Delcídio já delatou que Lula usava a defesa do pré-sal como forma de proteger o Petrolão

Brasília, 05.05.2015 - À mesa, presidente da CAE, senador Delcidio Amaral (PT-MS). Foto: Pedro França/Agência Senado

Por ter sido líder do governo Dilma no senado, as delações de Delcídio do Amaral parecem as mais ricas em detalhes a respeito do esquema que depenou a Petrobras. Num dos depoimentos dados à Polícia Federal, o senador cassado entregou que Lula implementou o esquema bolado pelo PP como forma de garantir que seria reeleito em 2006. Para isso, fatiou a Petrobras com outros dois partidos: PMDB e o próprio PT.

Num dos trechos, como prova de que Lula estava envolvido com o Petrolão, Delcídio lembra que a máquina petista de propaganda praticamente só explorou temas ligados à estatal na campanha que o conduziu ao segundo mandato:

Às vezes vejo o presidente dizer não sei de nada, nunca estive com o diretor B ou C. Se olhar a campanha de 2006 para presidente, a discussão foi estatização ou privatização da Petrobras, pré-sal. Todos discutiram.

Quando as commodities estavam em alta, ali pelo segundo mandato de Lula, fazia algum sentido vender o pré-sal como a sétima maravilha. Mas esse tempo passou rápido. Hoje, ele é um investimento ruim. Custa caro tirá-lo do fundo do mar, mas sua baixa qualidade não o permite vender por um preço que compense o esforço.

Retirar da Petrobras o monopólio da exploração do recurso é livrar a estatal da obrigação de mergulhar num projeto que fatalmente trará prejuízo ao povo brasileiro. O governo Temer acerta ao rever o entendimento. A esquerda, que sempre esteve ao lado do grupo que depenou a empresa levando-a à ruína, continua errada.

Câmara aprova fim do monopólio da Petrobras no pré-sal; e isso é o melhor para o Brasil

Foto: Agência Brasil

Falamos recentemente sobre a queda do mito de que falar em privatização seria sinônimo de derrota eleitoral. Bem ao contrário: João Dória defendeu abertamente as privatizações e foi eleito no primeiro turno.

As esquerdas, porém insistem na ideia de que o governo precisa sempre controlar tudo. E esse é o caso da Petrobras, cujo monopólio de atuação no pré-sal era defendido por questões ideológicas e também algumas outras menos metafísicas.

Mas a Câmara dos Deputados, ainda bem!, acabou com isso. Não faz sentido uma estatal ter monopólio de nada, tanto menos quando se trata de uma empresa quase que totalmente destruída pela corrupção.

Enquanto o Brasil precisa de investimentos e geração de empregos, e a exploração do pré-sal exige estrutura gigantíssima, atraindo assim grandes grupos, temos também um outro fator: a Petrobras não tem condições de explorar todos os campos atualmente.

Não faria nem sentido manter o monopólio; errado em essência, mais errado ainda diante do atual contexto.

Acertou, portanto, a Câmara. Como o texto-base já passou pelo Senado, resta agora a sanção presidencial.

Para discutir o Pré-Sal, deputados federais esquerdistas convidaram… O LÍDER DO MST?!

O Pré-Sal não passou de um negócio furado vendido pelo PT para se reeleger. De poços tão profundos só sai petróleo de baixa qualidade a altíssimo custo. Ou seja… É mais vantagem deixá-lo sob a terra do que ter prejuízo comercializando-o. Por isso tanto se discute os rumos do combustível. Mas tudo, claro, precisará passar pela Câmara Federal.

Para debater o assunto na casa, alguns deputados esquerdistas convidaram João Pedro Stédile, líder do Movimento Sem Terra. Sim, do MST!

O que o MST, um movimento agrário, tem a ver com um combustível fóssil desenterrado das profundezas do oceano?

Isso mesmo, nada.

Mas não para por aí. A esquerda também convidou José Sérgio Gabrielli, um dos envolvidos com o Petrolão. O objetivo? Obrigar o país a deixar a exploração do prejuízo exclusivamente com a Petrobras.

Mais um erro de planejamento do PT: pré-sal está dando prejuízo à Petrobras

Foto: Ricardo Stuckert/PR - Agência Brasil

Por mais que represente uma grande reserva de petróleo para o país, a a produção nas áreas do pré-sal sempre foi uma aposta de risco de um PT ávido por um nacionalismo que oxigenasse seu populismo e garantisse seguidas vitórias nas urnas. As vitórias vieram. Assim como a derrota na exploração do óleo. Quem diz isso é Oswaldo Pedrosa, presidente da PPSA, estatal nascida apenas para gerir tais recursos.

Acontece que o petróleo sugado dessas profundas regiões é de baixa qualidade. E exige tal esforço que o torna caro mesmo não sendo atraente ao mercado externo. Resultado: só gera algum lucro quando o mercado internacional paga algo acima de US$ 55,00 por barril. Mas este barril anda sendo negociado a US$ 49,00 recentemente,

A expectativa não é boa até para a gigantesca reserva encontrada na Bacia de Santos. Explica Pedrosa: “Então Libra hoje opera em prejuízo? Não, porque ela ainda não entrou em operação.

Míriam Leitão foi certeira ao comparar a política econômica do PT à política econômica dos governos militares. De fato: prometiam um milagre econômica, devolveram elefantes brancos, inflação e dívidas, além de um sistema público quebrado nas mais variadas esferas. A seguir por esse caminho, o pré-sal, com o perdão do trocadilho, pode resultar num enorme elefante preto.

Foto: Ricardo Stuckert/PR - Agência Brasil
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Petrolão também afetou contratos do pré-sal

o-PETROBRAS-Reportagem de hoje no jornal O Globo revela que a força-tarefa da Lava Jato encontrou fortes indícios de que também os contratos do pré-sal foram manipulados para beneficiar o esquema de corrupção que tomou conta da estatal. Leiam abaixo a introdução da reportagem:

A investigação da Lava-Jato encontrou indícios de corrupção em negócios que envolvem a extração de petróleo da camada pré-sal. Em delação premiada, o executivo da Engevix, Gerson Almada, admitiu ter pago comissões ao lobista Milton Pascowitch para que ele intermediasse a contratação da empreiteira para construir navios-sondas para a Sete Brasil, criada para retirar petróleo de camadas profundas. Os contratos ainda estão valendo e valem US$ 2,4 bilhões.

Desse total, entre 0,75% e 0,9% seriam pagos a Pascowitch por meio de sua empresa Jamp, na forma de contratos de consultoria. Aos investigadores da força-tarefa da Lava-Jato, Almada não qualifica a comissão como propina. Ele diz que se tratava de lobby e que chegou a firmar contratos similares com a Jamp para intermediar outros negócios entre Engevix e Petrobras. Nas palavras de Almada, Pascowitch “realizava um serviço de lobby que não poderia ser desempenhado pelos funcionários da Engevix”.

Dilma pressiona o BNDES para liberar crédito para empresa envolvida na Lava Jato

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Segundo a Folha, Dilma Rousseff decretou que Luciano Coutinho, chede do BNDES, libere o mais rápido possivel crédito para a Sete Brasil, maior parceira da Petrobras no pré-sal, sob o risco da empresa quebrar.

O BNDES exige mais garantias para liberar os recursos já que os riscos aumentaram desde que a empresa foi envolvida no escândalo da Lava Jato. A Sete Brasil foi criada para construir e depois alugar 28 sondas de perfuração do pré-sal e esperava bacar as primeiras unidades com o dinheiro do BNDES, o que não aconteceu.

Sete Brasil também foi alvo de corrupção, segundo delação de Barusco

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Conforme noticiou o Globo, Pedro Barusco afirmou na delação premiada que a Sete Brasil, que é um dos projetos para explorar o pré-sal, também foi alvo de corrupção. O valor da propina chegou a 1% do valor do contrato com cada um dos estaleiros. Estes pagavam para os funcionários da Petrobras, da Sete Brasil e para João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT. Barusco, que além de gerente da Petrobras foi diretor da Sete Brasil, explicou que a proprina era paga periodicamente e era sobre o faturamento.

A Sete Brasil foi criada em 2011 para contruir 29 sondas com o objetivo de explorar o pre-sal. Para isso foram contratados 5 estaleiros (dois sequer existiam antes disso, foram costruidos especialmente para a fabricação dessas sondas, que tem o custo estimado em US$720 milhões, cada).

Maior empresa do pré-sal está sem dinheiro e perde sócios

Da Folha de S.Paulo:

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A companhia Sete Brasil, criada pela Petrobras para construir e alugar as sondas bilionárias para exploração do pré-sal, não tem dinheiro para os compromissos de curto prazo, dois sócios minoritários abandonaram o projeto e o escândalo de corrupção na estatal bate à porta. A Sete tem hoje um dos maiores contratos com a Petrobras (US$ 25 bilhões), e pela segunda vez em dois meses pode atrasar pagamentos aos estaleiros que fazem as sondas.

Reações ao Leilão de Libra comprovam o fracasso do governo

A crítica maior veio da revista alemã Der Spiegel. Em suas palavras, diz que o Brasil leiloou um “tesouro por uma pechincha“. Fazia referência, claro, ao fato de o Leilão de Libra ter recebido apenas um único lance pela área do pré-sal na última segunda-feira. Mas aproveitou para falar de um tema a que o PT, hoje tão alinhado à bancada ruralista, não dá bola desde que mandou Marina Silva para a oposição: o meio ambiente. Lembra que se trata de um trabalho que apresenta grandes riscos para o mar, a fauna e as praias da região.

A Economist criticou o modelo de licitação, o maior responsável pelo fiasco. E, segundo a publicação, o episódio foi um balde de água fria em toda a propaganda feita por Lula há seis anos, quando vendeu ao mundo que o pré-sal era um “bilhete de loteria premiado”.

Críticas ao modelo já vinham sendo feitas por aqui. Em comentário para o Bom Dia Brasil, a jornalista Miriam Leitão lembrou que urge ao governo aperfeiçoá-lo. “Esse modelo não se saiu bem no teste. Na última rodada de concessão, pelas velhas regras, apareceram 60 empresas. Agora, só 11, duas não depositaram garantias, enfim… Acabou tendo apenas um consórcio.”

O ex-governador de São Paulo, José Serra, também fez críticas pesadas ao lembrar que tais leilões costumam ser um sucesso sob os cuidados do PSDB, diferentemente daqueles protagonizados pelo governo federal:

Nós concedemos, as estradas receberam investimentos e hoje você pega as 20 melhores estradas do Brasil, elas estão em São Paulo. É porque a gente fez as concessões direito, junto com os parceiros da iniciativa privada, e isso poderia ter sido feito para todo o Brasil. Eles (governo federal) começaram, mas não souberam fazer. Tem duas estradas federais em São Paulo que eles fizeram a concessão e hoje são as piores estradas que o Estado tem, porque a concessão foi mal feita. Depois, tentaram fazer de novo, neste ano, e o leilão fracassou. É não saber fazer.

(grifos nossos)

Já Aécio Neves, provável candidato do PSDB à presidência, criticou não só as falácias defendidas pelo governo, mas também o estrago que a condução de Guido Mantega vem causando nas contas da empresa:

Numa ironia, o senador do PSDB considerou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, como o “grande vencedor do leilão”. Isso porque os R$ 15 bilhões em bônus do consórcio que arrematou a área vão servir para o governo bancar o superávit primário. “A Petrobrás paga o preço pela má condução da política econômica que levou ao recrudescimento da inflação. Obviamente, a partir de uma ação do governo junto à Petrobrás por conta do controle do preço da gasolina, a empresa perde valor de mercado, perde competitividade.” Ele acrescentou que a empresa é “sangrada pela necessidade de fazer investimentos para os quais ela não se preparou ou o governo não deixou que se preparasse”.

(grifos nossos)

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, finalmente rompeu o silêncio e resolveu vir a público se pronunciar. E tentou garantir que a empresa tem em caixa a quantia necessária para pagar ainda este ano os 6 bilhões de reais ao governo em bônus, assim como não pretende aumentar o valor dos combustíveis. Mas quem ainda confia no que este governo promete?

Dilma é vaiada por prefeitos em Brasília

Por Kelly Mattos, na Folha:

A presidente Dilma Rousseff foi vaiada nesta terça-feira (15) pelos prefeitos que participavam da 14ª edição da Marcha dos Prefeitos, em Brasília. A vaia ocorreu no momento em que a presidente decidiu falar sobre a redistribuição dos royalties do petróleo.

Ao final do discurso de Dilma na abertura do evento, os prefeitos pediram que a presidente se manifestasse sobre o assunto e Dilma respondeu: “Vocês não vão gostar do que eu vou dizer”. Em seguida, a presidente declarou: “Não acreditem que vocês conseguirão resolver a distribuição de hoje pra trás. Lutem para resolver a distribuição daqui pra frente”. Os prefeitos não gostaram da fala de Dilma e vaiaram a presidente.

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Mais cedo, o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, havia feito um apelo a Dilma e ao presidente da Câmara, Marco Maia, para que colocasse em votação o projeto que trata sobre a redistribuição. “O petróleo é nosso, é da União, é de todos. […] Por isso presidenta, por este atraso, os prefeitos deixaram de receber só esse ano 3,5 bilhões”, afirmou Ziulkoski.

LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, fez um discurso com uma série de reivindicações dos prefeitos ao governo federal e ao Congresso. Uma das reclamações tratava sobre a falta de recursos das prefeituras para pagar o piso nacional de determinadas profissões. Ziulkoski citou como exemplos o piso dos professores e dos agentes comunitários: “Ninguém é contra o piso. Só que tem que ter um piso que dê para cumprir”, disse o presidente.

Paulo Ziulkoski disse ainda que o prefeito que não pagar o piso será punido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e, por isso, poderá ser considerado ficha-suja. “O promotor lá na base ele pega o prefeito. O ander térreo é fácil. Do governador pra cima, o tratamento já é diferente”, disse.

Dilma disse que ficou “muito preocupada” com o relato sobre o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e prometeu que a União irá auxiliar nessa discussão. “Seria fundamental discutir o que é de fato que produz um desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal, que não é fruto da capacidade do prefeito. [… ] Nós queremos auxiliar em tudo para que não fiquem vulneráveis do ponto de vista jurídico à Lei de Responsabilidade Fiscal”, afirmou Dilma. E completou: “o governo vai ser parceiro nisso. O governo vai separar o joio do trigo”.

Comentário

O pré-sal, por incrível que pareça, pode significar uma coisa terrível ao país. Com os gastos governamentais ultrapassando a ionosfera, qualquer reserva que o Estado encontre para torrar mais será usada para torrar mais. Quem acredita que a população brasileira verá a cor desse dinheiro pode se enganar redondamente. Na verdade, pagará os altíssimos custos de extração da estatal, e o dinheiro já está definitivamente sendo disputado a golpes de foice no escuro por prefeituras.

O Estado está em crise. Entra-se em crise quando se gasta mais do que se arrecada. Há duas soluções para isso: trabalhar-se mais ou cortar gastos, negociando as dívidas enquanto isso. Há uma terceira opção milagrosa, que é receber uma herança milionária de um tio de quarto grau de quem você nunca ouviu falar. Essa hipótese nunca acontece quando quem está em crise é você, mas vive a acontecer quando o gastador é o governo. O pré-sal é o tiozão rico outrora desconhecido do Estado inchado brasileiro.

Chega a ser um tanto quanto despudorado ver a ala tecnocrática do PT, transubstanciada na pessoa da presidente Dilma, brigando com prefeitos pelo butim, e tendo de enfrentar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Ora, é consabido que todos os petistas foram contra a lei que mais coibiu o torra-torra irresponsável com dinheiro tomado à força do povo. Hoje, temem tornarem-se fichas sujas e inelegíveis para reeleição por não cumprirem sequer o piso do que prometem. É uma idéia excelente. Pode haver algo que force uma renovação política maior do que trocar velhos rostos conhecidos, firmados e populares por novos rostos, desconhecidos mas possivelmente mais eficientes?

Uma solução para o pré-sal, bem diversa do que Dilma propõe, foi mais ou menos o que fez a Noruega. Com um déficit previdenciário fungando no cangote, foi trocar o modelo. Similar ao Brasil, onde quem está trabalhando paga a previdência de quem não está, trocou-se por um modelo em que o próprio trabalhador para sua aposentadoria aos poucos. Para realizar a mudança, é preciso ter dinheiro de reserva para pagar aqueles já aposentados ou no meio do caminho. Assim que a Noruega descobriu suas reservas de petróleo, conseguiu acertar as contas. O Brasil entrará em colapso previdenciário em no máximo 15 anos sem acerto de contas. Aqui, porém, qualquer nova “conquista para a nação” é usada para alimentar o piso de uma máquina lenta, que não produz nada para a população e, ao invés de se enxugar e cortar supérfluos como qualquer pessoa em crise, prefere esperar a grande herança para, com o que sobrar, pagar “o piso” do que deveria pagar.

O curioso não é Dilma estar errada. O curioso é ver uma “Marcha de Prefeitos” (?!) inteira também merecer a mesmíssima vaia.

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Se escreve assim, imagina na Copa. No Twitter, @flaviomorgen