A questão não é nem “voto impresso”, é voto auditável

Urna Eletrônica

É primordial para uma democracia que a população acredite no sistema que a sustenta. Isso inclui o sistema eleitoral. Mas a urna eletrônica utilizada no Brasil promove uma apuração às cegas: o voto entra numa caixa preta que, horas depois, cospe o resultado.

O Tribunal Superior Eleitoral quer que o brasileiro esqueça que o país segue entregue a corruptos e confie que tudo é feito com uma honestidade que não se observa fora da tal caixa. Para piorar, se duvidas surgirem quanto à validade do resultado e um auditoria for orçada para referendá-lo ou não – como tentou o PSDB em 2014 –, apenas será constatado que esta é uma missão impossível.

Qualquer democracia séria tem na recontagem de votos um de seus pilares. Qualquer democracia séria tem registro físico do voto depositado pelos eleitores.

Com o modelo de urna eletrônica trabalhado nas eleições locais, o Brasil não tem nem um, nem outro. E não será uma democracia séria enquanto não tiver.

TSE testa urnas eletrônicas e detecta risco de troca de números dos candidatos

21.09.2010 - Terminal do mesário (anteriormente conhecido como Microterminal, ou MT) da urna eletrônica brasileira modelo 2009 (UE2009). Foto: Kleiner.

Como se sabe, não são poucas as teorias sobre a possibilidade de fraude nas eleições realizadas por meio de urnas eletrônicas, especialmente as de 2014. No geral, havia certa dose exagerada de alarmismo em alguns relatos. De todo modo, um teste realizado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pode dar corda a essas teses.

No evento para testar as urnas, realizado de maneira pública, o sistema foi “desafiado” por especialista em informática, que tentaram quebrar sua segurança. E então detectaram essa falha, a possibilidade de trocar o número do candidato DEPOIS DE FECHADA A URNA.

O Ministro Dias Toffoli, presidente do TSE, disse que a falha será corrigida antes das eleições municipais deste ano.

Urna Eletronica

Ainda assim, é inquietante.

TSE não fará teste público das urnas. Especialistas condenam a falta de transparência

Matéria do Globo:

urna

O Tribunal Superior Eleitoral não fará nenhum teste de segurança das urnas eletrônicas antes das eleições, em outubro, apesar de reconhecer que eles fazem parte do conjunto de atividades que garantem a melhoria contínua do projeto. Para especialistas em computação, é arriscado dispensar as contribuições e os ajustes que podem surgir dos testes públicos independentes e o TSE erra ao adotar uma postura de extrema confiança em seus sistemas de registro.