Climão pesado no programa: Jô Soares compara “black blocs” aos nazistas

Mesmo após a morte do cinegrafista Santiago Andrade, então a serviço da BAND, por uma bomba lançada por “black blocs”, ainda há quem os defenda. Porém, como é óbvio, a grande maioria se opõe a esse grupo.

No Programa do Jô desta segunda-feira, rolou o chamado “climão” quando o apresentador, ao entrevistar o trio autor de um livro sobre os blackblocs, comparou a tática àquela do início do nazismo.

A seguir, alguns trechos do que ele disse:

“Vi manifestações quase que absolutamente de destruição… Não era aquela manifestação do jovem que queria demonstrar que tá contra aquilo tudo, mas apenas que queria destruir o que tava na frente (..) Vejo o mesmo movimento que aconteceu na Alemanha Nazista (…) Eu tô falando do começo do movimento nazista, do quebra-quebra de lojas e etc., dos judeus, antes mesmo que houvesse o projeto de extermínio. Eu não tô comparando campo de concentração, nem com a perseguição específica de toda uma raça, eu tô falando dos jovens fardados de… não era preto, era uma farda marrom… que iam pra rua pra depredar lojas e sinagogas e, enfim, qualquer coisa que fosse de judeu eles depredavam e não era isso ainda que você tá falando, do movimento de extermínio, disso, daquilo. Não. Era uma semente.” (grifamos)

A co-autora, aliás, foi clara ao tratar da tática do movimento:

“Eles jogam muito bem com a imprensa, porque eles sabem que uma manifestação que tenha depredação, que tenha essa violência contra prédio, pichação, lixo na rua, chama atenção da imprensa. Manifestação pacífica, infelizmente, não chama atenção da imprensa tanto, né? Então, eles falavam: “nós nos comunicamos por meio dessa violência simbólica, é a nossa linguagem para chamar atenção do jornalista, que não estaria aqui de outra forma (…) Eles falavam: nós fazemos violência contra o banco, contra o prédio, contra o McDonalds, contra um Safra etc., porque nós queremos explicitar primeiro que o sistema é extremamente violento, então que eu não sou vândalo jogando a pedra, é o Banco do Brasil que é o vândalo, com sua taxa de juros…” (grifamos)

Pois é. De nossa parte, seguimos indicando o livro “Por Trás da Máscara”, do outrora colaborador do Implicante, mas ainda um grande amigo, Flavio Morgenstern. É a melhor obra já produzida sobre as manifestações de junho de 2013 e sobre os black blocs do Brasil. Se não leu, faça isso agora mesmo:

Quanto a Jô Soares, merece aplauso a lucidez do comentário. A entrevista, na íntegra, está disponível aqui.