Gestão Dória: a custo zero, abrigos de moradores de rua terão espaço para carroças e animais

Eis uma notícia boa não apenas à população de rua, mas também aos animais: a Prefeitura de São Paulo recebeu doação de R$ 20 milhões de empresas e sindicatos da construção civil e, com isso, reformará abrigos para que neles sejam construídos canis e gatis, bem como vagas para carroças.

Mais um caso de parceria entre o governo e a iniciativa privada, enfim tratada como aliada e não inimiga.

Eis as palavras do prefeito João Dória:

“Todos os espaços vida terão canil e gatil. Essas pessoas em situação de rua têm os seus cães e gatos, e não vão muitas vezes para os abrigos, preferem ficar nas ruas, porque têm uma relação com seus animais. E os abrigos não tem espaço para isso, vamos ter inclusive o carroçódromo, espaços para suas carroças. Elas também não vão para os abrigos porque dependem de suas carroças para viver (…) O prefeito vai ser um pidão durante todo o seu mandato. Eu tenho pedido automóveis, motocicletas, roupas”

É isso.

Durante a campanha, Haddad reclamava da postura que hoje defende na GCM

A população de rua de São Paulo está morrendo de frio e o inverno ainda nem começou. A Guarda Civil Metropolitana da capital foi acusada de, no frio recorde que tem feito em 2016, retirar dos moradores sem teto materiais que eles usavam para se proteger nas madrugadas geladas. Para a surpresa de muitos, Fernando Haddad, ainda que com meia dúzia de ressalvas, confirmaria que o procedimento vem sendo feito para evitar a “favelização” dos espaços públicos.

Durante a campanha de 2012, o ainda candidato Haddad criticaria a postura que agora defende na GCM: “é preciso acabar com a cultura higienista autoritária. Guarda municipal deve ter foco comunitário“.

haddad

Bom… Não só não acabou, como o prefeito de São Paulo foi chamado de “higienista” pelo editorial do Estadão. Mas o paulistano pode resolver isso nas próximas eleições.

Após descaso da gestão Haddad, moradores de rua teriam morrido de frio

Qualquer cidadão paulistano concorda que a população de rua vem se mostrando cada vez mais intensa nos últimos anos. Um fenômeno que costumava ocorrer apenas próximo às festas de fim de ano perdeu a sazonalidade e ocupa calçadas e praças nas quatro estações do ano. E se alguém ousa reclamar, corre o risco de ser chamado de preconceituoso.

É no inverno que o problema se torna mais evidente, quando o frio condena esses milhares de sobreviventes a um sofrimento que pode lhes custar a vida. Ainda é outono, mas esse tem sido o infeliz destino de alguns deles, ainda que a própria prefeitura siga negando a relação do frio com os óbitos. A Folha dedicou uma reportagem ao caso de João Carlos Rodrigues, morto aos 55 anos após mais uma madrugada gelada. Contudo, cita outras três mortes em situações semelhantes.

Enquanto isso, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que conta com a boa vontade do prefeito Haddad, possui um bom número de militantes que já possuem teto, todavia exploram a organização para conquistarem imóveis através da iniciativa pública.