Rombo de R$ 5 bilhões no fundo dos aposentados dos Correios

Um “fundo de pensão” consiste no montante de dinheiro que será empregado para pagar parte da aposentadoria (geralmente de servidores). Esses fundos são gerenciados por executivos no geral nomeados pelo governo ou sindicatos.

No “Postalis”, que serviria para auxiliar os funcionários dos Correios, o rombo foi de R$ 5 bilhões. Esse é o nível da crueldade da corrupção: invade-se até mesmo a grana que seria para a aposentadoria dos trabalhadores das estatais. O valor é apontado em relatório da Polícia Federal, que investiga o caso por meio da Operação Positus.

Correios - Postalis

Quem paga pela corrupção é sempre o povo, e nesse caso ainda de forma mais direta, atingindo em cheio a aposentadoria de servidores honestos. Vergonhoso.

STF quebra o sigilo do novo parça de Dilma, Renan Calheiros

Dilma Rousseff tem um novo grande aliado (que já foi, já voltou, mas parece que agora continua “fondo”): Renan Calheiros, presidente do Senado Federal. Essa parceria, “amor eterno / amor verdadeiro”, ficou ainda mais acentuada quando o STF decidiu que também cabe ao Senado o tal “juízo de admissibilidade” sobre processo de impeachment. Na prática, Renan pode arquivar mesmo depois de passar na Câmara. Além disso, o neo-amigão também ganhou pontos – e mostrou a “nova” lealdade – ao desafiar publicamente Michel Temer.

Pois é… Mas acontece que o MESMO Supremo, vejam só!, autorizou autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Calheiros, de 2010 a 2014. E alguns de seus afilhados políticos são investigados por desvios na Petrobras e no Postalis (fundo de pensão dos funcionários dos Correios).

O que teria unido Dilma a Renan?

PF inicia operação para investigar fraudes no fundo de pensão dos Correios, o Postalis

O dia ontem teve pautas diversas, com todas as atenções voltadas à avaliação do rito de impeachment pelo STF, mas não se deve perder de vista a Operação Positus, deflagrada pela Polícia Federal, que investiga fraudes no Postalis (o fundo de pensão dos Correios).

Foram sete mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva para o ex-gestor Fabrizio Neves, que está foragido (acredita-se que na Europa). O esquema, segundo as investigações, envolvia gestão fraudulenta na compra e revenda de títulos no mercado financeiro.

Como todo fundo de pensão, o Postalis reúne o dinheiro recolhido dos funcionários da empresa e o prejuízo, afinal, será deles.

Correios - Postalis - Operação Positus

Exato, sobrará para o trabalhador honesto dos Correios.

Renan Calheiros, Lindbergh Farias e deputado petista teriam desviado R$ 50 milhões

lindbergA edição desta semana da revista IstoÉ destaca uma reportagem sobre investigações da PF que miram o presidente do Senado e envolve parlamentares petistas. Leiam o trecho:

Um golpe perpetrado recentemente contra os fundos de pensão Postalis e Petros começa a ser desvendado pela Polícia Federal. Inquérito sigiloso obtido com exclusividade por ISTOÉ traz os detalhes de um esquema que desviou R$ 100 milhões dos cofres da previdência dos funcionários dos Correios e da Petrobras. Parte do dinheiro, segundo a PF, pode ter irrigado as contas bancárias do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e do deputado federal e ex-ministro de Dilma, Luiz Sérgio (PT-RJ), atualmente relator da CPI do Petrolão. Prestes a ser enviado ao Supremo Tribunal Federal, devido à citação de autoridades com foro especial, o inquérito traz depoimento de um funcionário do grupo Galileo Educacional, empresa criada pelo grupo criminoso para escoar os recursos dos fundos. Segundo o delator identificado como Reinaldo Souza da Silva, o senador Renan Calheiros teria embolsado R$ 30 milhões da quantia paga, Lindbergh R$ 10 milhões e o deputado Luiz Sérgio, o mesmo valor.

Para desviar os recursos dos fundos de pensão, os acusados, segundo a investigação da PF, montaram o grupo Galileo Educacional a fim de assumir o comando das Universidades Gama Filho e UniverCidade, ambas no Rio de Janeiro, que passavam por dificuldades financeiras. Para fazer dinheiro, o grupo Galileo lançou debêntures que foram adquiridas pelo Postalis e pelo Petros. De acordo com a PF, a operação foi feita apenas por influência política e sem nenhum critério técnico. O dinheiro, em vez de ser aplicado nas universidades, teria sido desviado para um emaranhado de empresas e depois, segundo o delator, remetido a Renan, Lindbergh e Luiz Sérgio. Em pouco menos de um ano, o MEC descredenciou boa parte dos cursos de ambas universidades e os fundos arcaram com o prejuízo.

Nas seis páginas de denúncia, o delator cita, além dos parlamentares, os supostos operadores desses políticos e de seus partidos, imbricados numa rede de empresas de fachada que teriam servido para lavar os recursos dos fundos de pensão. Até agora, PF e Ministério Público já ouviram mais de 20 pessoas, pediram o indiciamento de algumas delas e chegaram a cogitar prisões cautelares e a apreensão de passaportes.

Os prejuízos dos fundos de pensão Petros e Postalis já geraram notas por aqui, como “Funcionários da Petrobras podem ter salário reduzido para cobrir o rombo do Petrolão” e “Como PT, PP, PR e PMDB tomaram parte da aposentadoria dos trabalhadores brasileiros

Gestora do fundo Postalis/Correios frauda documentos com “branquinho” desvia e R$ 68 milhões

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Seguem trechos da reportagem d’O Globo:

Em fraude milionária, gestora do Postalis altera preço de títulos com tinta corretora – Fundo de pensão dos Correios perde R$ 68 milhões com esquema – BRASÍLIA — Uma das maiores fraudes de fundos de pensão no país foi montada até com a falsificação de documentos de forma grosseira. Relatórios da Securities and Exchange Comission (SEC, a xerife do mercado financeiro americano) obtidos pelo GLOBO mostram que ao menos seis papéis de instituições financeiras na carteira do Postalis (fundo de pensão dos Correios) tiveram o valor adulterado com tinta corretora ou com um simples “corta e cola” nos processos digitalizados. A fraude, feita entre 2006 e 2009, detalhada nos relatórios da SEC, chega a US$ 24 milhões (R$ 68 milhões). Os responsáveis são sócios da Atlântica Asset Managment, gestora contratada pelo Postalis para investir o dinheiro dos carteiros em títulos da dívida brasileira no exterior. As fraudes geraram prejuízos milionários ao fundo de pensão e começaram a ser desvendadas no ano passado. O caso ganha contorno ainda mais complexo, já que o Postalis havia contratado o Bank of New York Mellon para exercer a função de administrador e fiscalizar o trabalho de gestores, entre eles, a Atlântica. Agora, cobra o banco americano na Justiça pelas perdas (…) À Justiça da Flórida, a SEC explicou o artifício criado pela Atlântica e detalhou as ações do responsável pela empresa, Fabrízio Neves, e de seu parceiro José Luna. Os papéis eram vendidos para a LatAm, outra empresa controlada pelos dois, remarcados (às vezes em mais de 60%) e revendidos a empresas em paraísos fiscais. Entre elas, a offshore Spectra, que tinha como beneficiário Alexej Predtechensky (conhecido como Russo), então presidente do Postalis. A fraude ocorria no trajeto dos papéis.” (grifos nossos)

Segundo consta, esse tipo de fraude só seria possível diante da fragilidade do sistema norteamericano, que ainda permite documentação via fax. Mas o talento para a manobra é mérito de nossos “mestres” no desvio de grana. E vai para o ralo o dinheiro dos pensionistas dos Correios. Aliás, os fundos de pensão das estatais são um capítulo à parte na política recente. Vale muito ser aprofundado (depois de Petrolão, Eletrolão, BNDESão… a fila é grande, mas a hora chega).

Carteiros tem salário reduzido para cobrir déficit de fundo de pensão

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Matéria do portal Exame:

São Paulo – No começo deste ano, 110 000 funcionários dos Correios receberam um informativo que dizia que o contracheque seria menor. Foram comunicados que, a partir de abril, um valor médio correspondente a 1,7% do salário seria descontado do pagamento todos os meses, por tempo indeterminado.

Os recursos seriam usados para cobrir o déficit de cerca de 1 bilhão de reais do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, em que esses empregados investem. Os funcionários podem optar por não pagar o extra, mas apenas por três meses.

Se ficarem “inadimplentes” por um perío­do maior, serão excluídos do plano — o que significa que o dinheiro acumulado passará a ser corrigido pela inflação até que possa ser resgatado, no momento da aposentadoria ou da demissão.

Alguns carteiros procuraram o Postalis para entender o que estava ocorrendo, mas o fundo, inicialmente, não deu explicações mais detalhadas. Pressionado pela Associação Nacional dos Participantes do Postalis, que entrou com uma ação na Justiça para ter acesso ao relatório de investimento do fundo, a fundação divulgou alguns dados sobre as aplicações feitas nos últimos dois anos. EXAME teve acesso a parte dessas informações, que mostram por que o Postalis pode levar mais de uma década para zerar o prejuízo. 

O Postalis é o fundo de pensão com o maior número de investidores do país — e, agora, é também o que tem o maior déficit, em relação ao patrimônio, entre as grandes fundações. O déficit representa 13% do volume total sob gestão.

O balanço do Postalis mostra que 287 milhões de reais desse déficit se devem a “ajustes técnicos”, motivados pelo aumento da expectativa de vida e pela redução no número de novos participantes. É normal que os fundos tenham de fazer esses ajustes, já que é impossível prever com exatidão por quanto tempo seus investidores vão receber as aposentadorias.

Os fundos de pensão costumam manter recursos em caixa para fazer frente a esses imprevistos — e, assim, conseguir pagar as aposentadorias. Mas as regras da Previc, órgão do Ministério da Previdência que fiscaliza esse setor, determinam que, se os fundos fecham dois anos seguidos com déficit, precisam apresentar um plano para resolver o problema antes que o caixa termine. A fundação dos Correios decidiu cobrar as contribuições dos investidores.

Investimentos frustrados

A parte mais preocupante do déficit do Postalis é a perda de 698 milhões de reais com investimentos malsucedidos. Os dados obtidos por EXAME mostram que parte desse prejuízo veio de aplicações em títulos de bancos que quebraram e em papéis de empresas com dificuldades financeiras.

(…)

(grifos nossos)