter autorização do governo para viajar ao exterior desde 2004, Yoani colocou no YouTube uma mensagem apelando a Dilma para que intervenha diretamente junto às autoridades cubanas para ajudá-la.

– Por favor, me ajude. Já fiz tudo o que está a meu alcance. Estou proibida de deixar meu país, e não cometi nenhum crime. Me condenaram à imobilidade insular – diz Yoani no vídeo. – Eu sei muito bem que ela (Dilma) sabe o que é o controle excessivo e a repressão.

Yoani Sánchez foi convidada para participar da exibição de um documentário na Bahia em fevereiro. O filme, dirigido pelo cineasta Dado Galvão, tem a liberdade de imprensa em Cuba e no Brasil como tema, e a blogueira é entrevistada.

A dissidente cubana diz que já tentou cerca de 20 vezes – sem sucesso – uma autorização do governo para que possa deixar Cuba. Em 2010, ela fez um apelo semelhante ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=GHBLwbGp2e8[/youtube]

Comentário

Lula ignorou o apelo de Yoani em 2010, na mesma época em que dirigia elogios a Julian Assange, do Wikileaks.

Dilma agora tem a chance de melhorar o histórico vergonhoso do governo petista com relação aos direitos humanos em Cuba, caso decida ajudar a blogueira a visitar o Brasil. Depois do episódio dos boxeadores no Pan de 2007 (por sinal, o mesmo Tarso Genro que mandou os atletas de volta à ilha dos irmãos Castro atualmente passa férias em Cuba), Lula chegou a posar sorrindo ao lado de Fidel no mesmo dia em que um preso político morria devido a uma greve de fome.

A morte de Kadafi, “amigo, irmão e líder” de Lula

por Flavio Morgenstern

Washington ainda aguarda que um oficial americano veja o corpo de Kadafi (Gaddafi ou whatever) antes de confirmar a morte do  ditador líbio no poder desde 1969 (quando a ditadura militar brasileira trocou Costa e Silva por Garrastazu Médici, o que prova sem querer querendo o que a Folha disse sobre a ditabranda e Roberto Campos já afirmava sobre as ditaduras de esquerda, muito mais duradouras).


É um bom momento para relembrar do que ninguém gostaria de lembrar: Lula (o nosso Lula), na Cúpula da União Africana em 2009 (saindo do olho do furacão da crise americana e antes da primavera árabe), que deveria ficar sentado entre Muammar Kadafi e Mahmoud Ahmadinejad, embora este último tenha cabulado o encontro, começou seu discurso como convidado dizendo a Kadafi: “Meu amigo, meu irmão e líder”  A notícia foi dada no Estadão Online:

Lula começou seu discurso dizendo a Kadafi: “Meu amigo, meu irmão e líder”. Logo de início, o presidente elogiou “a persistência e a visão de ganhos cumulativos que norteia os líderes africanos” e ressaltou que “consolidar a democracia é um processo evolutivo”.

A partir de então, o presidente deu início a repetidas críticas aos países industrializados. Lula afirmou que “a crise financeira e econômica mundial revela a fragilidade e o caráter perverso da atual ordem internacional” e parafraseou o primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, ao sustentar que “o consenso de Washington fracassou”.

 “As instituições e pessoas que sempre foram pródigos em nos dar conselhos hoje estão contabilizando a falência de suas políticas”, sentenciou Lula. “Durante muito tempo, os países ricos nos viram apenas como uma periferia distante e problemática. Hoje somos parte essencial da solução da maior crise econômica das últimas décadas. Uma crise que não criamos.”

 Minutos depois, em entrevista a jornalistas brasileiros, Lula respondeu às críticas feitas sobre sua proximidade com ditadores africanos, como Muammar Kadafi. O presidente ironizou a imprensa pelo não comparecimento de Ahmadinejad, afirmando que as críticas que recebera eram “preconceito premeditado”.

Lula disse ainda que ausências como a do líder iraniano não tinham sido boas. “Eu não trabalho com preconceito, porque se trabalhasse não estaríamos nem na ONU, tamanha é sua diversidade”, afirmou o presidente. (grifos nossos)

Comentário

É uma sorte que Lula saiba o que é o Consenso de Washington, pois 99% da esquerda que o apóia o desconhece plenamente. Mas o que surpreende é a visão fantasmagórica que se apresenta apenas dois anos depois das afirmações liliputianas de Lula. Kadafi, este sanguinário financiador de terroristas (e ele próprio maestro a distância da explosão de um avião) é “amigo, líder e irmão” de Lula. Não é a imprensa golpista quem afirma isso: é Lula. A imprensa só noticia – e, por isso, é criticada e ironizada.

Quando a primavera árabe começou, quase uma década após o 11 de setembro, o establishment esquerdista só pôde ficar calado – embora Lula, matraqueador, tenha considerado, por exemplo, que os protestos com mortes após “eleições” fraudulentas que deram mais um mandato a Ahmadinejad foram “choro de perdedor” (mais uma vez: a galera que reclama da Folha chamar a ditadura de “ditabranda” não deu um pio) e que era apenas uma briga entre “flamenguistas e vascaínos”, mais uma vez na saída de um discurso na ONU (do Estadão Online):

“Não é o primeiro país que tem uma eleição na qual alguém ganha e quem perde faz protesto. No Brasil, isso está virando moda. As pessoas que ganham as eleições perdem na Justiça e a oposição toma posse”, alertou o presidente.

 “Eu não posso avaliar o que aconteceu no Irã. Agora veja, Ahmadinejad teve uma votação de 61% ou 62%. É uma votação muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude”, apontou Lula.

 “Eu não conheço ninguém, além da oposição, que tenha discordado da eleição no Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos“, disse o presidente, durante uma entrevista em Genebra depois de participar de reuniões na ONU. (grifos nossos)

Já a famosa intelligentsia da esquerda, aquela que defende o PT e ditadores socialistas e teocracias muçulmanas haja o que houver, ficou um pouco confusa quando Hosni Mubarak caiu no Egito, e a na Líbia a população rebelava-se violentamente contra seu ditador, Muammar Kadafi. Parte dela, que sempre associa o que é mal no mundo a “EUA” e “neoliberalismo”, afirmou imediatamente estar em apoio aos “rebeldes” líbios (a imprensa poderia usar um substantivo melhorzinho, não?), enquanto outra parte, que sabia ao menos algo antes de falar, sabendo que Kadafi aplicava um regime socialista baseado em seu “Livro Verde”, tratou de apoiar Kadafi e sua “resistência” (ou “persistência”, como afirmou Lula).

Cartazes de partidos de esquerda em faculdades de Humanas contradiziam-se, uns afirmando que Kadafi era “financiado pelo imperialismo estadunidense”, enquanto outros gritavam pela “resistência anti-imperialista” do socialismo árabe. Exatamente quando o Implicante™ International Group of Golpist Media foi criado, afirmei que Mubarak ou Kadafi mereciam o Nobel da Paz. Um dos espertalhões que sabiam que Kadafi é um grande representante da esquerda multiculturalista mundial foi Hugo Chávez, que “pediu” que Kadafi “resistisse” (sabemos como se dá essa “resistência”) e afirmou que o país não seria tomado, e o ditador não deixaria a Líbia, como afirma que o socialismo do séc. XXI irá vencer a crise econômica mundial (também no Estadão Online):

Chávez convocou os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), os governos de esquerda da América Latina e os Estados africanos a unirem forças para interromper a “barbaridade” desencadeada pela Otan na Líbia. “Temos de formar uma contraofensiva mais coordenada para deter esta barbárie“, disse ele, sem dar maiores explicações. (grifos nossos)

Para Chávez e Lula, a violência é culpa da mídia. Estão certos. Não fosse a imprensa e a internet, que noticiam o que antes só ficava nos desvãos de conversas secretas palacianas, além de torturas em porões de teocracias, a primavera árabe não teria ocorrido. O maior acerto dos EUA na guerra contra o terror não foi a trilionária captura de Osama bin Laden e Saddan Hussein, mas o fato de a promoção da democracia em países que nunca ouviram falar no conceito gerou revoltas e fez líderes como Mubarak e Kadafi caírem, sem precisar de ocupação americana – como expliquei mais detalhadamente no aniversário do 11/9, desmistificando o que sobrou do 11 de setembro.

Quando Lula fala sobre a “crise [financeira] que não criamos”, tem a sorte de ter seu mandato acabado antes da captura popular de Kadafi – e mais sorte ainda com a amnésia coletiva brasileira, além do voto de silêncio que domina a mídia que ele chama de “golpista”. Essas informaçõez acima não estarão hoje no Jornal Nacional. Mas, sobretudo, não estarão na Carta Capital, no blog do Luis Nassif, do Paulo Henrique Amorim, de Luiz Carlos Azenha, de Brizola Neto ou da “blogosfera progressista”, aquela que afirma que, na América Latina, vota em quem apoiar Chávez (este é o único critério). Nós, que afirmamos o que Lula afirma, somos derrotistas. Agora imagine-se o que aconteceria se um presidente, ou sequer um deputado não-petista chamasse Kadafi de “meu líder”

Só existe um motivo para a esquerda, sejam os “progressistas” ou os revolucionários, odiarem a imprensa: de Cuba à Líbia, da Venezuela ao Irã, o único governo esquerdista que funciona é aquele que ainda não existe, e onde foi aplicado gerou um morticínio – mas, se houver “persistência” e “luta”, um dia certamente funcionará.

(com ajuda e dedurações de @NegoOsvaldo e @MarceIoMeireIes)

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Na torcida entre ditadores, torce sempre contra todo mundo. No Twitter, @flaviomorgen

Ex-presidente colombiano diz que Lula “tremia” diante de Chávez

30.09.2005 - Hugo Chávez e Lula. Foto: Agência Brasil.

Após o ex-presidente brasileiro afirmar em Bogotá que “não confiava” no então mandatário colombiano, Álvaro Uribe fez duras críticas a Lula. A notícia é da AFP, reproduzida no site da revista Veja:

O ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe criticou duramente nesta quinta-feira Luiz Inácio Lula da Silva, após o líder brasileiro revelar em Bogotá que não confiava no colega colombiano

“Lula hoje nos maltrata, mas no governo fingia ser nosso melhor amigo”, escreveu Uribe em sua conta no Twitter. “Lula criticava Chávez (presidente da Venezuela) quando estava ausente, mas tremia na sua presença”.

Uribe também acusou Lula de ser “mau perdedor” porque a Colômbia venceu o Brasil na disputa pela presidência do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e destacou que o então presidente brasileiro foi “incapaz de declarar terroristas os narcotraficantes das Farc”, em referência à posição do Brasil diante da guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

O ex-presidente colombiano lembrou que “Lula foi incapaz de extraditar o padre Camilo, terrorista refugiado no Brasil” e que segundo Bogotá era o representante das Farc no território brasileiro.

Uribe afirmou ainda que o ex-presidente brasileiro impediu a transmissão pela TV de um debate ocorrido na Cúpula das Nações Sul-Americanas (Unasul), em Bariloche (Argentina), sobre o acordo de cooperação entre Colômbia e Estados Unidos para combater o narcotráfico.

“Lula hoje confessa sua desconfiança, mas os investidores do Brasil tiveram toda a confiança”.

Ao inaugurar em Bogotá um foro de investimentos entre Brasil e Colômbia, Lula disse que espera que o presidente Juan Manuel Santos e a presidente Dilma Rousef “possam fazer muitíssimo mais do que realizaram o presidente Uribe e eu, porque também tínhamos uma boa relação, mas não confiávamos um no outro”.

(grifos nossos)

Comentário

Uribe não precisou nem mencionar as relações de membros do governo brasileiro com as FARC para rebater a fala de Lula.

Brasil aceita rasgar contrato e pagar o triplo ao Paraguai por energia de Itaipu

Notícia da Folha Online, por Gabriela Guerreiro (o título é nosso):

Em meio a protestos da oposição, o Senado aprovou nesta quarta-feira o acordo entre Brasil e Paraguai que triplica o valor pago pelo governo brasileiro pela energia gerada na hidrelétrica de Itaipu não utilizada no país vizinho.

O projeto amplia os valores estabelecidos no Tratado de Itaipu para os pagamentos por cessão de energia efetuados pelo Brasil ao país.

A aprovação ocorre às vésperas da visita da presidente Dilma Rousseff ao Paraguai, marcada para domingo.

Por pressão do Palácio do Planalto, governistas se articularam para aprovar o projeto a tempo de Dilma levar a “boa notícia” ao presidente paraguaio, Fernando Lugo.

Por se tratar de projeto de decreto legislativo, o texto entra em vigor logo depois da sua publicação – sem a necessidade de ser sancionado pela presidente.

Pelo texto, o Brasil vai elevar de 5,1 para 15,3 o fator de multiplicação aplicado aos valores estabelecidos no Tratado de Itaipu para os pagamentos por cessão de energia.

Na prática, a mudança de cálculo multiplica por três o valor gasto pelo governo brasileiro para financiar a energia produzida em Itaipu.

Segundo a oposição, o valor de US$ 120 milhões pagos anualmente pelo governo ao Paraguai vai subir para próximo de US$ 360 milhões.

Com maioria folgada no Senado, os governistas aprovaram o texto sem dificuldades –apesar dos protestos de senadores do DEM, PSDB e PPS.

O senador Itamar Franco (PPS-MG) disse que os consumidores brasileiros vão sofrer impactos da mudança de cálculo. “Consumidores e contribuintes serão claramente afetados por esse aumento”, afirmou.

“O presidente Lula fez acordo com o presidente Lugo para que o Brasil acudisse os paraguaios. Isso serviria também para resolver o problema dos brasiguaios, que encontram extrema dificuldade para regularizar sua situação fundiária no país”, disse o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

(grifos nossos)

Comentário:

Mas o melhor mesmo foi a explicação da relatora do projeto, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR): “Não vai impactar na tarifa porque o Tesouro brasileiro vai pagar.” Como lembrou o amigo @jcelso, pra ilustre senadora, “tesouro brasileiro” deve ser um “baú encontrado no fundo do mar”.