Vídeo: Herman Benjamin rebate Gilmar Mendes, que comparou cassar Presidentes a ditaduras

Ao que parece, os debates mais calorosos no Tribunal Superior Eleitora, no processo que julga o pedido de cassação da chapa eleitoral Dilma-Temer, ficarão mesmo entre o relator, Herman Benjamin, e o presidente da Corte, Gilmar Mendes.

O vídeo a seguir é uma resposta de Benjamin à fala de Mendes, que citou ditaduras ao falar de eventual alto número de Presidentes da República cassados no Brasil (Collor o foi em 1992, Dilma em 2016 e o julgamento atual pode resultar no mesmo para Temer). Eis a resposta:

Aguardemos os próximos debates.

Entenda como uma manobra pró-Dilma no Impeachment acabou complicando a vida do PT no TSE

A vida e suas ironias. Vamos a uma breve recapitulação: quando o Senado Federal votou pelo Impeachment de Dilma Rousseff, o então mediador, Ministro Ricardo Lewandowski, propôs o “fatiamento” do processo em duas frentes. Desse modo, ela poderia ser afastada, mas não perderia seus direitos políticos – algo considerado bisonho por muitos. E assim aconteceu. Dilma foi deposta, mas manteve os direitos políticos.

Voltemos a 2017. Um dos requerimentos da defesa da petista no TSE, na ação que julga a chapa eleita em 2014, é a de que o pedido original teria perdido seu objeto, vez que ela foi impichada. Pois bem: não é verdade.

De todo modo, o requerimento poderia ter alguma sobrevida, mas torna-se incabível diante do fato de que seus direitos políticos foram mantidos.

O destino e suas ironias.

No TSE, Michel Temer contaria com atraso no julgamento e “vistas” de Gilmar Mendes

Segundo informa o Expresso, da revista Época, Michel Temer teria algumas esperanças quanto ao julgamento pelo TSE de sua chapa com Dilma Rousseff. A primeira delas, de fato nada improvável, seria a demora no procedimento, levando a decisão de mérito para a semana que vem.

Além disso, também sustenta-se a ideia de que será observada a ampliação do “escopo”, ou seja, juntou-se muito mais coisas do que aquelas do pedido original. Essa tese é fraca, já que a soma de fatores muito mais ajuda do que prejudica o pedido.

Por fim, ainda segundo o Expresso da Época, a última esperança seria um pedido de vistas feito por Gilmar Mendes, Presidente do TSE e último a votar. Isso adiaria o julgamento de forma considerável.

Enfim, o Tribunal Superior Eleitoral retoma o caso às 19:00 desta terça-feira. Aguardemos.

Análise: entenda por que a cassação da chapa Dilma-Temer no TSE seria uma desgraça para o PT

É um grande – e até ingênuo – engano supor que, para a cúpula do PT, a cassação da chapa Dilma-Temer seria um bom negócio. Trata-se do oposto, em que pesem as manifestações de parte da militância também por ingenuidade (note que os mais pragmáticos nem tocam no assunto).

Mas por quê? Três razões bem óbvias explicam isso.

1 – Demoliria a Narrativa do Golpe

A principal e mais forte narrativa do petismo é dizer que o impeachment de Dilma Rousseff foi um golpe. Tudo se baseia nisso, tudo deriva disso, tudo DEPENDE disso. Desde os ataques à Lava Jato até explicações sobre detalhes quase inócuos em circunstâncias paralelas.

Se o TSE cassar a chapa pelo TSE, será um atestado judicial definitivo de que a eleição ocorreu em circunstâncias ilegais. Ou seja: foi uma eleição inválida, ilícita. Ou seja, novamente: o afastamento da presidente jamais seria golpe, mesmo com os argumentos toscos daqueles hoje defendem isso. Uma chapa eleita de forma ilegal não tem legitimidade alguma e, desta feita, a saída do poder jamais seria golpismo, ainda que ocorresse com um trator, pé de cabra, alavanca ou serenata com sambas e pagodes da pesada.

2 – Na prática, não ajudaria em nada

Não haverá eleição direta (pauta de parte do PT) e, com a escolha indireta, o partido pode ser atropelado nas duas Casas. A menos que tope participar de eventual acordo, no qual teria de fazer forte concessões. Assim, em qualquer cenário, a queda de Temer não implicaria na subida da atual oposição ao poder, mas sim à condução de alguém indicado pelos que hoje já estão no comando.

Tudo isso, repita-se, com o estrago moral de uma decisão que atestaria como ilegal e ilegítima a vitória de Dilma em 2014.

3 – Permitiria reação

Este ponto é menos óbvio, mas não menos provável. Em artigo recente, Igor Gielow escreveu na Folha de SP que um dirigente petista era contra aprovar as reformas simplesmente porque, com elas, o Governo Temer correria o risco de “dar certo”. O ponto é esse.

A saída de Temer criaria “ambiente de urgência” para que um “pacto” fosse firmado em prol das reformas. Os parlamentares sofreriam menos pressão individual da opinião pública e talvez tudo seria aprovado com ainda mais rapidez. O governo tampão, portanto, teria ainda mais chance de “dar certo”, pavimentando candidaturas a ele atreladas e inviabilizando aquelas a que ele se opuseram.

Portanto

Torcer pela derrota da chapa Dilma-Temer no TSE é coisa de militante ingênuo. Sim, ainda há alguns.

Nem renúncia, nem impeachment: saída “honrosa” de Michel Temer pode ser pelo TSE

A situação de Michel Temer é insustentável na Presidência da República. Ainda assim, a destituição de um presidente não é algo fácil ou corriqueiro, sobretudo quando há uma base, mesmo enfraquecida, a impedir qualquer tentativa de impeachment.

Dessa forma, parece que chegou-se a uma saída salomônica. A repórter Andréia Sadi, da Globonews, informa que aliados de Temer vêem na ação do TSE uma forma de resolver o problema de modo a reduzir maiores danos.

A ideia consiste em cassar a chapa, recaindo a principal parte da culpa sobre a titular – sim, Dilma Rousseff -, e assim ele sairia não motivado por erro pessoal.

Resta saber, porém, se haverá eleição direta ou indireta. Porque, em caso de renúncia ou impeachment, não haveria dúvida. Mas a cassação pelo TSE pode dar margem a isso.

Mais uma vez, o mantra: aguardemos.

Empregado de marqueteiros do PT relata assalto em que levaram R$ 1,5 milhão de Caixa 2

Eis um episódio que ajuda a resumir o Brasil: um funcionário do casal João Santana e Monica Moura, marqueteiros das três últimas campanhas presidenciais petistas, informou ao TSE que foi roubado em 2014 e levaram R$ 1,5 milhão que seria de Caixa 2.

Seguem trechos do relato, já voltamos:

“Eles me levaram, colocaram dentro de um veículo que eles estavam… Acredito que eles estavam me seguindo. Me levaram por alguns metros, passavam por cima de meio-fio, e depois pararam e me largaram. Eu só sei que estava muito nervoso. Peguei um táxi e voltei para o hotel que eu estava e comuniquei à sra. Monica o ocorrido (…) Eu me lembro que eles se comunicavam afirmando que tinham pego e que deu certo, acredito, a atuação deles e levaram essa remessa, esse dinheiro (…) Eles pararam o veículo, esses dois carros pararam o táxi, um já me tirou de dentro do carro, puxou meu celular, o outro já abriu a mala, tirou o taxieiro (sic), abriu a mala do carro e levou a mala”

Pois é. Um assalto digno de Hollywood, no qual levaram justamente dinheiro de Caixa 2, ou seja, impedindo a vítima de dar queixa (a menos que quisesse ser presa em seguida).

Alguns podem achar a história fictícia, mas a esta altura, por que inventariam? Fora que, bom, não é algo assim tão impossível.

TSE: PT, PSDB e PMDB terão de devolver R$ 10,3 milhões por uso irregular do fundo partidário

Cédulas de reais. Foto: Pixabay.

Há aquele ditado de “um dia da caça, outro do caçador”. No Brasil, nós (as caças) quase não temos dia, então é preciso levar em consideração esse tipo de vitória. Grandes partidos não apenas fiscalizados, mas cobrados pelo mau uso do fundo partidário.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, em decisão sobre a qual cabe recurso, os três partidos terão de devolver mais de R$ 10 milhões pelo uso irregular da verba pública destinada às agremiações políticas. Os valores a ser devolvidos são os seguintes:

PT 5,6 milhões
PSDB 3,92 milhões
PMDB 762 mil

Mas nós (as caças) talvez não tenhamos muito a comemorar. Afinal, não será difícil que no fim das contas acabem usando o próprio fundo partidário para pagar tal ressarcimento. Ou seja…

Lava Jato: marqueteira cita reunião no Palácio do Planalto com Dilma Rousseff sobre Caixa 2

Já se sabia que seriam bombásticas as delações do casal de marqueteiros de Lula e Dilma Rousseff, João Santana e Monica Moura, tanto que mesmo José Dirceu veria risco de prisão dos dois ex-presidentes. E o conteúdo que aos poucos se revela é mesmo sério.

Segundo Monica, conforme relata a revista Veja, houve uma reunião por volta de maio de 2017, no Palácio do Planalto, em que discutiu pessoalmente com Dilma sobre Caixa 2. Na ocasião, ainda segundo relatado, a então presidente determinou que os detalhes sobre os pagamentos seriam discutidos com Guido Mantega, Ministro da Fazenda nos dois governos petistas.

O depoimento foi prestado por videoconferência ao Ministro Herman Benjamin, do TSE, na ação que pede cassação da chapa Dilma-Temer.

Aguarda-se, agora como delatora também da Operação Lava Jato, eventual reiteração de tais fatos ao juiz Sergio Moro.

Benedicto Barbosa revela ao TSE um caixa 2 de R$ 17 milhões ao PT, “mas não era campanha”

Foi divulgado o depoimento de Benedicto Barbosa da Silva Júnior, um dos 78 delatores da Odebrecht, que ocupava alto cargo de chefia na construtora. E ele revela, de forma expressa, que entre 2012 e 2013, foram repassados R$ 17 milhões ao PT.

E isso referente apenas a um contrato, o de submarinos.

Chama atenção o fato de que 2013 nem mesmo foi ano eleitoral. Segue trecho do depoimento:

“Ele (Marcelo Odebrecht) me alocou R$ 17 milhões ao longo da vida do submarino (…) Ficou uma deliberação para o Partidos dos Trabalhadores ao longo das suas necessidades. Foi feito como caixa 2, mas não era campanha.” (grifamos)

Pois é. Teve Caixa 2 até quando não havia campanha.

No TSE, o próprio PT implode a tese dos petistas de não terem votado em Michel Temer

Sim, é uma tremenda obviedade, tanto que na própria cédula eletrônica havia a foto de Michel Temer, logo abaixo da de Dilma Rousseff, comprovando mais do que cabalmente o voto de CADA ELEITOR na chapa toda, consciente disso. Mas alguns episódios servem para tornar ainda mais ridícula a tese da militância.

Exemplo disso é a argumentação da própria Dilma Rousseff na ação que corre no TSE, segundo a qual a contabilidade era também conjunta – Temer, ao contrário, defende a tese oposta.

A coisa chega ao ponto de apresentarem recibos assinados por Edinho Silva, o tesoureiro da campanha, confirmando doações feitas ao vice, mas direcionadas a um comitê central.

Então, fica assim a “narrativa”: todo mundo votou nos dois, com direito às fotos e aos nomes, bem como a contabilidade era uma só, segundo alega a própria candidata principal no TSE. Ao mesmo tempo, ninguém votou em Temer.

Ok, então.

Por fim, e por óbvio, claro que votaram em Michel Temer, sob a condição estabelecida pelas regras de nossa democracia, segundo as quais o Vice-Presidente assume em caso de impeachment, e tal processo é movido e julgado pelo Congresso.