Troféu Algemas de Ouro: Lula é eleito o político mais corrupto de 2012

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Apesar de tentativas para fraudar a votação, o ex-presidente Lula venceu o prêmio “Algemas de Ouro”, entregue ao político mais corrupto do ano. Lula ganhou com 65,69% dos 14.547 votos válido, em segundo lugar, com 21,82%, ficou o ex-senador Demóstenes Torres (sem partido) seguido pelo governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), com 4,55%.

No começo do mês, o Movimento 31 de Julho, responsável pela premiação, denunciou à imprensa e ao Facebook — plataforma usado para registrar os votos — a tentativa de fraude. Alertado por votantes, os organizadores detectaram a utilização de um programa de votação automática que criou perfis falsos no Facebook. O sistema  direcionou 38% do total de votos (23.557) para candidatos ligados ao PSDB e ao DEM.

De acordo com informações do jornal O Globo, para o próximo ano, a coordenação do movimento prometeu mudanças na plataforma usada para a votação.

 

CPI do Cachoeira acaba em pizza

Governistas impedem convocações e nova prorrogação dos trabalhos, e Comissão acabará sem chegar perto de esquema Delta e Cabral

Reportagem do Estadão:

BRASÍLIA – Acordo entre os líderes da base governista enterrou de vez nesta quarta-feira, 31, os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, que serão concluídos até o fim deste ano. A estratégia dos aliados do Planalto é evitar novas investigações das ramificações do esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com a empreiteira Delta. A oposição acusa os governistas de promoverem uma “vergonhosa pizza” e uma “farsa” com o fim da CPI.

Prevista para acabar neste domingo, 4, a CPI vai se estender oficialmente até o início do recesso parlamentar, no dia 22 de dezembro. Mas estes 48 dias de prorrogação servirão apenas para que o deputado Odair Cunha (PT-MG) apresente o relatório final com as conclusões das investigações, que se arrastam desde maio. “Quero apresentar o meu relatório no dia 20 de novembro”, disse Cunha.

Até o início da noite desta quarta-feira, 223 deputados e 34 senadores haviam assinado o pedido para prorrogação da CPI até dezembro. O pedido foi protocolado na Mesa Diretora do Senado. Não deverá ocorrer mais nenhuma reunião da CPI daqui até a data de apresentação do relatório.

A oposição defendeu a continuidade dos trabalhos da comissão por mais seis meses (180 dias). Mas não conseguiu apoio suficiente – são necessárias, no mínimo, as assinaturas de 171 deputados e 27 senadores. “Não temos como chegar a esse montante de assinaturas. No máximo, vamos conseguir entre 125 e 130 assinaturas de deputados”, admitiu o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Para sepultar de vez a CPI, os integrantes da Comissão aprovaram nesta quarta oadiamento da votação de mais de 500 requerimentos de quebras de sigilo bancário, telefônico e fiscal. Esses requerimentos eram essenciais para que a CPI avançasse nas ligações da Delta com empresas fantasmas, que abasteceram o esquema comandado por Cachoeira. Foram 17 votos favoráveis ao adiamento proposto por Odair Cunha e apenas nove contrários. A suspeita é de que pelo menos 13 empresas, que não tiveram o sigilo quebrado e fizeram negócios com a Delta, façam parte do esquema de Cachoeira.

“As investigações indicam que o Cachoeira é parte da organização criminosa e o cabeça do esquema é a empreiteira Delta”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). “O que está sendo feito agora é o tratoraço regimental”, reclamou Lorenzoni, diante da decisão de, na prática, engavetar todos os requerimentos de quebra de sigilo. “Estamos jogando o lixo para debaixo do tapete e o lixo está fedendo”, emendou o senador Pedro Taques (PDT-MT).

Os oposicionistas também voltaram a insistir na convocação do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, do PMDB. O pedido de convocação do governador fluminense, que é amigo de Fernando Cavendish, principal acionista da Delta, já foi rejeitado anteriormente. “Quando foi negada a convocação do governador Sérgio Cabral, para mim ele passou a ser o principal suspeito da construtora Delta. O Cabral foi blindado”, acusou o líder do PPS, deputado Rubens (PR).

Imediatamente, o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) saiu em defesa do governador, considerando a fala de Bueno uma “leviandade”, e iniciando um bate-boca com o líder do PPS. “O governador não foi convocado porque nas milhares de interceptações telefônicas não há nenhuma citação ao nome dele. O que existe é uma relação pessoal do governador com o Fernando Cavendish”, disse Picciani, com o dedo em riste para Bueno. “O Picciani é do grupo que blinda a Delta”, rebateu o líder do PPS. “Quero lamentar profundamente o desrespeito do deputado Onyx. Não nos prestamos a blindar quem quer que seja”, retrucou o peemedebista.

A CPI do Cachoeira está paralisada há dois meses sob o argumento de que o período eleitoral poderia contaminar as sessões e as investigações da comissão. Nesse período, a CPI ouviu apenas o depoimento do deputado Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO) sem avançar nas apurações.

(grifos nossos)

Comentário

A CPI do Cachoeira começou como uma farsa dos governistas para tentar “enquadrar”, ameaçar e chantagear adversários, além de disputar holofotes com o julgamento do mensalão. Quando passou a não servir mais a este propósito e ameaçar o sossego da empreiteira número 1 do PAC, seus controladores decidiram enterrá-la.

Em vídeo, líder do governo envia torpedo pra Cabral e revela: “Você é dos nossos e nós somos teu [sic]”

Informações e vídeo extraídos do portal UOL Notícias:

A reportagem do SBT flagrou, durante a CPI do Cachoeira, nesta quinta-feira (17), o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), enviando uma mensagem de texto pelo celular para o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Na mensagem, Vaccarezza tranquiliza Cabral: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe, você é dos nossos e nós somos dos teu [sic]”.


Garotinho divulga fotos de Cabral com Cavendish em Paris

Matéria do jornal O Globo:

RIO – Fotos publicadas nesta sexta-feira no blog do ex-governador e deputado federal, Anthony Garotinho, mostram o governador Sérgio Cabral e os secretários Wilson Carlos (Governo) e Sérgio Côrtes (Saúde) numa viagem a Paris na companhia de Fernando Cavendish, que até semana passada estava à frente da Delta Construções, empresa que já recebeu de R$1,4 bilhão em contratos assinados com o estado.

Numa das imagens, Wilson Carlos e Sérgio Côrtes dançam abraçados com Cavendish. O clima de comemoração era tanto que o grupo, bem desinibido, usou lenços amarrados na cabeça. Em outra sequência, Cabral é visto sorridente posando para fotos ao lado de Cavendish que, agachado, parece brincar com a situação. Na mesma foto, está ainda o atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Aloysio Neves, um dos responsáveis por fiscalizar os contratos do governo com as empresas. Na época, Aloysio era chefe de gabinente do ex-presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani. Ele foi nomeado para o TCE em abril de 2010.

Uma terceira foto mostra os secretários de Transporte, Júlio Lopes, e da Casa Civil, Régis Fichtner, abraçados com Fernando Cavendish. O chefe da Casa Civil é o responsável pela auditoria anunciada pelo governo nos contratos assinados com a Delta. A medida foi tomada após vir à tona as relações da Delta com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Numa gravação veiculada após o escândalo, Fernando Cavendish chegou a afirmar que era possível ganhar contratos após o pagamento a senadores.

(grifos nossos)

 *Atualização 12:40*

Garotinho postou hoje (28) pela manhã o vídeo abaixo, de Cabral combinando o casamento de Cavendish na Europa:

[youtube]https://www.youtube.com/OaD3HsrypaM[/youtube]

E ele ainda promete mais fotos e vídeos em seu blog.

Governo e base articulam operação para abafar CPI. Governadores não seriam investigados.

Se depender do Congresso, eles não serão investigados.

Parece que o único alvo da ‘CPI do Cachoeira’ será mesmo o senador sem partido Demóstenes Torres. Temendo um desgaste na imagem do governo, o Planalto já esboça um acordo para evitar uma investigação mais aprofundada a respeito do envolvimento do contraventor Carlinhos Cachoeira com políticos.

Abaixo a reportagem do Estadão:

BRASÍLIA e CURITIBA – Diante do alerta do Palácio do Planalto sobre os riscos de desgaste do governo, tomou corpo no Congresso, com ajuda da base aliada, uma “operação abafa” na Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira, a ser instalada nos próximos dias. Uma das estratégias é poupar políticos de diversos partidos citados na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que levou à prisão o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Ficariam fora do radar deputados flagrados em escutas com integrantes do esquema, os governadores petista Agnelo Queiroz (DF) e o tucano Marconi Perillo (GO), além do ex-ministro José Dirceu. A única exceção seria o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que teve 298 conversas telefônicas com Cachoeira grampeadas pela PF nos últimos três anos. O senador está sendo investigado também pelo Conselho de Ética e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A “operação abafa” é resultado da pressão da presidente Dilma Rousseff para que setores do PT defensores da CPI do Cachoeira tenham calma e não usem a comissão como palco de vingança, o que poderia causar danos políticos ao governo.
Dilma conversou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a CPI na sexta-feira, em São Paulo, conforme revelou o Estado.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), defendeu nesta segunda-feira, 16, que a CPI investigue os negócios de Cachoeira e não se transforme numa disputa política entre governo e oposição. “Queremos é desmantelar esta rede de poder paralelo que foi constituída por esse cidadão chamado Cachoeira e que vai desde o Legislativo, passa pelo Executivo e pelo Judiciário, pelo setor privado e pela imprensa brasileira.”

“Todos serão investigados independente de onde estejam, de qual papel tenham cumprido”, afirmou Maia, a despeito da operação abafa em curso no Congresso. Ele negou que o PT queira barrar as investigações.

Até a semana passada arauto de uma investigação que atingisse as entranhas da oposição, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), adotou um discurso conciliador. “Acho um exagero chamar o Agnelo Queiroz (governador do Distrito Federal, do PT) e o Marconi Perillo (governador de Goiás, do PSDB)”, disse o líder, ao responder se os dois deveriam ser convocados pela CPI. Em seguida, porém, retomou a luta política: “O envolvimento do governador do PSDB com Cachoeira é muito maior. É mais razoável chamar o Marconi do que o Agnelo”.

O movimento em gestação no Congresso visa a salvar os políticos ao mesmo tempo em que tentará fazer com que a CPI concentre suas investigações no contraventor Carlinhos Cachoeira e nos empresários mais citados nos grampos da Polícia Federal, como Fernando Cavendish, dono da Delta Construções S.A. e Cláudio Abreu, representante da empresa no Centro-Oeste.

Leia mais aqui.

Enquanto o senador Demóstenes Torres viu-se compelido a renunciar pra não passar pelo constrangimento de ser expulso do DEM, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, ganha o apoio incondicional de seus pares. O pior é que as lideranças petistas já admitem a ligação espúria de Queiroz com o contraventor. Para Jilmar Tatto, por exemplo, apesar dos grampos da Polícia indicarem a ligação de Agnelo com o grupo do bicheiro, é mais razoável convocar o governador tucano Marconi Perillo do que o governador petista porque, nas palavras do parlamentar, o envolvimento do tucano seria “muito maior”. Como vocês podem perceber, para os petistas, a probidade é apenas uma questão de quantidade.

Tragédia na Bahia expõe relações de Cabral com empresário que já recebeu R$ 1 bi do RJ

A tragédia em Porto Seguro (BA) na última sexta (18), onde morreram 7 pessoas, expôs uma relação bastante peculiar entre o dono de uma das maiores prestadoras de serviço do estado do Rio de Janeiro e o governador fluminense, Sérgio Cabral.

O “Principe do PAC”

Cabral se dirigia ao sul da Bahia num jatinho do empresário Eike Batista em companhia de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Cavendish é conhecido como “Príncipe do PAC”, por abocanhar a maior parte dos contratos com os governos federal, estadual e municipal .

A assessoria do governador informou que Sérgio Cabral participaria da festa de aniversário de Cavendish, e ficaria hospedado no luxuoso resort do piloto Marcelo Mattoso de Almeida. Um ex-doleiro acusado por  fraude cambial e crime ambiental.

Leiam abaixo trechos da reportagem de O Globo. Voltamos nos comentários.

 

RIO – Três dias depois do acidente de helicóptero que caiu em Porto Seguro, matando seis pessoas – uma vítima ainda está desaparecida -, o estado quebrou o silêncio e informou na segunda-feira que o governador Sérgio Cabral viajou para o Sul da Bahia num jatinho do empresário Eike Batista, em companhia de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. A empresa é uma das maiores prestadoras de serviço do estado e recebeu, desde 2007, contratos que chegam a R$ 1 bilhão. Além disso, também foi informado que Cabral se dirigia com o grupo para o aniversário de Cavendish num resort, onde ficaria hospedado, mas o acidente com a aeronave interrompeu os planos. Na segunda-feira, o governador se licenciou do cargo, alegando razões particulares.

(…)

 

Eike doou R$ 750 mil para campanha

 

Afinidade: os dois também tiveram problemas com bombeiros

 

Além de Cavendish, Eike mantém estreitas relações com o estado e com o governador. O megaempresário doou R$ 750 mil para a campanha de Cabral em 2010. Eike se comprometeu ainda a investir R$ 40 milhões no projeto das UPPs, a menina dos olhos da segurança do Rio.

Desta vez, a participação de Eike, ao oferecer o passeio até Porto Seguro, não tinha relação com projetos públicos. O motivo da viagem era o aniversário de Cavendish, comemorado sexta-feira. Os laços do empresário e da Delta com o estado foram se estreitando nos últimos anos. Se é o “príncipe do PAC” por conta do expressivo número de obras do programa federal que estão na carteira de sua empresa, Cavendish é o rei do Rio, se for considerada a generosa fatia do bolo de recursos do estado que recebeu nos últimos anos ou está prestes a abocanhar, por obras como a reforma do Maracanã ou do Arco Rodoviário, ambas estimadas em R$ 1 bilhão cada. Em 2007, no primeiro ano do governo Cabral, a Delta teve empenhos (recursos reservados para pagamento) no valor total de R$ 67,2 milhões. No ano passado, o número deu um salto de 655%, para R$ 506 milhões.

Quando se consideram os valores efetivamente pagos, a posição de vantagem da Delta não muda. No ano passado, somente a Secretaria de Obras pagou R$ 91 milhões à empresa, que ficou em terceiro lugar na lista das que mais receberam da pasta, que tinha orçamento de R$ 1,1 bilhão para obras e reparos. Em primeiro lugar, com 25%, ficou o Consórcio Rio Melhor (PAC nas favelas), com R$ 269 milhões. Detalhe: a Delta faz parte do consórcio com Odebrecht e OAS. Outro exemplo do longo braço da Delta é o DER. Em 2010, na rubrica obras, o órgão tinha R$ 283 milhões e pagou 30%, ou R$ 81 milhões, à Delta, que ficou com o maior pedaço do bolo.

Em maio, após romper com Cavendish, o dono de uma outra empresa da área de construção, Romênio Marcelino Machado, afirmou à “Veja” que a Delta havia contratado José Dirceu para tráfico de influência junto a líderes petistas. Segundo a revista, Cavendish, em reunião com sócios em 2009, teria dito que, “com alguns milhões, era possível comprar um senador”.

Íntegra aqui.

Comentário:

O sempre atento Coronel do Blog foi um dos primeiros a estranhar a viagem do governador Sérgio Cabral a Porto Seguro, relembrando as ligações do dono da Delta com petistas graúdos que, após serem apeados do cargo, passaram a prestar serviços de “consultoria”. Mais tarde foi a vez do jornalista Jorge Bastos Moreno apontar a ligação do empresário com os “Poderes da República”:

Agora que a proximidade do empresário com o governador do Rio ficou evidente, aguardamos informações sobre quem pagaria as despesas da família Cabral nesse trágico passeio. Será que o Ministério Público tem essa curiosidade?