Lava Jato: processo contra Lula sobre o Triplex tem várias provas – e mostramos aqui algumas

Construiu-se a narrativa de que um dos processos contra Lula na Lava Jato, o do triplex do Guarujá a ele atribuído, não teria provas. Seriam apenas delações e “convicções” (sempre bom repetir que isso da ‘convicção sem provas’ é simplesmente uma mentira da esquerda). E a denúncia, por óbvio, foi instruída com farto conjunto de provas documentais – e até fotografias do ex-presidente visitando o imóvel acompanhado do dono da construtora.

Vejam a lista a seguir, depois voltamos:

A denúncia na íntegra pode ser vista aqui (em pdf)

Pois é…

Por que haveria contrato do tal imóvel? Por que teriam mesmo rasurado esse contrato? Por que Lula visitou o apartamento, e acompanhado do dono da construtora? São perguntas que devem ser respondidas no processo, e não cabe aqui qualquer análise precipitada, pois caberá à justiça avaliar isso tudo. Porém, não é verdade que inexistiriam provas.

Como se trata de um caso apurando ocultação de patrimônio, é natural que o conjunto probatório não tenha escritura ou algo assim. Desse modo, são reunidos documentos, para além de evidências e depoimentos, para que a tese seja corroborada. Algo que, repita-se, depende do judiciário.

Por fim, vale lembrar do bom levantamento da Revista Época, que reuniu provas apresentadas em casos diversos, incluindo outras pessoas e outros partidos.

Em depoimento a Moro, Duque aponta Lula como comandante de esquema que envolvia o triplex

Entre os cinco processos nos quais Lula figura como réu, certamente o do triplex no Guarujá é o mais ‘adiantado’, por assim dizer. Já em fase de alegações finais, falta pouco para que Sergio Moro publique sua sentença.

Agora, mais um elemento ao caso. Em depoimento na Lava Jato, Renato Duque disse o seguinte:

“Vaccari começou a fazer arrecadação de fundos e dinheiro da Petrobras antes de ser tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. Em 2007, fui chamado a Brasília pelo então ministro Paulo Bernardo. E foi ele que me comunicou que, por orientação do presidente Lula, o Vaccari seria o encarregado do partido para arrecadação na Petrobras” (grifamos)

Pois é. O delator afirma que o ex-presidente orientou o procedimento.

E por fim, segundo lembra O Antagonista, justamente o esquema da OAS é aquele acusado de envolver o Triplex – algo confirmado pelo próprio dono da construtora, Léo Pinheiro (na foto com Lula, em visita ao apartamento no Guarujá).

Aguardemos.

ps – aqui, o depoimento na íntegra

Lava Jato: funcionário da Caixa contraria versão de Lula sobre propriedade do triplex

O fundamento jurídico central das razões finais apresentadas por Lula no processo que trata do triplex no Guarujá consiste na alegação de que o imóvel seria propriedade da Caixa Econômica Federal.

Porém, segundo informa a Veja, um alto funcionário do banco estatal nega essa hipótese. Ele diz que houve compra de debêntures da OAS pela Caixa, porém a dívida já foi praticamente toda amortizada e o Edifício Solaris era apenas uma das garantias – como a dívida não foi executada, nunca foi propriedade do banco.

Agora, resta aguardar a decisão judicial.

E agora? Leo Pinheiro entrega documentos que comprovariam reformas no sítio e no triplex

Como se sabe, e a esta altura todos de fato sabem, as delações premiadas não consistem apenas em depoimento verbal. Claro que não. É preciso comprovar, trazer indícios, além de dizer a verdade – em caso contrário, ela simplesmente não vale.

Desse modo, ao depor a Sergio Moro, o dono da OAS, Leo Pinheiro, disse que traria documentos para comprovar a realização de reformas no sítio de Atibaia e no triplex do Guarujá – dois imóveis que Lula nega serem seus.

Pois ele trouxe as provas. E, segundo o empreiteiro, a documentação juntada comprovará o alegado. Além de documentos, também foram entregues cópias de uma agenda eletrônica que comprovariam as datas de encontro com Lula e auxiliares.

Não é piada: em depoimento a Sergio Moro, Lula contraria nota do… Instituto Lula!

Este episódio serve para mostrar o quanto a prática é diferente da “teoria”, por assim dizer, quando se trata de narrativa de comunicação e processo judicial. Ontem, tratamos da mudança de postura, por parte de Lula, quando perguntado por Sergio Moro sobre o discurso de “manda prender” quem o investigava.

E agora mais essa.

Na audiência, Lula disse que desconhecia benfeitorias no triplex. Porém, o Procurador Roberson Pozzobon lembrou nota do Instituto Lula que falava sobre isso, nos seguintes termos:

“mesmo tendo sido realizadas reformas e modificações no imóvel (que naturalmente seriam incorporadas ao valor final da compra), as notícias infundadas, boatos e ilações romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento”

Diante da contradição, ele disse que não era dirigente do Instituto Lula e que os comunicados não são elaborados por ele. E ainda:

“Nem sempre quando a nota é feita eu estou no instituto, nem sempre eu estou em São Paulo. Às vezes eu fico sabendo da nota pela imprensa (…) O espírito da nota é dizer que, mesmo se tivesse tudo certo, depois do carnaval feito em cima do tríplex, mesmo que eu tomasse a decisão [de compra], não tinha como utilizar o apartamento, porque aquilo virou uma coisa ‘bichada’.”

Pois é.

Executivo da OAS diz a Moro que triplex estava reservado a Lula e não poderia ser vendido

Em que pese a recente soltura de José Dirceu, que pode ser aplicada em breve a outros presos das Lava Jato, não dá para afirmar que a situação de Lula esteja tranquila. A coisa não piora muito, é verdade, caso Palocci não delate. Mas os processos em curso ainda seguem.

Nesse sentido, o depoimento de Roberto Moreira Ferreira (foto), ex-diretor da OAS, a Sergio Moro complica a versão do petista. Trecho:

“Eu recebi dele (executivo) uma planilha das unidades que estavam livres ou não para vender e as que estavam livres, eu cuidava, a partir de 2014, de vender as unidades”, afirmou. “Um reserva específica para ele (Lula), da unidade 164”

O depoimento de Lula está marcado para o dia 10/05 e, digamos, as emoções serão fortes.

Lava Jato: “vi dona Marisa pedir um elevador à OAS”, diz ex-zelador do Triplex no Guarujá

Nesta semana, a revista Isto É chegou às bancas com uma bomba, sobretudo diante da situação já complicadíssima de Lula na Operação Lava Jato.

A reportagem traz o relato de José Afonso Pinheiro (foto acima), ex-zelador do prédio onde está o triplex:

“Eu vi ela (dona Marisa) comentando que seria interessante ter um elevador no apartamento. Vi ela pedir. Mostrou inclusive o local, que seria do lado do hall social de entrada. Alguns dias depois a obra começou e o elevador apareceu”

Ele ainda afirma que foi demitido justamente pelas revelações que fizera à Justiça. E, de fato, foi instalado um elevador exclusivo.

É fundamental que ele seja ouvido no processo.

Depondo a Moro, ex-zelador do triplex rebate advogados de Lula: “vocês são um bando de lixo”

Falamos há pouco do depoimento do ex-zelador do Condomínio Solaris, onde há aquele triplex que Lula garante não ser dele. Ele disse a Sergio Moro que “todos sabiam que era do Lula”.

Mas houve também momentos de tensão enquanto depôs como testemunha na Lava Jato. Isso porque entrou em atrito com os advogados de Lula e a coisa ficou pesada.

Segue o trecho:

“Você não sabe o que é uma pessoa desempregada. Fui envolvido numa situação que não tenho culpa nenhuma. Perdi meu emprego, perdi a minha moradia. O que você faria numa situação, você nunca passou por isso. Vocês são um bando de lixo, lixo, o que está fazendo com o nosso país.”

A resposta dura veio depois de um questionamento sobre filiação ao PP, ocorrida após ser demitido, para que concorresse a vereador.

Zelador do triplex depõe a Sergio Moro, na Lava Jato: “todos sabiam que era do Lula”

José Afonso Pinheiro foi zelador no Condomínio Solaris, onde está o tríplex do qual Lula diz não ser o dono. Já falamos aqui de Pinheiro, quando ele ter sofrido pressão da OAS por conta de um depoimento prestado.

Agora, foi a vez de depor a Sergio Moro, na Lava Jato, a pedido dos Procuradores. Destacamos a seguir alguns trechos:

“Sim, todos sabiam lá que o apartamento pertencia ao ex-presidente Lula. Inclusive, até os condôminos sabiam que era dele o apartamento. Sempre houve esse comentário lá. Antes da visita o pessoal já comentava que o apartamento era dele. (…) A orientação nós já tínhamos recebido para não falar que o apartamento era dele (Lula), que o apartamento pertencia à OAS e não ao Luiz Inácio e à dona Marisa. Isso aí já falando de uma vez com a pessoa, o bom entendedor já basta” (grifamos)

Sobre Marisa Letícia, ex-primeira dama:

“se portava lá como proprietária do apartamento (…) Nunca a vi se portar como alguém interessada em comprar apartamento.”

Para o bom entendedor, já basta.

Sob pretexto de atacar a mídia, Lula chama o apartamento do Guarujá de “meu tríplex”

A ideia seria atacar a imprensa, sob pretexto de mencionar o caso de Geddel Vieira Lima (PMDB/BA), mas o tiro talvez tenha saído pela culatra. Seria um ato falho? A psicanálise explica? Ou foi tudo uma referência irônica? Ainda não há certeza.

Vejam a frase de Lula, hoje, em evento do sindicato dos professores em Serra Negra/SP:

“Vocês percebem que não dão destaque ao apartamento do Geddel como deram ao meu tríplex” (grifamos)

“Meu”? Então tá.