“Não votei no Temer, votei num projeto!” – entenda por que isso é um truque bem mentiroso

É o óbvio mais do que ululante, mas a atual guerra de informação e de narrativas da política brasileira faz com que seja necessário explicar até as coisas óbvias e ululantes. Enfim, claro que quem votou em Dilma Rousseff também votou em Michel Temer. Até o nome e a carinha na urna eletrônica apareceram, para não dar margem a quaisquer dúvida.

Além disso, nossa democracia funciona assim. O vice é eleito justamente para o caso de o titular ser deposto (ou sair em viagem etc.). Já em 2014, também como é notório, a Lava Jato estava avançada e os problemas fiscais existiam. O eleitor com maturidade bastante para avaliar um “projeto” certamente sabia disso.

Mas a coisa é ainda pior. Simplesmente nunca se votou em projeto algum. Isso mesmo: NUNCA. É uma mentira absurda, contada na velha cara de pau, que não para em pé dois minutos quando confrontada com os fatos.

Então, vamos lá!

Não temos esse sistema

Simples assim. Não existe, no Brasil, o mecanismo de votar num projeto. Se assim fosse, aliás, seria muito mais fácil tirar Dilma Rousseff. Bastaria confrontar seus compromissos e programas para, em seguida, constatar que nenhum foi obedecido – ao contrário, a campanha foi um festival de cascatas. Vota-se no candidato e ele (independentemente do partido) apresenta um plano genérico, quase sempre sem qualquer efetividade prática.

Qual era o programa de Dilma?

Pois é. Qual era? Porque ela nem mesmo apresentou um PLANO DETALHADO (ainda que loroteiro), mas sim um conjunto genérico de medidas e compromissos (mudado na última hora por brigas com o próprio partido). Na época, justificou que “não precisava de um calhamaço”. Se alguém duvida, basta voltar às notícias de 2014 e conferir. Ah, sim: a seis dias do primeiro turno, nem o plano genericão tinha sido apresentado.

Mesmo os Pontos Genéricos…

Michel Temer não poderia ser acusado de “descumprir”. Senão, vejamos. Emprego, saúde, economia etc. Quem de fato está buscando cumprir o compromisso de campanha, mesmo genérico? E quem, já no primeiro ano após a reeleição, atropelou praticamente tudo que havia prometido? Quem DE FATO votou no programa deveria estar aplaudindo o impeachment!

Desse modo, temos o seguinte: a) não há esse sistema no Brasil, de escolher por um programa (podendo também tirar o administrador público que ele não cumprir); b) Dilma nem mesmo tinha um programa detalhado, só generalidades; c) ela não cumpriu nem mesmo com os apontamentos genéricos.

Quando algum petista vier com esse papo de “não votei no Temer, votei num programa”, já sabe, só mandar este post para ele. E aguardar o silêncio subsequente.

Dilma suspende plano de governo por causa de impasse com o PT

Da Folha de S.Paulo:

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A presidente-candidata Dilma Rousseff suspendeu a divulgação de seu programa de governo depois de um impasse com alas do PT que têm posições contrárias às do Palácio do Planalto. Em julho, Dilma apresentou um esboço do que seria seu programa de governo, e disse que as ideias seriam detalhadas ao longo da campanha, depois de debatidas entre os setores do PT. Porém, não houve consenso entre o Planalto e alguns dos grupos. Alguns temas já foram abordados, como igualdade racial, mulheres e juventude. A redução da jornada de trabalho, o fim do fator previdenciário e a regulamentação da terceirização são algumas das questões polêmicas.

Recordar é viver: em 2010, Dilma havia subscrito o programa de governo, mas negou, mesmo tendo sua assinatura

Do Globo:

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Nesta sexta-feira Dilma Rousseff tentou explicar a substituição de seu programa de governo no Tribunal Superior Eleitoral. A candidata afirmou que não leu o documento, e disse que não o assinou, apenas rubricou as páginas. Confira a explicação confusa da presidente:

[quote]”Até o dia do registro quem coordena a pré-campanha é o partido, quem produz o documento não é a assessoria da candidata. Então, pegaram, fizeram toda a doumentação e me enviaram, e falaram: ‘está tudo pronto conforme o acertado, e é para rubricar todas as páginas. Não assinei documento nenhum, porque não tem documento a ser assinado, eu rubriquei páginas. Não olhei porque achei que era aquele programa. Não achei que iam colocar um outro programa, o de fevereiro. Foi um erro. Os erros como qualquer erro humano são bem banais, não são arquitetados.”[/quote]

PT irrita comunidade gay ao falar em “opção sexual”

Matéria do A Tarde:

enhanced-buzz-16551-1394747295-12Dilma Rousseff, presidente e candidata à reeleição, protocolou o texto de seu programa de governo no Tribunal Superior Eleitoral e já deixou a comunidade gay descontente. Na página 20 do documento, que trata da questão dos direitos humanos, aparece a expressão “opção sexual” ao se referir a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. A expressão que deveria ser usada era “orientação sexual”. De acordo com o movimento LGBT, falar “opção” implica a possibilidade de alguém escolher ser homossexual ou não, e é usado frequentemente por fundamentalistas religiosos.