Eleições 2016: Em SP, Dória no primeiro turno! E ainda: Rio, Curitiba, BH…

Estas foram eleições um tanto atípicas. Houve muito pouco tempo de campanha e também a proibição de doações empresariais. Na política nacional, um impeachment recente, fazendo com que não apenas as questões locais fossem discutidas (o que é comum nos pleitos da esfera do município).

Deu no que deu.

São Paulo

João Dória (PSDB) disparou na reta final e levou no primeiro turno. Um feito e tanto; na verdade, algo inédito para a capital paulista. Desde que foi instituído o segundo turno, TODAS as eleições paulistanas contaram com a respectiva etapa.

Isso até este ano.

A principal estratégia do tucano, e que deu muito certo, foi mostrar-se como o principal nome anti-PT. O grande trabalho foi tornar-se conhecido, contando com a baixa rejeição e a estrutura de um partido grande. Russomanno, já no fim, murchou como já apostavam.

Marta, na quarta posição, talvez precise despedir-se das campanhas majoritárias.

E o PT não tem o que comemorar. A “subida” de Fernando Haddad tem mais a ver com voto útil desesperado que qualquer coisa. Menos de 20% numa cidade como São Paulo é algo péssimo. Tendo a prefeitura nas mãos, convenhamos, é MIL VEZES mais terrível.

Rio de Janeiro

No Rio, deu Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (PSOL). A tendência é que o voto esquerdista, por óbvio, migre para o psolista, assim como o mais provável é o eleitorado conservador cair em peso sobre o candidato peerrebista, que teria então mais chances. Mas claro que está tudo aberto.

Quanto à política nacional, o Rio de Janeiro mostra circunstância ainda mais atípica. O candidato de esquerda poderá atacar seu adversário ligando-o a Lula e ao PT, pois Crivella já foi ministro de Dilma Rousseff. O problema será o seguinte: para isso, precisará endossar o impeachment. E, se o fizer, Freixo perde os votos canhotos. Uma bela sinuca.

Impossível, sobretudo porque o trabalho aqui é feito de forma artesanal e “na unha”, falar de todas as cidades. Mas podemos comentar algumas:

Curitiba

Fruet (PDT), o atual prefeito, não foi nem para o segundo turno. Ele era ligado ao governo Dilma, e pelo jeito isso pesou de forma negativa. Vão Rafael Greca (PMN) e Ney Leprevost (PSD). Greca tem tudo para levar.

Belo Horizonte

João Leite (PSDB) e Kalil (PHS). O tucano venceu por boa margem e tem tudo para agregar mais votos. Mas sempre tem aquela coisa de “segundo turno é uma nova eleição”, não é mesmo? Bobagem. João Leite leva fácil.

Salvador

ACM Neto ganhou de lavada, como previsto. Desponta, inevitavelmente, como grande liderança a ser observada no cenário nacional de longo prazo – para curto/médio prazos, ele próprio apoia outro nome de seu partido (DEM), Ronaldo Caiado.

No mais, e por enquanto, é isso.

Falaremos ainda MUITO sobre as eleições.

Haddad coloca piso antimendigo em viaduto

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Reportagem da Folha de S. Paulo:

A prefeitura instalou 45 canteiros de paralelepípedo ao redor de pilastras da linha 1-azul do metrô na avenida Cruzeiro do Sul, em Santana (zona norte), onde moradores de rua costumam dormir.

A administração do prefeito Fernando Haddad (PT) afirma que os paralelepípedos foram instalados para proteger as pilastras e evitar que sejam acesas fogueiras.

O fogo, diz a prefeitura, abala a estrutura da edificação e prejudica os grafites do local, integrantes do projeto intitulado Museu Aberto de Arte Urbana (MAAU).

A colocação dos paralelepípedos faz parte de uma reformulação do canteiro central da Cruzeiro do Sul, que terá novo calçamento e iluminação reforçada.

A aposentada Miraceile Magalhães, 57, ajudava ontem um morador de rua com infecção nos olhos e não gostou do que viu no canteiro. “Se é para instalar pedras, que arrumem antes então um lugar para colocá-los.”

“Acho certo colocar essas pedras aí. Não dá para os mendigos fazerem casa. Tem que ser limpo, para os pedestres”, diz a aposentada Maria Cecília Alves Rodrigues, 70.

Um dos artistas responsáveis pelos desenhos, Binho Ribeiro, 42, afirma que instituições de caridade deveriam apresentar soluções para os moradores de rua, e não mantê-los onde estão.

“É uma polêmica hipócrita. As pessoas colocam grades e lanças em casa para proteger seu patrimônio.”

CHAMUSCADO

Os blocos ainda não surtiram o efeito desejado e pelo menos três grafites estão chamuscados pelo fogo.

“Não adianta, porque o pessoal vai continuar dormindo por aqui, na grama, que é até mais macia”, diz o reciclador Angelo Bertoni, 55, que vive nas ruas da região.

Em 2005, José Serra (PSDB) foi criticado por movimentos populares após instalar rampas ásperas, que afastavam mendigos, na passagem subterrânea entre a Paulista e a Doutor Arnaldo.

Justiça de SP proíbe que Prefeitura doe terreno ao Instituto Lula

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Reportagem do portal G1:

A Justiça de São Paulo proibiu a Prefeitura de doar um terreno ao Instituto Lula. A área seria usada para construir o Memorial da Democracia. Cedido na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab, o terreno está situado na Rua dos Protestantes, no Centro de São Paulo. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (10).

No dia 20 de janeiro, o Ministério Público de São Paulo entrou com uma ação civil pública pedindo que a Justiça anulasse a cessão do terreno. Segundo o MP, o imóvel seria usado para divulgação do acervo privado do ex-Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva. A sede do Instituto fica em um prédio no Ipiranga, na Zona Sul da capital.

No texto, o juiz Adriano Marcos Laroca, da 12° Vara de Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Estado, afirma que a lei municipal que permitiu a cessão “ofende os princípios da igualdade, impessoalidade, moralidade e vedação de promoção pessoal”.

O magistrado também defende que o fato do memorial abrigar também acervo documental privado do ex-presidente Lula, “só agrava o desrespeito aos princípios constitucionais da impessoalidade e isonomia, além de ofender a moralidade pública.” Procurada pela reportagem do G1, a assessora de imprensa do Instituto Lula disse que por ora não irá se pronunciar, pois não foi notificado oficialmente. A Prefeitura também alega que ainda não foi notificada.

(grifos nossos)

Interceptação telefônica cita doação de R$ 200 mil a secretário de Haddad

Haddad e o vereador Antonio Donato durante encontro com parlamentares do PT

Matéria do Estadão:

Uma escuta telefônica autorizada pela Justiça aponta que o secretário de Governo de Fernando Haddad (PT), Antonio Donato, é citado pelo recebimento de R$ 200 mil do auditor Luis Alexandre Camargo Magalhães, um dos quatro servidores da Prefeitura presos na semana passada por formar um esquema de propinas para sonegação de impostos na gestão Gilberto Kassab (PSD). A conversa em que o secretário e o valor são citados é entre Magalhães e sua ex-amante, que o ameaçava.

O áudio foi divulgado nesse domingo, 3, pelo Fantástico, da Rede Globo. Donato nega veementemente ter recebido dinheiro de Magalhães ou de qualquer outro membro do grupo.

O Estado apurou que o Ministério Público investiga denúncia que o dinheiro teria sido usado na campanha de Donato para vereador em 2008. O valor relatado na investigação, no entanto, seria a metade, R$ 100 mil. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime de Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro (Gedec) pretende repassar as informações para Promotoria Eleitoral. O eventual crime eleitoral, no entanto, se ocorreu, já está prescrito, de acordo com a legislação.

Conforme o Estado antecipou nesse domingo, Donato é citado em outro grampo da investigação, realizado em 16 de junho, quando o ex-subsecretário de Arrecadação da Secretaria Municipal de Finanças, Ronilson Bezerra Rodrigues, diz a um interlocutor que o procuraria depois de ter sido chamado para depor na Controladoria-Geral do Município (órgão da Prefeitura que, junto com o MPE, conduziu as investigações). No áudio, Rodrigues também diz ter marcado com o vereador Paulo Fiorilo (PT), atual presidente da CPI dos Transportes.

Donato confirmou ter se encontrado com Rodrigues no dia em que o fiscal prestou depoimento. Disse que Rodrigues pediu a intervenção na investigação, mas que ele afirmou que não poderia ajudar.

O secretário também foi apontado, por outro secretário, Jilmar Tatto, de Transportes, como responsável pela manutenção de Rodrigues em cargos de diretoria da atual gestão. Rodrigues ocupou o cargo de diretor de Finanças da São Paulo Transporte (SPTrans), empresa que administra a bilionária conta sistema, do bilhete único.

Em entrevista concedida nesse domingo, Donato também negou a indicação. Disse que a nomeação foi feita por Marcos Cruz, secretário de Finanças, mas reconheceu que sugeriu o servidor para Cruz por considerá-lo um técnico capacitado, que ele conhecia por ter mantido contato profissional na época em que presidiu a Comissão de Finanças da Câmara. “É o secretário de Finanças (Cruz) que indica os cargos de diretoria de Finanças das empresas públicas”, disse Donato.

Escutas. A ex-amante de Magalhães, Vanessa Carolina Alcântara, aparece em diversos trechos de interceptações telefônicas feitas durante as investigações da suposta quadrilha.

Ela estava insatisfeita com a pensão alimentícia de R$ 700 que recebia do fiscal pelo filho que eles têm. Magalhães tinha renda estimada em até R$ 80 mil por semana com o esquema, de acordo com o MPE.

Por causa disso, ela ameaçava delatá-lo. Chegou a citar 14 pessoas que iria denunciar. E afirma que falaria sobre a época em que eles contaram R$ 200 mil em notas no tapete da sala do apartamento da “Tuim”. No entanto, Vanessa disse também, em conversa gravada na noite de 4 de julho, que denunciaria o ex-companheiro para diversos secretário de governo de Haddad, e novamente cita Donato.

Nas escutas divulgadas nesse domingo, Magalhães diz desconhecer o secretário de governo.

(grifos nossos)

Prefeitura de São Paulo não sabe para onde vai mais de metade do IPTU pago pelo contribuinte

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Matéria do portal UOL:

A Prefeitura de São Paulo não sabe qual é o destino de mais da metade do que o contribuinte paga de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Projeto de reajuste do imposto será votado nesta quarta-feira (23) na Câmara de Vereadores.

“Não é possível identificar com precisão quais as despesas que foram pagas com a receita IPTU”, informa a Coordenadoria do Orçamento da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão ao ser questionada pelo UOL, por meio da Lei de Acesso à Informação, sobre o destino do dinheiro arrecadado com o imposto.

A cobrança do tributo pelos municípios está prevista na Constituição Federal e, segundo ela, deve ser aplicado em áreas como limpeza pública, sistema de esgoto sanitário,  calçamento, abastecimento de água, iluminação pública, além de escolas primárias e postos de saúde.

Segundo a prefeitura, 31% do IPTU são destinados para a educação, 15% para a saúde e 1% para o Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público). “Só é possível identificar a destinação da receita quando existe uma vinculação específica, como no caso da educação e da saúde”, informou a Coordenadoria do Orçamento.

Os outros 53% do imposto têm destino desconhecido por parte do Executivo municipal. A prefeitura informou que essa parte do dinheiro compõe o Tesouro Municipal e pode ser usada para pagamento da dívida pública, de precatórios , de pessoal (exceto das áreas da educação e da saúde), além de despesas “sem receitas vinculadas”.

Prejuízo para o contribuinte

Na opinião do advogado tributarista Adriano Martins Pinheiro, essa falta de clareza em relação à aplicação do IPTU traz prejuízos para a população. “O contribuinte não tem segurança do que está sendo feito, se é que algo de fato está sendo feito”, afirmou.

“Se a prefeitura não sabe explicar para onde vai esse dinheiro, quem vai saber?”, perguntou Pinheiro. Ele afirmou que a falta de uma fiscalização eficiente da aplicação do imposto prejudica a população. “Há tentativas, como o Portal da Transparência, mas não existe um sistema eficaz de monitoramento”, falou.

Em 2012, São Paulo arrecadou R$ 5 bilhões com IPTU, mais do que o previsto no começo do ano, que era de R$ 4,9 bilhões. A cidade registrou 11% de inadimplência no ano passado. O valor representou 13,4% Orçamento total daquele ano.

Vereadores votam reajuste do IPTU

Os vereadores da Câmara de São Paulo votam nesta quarta-feira, a partir das 15h, o projeto de lei enviado pela prefeitura que prevê o aumento do IPTU em até 30% para imóveis residenciais e 45% para comércio e indústria na capital paulista.

A proposta iria passar pela primeira votação em plenário na última quarta-feira (16), mas foi alvo de questionamentos por parte da oposição e acabou sendo adiada para hoje.

Segundo proposta do prefeito Fernando Haddad (PT), mais da metade dos contribuintes de IPTU de São Paulo –57% ou cerca de 1,76 milhão– terá um aumento no valor do tributo em 2014.

A cidade possui atualmente mais de 3,1 milhões de contribuintes, entre residenciais e não residenciais. Com as mudanças, a prefeitura espera aumentar a arrecadação em 24% em 2014.

Até o momento, o projeto de lei passou apenas pela comissão de Constituição e Justiça, onde recebeu parecer favorável. Uma audiência pública promovida pela comissão de Finanças está agendada para hoje, das 9h às 14h, na Câmara Municipal.

Na mesma audiência, serão debatidas também a Lei Orçamentária Anual e o Plano Plurianual (2014 – 2017).

(grifos nossos)

As pesquisas eleitorais e as urnas: a loucura e o método

As últimas eleições municipais marcaram o ápice de um estranho fenômeno: os institutos de pesquisa eleitoral chutando para bem longe do alvo, e sempre para a mesma direção.

Números razoavelmente constantes nos três principais institutos de pesquisa não significam, necessariamente, mútua confirmação. Quem confirma são as urnas.

Analisando os números, fica difícil não se perguntar por que o Ibope não critica a margem de erro do Datafolha, ou vice-versa. Na verdade, é ainda um mistério que jornais e cientistas políticos (ou os famosos “especialistas”) continuem dando tanta validade às pesquisas eleitorais.

Ou ainda como não pinta a dúvida em nenhum intelectual: de onde surge a “margem de erro”? Como é computada? São os mesmos sociólogos que aborrecem a vida ao falar em segurança e riqueza como reis da estatística, mas se calam vergonhosamente diante de um problema de cálculo simples.

O caso da cidade de São Paulo foi emblemático. Celso Russomanno, aqueles que já mal lembramos quem é, parecia ascender como um foguete. A “nova força” a encarar a prefeitura tinha como grande charme, obviamente, não suas propostas, mas sua capacidade em subir nas pesquisas.

Aqui começa o jogo eleitoral: quem está ganhando ou prometendo subir até chegar em primeiro, graças a isso, ganha mais força para ganhar ou chegar em primeiro. Se está ganhando crédito da população (o que é, obviamente, muito mais fácil de se conseguir antes do primeiro dia de mandato), parece um bom motivo para um indeciso também confiar em seu poder de fogo. Sobretudo porque boa parte da decisão eleitoral é calcada no princípio da repulsa: o indeciso geralmente vota não em um candidato que lhe pareça seu novo amigo de infância recém-descoberto, e sim no adversário com mais poder de fogo daquele que mais rejeita.

Russomanno foi, assim, alçado ao estrelato, como aquele que poderia ser uma “nova” força (em sentido estrito) para a São Paulo sempre polarizada entre PT e PSDB. O que já é uma mentira marqueteira: Russomanno significava justamente a última grande força antes da polarização da cidade, o malufismo. Haddad, além de ter um PT mensaleiro por trás, ainda era lembrado apenas como um ministro desastrado, sem nada a oferecer.

O primeiro turno em São Paulo teve o resultado mais surpreendente para os incautos: a estrela de Russomanno, contra o qual, talvez, quem sabe, houvesse um segundo turno, caso ele não vencesse o pleito logo de cara, apagou-se vertiginosamente em duas semanas.

Na última pesquisa Datafolha do primeiro turno, a eleição parecia “embolada”. Com apenas 2 pontos percentuais de margem de erro (uma misteriosa precisão cirurgia, nunca posteriormente cotejada com a realidade), José Serra apárecia com 28% (26/30%). Celso Russomanno encarava a força da gravidade já em segundo lugar, com 27% (25/29%). Fernando Haddad tinha 24% (22/26%).

O resultado factual confirmou um chute baixo para Serra (30,75%, já quase garantindo um ponto a mais do que a “margem de erro”). Haddad passou com 28,98% (praticamente 3 pontos além… da margem de erro), e Celso Russomanno naufragou com 21,6% (3,4 abaixo da margem de erro mais pessimista). Mesmo que todos os candidatos tivessem votos dentro da margem de erro, por que sempre nas beiradas, e por que sempre unidirecional?

A pesquisa foi realizada nos dias 5 e 6 de outubro. As eleições foram no dia seguinte.

As notícias sobre o primeiro turno chegam a ser arqueológicas lidas agora, um mês depois.Russomanno ainda é “a notícia”, enquanto Haddad aparece como o apêndice curioso. Se fosse o campeonato de Fórmula 1, parece que até as vésperas da corrida final, todos os institutos ainda apostariam na vitória de Kimi Räikkönen até um dia antes da grande final entre Vettel e Alonso.

O Ibope, com um dia a mais de pesquisa (de 4 a 6) foi mais modesto em suas previsões: Russomanno, Serra e Haddad empatados todos com 22% (o que acarretou o curioso fenômeno do meteorologista prometendo 50% de chance de chuva). A margem de erro foi de três pontos. Assim, Serra ficou 5 pontos acima da margem, Haddad com 4 acima da margem e Russomanno milimétricos 0,4 dentro da margem. O único que não estava bem acima.

Ainda mais curioso: numa pesquisa do Ibope divulgada um pouco antes, em 29 de setembro, Haddad aparecia à frente de José Serra no segundo lugar, enquanto o Datafolha, seis dias antes, apresentava uma abertura de 5 pontos de Serra sobre Haddad (o Vox Populi mantinha os mesmos números do Ibope). Para aproximá-los, só, novamente, ficando no limite e além da margem de erro – com o agravante de que se via apenas uma disputa pelo segundo lugar, em um segundo turno que ainda soava hipotético.

Houve até blogueiro progressista afirmando que o Datafolha, que sempre chutou os votos tucanos violentamente para baixo, tinha ficado “sozinho com Serra” (sic). Diga-se apenas: no que os institutos mais concordaram foi no erro: a disputa Serra-Haddad era a hipótese “improvável”, com Russomanno dando uma sova a la Anderson Silva em cada oponente.

Há, claro, um fenômeno auferível: um personagem criado por um marqueteiro como Russomanno, sem nenhuma experiência executiva e tirado às pressas da cartola como um novo feiticeiro tende a crescer entre a faixa do eleitorado que desconhece os meandros obscuros da política. Era difícil ver quem, com baixa escolaridade, conhecia o passado malufista de Russomanno (ou mesmo o presente de Haddad), e os debates, com audiências de 2 pontos percentuais, eram só vistos justamente por aqueles que não mudariam sua posição, por já terem convicções políticas bem mais sólidas.

Num segundo momento, vendo que ignorar a “estrela ascendente” está gerando um monstro, finalmente trata-se de atacá-lo. Como alvo frágil, não despende muito esforço jogá-lo de volta no seu devido lugar, expondo seus defeitos à população. É uma curva óbvia que muitas celebridades, de apresentadores de TV a pagodeiros, já enfrentaram nas urnas, ainda mais no Executivo (cargo único por excelência).

Todavia, com uma população que “faltou” em massa às urnas e estava tão pouco interessada em debates, será que apenas os ataques e discussões de idéias em debates, na imprensa e no horário político são suficientes para explicar a “mudança” tão drástica da cabeça de uma população, deixando seu novo salvador nas mãos da força da gravidade? Curiosamente, foram bem os eleitores “da velha dicotomia” que parecem ter sido esquecidos pelos institutos.

Claro que existe a hipótese de terem errado apenas por ouvirem demais eleitores da “nova força”, que depois migrou novamente para o malufismo do século XXI. Apenas erraram, com a coincidência de que sempre erram pro mesmo lado. Tudo se explica um pouquinho além da margem de erro, afinal.

Será que Lula votaria no Haddad?

Lula está fazendo a ensinança do povo sobre como votar. Existem alguns princípios morais kantianos no pensamento de Lula que não devem ser desprezados por pessoas mais instruídas na ética, na História e na ciência política.

Aqui Lula dá uma boa lição ao povo sobre o que fazer nas urnas. Fica a dúvida: será que Lula vai votar no Haddad?

Dica do Eden Wiedemann no Twitter.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=3c-dYfc0pB0[/youtube]

Lembrando que as únicas coisas “certas” no voto haddadista são o Maluf e o desastre do Enem.

P. S.: Procurar por “Lula Haddad” no Google rende de cara imagens impagáveis. Não percam.

Haddad e Lula com Maluf: um passeio pelo freakshow

por Flavio Morgenstern

Paulo Maluf (PP-SP) consolidou hoje seu apoio a Fernando Haddad (PT-SP) na disputa pela prefeitura de São Paulo.

É difícil ser mais chocante do que essa frase. Mas, na dúvida, dá pra dar uma olhada pelas notícias e aumentar o grau de esquisitice. Vejamos. Na Folha, lê-se: Maluf afirma que fez aliança com PT por ‘amor a São Paulo’:

“É o nosso candidato porque eu amo São Paulo. E por amor a São Paulo eu tenho plena convicção de que São Paulo vai precisar do governo federal para resolver seus problemas.”

Estranho, se o próprio Haddad afirma que São Paulo é que dá dinheiro ao governo federal e a bufunfa não volta. Mas Maluf fala em “amor”. Amor, cara? Como já afirmou o Gravataí, Amor não é aquilo que te dá 1 minuto pra fazer propaganda. O nome disso é Paulo Maluf. Amor é outra coisa.

A quizumba é reprise. Em 2004, Maluf também apoiou a petista Marta Suplicy no segundo turno contra José Serra, um inimigo muito mais poderoso – por ter bala na agulha para criticar os gastos heterodoxos de ambos os ex-prefeitos. O discurso malufista, por sinal, não mudou muito do que dizia em 2004: “Só o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva podem salvar São Paulo, que é uma cidade quebrada”. Quebrada é uma cidade de onde o dinheiro sai e para onde não volta, correto?

A vice de Haddad na chapa é a antiga companheira ex-prefeita ex-petista (ex?)-socialista Luiza Erundina (PSB-SP). Haddad é o candidato cujo Lattes, como mostramos aqui, apresenta sua tese de mestrado em Economia sobre “o caráter socio-econômico do sistema soviético” um ano antes do regime comunista desmoronar de vez (ok, desmoronar oficialmente, já que com uma contabilidade que ultrapassa os 150 milhões de cadáveres é difícil não dizer que já tinha nascido no esgoto). Haddad aliado com Luiza Erundina era uma espécie de ala bolchevique do PT: aqueles tão radicais que nunca são maioria, mas adoram dizer que representam as massas desfavorecidas. Era a ala da vemelhidão absoluta petista – com polissemia inclusa.

Se o Haddad não for um bom prefeito…

Todavia, Erundina – mais, digamos, vermelha que Haddad – não curtiu muito a aproximação com Paulo Maluf e teceu duras críticas. Haddad diz que entendeu (na Folha):

“Compreendo as declarações, porque se você retornar a um período de 20, 24 anos atrás, era um contexto em que as coisas se comportavam de maneira diferente. Hoje, temos um projeto político no país, que está dando certo num terceiro mandato [dois de Lula e um de Dilma] e que, inclusive, conta com o apoio do Partido Progressista.”

Tudo depende do contexto. Maluf tem fama de corrupto, de conservador, de filhote da ditadura? Bom, era um contexto. Coisas a se aprender lendo Foucault e Derrida. Lá, “as coisas se comportavam de maneira diferente”. Hoje, que já revogamos as leis de Newton e o conceito de certo e errado, de verdade e mentira e de quem é que rouba e quem é que é ético no país, as coisas se invertem: segundo Haddad, “Divergência é natural na politica, mas também é natural buscar convergência.” É uma lição clara a Erundina: não estamos em uma disputa ideológica, e sim separando quem é que curte uma mamata estatal e quem é que prefere essas coisas esquisitas de esforço próprio e responsabilidade fiscal. O mundo é jovem.

Maluf faz cafunézão em Haddad

Claro, Haddad teve de se explicar não para seus críticos, mas para seus aliados: “Vamos analisar isso com o tempo, de acordo com as necessidades, sempre para fortalecer o projeto político”. Projeto político. Qual é esse tal “projeto político”? Ganhar eleições parece uma parte clara da patacoada: Maluf garante mais de 1 minuto a mais no horário político (uma nova espécie de beijo por 30 dinheiros), e isso torna Haddad o candidato com mais tempo aparecendo na TV (e ainda tem o apoio de Lula, embora, como vimos por aqui, não parece estar adiantando muito). O que mais é um projeto político de Haddad, que seja fortalecido com Paulo Maluf? Vamos esperar o tempo explicar quais são as tais necessidades que a Natureza lhe impõe.

E Haddad foi mais além: “Não gosto da política de fulanizar o debate, não gosto quando você estigmatiza. Especialmente quando se precisa construir um projeto de superação, como no caso de São Paulo”. Ou seja, não é porque Maluf é o Maluf que ele está com Maluf. Por que insistem em “fulanizar o debate”? Vamos pensar, assim, que não há indivíduos – apenas o coletivo! Maluf é um trabalhador igual a qualquer outro. E precisamos superar. Um verbo de significado ainda menos claro. Entretanto, se Haddad refere-se a si próprio, ninguém tem dúvida de que o PT se superou como não fazia desde que veio à tona o escândalo do mensalão.

Isso gerou um desconverseiro no mínimo engraçado na nossa querida blogosfera progressista (#blogprog > programa de comédia com Rafinha Bastos). Por exemplo, entre os comentários dos leitores publicados no blog do Luis Nassif, lemos o seguinte arrazoado:

“‘Ao fechar acordo com Paulo maluf, o presidente Lula demonstra publicamente que é um homem sem rancor e que colcoa o interesse de São Paulo acima de divergências do passado. maluf pode ter apoiado a ditadura, mas foi um grande prefeito, realizou obras sociais de peso como o Projeto Cingapura e o Leve Leite e tem muito a contribuir para a campanha de Haddad.

Parabéns, presidente Lula.

Seja bem vindo, Companheiro Paulo Maluf’

O PIG ladra e a caravana passa.

Lula: um homem sem rancor. E que tal o “Seja bem-vindo, Companheiro (com C maiúsculo) Maluf”? Taí a grande verdade. Haddad com Maluf é um kit gay com Leve Leite. É um kit gay com minhocão. Finalmente deu pra entender por que preferiram Haddad a Marta: já pensou se fosse um minhocão estupra-mas-não-mata com relaxa-e-goza?!

 Keep calm and estupra mas não mata

A verdade é que a jogada do PT paulistano foi uma estranha situação de ganha-ganha invertido. Marta é um nome conhecido (o que geralmente significa força), mas extremamente malquisto em São Paulo (o que explica o “geralmente”). Haddad é um nome só conhecido das pessoas que acompanham política em jornais (e mesmo no estado mais populoso e rico, isso não significa lá grandes coisa), e conhecido praticamente apenas por escândalos como o ENEM e o kit gay do que por qualquer coisa que preste. Como as chances do petista parecem insonsas perto de José Serra – até há pouco, Haddad patinava nos 3%, enquanto Levy Fidelix tinha 1%: com a margem de erro, o petista estava tecnicamente empatado com o cara do aerotrem – faz sentido que o PT… bem, não tenha um candidato tão forte, para não significar de vez que mesmo os nomes fortes petistas estão condenados ao ostracismo na maior cidade do hemisfério.

Assim, se Haddad perder, não significa que o PT perdeu – significa que aquele ministro desastrado auto-ejetado do cargo perdeu. Se Marta perder para Serra, o significado político já é bem outro. Nesse jogo de xadrez, perder com um candidato fraco significa perder menos. Perder com Maluf significa que Maluf atrapalhou o PT e Haddad – não que o PT e Haddad é que são letras mortas em São Paulo. Pra melhorar ainda mais, foi-se o tempo em que o PT é que poderia se arrogar ter um discurso de ética e contas limpas: se a sova for grande, novamente não será o PT e nem Haddad quem levarão a culpa por falta de ética e gastos pouco republicanas.

Não obstante, o PT, que não tem boas lembranças de Erundina como ex-quadro, talvez esperasse tratar a ex-prefeita como um nome obediente e dócil aos mandos petistas. Todos sabem que Erundina (se estivesse morta) rolaria no caixão. Como está viva, esperaram que ela rolasse. E sentasse. E desse a patinha.

Não foi o que aconteceu. Em entrevista à Veja, Erundina disse que “não aceita aliança com Maluf” e que está “revendo” sua posição como vice, já que seu PSB tem “outros nomes” para compor chapa com Haddad (também não conheço nenhum):

Ontem à noite, ela teve uma longa conversa com Haddad e segundo a deputada, o pré-candidato garantiu que aliança com o PP não estava fechada. “Ele praticamente desconversou”. Ela disse ter mostrado a Haddad sua preocupação com a coligação com Maluf.

Pra não dizer que a semana começou sem graça, ao menos o desfile de fotos de Maluf com Haddad, selando apoio na casa do pepista (sic) e com a presença de Lula (ou algo funciona no PT sem o Carismão da Galera?) garantiu as risadas da segunda-feira, e meteu Haddad e Lula sempre colados a Maluf nos Trending Topics. Nossa escolha para melhor do dia fica por conta da foto de @drispaca, com curiosa edição com requintes de crueldade por @fezes:

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Nunca em sua vida sentiu saudade do Quércia. Até hoje. No Twitter, @flaviomorgen