Onde estavam os “fact-checkers” quando trocentas “fake news” ajudaram a reeleger Dilma?

Ao anunciar que montou uma equipe para combater o que vem chamando de “fake news”, O Globo citou como exemplo de eventos afetados por elas: a eleição de Donald Trump, o resultado do Brexit.

Antes de mais nada, isso em si já seria “fake news”: até o momento, não há qualquer estudo sério que aponte a disseminação de notícias falsas como fator preponderante para os resultados atingidos. Os poucos que se debruçaram sobre o tema descartaram a hipótese.

Mas é curioso que a imprensa use como exemplo dois eventos que deram vitória ao eleitor conservador, e esqueça um tão mais próximo que foi tão ou mais afetado por mentiras espalhadas pela militância partidária. Ou o jornalismo brasileiro já esqueceu o que aconteceu em 2014?

Naquela eleição, as redes sociais espalharam todo tipo de absurdo sobre os principais adversários de Dilma Rousseff: Marina Silva e Aécio Neves. Eram episódios envolvendo violência física, consumo de droga, abuso de poder e até mesmo casos de corrupção que teriam chegado à casa do trilhão de reais.

Onde estavam os “fact-checkers” em 2014? Por que a imprensa não se preocupou em desmentir aquela quantidade inaceitável de boatos? Por que a imprensa reverberava tudo o que o governo dizia sem se preocupar em desmentir a parte que não fazia sentido?

Mais: por que a imprensa esquece que aquela foi uma eleição tomada por mentiras?

Fato é que Dilma Rousseff se reelegeu. E o tempo se encarregaria de desmentir praticamente tudo o que foi cantado pelo governismo em 2014.

Jornalismo brasileiro promete lutar contra a disseminação de notícias falsas. Agora?!

Jornais empilhados.

Mais um jornal brasileiro anunciou em tom de festa que iniciará uma guerra contra o que a imprensa vem chamando de “fake news”. Ele promete “checar de discursos e anúncios de autoridades a boatos disseminados nas redes sociais“. E que agora a, digamos, “força-tarefa” vai “orientar todos os jornalistas da Redação a fazer checagens“.

Calma lá. Agora?!

Talvez a principal função do jornalista seja checar informações antes de ampliarem-na a um grande público. Ao tomar tal atitude, a imprensa não percebe a confissão feita à opinião pública: reverberava todo tipo de mentira vinda de autoridades, ou mesmo boatos, sem a devida checagem.

O leitor do Implicante conhece isso muito bem pois, há tempos, publica-se aqui desmentidos sobre notícias fajutas altamente reverberadas não por sites minúsculos e desconhecidos, mas por grandes veículos de comunicação em atividade há décadas.

As “fake news” nada mais são do que aquilo que a esquerda costumava chamar de “factóide”, uma desconfiança que não se justificava por nenhuma evidência real, mas apenas por um desejo de ter o que atacar.

Essa imprensa segue perdida. E, quanto mais fala, mais percebe-se o seu jogo.