Prenderam tanto membro no Tribunal de Contas do RJ que não sobrou suficiente para dar quórum

A Lava Jato fez um estrago enorme no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Ao colocar na rua a Quinto de Ouro, uma das fases fluminenses da operação, deteve cinco conselheiros que integram a entidade. E isso findou paralisando os trabalhos por lá.

Por um motivo muito simples: é preciso um quórum mínimo de quatro conselheiros para que as sessões sejam abertas. Como sobraram apenas dois fora da cadeia, não há muito o que fazer por lá.

Confira a nota emitida a respeito:

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) informa que a sessão plenária prevista para acontecer nesta quinta-feira (30/03) foi suspensa por falta de quórum. A decisão está embasada e prevista na Lei Complementar nº 63/90 e no regimento interno do TCE-RJ, que exigem a presença mínima de quatro conselheiros para a realização das sessões. A Procuradoria-Geral do Tribunal de Contas estuda juridicamente mecanismos legais para o retorno das sessões plenárias.”

Mas os conselheiro foram os coadjuvantes. O Implicante já contou aqui que um peixe grande enfrentou condução coercitiva. Ele era um dos principais aliados do petismo.

 

Valor de apenas uma obra do metrô do RJ teve mais de 1000% de aumento, chegando a R$ 9,6 bi

É sempre fundamental colocar as coisas em perspectiva para que se possa ter ideia do nível das coisas neste país. Não basta dizer que foi encontrado superfaturamento numa obra ou que os envolvidos foram presos. Porque há casos em que tudo passa dos limites de formas inacreditáveis.

Foi o que houve no Rio de Janeiro, especificamente numa das obras das linha quatro do metrô. Inicialmente orçada em R$ 880 milhões, ela acabou custando R$ 9,6 bi. Isso mesmo, um aumento SUPERIOR A DEZ VEZES. Sim, mais de 1000% de sobrepreço.

Claro que é natural uma obra sofrer aumentos, e isso vale para o poder público ou a iniciativa privada. Mas quando o valor final é mais de dez vezes superior, convenhamos, é razoável supor que houve alguma coisa errada.

O Subsecretário de Turismo do Rio de Janeiro e o diretor de engenharia da Rio Trilhos acabaram presos nessa investigação, da Operação Tolypetes, desmembramento da Lava Jato.

Mais de 1000% e isso é referente a APENAS UMA OBRA, de tantas outras.

Não é difícil supor como chegamos ao ponto atual e como infelizmente o estado do Rio de Janeiro se encontra agora numa situação dificílima.

França suspeita que aliado de Cabral pagou propina milionária para o Rio virar sede olímpica

Em 29 de setembro de 2009, um milhão e meio de dólares foram transferidos para a empresa do filho de Lamine Diack, membro do COI e presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo. Neste mesmo dia, meio milhão de dólares foram transferidos para a conta de Papa Diack, consultor de marketing da mesma associação.

Toda essa grana saiu de uma empresa de Arthur Soares, que não só prestava serviços ao governo do Rio de Janeiro, como era grande amigo do governador, Sérgio Cabral.

Exatamente três dias depois, o Rio de Janeiro foi escolhido sede olímpica.

O Ministério Público francês viu na transação indícios concretos de que a escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica foi em algum nível contaminada pela corrupção.

Na época, o governador de Tóquio, Shintaro Ishihara, já havia alertado: “Eu ouvi dizer que o presidente brasileiro (Lula) veio fazer promessas ousadas aos representantes africanos.”

Sim, Lula e Sérgio Cabral eram aliados.

Em tese, Crivella teria direito a ser prefeito do Rio, além de governador e senador pelo RJ

Em 2001, Mão Santa foi cassado e Hugo Napoleão, que ficara em segundo lugar na eleição, assumiu o governo do Piauí. Situação semelhante se deu em 2008, na Paraíba, e em 2009, no Maranhão, com as cassações de Cássio Cunha Lima e Jackson Lago, e consequente posse de José Maranhão e Roseana Sarney respectivamente.

O mesmo não deve acontecer no Rio de Janeiro, pois o TRE recomendou a convocação de novas eleições. Mas, se Luiz Fernando Pezão perder também o recurso, e a jurisprudência for seguida, o cargo cairia no colo de Marcelo Crivella, segundo lugar na eleição de 2014.

O problema? Crivella é hoje prefeito da capital, cargo conquistado enquanto cumpria mandato como senador fluminense.

Isso mesmo. Teoricamente, o prefeito carioca teria conquistado em sequência três dos principais cargos no Rio de Janeiro: senado, governo do estado e prefeitura da capital.

Sim, é um feito. Mas o natural é que permaneça administrando o município até pelo menos o próximo pleito.

Não foi por falta de aviso: o Rio de Janeiro quebrou com a realização das Olimpíadas

O Tribunal de Contas do Rio de Janeiro encontrou a palavra para definir a dívida do estado: “insustentável”. Já chegou a R$ 106,15 bilhões. O problema teria começado em 2010 com a contratação excessiva de operações de crédito. Entre 2012 e 2015, por exemplo, foram R$ 22,39 bilhões em empréstimos, dos quais 78,6% arcavam despesas relacionadas à realização dos Jogos Olímpicos de 2016.

Em resumo: teriam quebrado o Rio de Janeiro para realizarem a Rio 2016.

Não seria essa a primeira vez que uma sede olímpica viveria destino economicamente tão trágico. Montreal (1976), Moscou (1980) e Atenas (2004) conhecem bem a história.

Quando o governo Lula referendou a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil, os poucos críticos com alguma coragem apontavam a inevitável ruína econômica como principal argumento contrário à iniciativa. Foram ridicularizados. Mas o tempo provou que eles tinham razão.

Não, Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão não foram “banidas” do carnaval do Rio de Janeiro

Um alvoroço tomou as redes sociais na manhã de hoje: o carnaval do Rio de Janeiro teria banido duas marchinhas, Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão, pois suas letras seriam opressoras. Apesar de a manchete dizer que foram “banidas da folia carioca”, a coisa não é bem assim.

Na verdade, são três blocos, dois pequenos e um de tamanho médio, que não aceitarão mais essas marchas.

TODO O RESTO do carnaval de rua do Rio, algo que proporcionalmente se torna avassalador comparado a esses três casos, não declarou o veto às canções.

E duas declarações, que constam da mesma reportagem, dão o tom de como a coisa está. Vejamos, primeiro, o que diz a Rita Fernandes, presidente da “Sebastiana”, associação que reúne 11 blocos do Rio de Janeiro:

“Nenhum bloco da Sebastiana está tirando marchinha do repertório. Os blocos acham que as marchinhas são antigas, tradicionais e tinham um contexto, sem ter preconceito. Foram criadas numa determinada época. A vida fica muito sem graça se tudo tiver que ser enquadrado, perdendo a leveza e a brincadeira, que são a essência do carnaval”

Agora, a opinião do presidente da Folia Carioca:

“Vamos continuar tocando. Essa discussão não agrega nada”

Por fim, a do presidente do Cordão da Bola Preta, dos mais famosos e tradicionais:

“Não consideramos essas marchinhas ofensivas. Quem as compôs, certamente, não tinha essa intenção. Carnaval é uma grande brincadeira. Essa polêmica não vai levar ninguém a lugar algum e até desmerece o carnaval. O preconceito está mais dentro das nossas cabeças do que nas marchinhas”

Tudo isso, vale repetir, na reportagem original. Então, convenhamos, essas marchinhas não foram excluídas da “folia” carioca, mas apenas de alguns blocos e, como são organizações privadas, fazem o que querem – bem como também fazem o que querem os favoráveis à manutenção das marchas.

Resta saber até quando.

ps – a observação da disparidade entre o que foi compartilhado e o conteúdo correto foi do professor Bernardo Santoro.

Bizarro: Secretaria de Obras do RJ não sabia que presídio abandonado já estava construído

Ainda hoje, falamos sobre a lorota de que o sistema prisional brasileiro “não tem solução”, mostrando que apenas o valor do prejuízo havido na Petrobras com a corrupção daria para construir 1160 presídios.

Porém, é claro, o buraco é muito mais embaixo neste país.

O “Bom Dia Rio” fez uma reportagem sobre presídio abandonado, para jovens adultos (18 a 24 anos), que teria custado R$ 17 milhões. Um descalabro, sem dúvida. E foi cobrar explicações. O governo federal informou que a construção é responsabilidade da Secretaria de Obras do governo do RJ. E é aí que a coisa fica inacreditável.

O governo fluminense disse que a obra não foi iniciada e chegou ao ponto de PEDIR FOTOS para a reportagem. Ainda segundo o “Bom Dia Rio”, ninguém respondeu até o fim da noite de segunda-feira.

Parece piada: o mesmo governo que EXECUTA uma obra de R$ 17 milhões e abandona (algo por si absurdo), nem mesmo SABIA que tal obra havia sido concluída.

O povo do Rio não merece isso. E o episódio, de forma triste, mostra mais motivos pelos quais nosso sistema prisional (entre tantas outras áreas) não vai bem.

Caos no Rio de Janeiro deixa claro: não se combate o crime com cenografia ideológica

O Rio de Janeiro vive uma situação que ainda pouca gente chama pelo nome: guerra civil. Sim, é uma GUERRA CIVIL o que acontece por lá. E já está tudo tão arraigado que tiroteios entre exércitos rivais são encarados como parte da rotina, há locais controlados por forças hostis, e mesmo a imprensa não circula em certos territórios. Também é corriqueira a cena de repórteres transmitindo ao vivo com coletes à prova de balas.

Guerra civil, portanto.

E isso deriva de uma série de fatores e conjunturas, quase tudo atrelado à falta de efetivo COMBATE no enfrentamento do crime. Chegou-se a uma situação em que todo o histórico de leniência, permissão e vista-grossa transformou um pequeno problema local numa situação catastrófica quase insolúvel.

Os esquerdólogos (aquela gama de acadêmicos de humanas consultados por veículos de comunicação para usar o diploma em defesa do esquerdismo), que ao longo dos anos sempre foram ouvidos e deu no que deu, provavelmente dirão que tudo se resolveria com MENOS enfrentamento, que aulas de capoeira ou artesanato em argila dariam conta do impasse e certamente a flexibilização de leis penal evitaria um dano maior. Vão insistir na cenografia ideológica.

Bobagem, claro. A primeira medida de qualquer governo na segurança pública, aliás, deveria ser parar de ouvir os esquerdólogos (e veículos que os reproduzem como se fossem portadores da verdade). Depois, enfrentar o problema como deve ser feito: fiscalizando e punindo.

Mas até hoje quase ninguém fez isso, e como a coisa agora ganha dimensão nacional, é possível que nas eleições de 2018 o tema seja um dos principais objetos de debate na disputa não só pelo Governo do Estado, mas também pela Presidência da República.

E não é preciso ser um gênio para calcular que proposta sairá vencedora. O povo não aguenta mais e votará em quem garantir o combate efetivo ao crime, com todas as medidas paralelas ligadas à segurança pública. Sim, isso mesmo: maioridade penal, porte de arma, pena de morte etc.

Não há “tema tabu” quando se trata da segurança do povo, tanto menos num país com 60 mil homicídios por ano.

Imprensa: evita noticiar que helicóptero da PM foi abatido, noticia execução de traficantes

A manchete do estadão dizia: “Quatro PMs morrem em queda de helicóptero no Rio de Janeiro“. No subtítulo, a explicação: “Ainda não há informações se a aeronave foi abatida“. Até aí, normal, afinal, como defendia uma autoridade ouvida, a certeza só viria após a perícia nos destroços.

No dia seguinte, corpos de sete traficantes foram encontrados às margens de um brejo. Contudo, desta vez não foi necessário aguardar qualquer laudo. Os próprios moradores da favela de Cidade de Deus serviram para o Estadão estampar a manchete: “Moradores dizem que traficantes da Cidade de Deus foram executados“.

É mais um caso gritante de tratamento distinto por parte da imprensa.

Popularidade no chão: em ato no Rio de Janeiro, Lula discursa para quase ninguém

Lula já teve seus dias, isso é fato. Anos atrás, sua popularidade beirava os 80%, fazendo alguns aliados e apoiadores até levantarem questionamento sobre quem seriam os não alinhados.

Agora, a coisa mudou. E mudou muito.

Num ato sindical em Angra dos Reis/RJ, voltado aos operários da indústria naval, o petista discursou para quase ninguém. Notem que a foto deste post foi veiculada pelo próprio PT. Imagina o tanto que capricharam para ao menos pegar essas cerca de 20 pessoas.

Segundo a coluna Expresso, da Época, ele ficou constrangido, e um petista ainda teria dito:

Tem de ter responsabilidade para onde vamos levá-lo, não podemos expor Lula desse jeito

Pois é. São novos tempos.