Protestos contra o uso de algemas em Cabral explicam por que Lula quis ser algemado pela Lava Jato

No momento da redação deste texto, Sérgio Cabral já acumula 87 anos de condenação em três processos. Mas nada disso impediu a imprensa de – mais uma vez a serviço do petismo – reclamar das algemas utilizadas pela Lava Jato na transferência do carioca para Curitiba. Desde então, ataques à operação voltaram a ser desferidos por todos os formadores de opinião que acham um horror a Justiça prender criminosos.

Os protestos, contudo, ajudam a esclarecer uma passagem noticiada dois anos antes. Conforme registrado em O Estadão, quando do cumprimento da condução coercitiva solicitada pela mesma Lava Jato, Lula bateu o pé e disse que só sairia algemado do próprio apartamento. Mas Sérgio Moro deixara claro no despacho que o ex-presidente não poderia usar algemas, nem ser submetido a filmagens, como à que flagrou o ex-governador do Rio de Janeiro.

O próprio Moro pediu à PF esclarecimentos sobre o uso dos artifícios com Cabral. Eles são permitidos em situações bem específicas, sempre atentas à segurança dos envolvidos no procedimento. E costumam levar em conta a periculosidade do presidiário.

Para convencer MPF a topar sua delação, adivinha de quem Sergio Cabral prometeu falar?

Sergio Cabral é réu em 11 processos, um deles já sentenciado por Sergio Moro, no qual foi condenado a 14 anos e dois meses. Ele já tentou fazer delação premiada, mas a coisa não foi pra frente. E agora, conhecemos alguns detalhes, segundo informações da revista Piauí.

Segue trecho da reportagem de Malu Gaspar:

“O Ministério Público achou que Cabral falou pouco, e as negociações não foram adiante. Elas muito provavelmente continuarão hibernando nos escaninhos de Brasília, onde o time de Rodrigo Janot tem como prioridade os casos eletrizantes de Joesley Batista, Lúcio Funaro, Eduardo Cunha e companhia, todos mirando a cabeça do presidente Michel Temer. Entre os episódios relatados por Cabral, porém, um em especial chamou a atenção dos procuradores. O ex-governador prometeu detalhar uma reunião, realizada em 2009, na qual ele, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-prefeito Eduardo Paes teriam autorizado o empresário Arthur César Soares de Menezes, conhecido como “Rei Arthur”, a pagar propina a membros do Comitê Olímpico Internacional para que o Rio de Janeiro fosse escolhida cidade-sede dos Jogos de 2016. O resumo apresentado por Cabral não fornece os meandros da conversa e nem dá os meios pelos quais o dinheiro foi pago. Mas confirma e acrescenta ingredientes à história publicada em março pelo jornal francês Le Monde, segundo a qual o Ministério Público daquele país descobriu que Arthur Soares pagou 1,5 milhão de dólares ao presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo, Lamine Diack, três dias antes da votação que consagrou a vitória do Rio para sediar os Jogos de 2016, acontecida em 2 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca” (grifamos)

É realmente delicado e complicado quando alguém mais “do topo” propõe acordo de delação premiada, já que, para tanto, é preciso haver boa compensação – ou seja, trazer mais evidências e relacioná-las a alvos de mesma ou maior magnitude no eventual esquema.

Ao que parece, o ex-governador do RJ teria bala na agulha.

Resta saber, caso isso se comprove, o porquê de oferecerem propina para realização dos Jogos Olímpicos no Rio. Afinal, o gasto total foi de R$ 41 bilhões, segundo cálculo recente. Por que alguém pagaria para um evento tão custoso?

Sim, a pergunta foi retórica.

Mensagem de secretário de saúde de Cabral a empresário: “Nossas putarias têm que continuar”

Quando se fala que a política brasileira rebaixou-se de forma inacreditável, não se trata de exagero. E não apenas pelo gigantismo das falcatruas, mas também pela desfaçatez. E a conversa entre Sérgio Côrtes, secretário de saúde na gestão de Sergio Cabral, e o empresário Miguel Skin, cuja mensagem foi captada pela Lava Jato, serve como amostra.

Eles estavam combinando versões, e então Côrtes diz:

“Meu chapa, você pode tentar negociar uma coisa ligada à campanha. Pode salvar seu negócio. Podemos passar pouco tempo na cadeia… Mas nossas putarias têm que continuar”

Lembrando que Côrtes aparece nas famigeradas fotos com lencinho na cabeça em Paris.

Esse é o nível da coisa.

Confira 38 nomes dos mais de 170 políticos que surgiram na segunda “lista de Janot”

A Globo já dá como certa a citação de pelo menos 170 nomes na segunda “lista de Janot”, dessa vez baseada nas delações da Odebrecht para a operação Lava Jato. São autoridades que têm ou já tiveram em algum momento foro privilegiado.

Deste grupo maior, a emissora já confirmou um total de 38. E, ao que tudo indica, seguirá o mesma rotina de verões passados: a cada nova edição do Jornal Nacional, um novo punhado de autoridades é revelado de forma a deixar o assunto sempre em pauta.

O Implicante resume abaixo os 38 nomes já conhecidos:

DEM

  1. José Carlos Aleluia
  2. Rodrigo Maia

PMDB

  1. Edison Lobão
  2. Eduardo Cunha
  3. Eliseu Padilha
  4. Eunício Oliveira
  5. Geddel Vieira Lima
  6. Lúcio Vieira Lima
  7. Luiz Fernando Pezão
  8. Marta Suplicy
  9. Moreira Franco
  10. Paulo Skaf
  11. Renan Calheiros
  12. Renan Filho
  13. Romero Jucá
  14. Sérgio Cabral

PRB

  1. Marco Pereira

PSB

  1. Lídice da Mata

PSD

  1. Gilberto Kassab

PSDB

  1. Aécio Neves
  2. Aloysio Nunes
  3. Beto Richa
  4. Bruno Araújo
  5. Duarte Nogueira
  6. José Serra

PT

  1. Andres Sanchez
  2. Antonio Palocci
  3. Dilma Rousseff
  4. Edinho Silva
  5. Fernando Pimentel
  6. Guido Mantega
  7. Jorge Viana
  8. Lindbergh Farias
  9. Luiz Inácio Lula da Silva
  10. Marco Maia
  11. Tião Viana

PTB

  1. Paes Landim

Sem partido

  1. Anderson Dornelles

A Lava Jato dá prejuízo? Pois R$ 270 mi recuperados de “Esquema Cabral” vão para aposentados

De todas as narrativas estapafúrdias da esquerda, certamente a mais bizarra é aquela segundo a qual a Operação Lava Jato seria um problema para a economia, pois – e aí vem a pérola – o combate à corrupção prejudicaria empresas investidoras e, com isso, tudo ficaria ainda pior.

Sim, muitos disseram isso.

O raciocínio é equivocado e estapafúrdio em várias camadas. Primeiro, por legitimar o trambique; segundo, e igualmente importante, pelos números de fato: há muito dinheiro recuperado e, uma vez saneado o problema, MENOS DINHEIRO PÚBLICO SERÁ DESVIADO E OBRAS CUSTARÃO MENOS, AUMENTANDO A MARGEM DE INVESTIMENTO EM OUTROS SETORES.

É básico, basilar ao extremo, mas é preciso explicar esse tipo de coisa sempre.

E agora mais essa: R$ 270 milhões do esquema do ex-governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, servirão para pagar aposentados. Isso mesmo.

Assim, cerca de 150 mil pessoas poderão receber o abono de forma integral, sendo priorizados aqueles cujos benefícios são em valor mais baixo.

Vamos ver o que a esquerda falará agora.

Não é piada: Cabral perdeu 80% da propina paga por Eike, pois investiu errado em ações

Justiça seja feita, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, atualmente residindo no presídio, não é apenas um desastre administrando um governo. Com as próprias contas ele também é da pesada.

Foi o que houve com a propina paga por Eike Batista. Acompanhem.

Cabral recebeu US$ 16,5 milhões, investindo US$ 11,8 milhões em ações da Petrobras, Vale e Ambev; mas ao resgatar, quatro anos depois, restaram apenas US$ 4,3 milhões.

Prejuízo total: US$ 7,5 milhões, equivalentes hoje a VINTE E TRÊS MILHÕES DE REAIS.

De todo modo, talvez nem todos tenham ficado tristes com isso.

Lula pediu a Sérgio Moro para viajar a Cuba em homenagem ao ditador Fidel Castro

Pela lei, por ser réu em algumas ações penais, Lula precisa notificar as autoridades caso se ausente do país por mais de uma semana. Nem é o caso agora, já que pretende ir a Cuba homenagear Fidel Castro, participando da cerimônia fúnebre do ditador. Mesmo assim, a defesa do ex-presidente pediu autorização a Sérgio Moro e aguarda dele um sinal positivo.

É um movimento curioso. Pois a postura dos advogados de Lula é combativa, de enfrentamento ao trabalho da Lava Jato. Trata-se de uma estratégia que deu bastante errado com a Odebrecht, mas, de alguma forma, o petista achou interessante tocar adiante. O mais natural, portanto, seria viajar sem prestar contas, uma vez que a lei não o impede de fazer isso em período tão curto.

Ou Lula só quer peitar Moro diante das câmeras forjando mais uma narrativa na qual se safa ao final?

Sérgio Cabral teria mandado Marcelo Calero grampear Michel Temer? Os horários se encaixam

O jornalista Claudio Tognolli publicou em seu canal no YouTube que Marcelo Calero registrou em áudio a pressão sofrida por Geddel Vieira Lima a mando da Polícia Federal. Mas que o ministro da Cultura teria ido além e gravado inclusive o presidente da República. E mais: a mando de Sérgio Cabral, que havia sido detido pela operação Calicute, uma das fases da Lava Jato.

Faz sentido? Bom… Sérgio Cabral foi detido na manhã de 17 de novembro de 2016. A primeira conversa de Calero com Michel Temer se deu horas depois, na tarde daquela quinta-feira. A gravação em si, contudo, teria rolado num segundo encontro, por volta das 21 horas.

Os horários batem.

Faturamento de escritório da esposa de Sérgio Cabral cresceu 457% enquanto ele governou o RJ

Em 2007, o Ancelmo Advogados recebeu R$ 2.642.530,30 em receita bruta. Oito anos depois, o mesmo escritório de advocacia faturaria R$ 14.725.978,35, um crescimento de assustador de 457%.

O escritório carioca pertence a Adriana Ancelmo.

Quem é Adriana Ancelmo? A esposa de Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro preso pela operação Calicute. O período em questão diz respeito justamente aos anos em que ele governou o estado.

Sim, há concessionárias de serviços públicos na lista de clientes do escritório.

Em vídeo, Dilma defende o voto em Sérgio Cabral, de quem ela alega nunca ter sido aliada

Sérgio Cabral foi preso pela operação Calicute apenas algumas horas após Anthony Garotinho ser também detido pela operação Chequinho. Mas o encarceramento de dois ex-governadores do Rio de Janeiro em dois dias seguidos talvez não tenha surpreendido tanto quanto a declaração de Dilma Rousseff, quando tentou desmentir a imprensa e alegou jamais ter sido aliada do primeiro.

Talvez algum recorde de desfaçatez tenha sido quebrado. Pois não faltam exemplos de como essa aliança existia. O Implicante já trouxe imagens, declarações, e agora traz o vídeo acima. Nele, Dilma defende o voto em Cabral para um segundo mandato à frente do Rio de Janeiro. E foi por crimes cometidos nesta gestão que o ex-governador foi pego.