Com a Operação Lava Jato, o PT teve a maior perda de filiados de toda a sua história

06/07/2017- Brasília- DF, Brasil- Presidente, Gleisi Hoffmann, durante primeira reunião do novo Diretório Nacional do PT. reunião. Presidente Lula.

Os dados da “Pulso Brasil”, do instituto Ipsos, não só desenharam o apoio maciço – por volta de 96% – à continuidade da Lava Jato, antevendo que, em 2018, quem atacar a operação terá dificuldades fora do comum. Ela também serviu de alerta para o estrago que a operação fez naquele que comandou o país por 13 anos seguidos.

Na ocasião, O Globo complementou a informação com um dado em sentido similar: em decorrência da mesma Lava Jato, o PT perdera quase 7.500 filiados, a maior queda de toda a história do partido.

Se servir de consolo aos petistas, outras siglas poderosas, como PMDB e PSDB, ainda que por margem menor, também foram impactadas pelo noticiário.

Tal fato se soma à tese de que a velha política estaria saturada – valendo atrelá-la ao eventual crescimento de legendas novas ou dissociadas dos chamados “grandes partidos”.

Governo Temer aposta em racha tucano – e já teria dois grandes aliados no próprio PSDB

O PSDB se encontra numa verdadeira sinuca de bico: de um lado, o apoio ainda oficial a Temer e às Reformas; de outro, a reprovação popular do governo e as aspirações tucanas para 2018. Uma conta que talvez não feche.

Nesse sentido, segundo informa o portal Poder 360, o governo não apenas daria como certo o desembarque peessedebista como, para além disso, já prepararia um “racha” no partido. Para tanto, teria dois grandes aliados no ninho tucano: o Ministro Antonio Imbasahy (PSDB/BA, Secretaria de Governo) e o líder da legenda no senado, Paulo Bauer (PSDB/SC).

Resta saber o ‘poder de influência’ dos dois aliados, embora a maior parte decorrente disso venha do próprio governo.

Michel Temer avisa aos tucanos: se deixarem o governo, PMDB se aproximará do PT

Em primeiro lugar, a análise faz sentido. De fato, pelas probabilidades todas, uma ruptura PSDB-PMDB muito provavelmente levará estes últimos a reatar com petistas do que os tucanos aliarem-se aos arqui-rivais. Isso porque há todo um histórico recente e também algumas convergências pontuais.

Claro, a declaração de Michel Temer, dada em reuniões com os então aliados, pode ser apenas ameaça, o que chamam de “trucada”.

Resta saber se os tucanos pagarão para ver.

Um “golpe” bem esquisito: diretório do PT apoia tucano para presidência da Assembleia de SP

Importante deixar claro logo de início: não se trata de apoio isolado de um ou outro petista, eventualmente às turras com aliados do partido. Nada! A decisão é DO DIRETÓRIO ESTADUAL, e aprovada por expressiva maioria: 42 a 8 votos.

Com isso, a narrativa do “golpe”, que já era tratada como algo ridículo, agora passa a ser anedota de salão.

Mas os militantes, não duvidem!, continuarão empregando. Porque eles não ligam para detalhes como fatos na hora de prosseguir com suas fantasias.

A realidade, porém, é essa: a grandíssima maioria do diretório do PT em São Paulo aprovou o apoio ao deputado estadual Cauê Macris, do PSDB, para a Presidência da Assembleia Legislativa.

No fim, o pragmatismo sempre vence.

Lava Jato: delações da Odebrecht colocam narrativas de PT e PSDB em “sinuca de bico”

Nas bolhas de pós-verdade, em que mais importa a “vontade do fato” do que o fato em si, pode ser que as narrativas de tucanos e petistas sigam vivas, mas é pouco provável que subsistam entre as demais pessoas. É a verdadeira “sinuca de bico”.

Isso porque os militantes do PT, até a presente data, consideram delações premiadas um instrumento equivocado (ainda que a lei que as regulamenta tenha sido sancionada por Dilma Rousseff, que tratou do fato em campanha), que perpetra injustiças, sempre citando como exemplo justamente a Operação Lava Jato.

Porém, para atacarem os tucanos, precisarão considerar tais delações como válidas e, automaticamente, também seriam válidas contra o próprio PT.

Já os do PSDB não vivem situação muito mais fácil, pois (quase) até agora endossaram e aplaudiram toda a Lava Jato. Não faz nem sentido de uma hora para outra simplesmente dizer que não é bem assim. Com isso, terão trabalho para refutar a validade das delações na hipótese de incluírem integrantes do partido, sobretudo da cúpula.

Eis um impasse lógico que, como dito, talvez não ache problema nas bolhas de militância, mas a coisa será complicada fora dessas esferas.

Os tucanos parecem realmente empenhados em perder de novo as eleições nacionais

Uma das troças que a ala mais à direita faz com os tucanos é chamá-los de “PT que usa guardanapo”, entre outras alusões nada louváveis (a nenhuma das partes, diga-se). Pois muitas vezes a vida imita a arte, ou melhor, os fatos imitam as piadas.

É inegável que o PSDB tem-se esforçado sobremodo para perder as eleições de 2018. É um emprenho sobre-humano.

A sigla é a maior entre aquelas que se opõem ao PT, de modo que um candidato do PSDB seria o natural adversário de Lula num primeiro momento. Isso, claro, se o líder petista reunir as condições bastantes para concorrer (não é preciso dizer quais; e aquelas que ele podem não estar válidas em 2018).

E o que fazem os tucanos? Dão início a uma verdadeira GUERRA interna, com uma agressividade que muitas vezes não se vê nem entre “inimigos”. Para dizer o mínimo, é patético.

Soma-se a isso todo o desenho das tendências, tudo fica ainda mais bizarro.

Qualquer estratégia com possibilidade de êxito vai no sentido de que o candidato anti-esquerda deverá ser PRÓ-DIREITA, defendendo bandeiras caras aos conservadores e liberais. Em vez de estimular esse tipo de debate internamente, aguardando que mais adiante os eventuais líderes despontados se resolvam de forma menos agressiva, o partido prefere a “luta franca” com “trocação” de bordoadas.

Se continuar assim, vai perder. De novo.

Com rejeição recorde de Temer, o PSDB pode colaborar com o governo sem medo de 2018

O Datafolha não conseguiu na véspera antever o resultado da eleição para prefeito de São Paulo, conseguirá antecipar em dois anos o vencedor da eleição presidencial de 2018? Dificilmente. Mas há algumas informações relevantes no levantamento. E elas não são nada boas para Michel Temer, ainda que possam ajudar o governo dele.

Porque a rejeição do presidente da República disparou. Antes empatado com Aécio Neves na casa dos 30%, agora supera Lula nos 45%, próximo do limite que marketeiros costumam assumir como inelegível – mas que Donald Trump mostrou ser possível trabalhá-lo.

Isso comprova que esgotou-se o prazo dado pelo brasileiro para que Temer mostrasse resultado. Ele até veio, com o controle da inflação, o que já é um primeiro passo. Mas o mau comportamento em Brasília acabou com o que havia da paciência. E praticamente excluiu o peemedebista dessa disputa.

E como isso pode ser bom ao governo dele? Pode tranquilizar o PSDB, um partido sempre interessado em voltar a presidir o Brasil, e que via em Temer um risco considerável de reeleição, ou ainda de feitura de um sucessor.

Isso parece cada vez mais distante. Desta forma, a situação pode se unir e atingir mais firmemente os resultados tão almejados.

A conferir.

Quase 3 anos após o “Volta, Lula”, surge o “Volta, FHC”

No primeiro semestre de 2014, quase um ano após os protestos do inverno de 2013, várias notas surgiram na imprensa falando de um “Movimento Volta, Lula”. Recentemente, Marcelo Odebrecht entregou à operação Lava Jato que a iniciativa contou com doações milionárias dele, ainda que não tenha detalhado para onde tanta grana foi.

Agora, quando a poeira política parece finalmente querer sentar, surge na imprensa um “Volta, FHC“. Trata-se de uma coluna assinada por Xico Graziano, ex-deputado federal e chefe de gabinete de… Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente.

Com esse, já é o terceiro levante da ideia. O primeiro surgiu no Antagonista, escancarando o plano como uma vontade tucana de voltar a presidir o Brasil. O segundo, em nota publicada num jornal de grande circulação. No resumo da estratégia, uma volta de FHC ao poder por intermédio de uma eleição indireta a ser realizada quando a chapa Dilma/Temer for cassada.

Os personagens envolvidos até aqui geram alguma desconfiança: em duas das três situações, o veículo foi a Folha de S.Paulo. A segunda nota foi assinada por Mônica Bergamo. Ambos costumam ser criticados por alinhamentos com o petismo. O próprio FHC já foi alvo de ataques por não conseguir fazer o sucessor, cabendo a ele passar a faixa a Lula.

A cassação em si merece um debate próprio. A justiça há de esclarecer, mas há muitos indícios de que seria uma saída justa. Contudo, há uma enorme vontade e necessidade política de não mais alongar a crise iniciada há três anos. E uma eleição indireta apenas fortaleceria confrontos entre militantes. Uma volta de FHC sem ser pelo voto direto? É tudo o que a esquerda adoraria para reviver a lorota de que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe de Estado.

Hoje, já não soa polêmico apontar Fernando Henrique Cardoso como o melhor gestor que colocou as mãos no Brasil após a ditadura. E uma volta dele na eleição de 2018 parece possível e até melhor do que muitas opções conhecidas. Mas uma antecipação dessa volta desenha um movimento desnecessariamente arriscado. A paz brasileira, tão surrada nos últimos tempos, agradeceria um pouco mais de paciência.

Nesta eleição, São Paulo praticamente varreu o PT do mapa

A imagem acima mostra o que restou de municípios aos cuidados do PT em São Paulo. Retirada do infográfico do Estadão, ela não está com defeito. Porque foram apenas 8 prefeitos eleitos pelo petismo. Em 2012, o partido conquistara 74 prefeituras, incluindo a capital. Trata-se de uma queda de 89% sem nem mesmo levar em consideração a população de cada registro.

A coisa fica ainda mais impressionante ao levar-se em conta que se trata da região onde o Partido dos Trabalhadores nasceu.

Curiosamente, PSDB e PMDB também viram o total de gestores sofrer reduções ainda que levemente. Os peemedebistas caíram de 84 para 82. Os tucanos tinham 171, e agora possuem 166, mas estão com as maiores cidades.

Em orçamentos conquistados, o PT saiu desta eleição 89% menor

03.10.2008 - Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lembra a atuação do PT nos trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte e as conquistas, especialmente nas áreas social e de garantias individuais. Foto: Agência Brasil.

Quando a eleição de 2012 terminou, o PT conquistou prefeituras que somavam R$ 122,3 bilhões em orçamento. Findada a apuração agora em 2016, o petismo saiu das urnas com apenas R$ 13,7 bilhões. A redução é de esmagadores 89%.

Caminho oposto fez o PSDB, que, segundo os cálculos do Valor Econômico, conquistou R$ 160,5 bilhões. A quantia, além de melhorar o desempenho do partido em 140%, supera o PT de 2012 em 31%.

E pensar que havia tucano impondo obstáculos ao impeachment de Dilma Roussef e defendendo que tudo poderia ser deixado para encontrar uma solução apenas em 2018.