A Lava Jato exige que o PP pague R$ 2,3 bilhões pelos prejuízos causados no Petrolão

Com três completados agora em março, a Lava Jato decidiu começar uma nova fase em seu quarto ano de atividade. A fase em que deposita o boleto na caixa dos correios dos partidos cobrando com juros e correção monetária os danos que fizeram à coisa pública, no caso, principalmente a Petrobras. E a primeira fatura é para lá de salgada: a operação quer que o Partido Progressista devolva R$ 2,3 bilhões aos cofres públicos.

Você não leu errado. São bilhões mesmo. Divididos pelas seguintes motivações:

  • Multa de R$ 1,38 bilhões
  • Indenização de R$ 460,6 milhões pelo propina que corroeu a estatal
  • E pelo menos outros R$ 460,6 milhões por danos morais

A ação cita dez políticos ligados ao partido. Decore os nomes:

  • Nelson Meurer (PP-PR)
  • Mário Negromonte Júnior (PP-BA)
  • Arthur Lira (PP-AL)
  • Otávio Germano (PP-RS)
  • Luiz Fernando Faria (PP-MG)
  • Roberto Britto (PP-BA)
  • Pedro Corrêa (PP-PE)
  • Pedro Henry (PP-MT)
  • João Pizzolatti (PP-SC)
  • Mário Negromonte (PP-BA)

As eleições do ano que vem dependem da sua boa memória.

Projeto do PP quer autonomia para partidos gastarem quase um bilhão do fundo partidário

Cédulas de reais. Foto: Pixabay.

Ciro Nogueira é senador pelo Piauí. Benedito de Lira é senador por Alagoas. Ambos pertencem ao PP, o partido proporcionalmente mais atingido pela Lava Jato. No momento da redação deste texto, quase metade de seus parlamentares (21 de 45) está sob investigação.

Nada disso impede Ciro de ser o autor de um projeto de lei cuja relatoria caiu no colo de Bendito. E o que quer esse PL? Prepare-se: dar plena autonomia aos partidos para distribuírem privadamente os R$ 819 milhões do Fundo Partidário.

Em outras palavras, querem gastar quase um bilhão de reais dos brasileiros sem serem importunados pela população que banca essa farra com o dinheiro público.

A opinião pública precisa ficar em cima para evitar mais esse engodo.

Lula criou o Petrolão para evitar um processo de impeachment em decorrência do Mensalão

Com o PT fora da Presidência da República, parece estar mais fácil para os delatores detalharem o que sabem ao Ministério Público Federal. Delcídio do Amaral, que por 13 anos foi senador pelo PT, e chegou a liderar o governo na gestão Dilma Rousseff, entregou que o Petrolão foi criado por Lula para evitar um processo de impeachment decorrente do Mensalão.

Como o brasileiro sabe hoje, Dilma Rousseff só foi cassada após perder apoio parlamentar. Sufocado em 2005 pelo Mensalão, em vez de atacar o legislativo, Lula o comprou, fatiando a Petrobras com o PMDB e o PP, além, claro, do próprio PT. Desta forma, garantiu apoio para buscar a reeleição. E, com a propina desviada do esquema, se financiou para campanha.

Delcídio falou nos seguintes termos:

Quando veio o mensalão, ele (Lula) percebeu, ou ele se arruma ou poderia ser impichado. (…) O Lula fez uma revisão das posições que ele vinha assumindo, dizendo ‘ou eu abraço o PMDB ou eu vou morrer’. Foi então que o PMDB estabeleceu tentáculos em toda a estrutura do governo, como o Ministério das Minas e Energia e a Eletrobras. O setor elétrico, que era feudo do PFL, passou a ser do PMDB.”

Ou seja… O impeachment que foi evitado em 2005 rendeu o impeachment que afundou o PT em 2016. Neste sentido, para lá de justo. Mas a um alto custo: uma década de desenvolvimento do Brasil.

Não precisava ter sido assim.

Delator diz que o PT comprou Maluf forçando o 2º turno com Serra e Marta

O caso teria ocorrido nas eleições de 2004 para a prefeitura de São Paulo. Segundo Pedro Corrêa, ex-deputado federal pelo PP, em delação premiada para a operação Lava Jato, o PT bancou em R$ 26 milhões a candidatura de Paulo Maluf, forçando, assim, um segundo turno entre Marta Suplicy (então candidata petista) e José Serra, que sairia vencedor pelo PSDB.

Deste montante, R$ 6 milhões foram para o próprio PP, e outros R$ 20 milhões pararam no bolso de Maluf, tudo no caixa dois.

De fato, pelo resultado do primeiro turno, caso fossem somados os votos de Serra e Maluf, a disputa seria concluída sem necessidade de segundo turno. E a votação final do tucano equivale a 97,3% dessa soma, fortalecendo a tese de que, para evitar a reeleição da petista, o eleitorado se dividiu na primeira etapa da disputa.

Em 2016, Marta deve voltar a disputar a prefeitura de São Paulo, dessa vez pelo PMDB.

Por 37 a 9, bancada do PP na Câmara aprova posição favorável ao impeachment

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Informa a repórter Andrea Sadi, da Globonews, que o PP (Partido Progressista), outrora um dos eventuais novos fiadores do governo no legislativo, acaba de aprovar agora mesmo a posição FAVORÁVEL AO IMPEACHMENT.

E a votação foi grande demais para um partido que seria o grande aliado: 37 a 9.

Soma-se a isso a posição idêntica tomada hoje pelo PRB e temos que a coisa está realmente tétrica para os lados do governo de Dilma Rousseff.

Ou seja: a coisa está realmente boa para o Brasil.

Abaixo, o tuíte de Andrea Sadi:

 

Dilma estaria “comprando” deputados do partido do Maluf – e quem diz isso é o próprio

Dilma Rousseff - Maluf

Sim, a coisa chegou a esse ponto. O governo de Dilma Rousseff não apenas tem o PP de Paulo Maluf como aliado de primeira hora, com direito a oferecer boa parte do governo à legenda. A julgar pelo que afirma o histórico líder pepista, o buraco é bem mais embaixo.

Em suma: Maluf diz que o governo estaria “comprando” deputados de seu partido. Suas palavras:

O governo está se metendo num processo de compra e venda que é detestável (…) Querem construir maioria no Legislativo dividindo o Executivo. Não é assim (…) Eu não queria fazer uma injustiça com a presidente, que é uma senhora correta e tem uma vida limpa. Mas agora a minha tendência está mudando

Dilma e PT tomando lição de moral do Maluf. Tempos interessantes.

Confira trechos do depoimento de Paulo Roberto Costa à Justiça

Da Folha de S. Paulo:

paulo-roberto

Em depoimento à Justiça Federal nesta quarta-feira (08), Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, explicou detalhes de como funcionava o esquema de corrupção da estatal. Costa disse que os cargos funcionavam por indicação política, e ele foi indicado por José Janene (PP) para a diretoria de Abastecimento, e que era de conhecimento comum dentro da empresa, incluindo a alta administração da Petrobras.

[quote]”Na realidade, o que acontecia na Petrobras, mais a partir de 2006 era um processo de cartelização. (…) E esse cartelização obviamente resulta em um delta preço. Na área de petróleo e gás, essas empresas entre os custos indiretos e seu lucro, o BDI, entra algo entre 10 e 20%, então dependendo do risco da obra, das condições, 10 a 20 desse BDI. O que acontecia nas obras da Petrobras? Por hipótese, o BDI era 15%, se colocava 3% a mais e esses 3% eram alocados a agentes políticos.”[/quote]

 O dinheiro então era distribuído entre os envolvidos.

[quote]”O que era para direcionamento do PP, praticamente até 2008 quem conduzia isso era o deputado José Janene. (…) De 2008 quando ficou mais prejudicado passou a ser executado pelo Alberto Youssef. Isso em relação ao PP.”[/quote]

[quote]”Em relação à diretoria de serviços, todo mundo sabia que tinha um percentual desses contratos da área de Abastecimento. De 3%, 2% era para o PT através da diretoria de Serviços. Outras diretorias, como Gás e Energia e EP, também tinha PT. Então, se tinha PT na exploração e produção, PT na área de Gás e Energia e PT na área de Serviços. Então, o comentário que pautava dentro da companhia é que nesse caso os 3% ficavam diretamente para o PT.”[/quote]

Verbas federais para partido de Maluf disparam após aliança com PT

Desde que foi visitado por Lula para selar a coligação que apoiará a candidatura de Fernando Haddad (PT) à prefeitura de S. Paulo, o PP, partido de Paulo Maluf, viu um aumento substancial no repasse de verbas do governo a projetos de sua bancada. Notícia da Folha de S. Paulo:

O apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad (PT) à Prefeitura de São Paulo coincidiu com uma disparada na destinação de verbas federais para obras e projetos apadrinhados por parlamentares do partido.

Em um quadro atípico, o PP do ex-prefeito Paulo Maluf foi, desde o dia 1º de junho, o segundo partido mais beneficiado pelo governo no atendimento das emendas parlamentares, mostra levantamento da Folha.

As emendas são o mecanismo pelo qual os congressistas inserem obras e projetos no Orçamento.

O mês de junho marcou a reta final da definição das alianças para as eleições municipais de outubro.

Quinta maior bancada no Congresso, o PP ficou à frente do PT e só atrás do PMDB –donos das maiores bancadas no Congresso.

A eleição de Haddad em São Paulo é vista como principal objetivo eleitoral do PT, maior partido de sustentação do governo federal.

Polêmica, a aliança com Maluf garantiu ao petista, neófito em eleições e em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, equilíbrio em relação a seu principal adversário, José Serra(PSDB), no tempo da propaganda de rádio e TV.

A partir de 14 de junho, data em que Paulo Maluf passou a considerar publicamente a possibilidade de apoiar Haddad em vez de Serra, a liberação de emendas para o PP quintuplicou.

Até aquela data, a liberação acumulada desde janeiro era de R$ 7,2 milhões. De um mês para cá, foram mais R$ 36,6 milhões para emendas do partido.

O levantamento foi feito com base nas 20 ações de governo que mais concentram emendas.

(grifos nossos)

Vereador malufista dobra patrimônio e diz que ganhou na loteria. Três vezes.

Wadih Mutran foi um dos “padrinhos” da cerimônia que celebrou o casamento entre o PT de Lula e o PP de Maluf no mês passado

Mutran (à direita): Muita sorte e elegância a serviço da candidatura Haddad

Reportagem da Folha de S. Paulo:

O vereador paulistano que teve a maior evolução patrimonial nos últimos quatro anos, em valores absolutos, credita parte de seu enriquecimento a três bilhetes de loteria premiados.

Wadih Mutran (PP) dobrou sua riqueza entre 2008, quando declarou ter R$ 1,9 milhão à Justiça, e 2012, quando informou R$ 3,8 milhões.

No intervalo, afirma, ganhou R$ 600 mil na loteria federal, em 2009. “Era uma trinca. Três bilhetes, cada um com prêmio de R$ 200 mil.”

O vereador diz ter usado o dinheiro para comprar dois apartamentos na zona norte, por R$ 400 mil e R$ 360 mil.

Outro item que chama atenção em sua declaração de bens é a quantidade de dinheiro que diz guardar em espécie. Eram R$ 260 mil em 2008 e hoje é R$ 1,4 milhão.

Mutran diz que o valor é proveniente de aplicações e “negociações” e usado para ajudar familiares.

A evolução patrimonial de Mutran, de quase R$ 2 milhões, é responsável por 25% do que os 53 vereadores paulistanos que buscam a reeleição em outubro declararam ter enriquecido. No total, o valor dos bens informados por eles saltou de R$ 33,7 milhões para R$ 41,5 milhões –quase R$ 8 milhões a mais.

Quatorze parlamentares mais do que dobraram seu patrimônio desde 2008.

Em termos percentuais, quem teve maior aumento foi Quito Formiga, do PR. De 2008 a 2012, seu patrimônio saltou de R$ 16,6 mil para R$ 622,4 mil, alta de 3.649%. Ele recebeu herança da mulher.

O segundo na lista é Claudio Fonseca, do PPS. Seu patrimônio, que em 2008 era de R$ 169 mil, hoje é de R$ 1 milhão. A maior variação ocorreu em suas aplicações financeiras, que saltaram de R$ 28 mil para R$ 712 mil.

Em termos absolutos, quatro vereadores tiveram evolução superior a R$ 1 milhão. Além de Mutran, são eles: Sandra Tadeu (DEM), que incorporou R$ 1,7 milhão ao patrimônio, Aurélio Miguel (PR), com R$ 1,1 milhão, e Marco Aurélio Cunha (PSD), também com R$ 1,1 milhão.

Contatada pela Folha, Tadeu não respondeu. Miguel diz que o aumento se explica “majoritariamente” pelo recebimento de herança e pela venda de um imóvel. Cunha diz que a evolução é compatível com suas atividades.

Doze dos que tentam a reeleição declararam à Justiça guardar, no total, R$ 2,5 milhões em dinheiro vivo. Além de Mutran, os dois que mais acumulam quantias em espécie são Antonio Carlos Rodrigues (PR) e Juscelino Gadelha (PSB), com R$ 360 mil e R$ 280 mil respectivamente.

Ambos dizem que a medida tem como objetivo facilitar o uso dos recursos na campanha. Em 2010, ao menos 16 candidatos majoritários disseram ter dinheiro em espécie, Dilma Rousseff entre eles.

OUTRO LADO

Os vereadores candidatos à reeleição que mais aumentaram seu patrimônio desde 2008 dizem que não há irregularidade na evolução e que ela foi comunicada à Receita.

Aurélio Miguel (PR) diz que além do salário como vereador, tem “rendimentos variados” de atividades como “compra, venda e locação de imóveis, palestras e participação em eventos, além dos ganhos de capital”. “O vereador carrega nas veias o sangue de empreendedor”, afirma nota de sua assessoria.

Diz ainda que no período ganhou um prêmio de R$ 200 mil em um programa do SBT.

Marco Aurélio Cunha (PSD) afirmou que o crescimento se deve à compra de um apartamento de R$ 1,3 milhão, com o dinheiro da venda de outro imóvel, financiado.

Ele diz que a evolução é compatível com as atividades que exerce –além da remuneração como vereador, recebe como médico e, até 2011, ocupava a superintendência de Futebol do São Paulo.

Quito Formiga (PR) diz que ganhou herança de sua mulher, que morreu durante o mandato. Claudio Fonseca (PPS) diz que o valor cresceu porque ele passou a especificar quanto tinha nas aplicações financeiras, o que, alega, não era exigido em 2008.

(grifos nossos)