O mensalão não foi um caso de corrupção. O mensalão é uma mentalidade.

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Os mensaleiros tiveram suas prisões decretadas. De toda a quadrilha, apenas três petistas foram presos – José Genoino, José Dirceu e Delúbio Soares – e um quarto aparentemente fugiu para a Itália, Henrique Pizzolato, ainda mantendo um tom de pizzaiolo no imbróglio.

No presídio da Papuda, para onde Genoino e Dirceu foram enviados, uma trupe de petistas faz barraco noite e dia (não trabalham? como pagam as contas?) com brados como “Dirceu, herói do país!”.

Todos no país parecem dizer que querem acabar com a corrupção – sobretudo a corrupção dos outros. Foi criando CPIs intermináveis sobre corrupção (a maior parte delas não dando em nada) que Dirceu subiu na carreira de deputado (foi levantando um morto numa manifestação nos anos 60 que subiu na carreira de líder de turbas enfurecidas).

Henrique Pizzolato, por sinal, teve um discurso que parece 100% o discurso da “oposição” atual quando tentou ser governador do Paraná em 1990.

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Contudo, mesmo que o foco seja a corrupção apenas dos rivais, há algo de novo no mensalão. Os petistas tentam agora chamar um caso de corrupção que nada tem a ver com a concentração de poder do mensalão petista de “mensalão tucano”, e tentarão eternamente doravante chamar qualquer caso de corrupção que não envolva compra de deputados nem centralismo burocrático de “mensalão”.

Há alguns anos (em contagem histórica, poucos anos) havia a figura em São Paulo do “malufista”. Aproveitando-se do mote que os apoiadores de Ademar de Barros (uma espécie de Maluf avant-les-temps) lhe atribuíam, “rouba mas faz”, os malufistas defendiam um político mesmo debaixo de uma lamaçal de corrupção.

Maluf é figura esquecida da política. O que é chamado em ideologia política como “direita” sempre o detestou, por saber que de direitista (liberal ou conservador) Maluf tem muito pouco – tanto é que debandou para o lado petista, o daqueles que só querem o poder, não importa quanto tenham de inverter o discurso para tal.

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Mas depois que as denúncias de corrupção começaram a se comprovar (Maluf já foi preso com seu filho, ao menos por alguns dias), Maluf não teve mais votos suficientes nem para ser um deputado de destaque – que dirá realizar seu antigo projeto de poder de ser presidente.

Quando Paulo Maluf foi preso, não houve UM ÚNICO malufista na frente do presídio o considerando um herói ou clamando por sua inocência.

Por que a coisa mudou tanto com o PT? A verdade é simples: a mentalidade política que torna alguém petista (ou de esquerda, ou progressista) é crente na eficiência do Estado, só faltando um pouco de bom mocismo nos seus dirigentes. O Estado só age por um meio: coação, obrigando as pessoas a algo pelo monopólio força.

pt socialismoQuem acredita tão firmemente no PT acredita que o Estado deve controlar a sociedade para ela não ser diferente do que ele imagina – para que não haja “desigualdade”, para que as pessoas não sejam “preconceituosas”, para que não sejam “ofensivas” e para corrigir a história na base do revisionismo corretivo oficial do governo.

Para isso, é preciso que o Estado tenha poder sobre as pessoas, e é preciso ter um Estado cada vez maior controlando uma população que se torna cada vez mais obediente e igual. O destino final é retratado em livros como 1984 ou A Revolução dos Bichos, de George Orwell, A Revolta de Atlas de Ayn Rand, Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, O Processo de Kafka ou O Zero e o Infinito de Arthur Koestler. O totalitarismo gerando um novo mundo de “igualdade” e anulação da individualidade e da história.

O mensalão serviu exatamente para atravessar um empecilho óbvio: numa democracia moderna, não se governa sozinho, como no totalitarismo cubano admirado por 11 em cada 10 petistas, e sim com oposição.

O plano de poder do PT é o totalitarismo da igualdade (basta ver como a palavra “desigualdade” é repetida ad nauseam em todo discurso petista).

collor sarney lulaComo todo totalitarismo, seu germe é a democracia: o PT gosta da democracia para tomar o poder, não para exercê-lo. Para tomar o poder, fez coalisão com os maiores donos do poder do país – de ACM a Collor, de Sarney a Maluf, deixando até poucas opções indigestas para a oposição ser obrigada a engolir a contragosto.

Tão logo o poder é tomado, qualquer opinião diversa entra na fila do abate. O mensalão era a mesada que se pagava a deputados da base aliada (e, portanto, não a petistas, que não enriqueciam no processo) para que eles votassem sempre a favor do Executivo central – ou seja, para que Lula governasse sozinho, sem precisar do Congresso, por decreto direto, como fazem seus amigos ditadores Fidel Castro, Evo Moralez, Rafael Correa, Hugo Chávez, Nicolas Maduro (que, num estágio mais avançado deste processo, já revogou os poderes da oposição venezuelana e já governa por decreto, misturando Executivo e Legislativo apenas em sua pessoa).

Portanto, é inútil a logorréia petista, de que “Genoino não enriqueceu e continua vivendo na mesma casa”. O mensalão não foi feito para enriquecer o PT, e sim para aumentar o seu poder de legislar por decreto, como mais poder do que uma ditadura.

Curiosamente, não dizem que “José Dirceu continua pobre”, sem perceber nenhuma contradição.

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Nem que “Lula continua pobre”, bebendo whisky Johnny Walker Black Label, vinho Marquês de Riscal e água San Pellegrino, ou que o filho de Lula, ex-guarda de zoológico, “continua pobre” em sua nova casa.

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Ou seja, o mensalão não é apenas um caso de corrupção, como era o malufismo: é uma mentalidade para tomar o poder e reconstruir a sociedade inteira através da concentração de poder em um único Executivo central. Na verdade, se o mensalão não tivesse dinheiro público (ou seja, não fosse corrupção), 99% do problema continuaria existindo. Poucos já entenderam o que foi o mensalão.

Não é à toa que um famoso petista, quando da visita de Yoani Sánchez ao Brasil, tentando bancar o engraçadinho, deu com a língua nos dentes: gritou “eu sou mensaleiro”, e disse que iria tomar o poder para governar por 50 anos sem parar. Mesmo assim, seus opositores ainda não entenderam a que vieram os mensaleiros (para eleger um ditador e governar por decreto, ignorando a separação de poderes).

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É isso que é o projeto do PT (enquanto a oposição precisa se reinventar a cada eleição).

O que atrapalhou o plano foi que o Judiciário ficou de fora, e acreditou-se ser possível cooptá-lo tão facilmente quanto se faz com deputados (em geral menos técnicos e mais interessados apenas em roer o osso do poder).

Mesmo com um STF composto já quase em sua totalidade por indicações do PT (apenas 2 ministros não foram parar lá por causa do PT), juízes, que analisam dados e julgam processos de mil páginas (o que deputados praticamente nunca fazem) não tiveram como não rifar a cabeça dos mensaleiros – a não ser os dois de sempre e, claro, por “mera coincidência”, os últimos que apareceram logo que conseguiram enrolar o processo até a saída de Ayres Britto e Cezar Peluso, e que quis o Destino que votassem a favor dos mensaleiros.

Quando os petistas acusam Joaquim Barbosa de “traidor” e “capitão do mato”, apenas revelam a que vieram: o PT, ao contrário de qualquer outro partido no poder, não indicou juízes para o STF por competências técnicas para julgar casos, e sim para votar a favor do PT e favorecer sua concentração de poder. Um juiz que julgue, ao invés de dar a patinha (como fazem certos outros), é um juiz que atrapalha a aplicação do totalitarismo.

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O Brasil não tem risco de um golpe militar, de uma “mídia golpista” que seja capaz de arranhar a imagem de algum petista (alguém duvida da reeleição de Dilma?), de uma ameaça neofascista ou nazista – mas corre o risco do totalitarismo socialista petista.

Do contrário, por que nenhum petista faz alguma crítica à ditadura cubana, e o único a se pronunciar a favor da dissidente Yoani Sánchez (na verdade, apenas para que ela tivesse direito à fala) foi a contradição ambulante Eduardo Suplicy, ser humano com tanta complexidade na mentira interior que precisa de um Machado de Assis para ser explicado, já que nossa literatura atual, totalmente pró-PT, não tem capacidade para criar personagens tão humanos?

Por que nenhum petista critica o Foro de São Paulo? Por que nenhum petista se revolta contra totalitarismos socialistas mundo afora – pelo contrário, até Luiz Gushiken, morto neste ano, era maoísta, enquanto Tarso Genro afirma à revista extremista Caros Amigos que o PT deixou o Brasil um pouco mais perto do socialismo?

Sem o risco de ditadura vindo de lugar nenhum, o Brasil só tem um risco atual: o PT. O PT é o mal do Brasil, o mal em estado bruto, em estágio cada vez mais avançado. E o mensalão foi apenas a primeira tentativa de governar cubanamente por 50 anos.

PT e partidos de esquerda declaram apoio a ditador norte-coreano Kim Jong-un

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Enquanto o mundo teme a insanidade comunista (com o perdão da redundância) de Kim Jong-un, o ditador da Coréia do Norte que, em pouco mais de um ano de “governo”, ameaça a humanidade com nova guerra nuclear, organizações de esquerda capitaneadas pelo Partido-chefe, o PT, declaram apoio ao totalitário.

Kim Jong-un subiu ao poder substituindo monasticamente seu (provável) pai, Kim Jong-il, que, ao enfiar o pé na jaca em dezembro de 2011, também foi “homenageado” como “patriota” e promotor das “causas da reunificação coreana, da paz e da amizade e da solidariedade entre os povos” (sic) pelo PCdoB, com a típica subscrição bonitinha e puro amor do PT, apenas aquele partidinho que governa o Brasil.

kim-jong-un-peaceSe você acha inverossímil vilão de desenho animado que só pensa em sair por aí destruindo coisas, você não conhece Kim Jong-un, Kim Jong-il e Kim Il-sung (eu também tive de esperar esses dois irem pro bico do corvo para descobrir que Il é “IL“, e não “segundo”, não se preocupem). O PT, o PCdoB, o MST, a CUT, a UNE, a Unegro (?!), a Unipop (?!?!), a Telesur, a TV Comunitária de Brasília, o Jornal Revolução Socialista e mais alguns órgãos que vivem de tomar nosso dinheiro à força através de impostos para laurear os maiores genocidas da historia mundial logo lançarão uma moção de apoio ao Destruidor, a Sauron, ao Esqueleto, ao Zeca Urubu e à Equipe Rocket.

Não se trata apenas de pequenos partidos parados no tempo que ninguém com QI acima de 68 leva a sério. O PT é o capitão da frota, apenas sendo uma carinha mais simpática para angariar votos de “progressistas” que nunca leram suas atas, e acreditam que o partido abandonou as raízes, é agora gente boa, honesto, não acredita mais em socialismo (mesmo que em seu Congresso recente defenda escancaradamente o “socialismo petista”, whatever does it mean), é pura alegria. Apenas um partido pró-trabalhador, nada lá muito gulag e muito “luta de classes” entre Pyongyang e Washington (como se a América tivesse algo a ver com a miséria norte-coreana).

Na verdade, o projeto de poder dessas entidades, obviamente, é comum. O PT não parou de apoiar o MST e suas invasões de propriedade. Nunca declarou uma vírgula de crítica às suas aliadas na criação do Foro de São Paulo (que já expulsou a reportagem da revista VEJA, para depois se orgulhar de sua “democracia plural”) e do Fórum Social Mundial, as FARC, maior fornecedora de drogas do mundo e campeã de assassinatos e seqüestros longevos na América Latina. Nunca deixou de ser apoiado pelos mais extremistas órgãos terroristas do país (você acha que o PCC e o Comando Vermelho não declaram voto no PT? O nome do segundo diz a que veio, o primeiro já deixou seus apaniguados sem visita na cadeia com um singelo “Fica todo mundo sem visita no dia da eleição pra todo mundo votar pro Genoíno”).

Entre seus membros estão ex-guerrilheiros (terroristas) que até hoje não fizeram humanamente um pedido de desculpas por suas ações serem responsáveis pela morte de mais de 200 pessoas (muitas até antes da ditadura militar). É apoiado por órgãos como o MR-8, grupo perigosíssimo que apoiou Quércia, considera Stálin o maior democrata de todos os tempos e já fez uma estranha ameaça a Diogo Mainardi em seu jornal Hora do Povo. Como confiar em pessoas ameaçadoras que apóiam Quércia? Tire o “ameaçadoras” e você encontrará um Mino Carta, da Carta Capital, petista até a medula.

North-Korea-Kim-Jong-Il-criesLula chamou o ditador Kadafi de “meu amigo, meu irmão e líder” (ninguém pediu explicações depois de o tirano ser chutado por seu próprio povo). Dilma aumenta o comércio com a China (parte do bolo que levou a América à bancarrota em 2008) e com a Rússia, países que, há poucas semanas, assinaram um pacto comercial selado em termos de se unirem contra o capitalismo americano. O ditador misógino Mahmoud Ahmadinejad já virou herói anti-esquerda “Morumbi-Leblon” da turminha petista, com nítidos laivos racistas e ódio anti-semita. Esse mesmo ditador que pode apedrejar mulheres enquanto as “feministas” petistas se calam para não atrapalhar a eleição de Dilma, Na mesma semana, Dilma em Roma e Lula no Fórum Novos Desafios da Sociedade pediram abertamente uma “governança global” (dominada, obviamente, por seus cupinchas) para diminuir os poderes nacionais e concentrarem o poder nas mãos de seus apaniguados. Ou seja, às favas as leis locais, se dois chefes de governo de países distintos concordam em acabar com seus inimigos – o poder até jurídico deve ir todo concentrado para as mãos deles.

Perto deste rol de contribuições do PT à paz, à liberdade diante de tiranos e da livre cooperativa mundial, até Lula gravar um vídeo em apoio ao proto-ditador Nicolás Maduro na Venezuela (aquele que esqueceu de colocar o corpo de Chavez na geladeira antes de oficializá-lo como múmia, e que disse que Chávez lhe apareceu na forma de passarinho e o abençou), ou Dilma visitar Cuba sem dar um piozinho sobre direitos humanos, ou ainda Evo Moralez roubar parte da Petrobras (o que é isso, com o tanto que somos roubados ano após ano em terra natal?), Chávez e o Paraguai também nos darem calotes, o próprio PT complicar que a polícia brasileira investigue desmanche de carros na Bolívia, ou mesmo o PT receber Ahmadinejad no Brasil como um grande amigão (inclusive da UNE, aquela entidade cheia de feministas adolescentes), ou ainda Dilma torrar em uma semana em Roma o que alguém que recebe salário mínimo demoraria 40 anos para amealhar (ela que sequer cristã é, só mirando nos votos) – perto de um Kim Jong-un, tudo isso vai pro Tribunal das Pequenas Causas.

Nada disso é comentado pela imprensa – ou, quando o é, apenas é feito como uma nota de rodapé em um discurso. Um fato isolado e curioso. Aparentemente, poucos (com o perdão do eufemismo) jornalistas neste país continental estão gabaritados para brincar de ligar os pontos e perceberem um projeto de poder que há incontáveis anos vem sendo esfregado com pouca delicadeza em seus narizes.

Na típica inversão da realidade mais óbvia e factual, uma notícia no site do PCdoB afirma que a “escalada da tensão na Península Coreana” causa “preocupação com um possível conflito internacional, apesar dos pedidos reiterados por diálogo enquanto a Coreia do Sul, apoiada pelos EUA, toma medidas belicistas”. Ou seja, para o PCdoB (e o PT, e outros órgãos bonitinhos que a galera apoia apenas como tendo um passado um pouquinho mais revoltado, típica rebeldia sem causa adolescente), a tensão e os exercícios militares são feitos pela Coréia do Sul, enquanto a Coréia do Norte praticamente implora por diálogo (sic).

coreia do norte frotaNotícia bastante monga, visto que o regime totalitário da Coréia do Norte (que até hoje considera só ter um presidente eterno), desesperado para ser notado no cenário mundial com sua política fechadíssima, militarista e sua população na miséria, chega até mesmo a divulgar imagens de sua frota marítima aumentada com Photoshop (sem brincadeira).

Contra isso, tais “movimentos e partidos brasileiros que lutam contra o imperialismo belicista e pela manutenção da paz e da soberania das nações” enviaram uma carta ao embaixador da Coréia do Norte (apelidada “Coreia Popular” apenas por essas sumidades do pensamento mundial) com um misto de alarmismo, obediência quadrúpede e tom de ameaça braba.

Segundo a missiva (calma, só missiva), a “campanha de uma guerra nuclear desenvolvida pelos Estados Unidos contra a República Democrática Popular da Coreia passou dos limites e chegou à perigosa fase de combate real”. Estranhamente, como até Guga Chacra já denunciou, Kadafi e Saddam, que queriam a bomba, foram derrubados pela América. A Coréia do Norte, que até agora brada em alto e bom som que jogaria uma bomba atômica em Nova York se tivesse tal capacidade, não sofreu muito mais do que sanções econômicas que ela própria já se impõe dos americanos.

Sabe por que não veremos uma horda de vagabundos gritando que o “embargo mata”, como fizeram quando a blogueira Yoani Sánchez visitou o Brasil mês passado? Porque sequer blogueiro a Coréia do Norte permite existir. Claro que quem “passou dos limites” foram a América e a Coréia do Sul, que até agora fizeram sobrevôos de espionagem pelo território norte-coreano, enquanto a Coréia do Norte, só para comentar fatos ultra-recentes, atacou um navio militar sul-coreano matando cem pessoas sem praticamente haver retaliação.

A defesa que a Coréia do Sul monta com ajuda americana ocorre, segundo o PCdoB, “apesar de repetidos avisos da RDP da Coréia”. APESAR DE AVISOS?! Quais seriam este “avisos”?! “Hey, se vocês continuarem existindo e chegarem perto de mim, vamos jogar bombas atômicas sobre suas cabeça”s? É isso que pensam “movimentos e partidos brasileiros que lutam contra o imperialismo belicista e pela manutenção da paz e da soberania das nações”?

Coréia do Norte, melhor pais
Coréia do Norte, melhor pais

Para esse tipo de gente, exercícios militares “são ações que servem para desafiar e provocar uma reação nunca antes vista e torna a situação intolerável”. Ou seja, não atacar (enquanto a Coréia do Norte já ataca) é um desafio, uma provocação. Inevitável que gente do porte de Kim Jong-un e seus defensores (PT, PCdoB, UNE, MST etc etc) só tenha como única opção uma “reação nunca antes vista”, admitindo que assim a situação se torna intolerável. Qual será o ineditismo da reação? Nem o Gulag, 100 milhões de mortes ou o totalitarismo mais fechado e brutal do planeta seriam coisas “nunca antes vistas” para o ideário político mais assassino e brutal que já existiu.

Mas, claro, são a Coréia do Sul e seus parceiros locais (bem, até o Brasil importa Hyundai) que “ameaçam a paz no mundo e da região”. Qualquer produto coreano (ou seja, sul-coreano) ameaça a paz no mundo. Contra isso, só resta à esquerda “anti-belicista” pregar o que sempre pregou: mais controle estatal e centralização de poder nas mãos dos burocratas comandantes, obrigando a população a andar de joelhos e trabalhar como escrava para satisfazer os desejos dos “representantes de classe” no poder. A mesma Coréia do Sul que colocou a primeira mulher presidente na península coreana, depois de, em 1978, o PIB da Coréia do Sul ser quase quatro vezes maior que o do Norte (ao invés de retórica para se manter no poder, melhoria da vida da população). Hoje, apenas duas décadas de democratização e liberalismo depois, o PIB da Coréia do Norte corresponde a apenas 3,1% do da Coréia do Sul. Alguém espera que alguma mulher se torne presidente da Coréia do Norte um dia? Nem a esquerda brasileira e o PT: estão se lixando pra isso, desde que se mantenham no poder.

Kim-Jong-Un-ready-for-warOu, na linguagem macaqueada e eufemística (ou nem tanto) do PCdoB, garantir “nosso [deles] total, irrestrito e absoluto apoio e solidariedade à luta do povo coreano para defender a soberania e a dignidade nacional do país”. Humm. Que tal enviarmos todos (o apoio não é “total” e “absoluto”?) os militantes desses partidos para lutarem na Coréia do Norte agora? Até aceito que meus impostos paguem a passagem. Já pagam um monte de inutilidades, concentração de poder e corrupção, mesmo.

São eles que dizem coisas como “Lutaremos para que o mundo se mobilize para que os Estados Unidos e Coréia do Sul devem cessar imediatamente os exercícios de guerra nuclear”, afinal. Embora um lapsus linguae aí deixe escapar uma terceirização: “lutarão” para que o mundo se mobilize, não lutarão eles próprios. Pelo visto, o apoio “total, irrestrito e absoluto” não inclui ir pro front. Droga.

Os totalitários se gabam da condição de “conscientes de estarmos contribuindo e promovendo um ato de fé revolucionária pela paz mundial”, seja lá o que for estar consciente de promover um ato de fé (algo como saber que se está acreditando no absurdo, mas estar feliz por isso lhes garantir mais poder).

Lembremo-nos: além da assinatura do próprio PT (a face bonitinha engana-quem-consegue do totalitarismo brasileiro), o arrazoado está no site do partido de Aldo Rebelo, que já foi presidente da Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007, se tornando o primeiro comunista (ou o primeiro comunista linha-dura) a assumir os deveres de presidência da República brasileira em novembro de 2006. Também é atual deputado federal, alçado a ministro dos Esportes (imagina na Copa). Também é o partido de sumidades da inteligência mundial, como Netinho de Paula e Manoela d’Ávila, além de diversos outros ministérios – até Maria do Rosário começou no PCdoB, e está na Secretaria de Direitos Humanos, mesmo tendo sido de um partido defensor dessas atrocidades! E vocês aí mimimizando por causa do Feliciano…

Também subscrevem a missiva PSB, Cebrapaz, CUT, MST, MDD, UJS, UNE, Unegro, Unipop, CDRI, CDR/DF, MPS, CMP, CPB, Telesur, TV Comunitária de Brasília, Jornal Revolução Socialista. Tutti buona gente.

Essas pessoas, que “acreditam muito no socialismo” e estão “batalhando para atingir o socialismo”, não se furtam a chamar de “democrática” uma Coréia que tem como presidentes apenas o filho e o neto do primeiro ditador.

Se Mao Zedong, responsável pela morte de 70 milhões de pessoas (pouco menos da metade da população do Brasil) declarava no artigo 2.º da Constituição da República Popular da China de 1978 que “a ideologia norteadora da República Popular da China é o marxismo-leninismo-pensamento de Mao Zedong”, na Coréia do Norte, Kim Il-sung era descrito mais modestamente como “superior a Cristo em amor, superior a Buda em benevolência, superior a Confúcio em virtude e superior a Maomé em justiça”.

kim jong un cartmanEnquanto os totalitários norte-coreanos e seus cupinchas do PT, PCdoB e derivados “lutam contra o imperialismo belicista”, a Coréia do Sul, abrindo sua economia e se livrando da corrupção na década de 80,  tem IDH, cada vez mais alto – já é maior dp que o da Dinamarca e se situa quase encostado no da Islândia e de Hong Kong, passando pesos pesados como Israel, Bélgica, Áustria, França, Eslovênia (que soube enriquecer rapidamente aplicando princípios liberais com o desmantelamento da Cortina de Ferro) e Finlândia. Seu sistema educacional é o melhor do mundo. É a diferença fundamental entre esquerda e direita: como disse @PabloR1_, alegria de um socialista é a luta de classes. A alegria de um capitalista é a prosperidade de uma sociedade. E ainda leva a fama de cruel.

Os norte-coreanos, absolutamente proibidos de deixar o país (você já ouviu falar de algum?), que têm a “soberania das nações” defendida pelo PT, vivem sem luz á noite e nem nos esportes, alegria de todos os totalitários, teve alguma felicidade (o próprio Kim Jong-il tratou de mandar ao espancamento o seu time de futebol).

O socialismo juche dos Kim, contrário ao socialismo baath de, por exemplo, Saddam Hussein. prega uma pureza racial nos moldes nazistas. Os mitos sobre sua pessoa que são passados à população são um show de criatividade: as cartilhas do governo dizem que Kim Jong-il não produz urina ou fezes. Seu nascimento teria sido “sobrenatural”, com uma nova estrela e um arco-íris duplo o “anunciando”, além de um iceberg falante. As estações do ano também teriam repentinamente mudado de inverno para primavera (também não entendi se o iceberg sobreviveu). Toma essa, Moisés.

Para quem acredita que é apenas um capricho um pouco antiquado do PT, mais ou menos como aquele seu tio-avô que só usa paletó com abotoadura, urge lembrar que a situação só não é crítica porque o Brasil ainda não significa nada além de um país exótico ascendendo economicamente no cenário internacional.

Ficam algumas perguntas: o PT apoia a democracia capitalista, ou só discursa bonito em Davos e é elogiado, para na mesma semana ir ao Fórum social Mundial e também sair ovacionado? O PT ficaria do lado da Coréia do Sul e do mundo civilizado num possível conflito com a Coréia do Norte, ou ajudaria de todas as formas possíveis o ditador mais bizarro do planeta? O PT, assim como esses neo-socialistas, nega o Holocausto? (o Gulag já sabemos que, na melhor das hipóteses, ignora)

O PT é esse totalitarismo, e o perigo só não é maior por falta de capacidade. A humanidade nunca esteve tão ameaçada desde a crise dos mísseis provocada por Fidel Castro. E o PT está do lado do hecatombe nuclear.