Cada vez mais cotado para 2018, Doria adota postura crítica a Aécio e fala em privatizações

Embora oficialmente negue ser candidato à Presidência da República em 2018, João Doria tem adotado posturas que iriam em sentido contrário. E duas delas, mais contundentes, aconteceram no espaço de poucos dias. Vejamos.

Aécio

Hoje, o blog a jornalista Andréia Sadi, da Globonews, registrou a seguinte fala do prefeito de São Paulo:

“Eu tenho respeito pelo senador Aécio Neves, mas entendo que neste momento o mais adequado para ele é se afastar da presidência do PSDB para prosseguir na sua defesa com toda a legitimidade. Ele tem o direito de se defender e tenho certeza de que o fará muito bem (…) não pode seguir na interinidade ou em uma circunstância onde o presidente tem que responder pela Lava-Jato e ao mesmo tempo pelo PSDB (…) Eu não considero isso compatível (…) é hora de Aécio Neves afastar-se, fazer a sua defesa e permitir que o PSDB siga a sua rota, o seu caminho”.

O trecho final, de “seguir sua rota” é suficientemente claro.

Privatizações

Na sexta-feira, Doria participou do “E agora, Brasil?”, evento organizado pelo jornal O Globo, e lá disse o seguinte, conforme relata O Antagonista:

“Por que precisa ter a Caixa e o Banco do Brasil? Basta uma instituição. Elas competem entre si, até razoavelmente bem, mas não há necessidade. É um custo enorme para o Estado ter duas instituições financeiras. Faça uma, competente, eficiente”

Bolsa-Família

Mesmo acerca daquele considerado o tema mais delicado de todos, ele cravou – agora, segundo o próprio jornal O Globo:

“Não sou a favor de bolsas. Não podemos acabar com elas, mas não devemos estimulá-las. Você não pode ficar eternamente dando Bolsa Família e alimentando as pessoas dessa forma. Acho que não é o caso de tomar atitudes drásticas e simplesmente acabar, mas migrar essas pessoas para oportunidades do emprego (…) Sou um grande incentivador do capital. O capital gera emprego, oportunidades e atividade empreendedora (…) A vocação dos brasileiros é muito para a atividade empreendedora. Nas periferias é onde está o maior sentimento de empreendedorismo — disse ele, destacando que, atualmente, é possível criar negócios até pelo celular”

Enfim

Ele pode negar, mas são falas e posições de alguém candidatíssimo. E, em que pese a atual hostilidade de todos os lados hoje também na parte mais à direita, são sim ideias para enfrentar o esquerdismo. E posições inimagináveis, em 2014 ou 2010, por parte de algum candidato com chances reais.

Gestão Doria: dinheiro das privatizações será investido em Saúde, Educação e Habitação

João Doria fez algo que muitos “especialistas” julgavam erradíssimo: defendeu privatizações na campanha eleitoral. E mesmo assim foi eleito no primeiro turno, comprovando que só mesmo esquerdista de universidade tem esse apego ideológico a empresas estatais.

Ainda assim, havia dúvidas sobre o destino do montante, que poderia ir ás “despesas de custeio”, ou seja, os gastos correntes da máquina pública.

Nada disso. Segundo Wilson Poit, Secretário de Desestatização da Prefeitura, o dinheiro irá para investimentos em Saúde, Educação e Habitação.

Melhor assim. Um estado mais eficiente, focando no que é fundamental.

Gilberto Kassab disse que, se os Correios não fizerem cortes de gastos, serão privatizados

Gilberto Kassab comanda o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações. Isso o permite falar em nome até mesmo dos Correios, estatal extremamente explorada durante a gestão Dilma, e hoje refém de um rombo bilionário. Cortes já foram feitos, agências estão sendo fechadas, mas o ministro explicou que medidas mais radicais precisam ser tomadas. Ou…

Ou a estatal fatalmente será privatizada. Confiram o que foi publicado na IstoÉ:

“Não há saída; é preciso fazer corte de gasto radical. O governo não tem recursos e não haverá injeção de recursos nos Correios. Todo o esforço deve ser feito para evitar a privatização dos Correios ou de partes dele. Eu reconheço os cortes de despesas que já foram feitos, mas é preciso cortar mais. Caso contrário, a empresa vai rumar para a privatização.”

O Implicante, que adora conta pública em dia, torce para que o dinheiro público seja melhor aplicado. Se de fato isso implicar em privatização dos Correios, que seja. Será menos uma estatal para a classe política brasileira destruir.

O que Doria fez em Dubai? Buscou investidores para mais de 50 espaços públicos de São Paulo

Para usar uma expressão já difundida no jornalismo nacional, João Doria está correndo uma maratona em ritmo de cem metros rasos. E há quem ache isso ruim. Mas a verdade é que o paulistano piscou o olho e o prefeito apareceu pilotando um veículo no autódromo de Abu Dhabi. Divertindo-se? Longe disso. Estudando o modelo de gestão privada que dá muito certo no Emirados Árabes. E buscando investidores interessados em fazer o mesmo na pista de Interlagos, em São Paulo.

O programa de privatizações aparece no vídeo mais acima detalhado em inglês. Mas atinge 55 estruturas da capital ainda sob os cuidados do poder público. A ideia é encontrar parceiros na iniciativa privada, de modo a entregar resultados melhores à população, e desafogar a prefeitura, revertendo a verba levantada com a parceria para saúde e educação.

Olhando assim, não dá para torcer contra. Que a iniciativa seja um sucesso. Mas isso implica em ser transparente, responsável e bem negociada. A opinião pública segue de olho. Como tem que seguir.

Grazziotin: criticou a gestão privada de presídios, recebeu doações de empresas que os gerem

O brasileiro deve lembrar de Vanessa Grazziotin pois ela foi uma das mais ferrenhas defensoras de Dilma Rousseff no julgamento do impeachment. Pois bem. A senadora é do PCdoB, partido que ainda insiste nos argumentos mais arcaicos do esquerdismo brasileiro. E aproveitou a recente crise do sistema carcerário brasileiro para atacar o modelo de privatização de presídio explorado no Norte.

O problema? Quatro empresas ligadas ao grupo que administra presídios na região foram os maiores doadores na campanha em que Vanessa tentou se tornar prefeita de Manaus, em 2012. Ao todo, foram R$ 2,9 milhões em doações, ou 20% dos R$ 13,4 milhões recebidos.

O Globo cita quatro empresas, todas ligadas a Luiz Gastão Bittecourt, presidente da Fecomércio cearense: Auxílio, RH Multi Service, Serviarm e Serval. O Antagonista é categórico ao dizer que a grana vem do grupo Umanizzare, responsável pela gestão do presídio onde se deu a maior das chacinas no Amazonas.

Em artigo para a Folha, Vanessa disse: “No Amazonas, há ineficiência da empresa privada que opera os presídios. Há sobrepreço do contrato (triplo da média nacional), que já consumiu, de 2010 a 2016, R$ 1,1 bilhão do dinheiro público, parte dos quais irrigaram campanhas do governador e seus aliados.

Ela não sabia a origem de 20% da grana que irrigou a campanha dela?

A Folha e os parques públicos antes e depois da eleição de João Doria em São Paulo

Em 2014, a Folha de S.Paulo publicou uma matéria na qual era feita a defesa da privatização dos parques públicos da cidade. Como bom exemplo, era dado o Central Park, de Nova York, com direito a aspas para Elizabeth Barlow. Nelas, a fundadora da Central Park Conservancy enumerava as vantagens de se deixar a gestão de espaços do tipo nas mãos da iniciativa privada. O texto como um todo mostrava que essa atitude levara toda aquela área verde da insegurança da década de 1970 a ponto turístico conhecido mundialmente anos depois.

Agora, em 2016, a Folha publicou outra matéria, desta vez cheia de ponderações feitas por especialistas.  O texto fala em “a ameaça de elitização ou degradação dos espaços diante da exploração de atividades por empresas“. Diz-se que não seria certo entregar completamente o controle do parque à iniciativa privada e, curiosamente, o Central Park novamente é usado como exemplo para defender o argumento.

Uma semana antes da segunda matéria, o PT levou uma surra do PSDB nas urnas. E João Doria, o candidato tucano, foi eleito em primeiro turno defendendo ideias como a do primeiro parágrafo.

Em 2014, matéria da Folha defendia a gestão privada de parques públicos proposta por Doria

João Doria Júnior

O novo prefeito de São Paulo quer entregar a gestão dos parques municipais à iniciativa privada. João Doria não teme críticas e adianta que mesmo os principais devem ser alvo da nova política, como o Ibirapuera, o da Aclimação e o do Carmo. O acesso aos ambientes, claro, continuará gratuito. Em contrapartida, o concessionário poderá explorar a venda de alimentos e realização de eventos de pequeno porte, entre outros benefícios.

Antes que os petistas comecem a reclamar, cabe destacar que o mais badalado dos parques urbanos do mundo funciona hoje por intermédio de uma parceria público-privada. O Central Park, de Nova York, passou por graves problemas de segurança nos anos 1970. Foi quando a prefeitura iniciou o programa de revitalização bancado pelo iniciativa privada. E hoje ele é destino de turistas de todo o mundo.

Uma matéria de 2014 na Folha de S.Paulo defende o modelo de parceria. O Implicante toma a liberdade de relembrar um trecho:

A parceria entre os setores público e privado é essencial para a gestão de parques públicos, afirmou Elizabeth Barlow, fundadora e ex-presidente da Central Park Conservancy, organização sem fins lucrativos que revitalizou o Central Park, em Nova York. (…)

‘Você já ouviu falar na palavra burocracia?’, diz Rogers em resposta a uma pergunta sobre a capacidade de um governo de gerir sozinho um parque público.

Para ela, não é impossível que o poder público possa, em tese, cuidar de um parque sozinho, mas parcerias permitem que o trabalho seja feito de maneira menos engessada e mais eficiente.”

Em Nova York, o financiamento do projeto se deu por intermédio de doações. Mas há toda uma cultura filantrópica nos Estados Unidos que ainda engatinha no Brasil. Somada à recessão herdada do governo Dilma, esperar que brasileiros se desfaçam de suas economias neste momento não parece a melhor das alternativas. Portanto, soa razoável que Doria ofereça como contrapartida alguma fonte de receita a quem assumir a gestão.

O Implicante é fã do enxugamento da máquina pública. Terceirizar a gestão de espaços de lazer para focar-se em outras iniciativas mais urgentes, como saúde e educação, parece um ótimo começo.

Delcídio diz que Lula se reelegeu atacando privatizações para seguir saqueando a Petrobras

A Lava Jato colhe depoimentos cada vez mais fulminantes contra Lula. Ao afirmar que Lula criou o Petrolão para evitar um processo de impeachment em decorrência do Mensalão, Delcídio do Amaral explicou que a estratégia passava por uma blindagem até mesmo ideológica da Petrobras. Afinal, ela viraria o centro do financiamento do petismo na Presidência, fosse bancando campanhas do próprio partido, fosse comprando o apoio da base governista.

Para isso, a marca foi colocada no centro das atenções. E Delcídio lembra que Lula bancou campanhas em torno da estatal. Nessa época, já cantavam os benefícios do pré-sal, espalhava-se a mentira da autossuficiência em petróleo ou e reverberava-se o bordão “o petróleo é nosso”.

Um aspecto, contudo, precisa ser destacado: no segundo turno da campanha de 2006, o petismo trabalhou todo um terrorismo envolvendo a privatização da companhia, algo jamais sequer cogitado pelos opositores. Segundo o ex-senador pelo PT, o ataque às privatizações se fez necessário para o Petrolão seguir adiante:

“Às vezes vejo o presidente dizer não sei de nada, nunca estive com o diretor B ou C. Se olhar a campanha de 2006 para presidente, a discussão foi estatização ou privatização da Petrobras, pré-sal. Todos discutiram.”

Quando se trata do PT, nada é por acaso.

Como se ainda vivesse no passado, Jandira Feghali declara ao TSE linha telefônica como bem

Na década de 1980, quando as empresas telefônicas eram completamente controlados pelo governo, o brasileiro penava para conseguir uma linha telefônica. Tanto que, após meses ou anos na fila para ter direito a uma, declarava a conquista como um bem a ser repassado às futuras gerações. Mas, para máxima indignação da esquerda, que sempre foi contrária à diminuição do Estado, as privatizações da década seguinte modernizaram o setor e hoje telefone fixo chega a ser dado de brinde para outros serviços contratados pelo consumidor.

Contudo, Jandira Feghali, candidata à prefeita do Rio de Janeiro, parece viver em outra época. Na lista de bens declarados ao TSE, consta duas linhas telefônicas da Telemar, uma delas cujo valor não passa dos R$ 70,00.

jandira-feghali

Não há nada de errado em declarar uma linha telefônica. Mas não deixa de ser engraçado, uma vez que Jandira está à frente de um partido que até hoje defende um modelo que há três décadas se provou desastroso.

O governo Temer pretende privatizar a gestão dos presídios públicos

Uma das coisas que mais indigna o cidadão brasileiro é o volume de recursos públicos gastos numa sistema carcerário grotesco e inseguro. Concordando com essa indignação, o governo Temer quer lançar um programa de privatizações que entregará a gestão de presídios públicos para a iniciativa privada. Com isso, espera-se que os “direitos humanos” do presidiário não só sejam respeitados, como o país passe a ter carceragens mais seguras.

Contudo, é preciso ver antes que tipo de modelo será explorado, se a iniciativa privada apenas receberá recursos do Estado ou gerará algum lucro colocando alguns de seus detidos para trabalhar em troca da redução de suas penas.

A ideia deve ser atacada pela oposição com base numa recente decisão do governo americano, que voltou atrás e quer re-estatizar seus presídios. Mas é um cenário a se estudar com calma. A medida foi tomada por lá justamente contra a superlotação, que hoje já não mais existe, permitindo ao país abrir mão de algumas celas. Ou seja… Cumpriu com uma função que interessa hoje ao Brasil.