A questão não é nem “voto impresso”, é voto auditável

É primordial para uma democracia que a população acredite no sistema que a sustenta. Isso inclui o sistema eleitoral. Mas a urna eletrônica utilizada no Brasil promove uma apuração às cegas: o voto entra numa caixa preta que, horas depois, cospe o resultado.

O Tribunal Superior Eleitoral quer que o brasileiro esqueça que o país segue entregue a corruptos e confie que tudo é feito com uma honestidade que não se observa fora da tal caixa. Para piorar, se duvidas surgirem quanto à validade do resultado e um auditoria for orçada para referendá-lo ou não – como tentou o PSDB em 2014 –, apenas será constatado que esta é uma missão impossível.

Qualquer democracia séria tem na recontagem de votos um de seus pilares. Qualquer democracia séria tem registro físico do voto depositado pelos eleitores.

Com o modelo de urna eletrônica trabalhado nas eleições locais, o Brasil não tem nem um, nem outro. E não será uma democracia séria enquanto não tiver.

Pediram recontagem de votos contra Trump, fizeram, e ele findou com mais votos ainda

Recontagem de votos é instrumento democrático que findou queimado no Brasil graças à propaganda petista, que não queria uma recontagem de votos nas urnas eletrônicas encomendadas da Venezuela. Mas, em democracias sérias, é tão respeitado que chega a ser estabelecido em lei: a depender da diferenças de votos, o próprio estado pode refazer as contas.

Não era o caso do Wisconsin, que teve a recontagem de votos solicitada pelo Partido Verde, a linha auxiliar da esquerda americana. Na primeira apuração, Donald Trump venceu Hillary Clinton por 22 mil votos. Jill Stein, que ficou em quarto lugar na disputa, exigiu uma segunda. Ela veio e… Trump recebeu 162 votos a mais.

Acontece.