João Doria prometeu e cumpriu: o salário dele já foi doado à AACD

João Doria iniciou a corrida para a prefeitura de São Paulo com um “problema”, assim, bem entre aspas: disputava um cargo público já possuindo condições financeiras invejáveis. Antecipando-se às críticas, prometeu em campanha que sempre doaria os salários como prefeito para instituições de caridade. Finalizado o primeiro mês de trabalho, fez questão de registrar o cumprimento da promessa.

No vídeo abaixo, além da entrega do cheque para a AACD, a primeira instituição beneficiada, é feito o convite para que outros cidadãos inspirem-se no gesto e colaborem também. Caso seja este o seu caso, basta clicar aqui que a própria associação ensina como.

O Implicante concorda que bons trabalhos merecem boas remunerações, e entende inclusive que isso deva afetar ainda mais os gestores públicos, ou correm o risco de se sentirem tentados pela corrupção. Mas compreende ainda mais o jogo político no qual Doria se meteu. O gesto, além de belo, neutraliza um bom número de críticas que receberia. E antecipar-se aos ataques é uma virtude cada vez mais rara no Brasil.

A esquerda quer ressuscitar na Câmara o projeto bolivariano que fragilizava o Congresso

Cesare Battisti com Suplicy, Chico Alencar e a turma do PSOL

A notícia praticamente não reverberou. É do último dia 28. Lembra daquele projeto que criava conselhos populares que dariam uma palavra final nas políticas públicas implementadas pela Câmara Federal? No final de 2014, a própria Câmara enterrou tamanho absurdo, uma vez que esses conselhos seriam tomados pela militância esquerdista e o legislativo brasileiro ficaria refém dela. Mas a esquerda não desiste, e tenta ressuscitar o projeto bolivariano, dando já um primeiro passo na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público.

O PL 8048/ que cria a Política Nacional de Participação Social foi aprovado retomando vários pontos do decreto do governo de Dilma Rousseff. A aprovação veio após uma leve mudança, que repassa para a “Leis da ONGs” – mais um setor completamente tomado pela esquerda – a definição dos limites para parcerias entre poder público e entidades da sociedade civil.

De resto, o mesmo populismo está lá, criando conselhos que poderão participar do “processo decisório e na gestão de políticas públicas” tomando para si uma responsabilidade que cabe ao Congresso eleito. Ainda será analisado nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Não deve passar, porque a esquerda está por demais enfraquecida. Mas com esse tipo de gente não se brinca. A ideia precisa ser derrubada o quanto antes.

Meia-entrada com limite em 40% dos ingressos deve baratear o evento para todo o público

Foto: Carlos Delgado

O governo regulamentou lei que limita em 40% a quantidade de ingressos disponíveis como “meia-entrada”. Ainda é muita coisa, mas já é um entendimento de que, se não existe almoço grátis, não existe meio almoço grátis. E é isso que os estudantes, jovens de baixa renda e deficientes precisam entender: o desconto de 50% que receberão na compra do ingresso será arcado pelo restante do público que não recebe o mesmo benefício.

Imaginemos uma situação simples: um organizador de evento precisa vender 100 ingressos a R$ 10,00 para conseguir hipotéticos R$ 1.000,00 que empatariam os custos do seu trabalho.

  • 100 ingressos x R$ 10,00 = R$ 1.000,00 para empatar custos

Mas, por ser obrigado pelo governo a vender 40% dos seus ingresso por R$ 5,00, ele terá que elevar o preço para os outros 60% ou terá um prejuízo de R$ 200,00.

  • 60 ingressos x R$ 10,00 = R$ 600,00
  • 40 ingressos x R$ 5,00 = R$ 200,00
  • Bilheteria total: R$ 800,00
  • PREJUÍZO: R$ 200,00

Como a lei o obriga a congelar o desconto em 50%, o organizador do evento subirá também o preço para os beneficiados por ela. A bilheteria só conseguirá atingir os mesmos R$ 1.000,00 para cobrir os custos se elevar o preço “inteiro” em 25%, vendendo-o a R$ 12,50, com meia-entrada a R$ 6,25.

  • Ingressos inteiros (60%): 60 ingressos x R$ 12,50 = R$ 750,00
  • Meia-entrada (40%): 40 ingressos x R$ 6,25 = R$ 250,00
  • Bilheteria total: R$ 750,00 + R$ 250,00 = R$ 1.000,00

 

Em outras palavras, a lei regulamentada por Dilma oferece, na prática, um desconto de 37,5% aos seus beneficiários, já que, ainda no exemplo hipotético, o preço originalmente calculado era de R$ 10,00.

Antes, contudo, o estrago era muito maior. Como 100% do público podia comprar ingresso com meia-entrada, o comerciante só tinha essa margem de segurança encarecendo o ingresso inteiro em 100%, o que fazia com que os estudantes pagassem a “metade do dobro”, trocando 6 por meia dúzia.

Não há relatos de eventos com 100% de público beneficiado pela lei da meia-entrada. Mas há de eventos musicais que chegavam a vender 90% de seus ingressos para estudantes – o que não impediu que o valor do bilhete fosse calculado na tal margem de 100%.

Foto: Carlos Delgado
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Política econômica de Lula/Dilma/PT: “Um experimento absolutamente fracassado de populismo econômico”

Esta é a opinião da economista e pesquisadora Monica Baumgarten de Bolle, do Peterson Institute. Ela conversou com o Financista diretamente de Washington. A PhD em economia pela London School of Economics soa cansada dos meios termos e coloca toda a bagunça econômica brasileira em frases fortes. “Precisa haver um consenso em relação ao que dá certo e ao que não dá. E tem certas coisas que muito evidentemente não dão certo.” Onde o Brasil de Dilma irá parar? Não dá nem pra se prever pois nada necessário vem sendo feito. “Esse é o meu resumo do Brasil hoje: muito barulho com pouco conteúdo. E desse jeito a gente não vai a lugar nenhum.

José Dirceu Lula Dilma
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Para mais informações:
Política econômica é um fracasso absoluto