Lula será mesmo preso? Já se fala em suas “boas relações” com o TRF do Distrito Federal

Em meio a um período bem turbulento, para dizer o mínimo, Lula enfrentou recentemente uma denúncia formal pelo MPF. A acusação é taxativa e avassaladora: TENTATIVA DE OBSTRUÇÃO DA OPERAÇÃO LAVA JATO.

Então, ele será preso? Não é bem assim. Primeiro, o óbvio: há todo um processo l egal, as partes são ouvidas, as provas são colhidas, tudo é analisado. Ponto.

Daí, entram os recursos. E é nesse momento que uma porca começou a torcer o rabo, ao menos na imprensa.

Lula - Reu

Informa o colunista Lauro Jardim – e, goste-se ou não, é dos mais bem informados do país – que Lula possui “excelentes relações” com o TRF da 1ª Região (que julga os recursos provenientes de, entre outras, também as varas federais de Brasília). O colunista ainda acrescenta que tal estimativa poderia ser “furada”.

Nós concordamos. É obviamente equivocado apostar em uma prisão antes da hora, antes das partes serem ouvidas, antes mesmo do julgamento. E é igualmente estapafúrdio dizer que ela não ocorreria por eventuais boas relações do réu com os julgadores de segunda instância.

E, ainda que fosse verdade, o que se admite apenas a título de argumentação, alegar isso em público fulmina toda e qualquer chance.

No fim, foram bater bumbo para contar vantagem e só atrapalharam ainda mais as coisas.

Juiz rejeita processo de Instituto Lula contra Gentili

A informação é do sempre ótimo O Antagonista. A seguir, trechos da decisão judicial:

“Não é possível criminalizar-se, ou censurar-se, a piada. Só isso já basta, e na verdade impõe, a rejeição liminar do presente pedido de explicações pela evidente ilegitimidade ativa (…) no Tweeter de um comediante, como notoriamente é o requerido, ninguém, obviamente, iria levar tal informação a sério imaginando que ele tem informantes e está fazendo uma revelação importante (…) Nem se faz necessário, mais, observar que o Brasil vive um momento de patrulhamento sem precedentes, e que o Poder Judiciário deve estar atento a não se transformar, especialmente através de ações penais privadas, em forma de pressão e intimidação de poderosos contra quem deles diverge ou os incomoda.” (grifos nossos)

É preciso emoldurar os dizeres do juiz Carlos Eduardo Lora Franco. Vitória não apenas de Danilo Gentili, mas também de toda a democracia. Ainda não está tudo dominado, ainda bem.

Imprensa internacional repercute investigação contra Lula

size_590_ex-presidente-lulaA notícia de que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva estaria sendo investigado por suposto tráfico de influência internacional para favorecer a construtora Odebrecht com facilidades do BNDES repercutiu no mundo todo. Vejam uma lista de órgãos de imprensa que trataram do assunto:

Agência Reuters.

Agência Bloomberg.

Jornal The New York Times.

Blog no The Washington Post.

Blog no The Wall Street Journal.

Jornal El Pais.

Jornal El Economista (México).

Jornal La Nación (Argentina).

Site Spanish China.

Jornal Taipei Times (Taiwan).

Site Peru 21.

Site Correo del Caroni (Colômbia).

 

Deputada Cidinha Campos ameaça bater em padre ao vivo

por Flavio Morgenstern

A deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ) mostrou essa semana seu comportamento estrambólico: apesar de se orgulhar de “nomear” um deputado por “canalha, vagabundo” e ironizar o blogueiro político Ricardo Gama, que sofreu um atentado recente, com frases como “Ele falava melhor porque não tinha tomado os 5 tiros ainda” ou que o blogueiro “toma três tiros na cabeça e não toma vergonha na cara” – frases proferidas do púlpito da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro – resolveu processá-lo por fazer o mesmo que ela faz.

Coroando o bolo cerejosamente, Cidinha avisou pelo Twitter que vai processar ainda o blogueiro Dâniel Fraga, por também fazer em vídeos no Youtube o mesmo que ela faz na Assembléia Legislativa e em cadeia nacional numa TV estatal. Porém, Cidinha foi bem além: antes de agir pelos meios legais, divulgou dados do blogueiro pelo Twitter. É uma atitude que ultrapassa um tanto as raias da civilidade: por que expor um desafeto a tantos riscos? Será que a imunidade parlamentar é “justificativa” suficiente? Por que uma pessoa investida do poder público tem tanta facilidade assim em encontrar dados pessoais de seus adversários?

Escavando um pouco a atuação de Cidinha Campos, vemos que a crítica que Dâniel Fraga faz – entre a desproporção do que um político pode fazer, e do que um cidadão pode fazer, se um político pode xingar em cadeia nacional e um cidadão não pode responder em um vídeo no Youtube – é válida não apenas para as últimas atuações de Cidinha.

Além de já ter saído de um programa por brigar com a copeira que fazia o café e ainda reclamar disso em sua carta de demissão, cenas flagrantes do desequilíbrio entre o que pode e o que não pode são constantes no modus operandi de Cidinha.

Em seu programa, também vemos Cidinha ameaçando bater num padre por este, num batizado, se perguntar se o traficante Nem tem alma, e também perguntar se Lula a tem. Não foi uma comparação, como Cidinha afirmou – ainda que sejam dois exemplos desnivelados. Cidinha se irritou – mas não seria de uma brizolista ortodoxa que se esperaria ver um chilique de tal magnitude na escala Richter: o deputado Brizola Neto, do mesmo PDT de Cidinha, hoje alçado a ministro, também publicou textos em seu blog com afirmações sobre o então candidato José Serra do porte de “é a mente de quem se entregou de corpo e alma, se é que este sujeito tem uma“. Como responder a isso?

A reação de Cidinha, no caso, foi Cidinha em estado puro:

“Comigo o negócio é mais embaixo, hein padre? Se me esculachar na missa, eu vou aí e cubro de porrada. Eu cubro de porrada mesmo, se ele é capaz de falar isso do Lula, imagina o que não é capaz de falar de mim. (…) Se me esculachar, vou aí, padre. Tô avisando.

Não queiram nem imaginar o que aconteceria se um neto de Brizola publicasse coisa parecida com o que o padre disse num blog oficial, ou mesmo os típicos despautérios de uma Cidinha Campos, e alguém em réplica se irritasse e afirmasse: “Se me esculachar, eu vou aí e te cubro de porrada” para qualquer um dos dois. A resposta é óbvia demais.

Vejam com seus próprios olhos:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=lfYhZYmJKXU[/youtube]

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Está na dúvida se é pior tomar processo ou umas porradas de Cidinha Campos. No Twitter, @flaviomorgen

Luis Nassif dá meia volta na campanha de difamação à Veja

por Flavio Morgenstern

Luis Nassif, como um dos líderes da blogosfera do dinheiro público, ou ao menos um dos que melhor sabem captar uma verbinha firmeza, é obviamente uma das vozes mais altissonantes contra a revista Veja. Aquela revista odiada por todos que ainda sonham com manchetes como “O capitalismo está ruindo, outro mundo mais estatal vem aí!”.

Nassif tem uma lógica muito peculiar. Digamos assim, alguns tiques de linguagem. Um deles é o truque de quase toda a turma progressista, do qual Nassif faz escola: uma frase com uma acusação genérica, como “a Veja faz parte de um conluio criminoso” para, na frase seguinte, quando qualquer regra lógica e retórica pediria alguma especificação e delimitação do crime, partir para algo como “vamos investigar, e aí vamos descobrir que há mesmo um conluio criminoso”.

É o que se vê em um artigo recente de seu blog, em que faz ilações genéricas sobre a revista rival, mas na hora de afirmar de fato algum erro pontual supostamente cometido por ela, prefere uma tergiversão, uma generalidade tão firme quanto gelatina em terrremoto. Assim, não é que a CPMI não provou nada de ruim sobre a Veja. É que a Veja é ruim mesmo sem nada de ruim provado contra ela. Vide parte de sua introdução:

“A CPMI fez bem em não convocar Policarpo Jr para depor. E a sessão de ontem deveria servir de lição para os próximos passos.

Nos últimos anos a perda de legitimidade da velha mídia – encabeçada pela Veja – se deveu à sua arrogância e absoluto desprezo pelas instituições e pelos preceitos legais. Foi isso que a levou à aliança com o crime organizado, à disseminação da intolerância, aos ataques desmedidos à reputação de quem atravessasse seu caminho. E são esses procedimentos que estão na raiz do profundo processo de descrédito que atinge a revista.”

A Veja já sofre um “profundo processo de descrédito” sobre os leitores de Luis Nassif, aquele blogueiro pénabundeado da Folha por sua empresa tentar arrancar uns trocados do governo de São Paulo, e que até hoje prefere processar a explicar como suas dívidas com o BNDES evaporaram. Aposto que não tem um jornalista da Folha que não ande precisando de Rivotril pra conseguir dormir à noite depois dessa. Há até uma justificativa curiosa:

“Só faltava, a esta altura do campeonato, atitudes que possam ser utilizadas para vitimizar a revista ou legitimar seu álibi de que defende o país contra manobras autoritárias da esquerda.”

Outro tique curioso de Nassif é um macete bem engraçadinho. Nassif faz suas acusações. Todos os seus leitores progressistas juram terem encontrado uma prova cabal de alguma denúncia, algum fato tangível e auferível. De repente, o andar da carruagem mostra que o denuncismo de Nassif deu com os burros n’água. É o momento ideal para Nassif aplicar um salto triplo ornamental twist carpado caindo de costas. Com a boca na botija, Nassif lembra do que ninguém lembraria sozinho: ora, não importa que ele estava errado, o que importa é que, se o que ele afirmou estivesse certo, ele estaria certo nesse momento! isso o torna quase certo. Isso mostra como, afinal, Nassif merece uma nota 9. Ele quase acertou na segunda tentativa. É o que ele diz:

“Por exemplo, há suspeitas fundadas de que a revista participava de um conluio criminoso com Carlinhos Cachoeira. Se há suspeitas, mesmo baseadas em indícios veementes, investigue-se antes.

Ouvidas as conversas, haverá um trabalho de relacioná-las com matérias da própria revista e com os ganhos diretos e indiretos das duas organizões: Cachoeira e Abril. Não há lógica em produzir um escândalo por dia, mas a necessidade de construir diligentemente todas as amarras que comprovem os procedimentos criminosos da revista.

Deve-se escutar, analisar e divulgar, sem pressa, sem arrogância. Se, de fato, mostrarem provas contundentes de envolvimento criminoso, que se convoque Policarpo e Roberto Civita. Mas sem colocar o carro antes dos bois. E por dois motivos: para impedir que o sentimento de vingança se sobreponha ao da justiça; e para ouvir Policarpo apenas quando se dispuser de elementos consistentes para um bom interrogatório.”

(grifos nossos)

Esses três parágrafos valeriam uma aula de retórica sozinhos. Primeiro, “há suspeitas fundadas”. Na frase seguinte, o indicativo vira condicional: “se há suspeitas…”. Para quem jurava há pouco que a Veja estava perdendo credibilidade, mudanças de modo verbal tão próximas são mesmo uma gracinha.

As suspeitas também são “fundadas”. Na frase seguinte, já há uma amainada. Fica meio hipotético: “mesmo baseadas em indícios veementes”… São tão veementes que ainda é preciso “construir as amarras que comprovem”; assim, “se, de fato, mostrarem provas contundentes de envolvimento criminoso”… Colocados os verbos lado a lado, os erros de concordância são tão flagrantes que dóem nos olhos. Na verdade, erros de construção de pensamento:

Existem provas, que na verdade se existem, deve-se investigar antes de se acusar, “sem arrogância” , para construir as amarras que comprovem se mostrarem provas contundentes quando se dispuser de elementos consistentes… ah, tudo começou com “a arrogância da velha mídia levou à [sua] ligação com o crime organizado”, quod erat demonstrandum. Melhor prova, impossível  É esse tipo de texto que a progressistada adora, usa como demonstração de crítica contundente, de pensar com a própria cabeça, como argumento para não acreditar nos jornalões e ser independente e racional.

É óbvio que não se deve falar com a cabeça quente, nem apelar á emoção desregulada dos que, por acreditarem no fim próximo do liberalismo, querem rifar os editores da Veja e jurar que defendem a liberdade de expressão ao mesmo tempo. Deve-se esperar investigações sérias e provas contundentes antes de afirmar qual será o veredicto, não é? Olhem só:

A CPMI deveria amainar o espírito de vingança e ensinar à própria Veja como utilizar técnicas de investigação correta e consistentes (sic), com direito ao contraditório e sem ceder ao clamor das ruas.

A punição de Veja ocorrerá seguindo todos os procedimentos legais e analisando-se seu papel com um senso de justiça que sempre faltou à ela própria. Baixe-se a fervura e que os parlamentares comportem-se com a dignidade que sempre faltou à revista.

(grifos nossos)

Não é um primor da independência e do correto encadeamento de causa e conseqüência em uma linha temporal e racional? Ainda mais com tantas provas consistentes, se é que são consistentes, se ficarem provadas que são provas, mas certamente a punição ocorrerá?

Ah, Nassif também escreveu uma carta aberta ao ministro Ayres Britto. Aquele mesmo que disse ser sua agenda mais importante do que atender a convite de encontro de blogueiro progressista de Paulo Henrique Amorim. O mesmo que sugeriu como frases suas, para um banner exposto no encontro, “A liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade” e “os excessos da liberdade se corrigem com mais liberdade“ (será mesmo que o encontro terá coragem de usar tais frases?).

Se alguém duvidou das razões que expomos, junto ao blog do Pannunzio, para PHA aproveitar um encontro com um ministro do STF e levar advogado a tiracolo (ou seja, tentar amenizar alguns dos freqüentes processos em que é réu), eis que Nassif deixa claro aos próprios leitores da blogosfera do dinheiro público. O primeiro parágrafo é outra pérola reluzente:

Ministro Ayres Brito,

Em que mundo o senhor vive? O senhor tem feito o jogo do jornalismo mais vergonhoso que já se praticou no país, usurpado os direitos de centenas de pessoas que buscavam na Justiça reparação contra os crimes de imprensa de que foram vítimas. E não para, não se informa, não aprende, não consegue pisar no mundo real, dos fatos.

No poder judiciário, o senhor tornou-se o principal responsável pelo aprofundamento inédito dos vícios jornalísticos. Sua falta de informação, sua atração pelo aplauso fácil, fez com que olhasse hipnotizado para os holofotes da mídia e (…) deixasse de cumprir seu dever constitucional de zelar pelos direitos individuais de centenas de vítimas de abusos da imprensa.

Centenas de pessoas sendo massacradas pelo jornalismo difamatório e o senhor ainda vem com essa história de defender a mídia das decisões de juízes de primeira instância.

Tomo meu caso.

(…)

Repito: o senhor é responsável direto pelo aumento do descalabro da mídia, os assassinatos de reputação que pegavam indistintamente culpados e inocentes, que arrasaram com a vida de centenas de pessoas. (…)

O senhor não entendeu que, ao contrário do que propaga, a mídia não precisa ser defendida do Judiciário; é o Judiciário que precisa ser defendido do mau jornalismo. (…)

O senhor deveria por um minuto sair de sua redoma, de seu mundo do faz-de-conta e passar o que passaram as vítimas desse jornalismo, testemunhar o abalo que esses ataques produziram em famílias, em mães, filhos, avós, entender por um minuto sequer o sentimento de indignação e impotência de ver direitos básicos sendo pisoteados a cada ataque difamatório sem que a Justiça se manifeste.”

(grifos nossos)

Motivo para Nassif começar um carta a um ministro do Supremo Tribunal Federal com um belo “Em que mundo o senhor vive?”? Ora, é que há “vítimas da imprensa” (uma nova categoria, depois das vítimas da ditadura), que essa imprensa “assassina reputações” (também tortura em seus porões, aposto) e famílias, mães, filhos e vovózinhas estão hoje chorando e vivendo na miséria por serem “vítimas do abuso de imprensa”. E, claro, Nassif ele próprio é uma dessas “centenas de vítimas”, e o Judiciário é que deve se proteger da imprensa má, porque imprensa livre nunca nos levará até o grau de civilização que os leitores de Nassif adorariam ver. Por isso, toma o próprio caso (mais ou menos como PHA) de sua maçante tentativa de processo novamente com os burros n’água contra a Veja – e mais uma vez provando por a+b que a+b não prova nada, afirma que se não estava certo, estaria se estivesse. Logo, estava quase lá. Se é que vocês entendem.

É um dado curioso. Temos testemunhos aqui neste mesmo site do que é ser, digamos, “vítima do excesso de imprensa” de Nassif. Afinal, os espiões do mesmo Nassif já divulgaram até o endereço de um de nossos escrevinhadores, que teve de atender interfone de alguns dos esbirros leitores do próprio Nassif. Isso, claro, antes de Nassif, novamente, perder na Justiça.

Será que Nassif irá discursar no Encontro dos Blogueiros do Dinheiro Público na frente de um banner escrito “Os excessos da liberdade se corrigem com mais liberdade – Ministro Carlos Ayres Britto”? Essa valerá uma foto muito curiosa.

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. É torturador assassino da imprensa, mas ainda não foi processado pelo Nassif. No Twitter, @flaviomorgen