Falas de Lula e Gleisi dão razão a quem temia que o petismo transformasse o Brasil numa Venezuela

Foi manchete em todo a imprensa, mas partiu do Poder 360. Em termos que soam pesados até mesmo para o partido que tem no currículo o estranho caso Celso Daniel, Gleisi Hoffman afirmou exatamente que:

Para prender o Lula, vai ter que prender muita gente, mas, mais do que isso, vai ter que matar gente. Aí, vai ter que matar”

Apenas depois da revolta nas redes sociais, a presidente do PT se reposicionou alertando que a fala não deveria ser entendida ao pé da letra. Ainda assim, na mesma noite, o próprio Lula pontuou no Twitter sobre a liberdade de imprensa.

“A Veja é uma central de mentiras. Eu quero que eles saibam. Trabalhem pra eu não voltar. Porque se eu voltar vai haver uma regulação dos meios de comunicação.

É bom destacar, não foi uma ameaça apenas à Veja, o que já seria grave em suficiência, mas a toda a imprensa. Sempre com o eufemismo de “regulação dos meios de comunicação” já explorado na Venezuela chavista.

Aquela Venezuela que, mesmo com uma ditadura reconhecida pela imprensa e diplomacias mais sérias do mundo, recebeu aplausos de partidos da esquerda nacional, como PSOL, PDT e PCdoB – além do próprio PT, claro.

As falas e os posicionamentos dão plena razão a quem temia que petismo conduzisse o país a uma ditadura semelhante. Mas, para sorte do país, brasileiros foram às ruas e exigiram o impeachment de Dilma Rousseff a tempo.

É preciso trabalhar para que em 2018 eles não recebam das urnas uma nova chance.

Com a Operação Lava Jato, o PT teve a maior perda de filiados de toda a sua história

Os dados da “Pulso Brasil”, do instituto Ipsos, não só desenharam o apoio maciço – por volta de 96% – à continuidade da Lava Jato, antevendo que, em 2018, quem atacar a operação terá dificuldades fora do comum. Ela também serviu de alerta para o estrago que a operação fez naquele que comandou o país por 13 anos seguidos.

Na ocasião, O Globo complementou a informação com um dado em sentido similar: em decorrência da mesma Lava Jato, o PT perdera quase 7.500 filiados, a maior queda de toda a história do partido.

Se servir de consolo aos petistas, outras siglas poderosas, como PMDB e PSDB, ainda que por margem menor, também foram impactadas pelo noticiário.

Tal fato se soma à tese de que a velha política estaria saturada – valendo atrelá-la ao eventual crescimento de legendas novas ou dissociadas dos chamados “grandes partidos”.

PT se antecipa à sentença de Sergio Moro na Lava Jato e diz em nota: “Lula é inocente”

Conforme já se especulava, o PT de fato adotará o discurso da perseguição para tratar do processo de Lula cuja sentença em breve será prolatada por Sergio Moro, referente o apartamento no Guarujá. Segue íntegra, já voltamos com os comentários:

“O Partido dos Trabalhadores vem a público se manifestar sobre matérias publicadas pela imprensa no final de semana, referentes à suposta condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex do Guarujá. Os boatos causaram indignação na militância petista e em todos os segmentos da sociedade brasileira preocupados com a manutenção da Justiça e do Estado Democrático de Direito em nosso país. Frente a esse momento grave da história do Brasil, a Direção Nacional do PT informa que acompanha atentamente a evolução desse processo judicial, na certeza de que não existe nenhuma possibilidade de sentença justa que não seja a absolvição do ex-presidente. Frente à inexistência absoluta de provas que possam embasar as denúncias contra Lula, nossa militância segue atenta e mobilizada para, junto com outros setores da sociedade brasileira, dar a resposta adequada para qualquer sentença que não seja a absolvição completa e irrestrita de Lula. Não aceitaremos vereditos baseados em indícios falsos e especulações partidarizadas, conforme possibilidade que já vem sendo aventada pela imprensa, e que contrariem até documentos oficiais de órgãos públicos que atestam que o ex-presidente nunca foi proprietário de tal imóvel. No momento em que avançam no Congresso Nacional propostas contra os trabalhadores e o povo brasileiro, e políticos conservadores são inocentados e preservados e que bandidos são soltos para viverem nababescamente no exterior, condenar Lula, o maior líder popular na nossa história, significaria desferir um golpe mortal contra a justiça e a democracia do Brasil. Uma hipotética condenação de Lula teria como único objetivo afastá-lo das eleições de 2018, o que é absolutamente inaceitável. Sem Lula, as eleições presidenciais não terão legitimidade e não passarão de uma fraude contra o povo brasileiro.

Viva a Democracia!
Viva o presidente Lula!
Senadora Gleisi Hoffmann,
Presidenta Nacional do PT”

Em primeiro lugar, quis o destino – ou não exatamente o destino – que a signatária da nota, presidente nacional do partido, seja também ela própria ré na Lava Jato. Pois é.

No mais, o texto repete a estratégia de alegar “injustiça”. O grande problema, como dissemos há pouco, é convencer as pessoas de que Lula e o PT seriam perseguidos enquanto, além de tantos adversários que também são alvo de processo, até mesmo Michel Temer está prestes a ser denunciado.

Apesar da capa, a entrevista de Joesley Batista à Época também atinge o PT em cheio

Sim, a capa faz parecer que Michel Temer seria o grande vilão do país e, por certo, a intenção do dono da JBS/Friboi é hoje atingir o Presidente, diante da guerra instaurada entre as partes. Porém, o conteúdo da entrevista não é nada louvável ao PT.

Vejam o seguinte trecho:

Pois é. O grande problema é que, ao menos até agora, a íntegra não está disponível online, mas apenas na versão impressa. Ainda assim, a RBS fez um bom resumo.

Dois dias antes da agressão a Míriam Leitão, Lula atacou a Rede Globo no Congresso do PT

Míriam Leitão revelou ter sido agredida no dia 03/06, por militantes petistas que viajavam de Brasília para o Rio de Janeiro, vindos de um congresso do partido. O inquietante é constatar que Lula, nesse mesmo congresso, disse o seguinte:

E, no mesmo dia:

Pois é. Claro que não se pode dizer que foi “culpa” dele o ataque sofrido pela jornalista da Globo, mas também é importante lembrar que a emissora e seus profissionais são vez por outra hostilizados em manifestações e eventos de esquerda. E o “clima de ódio” não é invenção de nenhum veículo.

Por fim, vale lembrar a nota infeliz do partido sobre o caso, praticamente culpando a Rede Globo e, com isso, não colaborando muito.

Em nota infeliz sobre a agressão sofrida por Miriam Leitão, o PT acaba culpando a Rede Globo

A jornalista Míriam Leitão relata em sua coluna de hoje, no jornal O Globo, que sofreu agressões de militantes petistas num voo de Brasília ao Rio de Janeiro. O relato, evidentemente, repercutiu de forma expressiva e então o PT divulgou Nota Oficial, assinada pela nova presidente do partido, Gleisi Hoffmann.

Segue a íntegra, voltamos em seguida:

“O Partido dos Trabalhadores lamenta o constrangimento sofrido pela jornalista Miriam Leitão no voo entre Brasília e o Rio de Janeiro no último dia 3 de junho, conforme relatado por ela em sua coluna de hoje. Orientamos nossa militância a não realizar manifestações políticas em locais impróprios e a não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas, ideológicas ou por qualquer outro motivo, como confundi-las com as empresas para as quais trabalhem.

Entendemos que esse comportamento não agrega nada ao debate democrático. Destacamos ainda que muitos integrantes do Partido dos Trabalhadores, inclusive esta senadora, já foram vítimas de semelhante agressão dentro de aviões, aeroportos e em outros locais públicos.

Não podemos, entretanto, deixar de ressaltar que a Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil, e em nada tem contribuído para amenizar esse clima do qual é partícipe. O PT não fará com a Globo o que a Globo faz com o PT.

Senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores.” (grifamos)

É mole? Num momento tão extremado, em que nervos estão à flor da pele, a nota acaba mais prejudicando do que ajudando.

Chega a ser inacreditável.

Inaceitável: Míriam Leitão desabafa sobre os petistas que a agrediram e insultaram no avião

No dia 03/06, um sábado, acabou em Brasília o Congresso do PT, aquele em que foi eleita presidente da legenda a senadora Gleisi Hoffmann, ré na Lava Jato. De todo modo, encerrado o evento, os militantes, filiados e delegados voltaram para casa. E um grupo destes pegou o voo noturno para o Rio de Janeiro.

Míriam Leitão estava nesse mesmo avião e foi insultada e agredida durante duas horas. Seguem trecho de sua coluna:

“Sofri um ataque de violência verbal por parte de delegados do PT dentro de um voo. Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo (…) — Terrorista, terrorista — gritaram alguns. Pensei na ironia. Foi “terrorista” a palavra com que fui recebida em um quartel do Exército, aos 19 anos, durante minha prisão na ditadura. Tantas décadas depois, em plena democracia, a mesma palavra era lançada contra mim (…)

Durante o voo foram muitas as ofensas, e, nos momentos de maior tensão, alguns levantavam o celular esperando a reação que eu não tive. Houve um gesto de tão baixo nível que prefiro nem relatar aqui. Calculavam que eu perderia o autocontrole. Não filmei porque isso seria visto como provocação. Permaneci em silêncio. Alguns, ao andarem no corredor, empurravam minha cadeira, entre outras grosserias. Ameaçaram atacar fisicamente a emissora, mostrando desconhecimento histórico mínimo: “quando eles mataram Getúlio o povo foi lá e quebrou a Globo”, berrou um deles. Ela foi fundada onze anos depois do suicídio de Vargas (…)

Alguns dos delegados do PT estavam bem exaltados. Quando me levantei, um deles, no corredor, me apontou o dedo xingando em altos brados. Passei entre eles no saguão do aeroporto debaixo do coro ofensivo. Não acho que o PT é isso, mas repito que os protagonistas desse ataque de ódio eram profissionais do partido. Lula citou, mais de uma vez, meu nome em comícios ou reuniões partidárias. Como fez nesse último fim de semana. É um erro. Não devo ser alvo do partido, nem do seu líder. Sou apenas uma jornalista e continuarei fazendo meu trabalho” (grifamos)

Absurdo total. No fim das contas, por mais que Míriam tenha sido elegante e nada rancorosa em sua análise, a verdade é que esse comportamento reflete o esquerdismo. Intolerância, incapacidade para o debate, ataques mentirosos, agressão… É retrato da esquerda. Vejamos como a grande imprensa vai se pronunciar. Espera-se, embora soe demasiado otimista, que todos defendam a jornalista atacada e condenem os militantes agressivos.

ps – a coluna pode ser lida na íntegra aqui.

Partido de Marina aproveita o silêncio petista diante da absolvição de Temer e Dilma no TSE

Quando o julgamento do TSE já estava perto do desfecho, tratamos aqui do fato de que resultado positivo a Michel Temer também o seria ao PT e, desse modo, sobretudo para manter a narrativa, o partido não faria grandes protestos contra a absolvição da chapa.

Como não existe vácuo na política, quem ocupou tal espaço foi o Rede, partido de Marina Silva.

Foi a legenda que entrou com ação, no STF, para anular o julgamento do TSE. Claro que é apenas um jogo de cena, uma iniciativa de comunicação (sem grandes prognósticos efetivos), mas ainda assim o PT jamais faria isso. Não pediria para anular a decisão que, trocando em miúdos, deixou de considerar a campanha de Dilma Rousseff ilegal. Desse modo, os adversários na esquerda nadam de braçadas.

Vendo em retrospecto, e somando diversas ocasiões e fatores diversos, é razoável supor que boa parte da “esquerda light” adotará a legenda como oficial. O deputado Alessandro Molon, do Rio de Janeiro, é figura constante em diversas emissoras, sobretudo na Rede Globo. E ocupa esse espaço principalmente pela má-fase do PT e dos petistas (curiosidade: ele próprio, até pouco tempo atrás, era do Partido dos Trabalhadores, assim como a própria Marina Silva, grande líder do Rede).

As apostas para o pós-PT estavam entre PSOL e Rede. É possível que já se tenha um “favorito”.

Popularidade nacional? Grupo de Lula perde maioria até dentro do PT, mantida por 13 anos

A narrativa central do petismo, ao menos do grupo até então comandando o partido, era de que Lula seria uma unanimidade nacional ou coisa do tipo. Isso é bobagem, claro, sobretudo considerando os índices de rejeição.

Mas agora há um novo ingrediente atrapalhando a “tese”.

Segundo informa o Poder360, pela primeira vez em 13 anos o grupo de Lula perdeu a maioria no Diretório Nacional do PT. Após o 6º Congresso do partido, o CNB (Construindo um Novo Brasil), chamado popularmente de “grupo majoritário”, passou a ocupar apenas 42 das 90 cadeiras.

E mais: também na Diretoria Executiva, que comanda o partido no dia-a-dia, passaram a ocupar apenas 12 dos 26 assentos.

Novos tempos?

Renovação de quadros? Nem tanto: a nova presidente do PT é Gleisi Hoffmann, ré na Lava Jato

Já era dado como certo e tudo foi mesmo confirmado: Gleisi Hoffmmann, senadora eleita pelo Paraná, é a nova presidente do Partido dos Trabalhadores, substituindo Rui Falcão. Ela ocupará o cargo por dois anos.

Se alguém esperava “renovação”, a escolha realizada na Convenção deste final de semana pode ser um balde de água fria, pois ela é ré na Lava Jato. Para a militância mais empedernida, no entanto, tal elemento seria mais um ponto de resistência e enfrentamento.

Resta saber se a opinião pública concorda com isso.