Enquanto o STF se acovardou diante de Aécio Neves e Renan Calheiros, Sérgio Moro e o TRF4 peitaram Lula

Com um punhado de inquéritos nas costas, Renan Calheiros vivia as últimas semanas como presidente do Senado. Nem assim o STF demonstrou força para tirá-lo do cargo e aplicar a mesma lógica que derrubara Eduardo Cunha da presidência da Câmara Federal no semestre anterior. Dez meses depois, foi a vez de Cármen Lúcia gaguejar e se mostrar fraca para derrubar Aécio Neves.

Três meses antes, Sérgio Moro já havia provado ser capaz de condenar personagem bem mais graúdo, alguém que comandara o país por oito anos e elegera a sucessora duas vezes. Seis meses depois, o TRF 4 referendaria por unanimidade a decisão do árbitro da Lava Jato.

A corte suprema não teve força contra Calheiros e Aécio. As instâncias inferiores, por mais de uma vez, levaram Lula a nocaute.

Como bem resumiu o jornalista Mário Sabino, “os tribunais superiores são moralmente inferiores“. E são.

Delator diz que JBS usou Instituto IBOPE para pagar propina a Renan Calheiros

Segundo Ricardo Saud, delator do grupo JBS, houve pagamento de propina a Renan Calheiros em 2014 e o Instituto IBOPE Inteligência teria intermediado.

Seguem trechos do depoimento:

“[O Ibope Inteligência] fazia pesquisa para ele [Renan] e eles pagavam com essas propinas. O Ibope recebia propina. Nunca fez serviço para o grupo [JBS] (…) Inclusive, eles mandavam para mim um contrato e um punhado de pesquisas, e falavam: ‘Você arquiva isso aí direitinho, e se amanhã acontecer alguma coisa, você mostra isso aí’ (…) Nunca fez pesquisa para mim. Pegava uma pesquisa nacional lá ‘x’ e queria pôr no contrato da gente”

Não é a primeira vez que um instituto de pesquisa é citado em delação.

O Ibope e Renan Calheiros negam as acusações.

Reforma Trabalhista: dirigentes sindicais chamam Renan Calheiros de “líder de todos nós”

Comissão da Câmara dos Deputados aprovou o texto-base da Reforma Trabalhista, que vai a plenário hoje. Se passar, o caminho será o Senado Federal, e é aí que entra Renan Calheiros.

Antes, vale citar algumas considerações um tanto folclóricas do mundo da política. Diz a lenda que se sabe da proximidade de uma eleição quando Renan começa a sinalizar oposição ao governo. Outra que circula nas redes: a esquerda ama ou odeia o senador de acordo com seu alinhamento a Lula, PT ou algo assim.

Desta vez, a tese preponderante é a de que ele estaria “batendo” em Michel Temer por preocupações eleitorais. Em Alagoas, estado que representa como Senador e que é governado por seu filho, a popularidade do atual titular do Planalto não é das melhores. E a de Lula, por sua vez, está no lado oposto.

Então, claro, o melhor para Renan é afastar-se de um e aproximar-se ao máximo das ideias e até aliados de outro.

De todo modo, a Folha de SP relata que líderes sindicais exageraram um bocado nos elogios ao peemedebista. Teriam dito que ele seria o “único acerto do governo” e foi mesmo chamado de “líder de todos nós”.

Pois é. Espera-se que o outro “líder” da turma não fique enciumado.

Renan Calheiros estaria “batendo” em Michel Temer por preocupações eleitorais em Alagoas

A “ruptura” de Renan Calheiros (PMDB/AL) com Michel Temer talvez seja puro cálculo eleitoral. Essa análise surgiu primeiro no Politicas.Info, que trouxe também números de pesquisa ao Senado Federal entre eleitores alagoanos. Vale conferir:

Ronaldo Lessa – 35,3%
Teotônio Vilela – 27,8%
Renan Calheiros – 25,1%
Maurício Quintella – 18,0%
Benedito de Lira – 17,8%
Marx Beltrão – 16,0%
Não sabe – 4,8%
Nenhum – 11,8%

A baixíssima popularidade de Michel Temer certamente faz com que Renan jamais queira ser visto como seu aliado. Se possível, bem o oposto.

Nesta quarta-feira, a Folha de SP também tratou do fato, lembrando que seu filho é candidato ao governo do estado em 2018.

Enfim, a política.

Confira 38 nomes dos mais de 170 políticos que surgiram na segunda “lista de Janot”

A Globo já dá como certa a citação de pelo menos 170 nomes na segunda “lista de Janot”, dessa vez baseada nas delações da Odebrecht para a operação Lava Jato. São autoridades que têm ou já tiveram em algum momento foro privilegiado.

Deste grupo maior, a emissora já confirmou um total de 38. E, ao que tudo indica, seguirá o mesma rotina de verões passados: a cada nova edição do Jornal Nacional, um novo punhado de autoridades é revelado de forma a deixar o assunto sempre em pauta.

O Implicante resume abaixo os 38 nomes já conhecidos:

DEM

  1. José Carlos Aleluia
  2. Rodrigo Maia

PMDB

  1. Edison Lobão
  2. Eduardo Cunha
  3. Eliseu Padilha
  4. Eunício Oliveira
  5. Geddel Vieira Lima
  6. Lúcio Vieira Lima
  7. Luiz Fernando Pezão
  8. Marta Suplicy
  9. Moreira Franco
  10. Paulo Skaf
  11. Renan Calheiros
  12. Renan Filho
  13. Romero Jucá
  14. Sérgio Cabral

PRB

  1. Marco Pereira

PSB

  1. Lídice da Mata

PSD

  1. Gilberto Kassab

PSDB

  1. Aécio Neves
  2. Aloysio Nunes
  3. Beto Richa
  4. Bruno Araújo
  5. Duarte Nogueira
  6. José Serra

PT

  1. Andres Sanchez
  2. Antonio Palocci
  3. Dilma Rousseff
  4. Edinho Silva
  5. Fernando Pimentel
  6. Guido Mantega
  7. Jorge Viana
  8. Lindbergh Farias
  9. Luiz Inácio Lula da Silva
  10. Marco Maia
  11. Tião Viana

PTB

  1. Paes Landim

Sem partido

  1. Anderson Dornelles

Abuso de autoridade: Renan foi derrotado, mesmo com o PT ao lado dele até o final da batalha

No último 14 de dezembro, Renan Calheiros tentou mais uma vez caminhar com seu projeto que supostamente combate o abuso de autoridade, mas é visto pelo próprio Sérgio Moro como uma grave tentativa de melar a Lava Jato. E mais uma vez o peemedebista tentou atropelar o regimento da casa que ainda presidia, tentando aprovar uma urgência na tramitação do projeto.

Contudo, percebeu que não teria votos para vencer e acatou proposta apresentada pelo senador José Agripino, que sugeriu ao presidente do Senado levar o “Abuso de Autoridade” à Comissão de Constituição e Justiça, e ser votado pelo plenário após pelo menos três sessões na CCJ. Com isso, a tentativa de barrar a Lava Jato foi empurrada para 2017, quando o presidente do Senado será outro.

Antes de desistir da manobra, Renan Calheiros contou com dois senadores discursando em seu favor. Primeiramente, Roberto Requião, do próprio PMDB. Na sequência, Humberto Costa, do PT.

Sim, o PT esteve com Renan Calheiros até nos minutos finais. E petistas ainda têm a cara de pau de dizer que o impeachment de Dilma teria sido um processo tocado para melar a Lava Jato, quando resta evidente que isso interessa ainda mais ao próprio petismo.

Mas a guerra não acabou. Renan vai deixar a Presidência do Senado, mas não deixará de presidir. Pois batalhará a Presidência justo da CCJ. E dará muito trabalho.

A opinião pública precisa continuar em cima.

Após suposta propina a Renan, empreiteira viu contratos com a Petrobras crescerem 584%

Esse detalhe foi muito bem observado pelo Antagonista na denúncia apresentada por Rodrigo Janot contra Renan Calheiros. Entre 2003 e 2009, a Serveng, empreiteira que teria pago R$ 800 mil em propina ao senador, somou R$ 51 milhões em contratos com a Petrobras. Isso equivale a uma média de R$ 7,2 milhões por ano.

Uma vez paga a propina, os contratos da empreiteira com a estatal saltaram para R$ 197 milhões em quatro anos. A média subiu para 49,25 milhões por ano, um crescimento de 584%.

Os números escancaram o absurdo chamado Brasil. E explicam o porquê de empresas como Odebrecht terem um setor inteiro dedicado a relações criminosas com governos.

Se Rodrigo Janot conseguir o que pediu, Renan Calheiros terá que se entender com Sérgio Moro

Rodrigo Janot denunciou Renan Calheiros uma segunda vez, agora por crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Mas há mais detalhes que podem interessar à opinião pública. Porque se trata do primeiro de oito inquéritos no âmbito da operação Lava Jato. E o PGR pediu ao STF a “perda das funções públicas” do senador.

Ou seja… Ainda que haja um longo caminho até lá, se o STF aceita a denúncia e julga procedente a acusação, Calheiros perderá o cargo que possui no Congresso. E os outros sete inquéritos serão remetidos aos cuidados de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

Na semana passada, Renan se deu bem sobre o STF porque a Suprema Corte entendeu que, em jogo, estava o ajuste fiscal a ser votado na casa presidida pelo peemedebista. Mas o atual mandato dele acaba em fevereiro próximo. Numa próxima, os ministros precisarão inventar outra desculpa se quiserem aliviar-lhe a barra. Ou resolvem reconquistar a opinião pública e fazem justiça.

A próxima temporada promete ser igualmente emocionante.

Abriu a porteira? Renan Calheiros é denunciado de novo e pode virar réu uma segunda vez

Por mais que tenha conseguido uma grande vitória sobre o STF na semana passado, tudo indica que Renan Calheiros vive o seu momento mais fraco. Porque, antes intocável, coleciona agora 12 inquéritos da Suprema Corte. Destes, um já virou denúncia aceita, o que o transformou em réu e quase o derrubou da Presidência do Senado. E um segundo acabou de ser denunciado por Rodrigo Janot.

O PGR acusa o senador de corrupção ativa e lavagem de dinheiro dentro da operação Lava Jato. O peemedebista teria recebido R$ 800 mil em propina da Serveng em troca de direcionar licitações à empreiteira por intermédio de Paulo Roberto Costa, diretor da cota do PMDB na estatal.

As doações já fora identificas (no valor de R$ 500 mil e R$ 300 mil) e rastreadas (passou pelo diretório nacional do PMDB antes de ir ao comitê financeiro do PMDB/AL) numa transação que configura a lavagem de dinheiro.

Será que as porteiras foram abertas?