Na semana em que surgiu na nova lista de Janot, a esquerda montou dois palanques para Lula

Primeiro, foi a “greve geral” que não era greve geral, mas um protesto esquerdista que tumultuou o meio de semana do brasileiro. Depois, a inauguração da transposição do Rio São Francisco que não era inauguração, pois já havia sido inaugurada dias antes por Michel Temer. Com isso, Lula ganhou da esquerda dois palanques para discursar na semana em que despontou na segunda lista de Janot. Tudo isso sem disfarçar que está em campanha – antecipada! – de olho em 2018. Tudo isso com a devida cobertura cínica da imprensa, que deu mais atenção ao circo montado pelo PT do que ao evento oficial.

Em outras palavras, a esquerda segue peitando a Justiça.

É claro que essa iniciativa será merecidamente revisitada nas eleições do ano que vem. Não adianta depois reclamar do resultado das urnas.

A opinião pública segue atenta. E, caso se distraia, o Implicante faz questão de chamar-lhe a atenção.

A transposição do São Francisco não é de Dilma, Lula ou Temer: é do povo brasileiro

O Brasil livrou-se da gestão Dilma Rousseff, mas não das bobagens que a ex-presidente teima em dizer. Em seu site, veio com todas as letras afirmar que “a integração do São Francisco é obra de Lula e Dilma“. O que, claro, só faz sentido na narrativas – eufemismo para “mentira” – contadas pelo petismo.

Qualquer pessoa que acompanha a história do Brasil sabe que obras de tamanha magnitude, pelo impacto ambiental, e mesmo pelos custos, chegam a consumir décadas até que encontrem uma conclusão. A transposição do São Francisco foi ainda pior, chegou a atravessar séculos.

As primeiras discussões datam de 1847, no Brasil Império, quando Dom Pedro II ainda reinava por aqui. E foram retomadas nos anos finais da ditadura Vargas. Contudo, o primeiro projeto só chegou ao papel no governo Figueiredo, o último da ditadura militar.

Desde então, vários presidentes dariam sua contribuição ao trabalho. Itamar Franco enviou o decreto ao Senado e iniciou os estudos que viabilizariam a obra, FHC caminhou com a burocracia necessária e criou os comitês que, com participação popular, descentralizaram a gestão dos recursos hídricos.

Lula deu um grande passo na briga com as licenças ambientais do Ibama, ainda que caibam justas questões sobre a dura atuação do ex-presidente contra o órgão. Tudo isso tornou possível ao exército iniciar a obra em 2007, com planos para conclusão cinco anos depois. Mas, em 2013, só a parte que cabia ao exército havia sido entregue.

Ou seja… O governo Dilma de fato trabalhou no projeto, mas o atrasou ao ponto de caber a Michel Temer, em 2017, já como presidente, inaugurar o eixo leste da transposição.

Mas a transposição do São Francisco não é de Temer, de Dilma, de Lula, de FHC, de Itamar, de Figueiredo, de Vargas ou de Dom Pedro. É do povo brasileiro, que com tanto suor bancou mais essa estrutura.