Relator da ONU diz que a saída para o Brasil se livrar do zika passa pelo saneamento básico

Além de pesquisador da Fiocruz-Minas, Léo Heller é Relator especial da ONU para o direito humano à água e ao esgotamento sanitário. Ele conversou com O Globo sobre a privatização do saneamento básico, medida já tomada em alguns outros países, mas pouco estimulada pelo órgão. Mas, para o momento, interessa mais o alerta feito sobre a influência do péssimo saneamento brasileiro no surto de zika.

Quando o mosquito da dengue voltou a se proliferar em grande escala pelo país, muito foi associado à crise hídrica vivida por São Paulo há dois anos. Mas pouco se relacionou a um dos problemas mais negligenciados pelos gestores públicos brasileiros.

Disse Heller:

“No caso específico da chamada tríplice epidemia que assola parte importante da América Latina, intervenções em abastecimento de água, em esgotamento sanitário, em manejo de resíduos sólidos e em drenagem pluvial — componentes do que a legislação brasileira denomina de saneamento básico – podem ter isoladamente e, sobretudo, integradamente, importante papel na redução do problema.”

Em outras palavras, um ótimo caminho para se livrar da zika é finalmente dar conta do tratamento sanitário nacional.

Antibiótico veterinário pode evitar que fetos sejam infectados pelo vírus da zika

Foto: James Gathany

Pouco se falava sobre o tema quando, em 5 de fevereiro, O Globo disse em editorial que a microcefalia punha “o aborto na agenda de debates“. Já no início, informava que a OMS não tinha ainda reconhecido a relação entre a má-formação de alguns bebês o vírus da zika. Destacou até mesmo que a vigilância sanitária brasileira só tinha passado a monitorar os casos apenas quatro meses antes. Mas já via ali uma brecha para debater “os limites legais do aborto“.

Para isso, como se fossem banais numa discussão de tamanha importância, colocava “questões éticas e religiosas à parte“. E sugeria que o diagnóstico tardio da microcefalia fosse contornado dando “à gestante a opção de, tendo contraído a zika, decidir pelo aborto preventivo“.

Aborto preventivo. Como se já houvesse na ciência alguma consenso a respeito do exato momento em que o feto deixa de ser um amontoado de células para se tornar um indivíduo cuja vida precisa ser protegida.

Porque o aborto não é um embate entre homens e mulheres, mas entre pais e filhos. E encarar a questão como uma luta entre machistas e feministas é simplesmente ignorar que o bebê a ser abortado pode ser, assim como a mãe, do sexo feminino. Ou mesmo que, tantas vezes, o maior interessado na interrupção da gravidez é o pai.

Por se tratar de um ser humano que ainda não tem nem como se expressar, cabe sim ao Estado defender-lhes, ainda que seja da própria família.

O vírus é conhecido desde 1947, mas surtos de zika são recentes. O mais antigo data de 2007. Só aos poucos o mundo vem estudando o funcionamento da doença no intuito de encontrar uma cura. Do pouco que se sabia, havia a certeza de que a maioria das mães que a contraíam nada transmitiam aos filhos, ou mesmo que a maioria dos fetos com microcefalia sobrevivia ao parto, mesmo que para uma vida complicada. De resto, incertezas.

Se cientistas do mundo todo tinham tantas dúvidas sobre o tema, por que jornalistas tinham tanta certeza de que o aborto seria a solução?

Porque jornalistas são profissionais irresponsáveis. Simples assim.

Apenas cinco meses se passaram desde aquele editorial. Agora, cientistas americanos descobrem que um antigo antibiótico veterinário pode bloquear a passagem de zika para o feto. É ainda um estudo, mas os pesquisadores de São Francisco e Berkeley soam animados com os resultados.

Que a animação se converta em vidas salvas. O quanto antes.

Marlos Ápyus é formado em comunicação, trabalhou por 15 anos como desenvolvedor web e músico. Além de colaborar com o Implicante, atualiza o apyus.com, seu site pessoal. Escreve no Implicante às quartas-feiras.

O mosquito da dengue vem sendo derrotado pelo mosquito da dengue modificado geneticamente

Foto: James Gathany

O projeto ainda está em teste, mas os resultados foram muito animadores. Um bairro de Piracicaba recebeu mosquitos Aedes aegypti modificados geneticamente. Um ano depois, o número de casos de dengue caiu 91% na região.

O mosquito modificado não pica, nem transmite a doença, mas evita a proliferação dos demais ao copular com as fêmeas originais e gerar descendentes incapazes de chegarem à idade adulta.

O trabalho foi desenvolvido por uma empresa britânica chamada Oxitec. Agora a prefeitura vai expandir o teste para outros bairros de Piracicaba.

A menos de 4 meses dos Jogos Olímpicos, o Brasil já soma mais de 90 mil suspeitas de zika

Ao todo, seriam 91.387 casos prováveis de infecção pelo vírus da zika. O número foi divulgado no boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. Desse total, 7.584 casos foram observados em gestantes, com 2.844 confirmações após exames.

Identificado a primeira vez no Brasil há um ano, no Nordeste, o vírus já chegou a 1.359 municípios em todas as regiões do país. Hoje, o Sudeste é onde registra-se mais casos, com 35.505 notificações, em especial o Rio de Janeiro, com 25.930 atendimentos.

Mas a zika não é o único mal a ser temido pelos atletas que virão ao Brasil para os Jogos Olímpicos. Além de dengue e chikungunya, um surto de H1N1 está levando à morte dezenas de brasileiros.

Casos de microcefalia cresceram 5% em apenas uma semana

Desde outubro de 2015, mais de 7 mil casos suspeitos de microcefalia em bebês foram notificados. De cara, 2.241 foram descartados. Mas 1.168 receberam confirmação. Ainda há 3.741 em investigação. Dentre as suspeitas, 240 óbitos chegaram a ocorrer.

Os números representam um crescimento de assustadores 4,9% em apenas uma semana. Do total de confirmações, ao menos 192 bebês tiveram resultado positivo para o zika em exames, o que pode confirmar a relação do vírus com a condição neurológica.

Definitivamente não são tempos fáceis para o povo brasileiro.

Maquiagem para pior: Assessores criam foco de dengue cenográfico para visita de autoridades

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Na mobilização nacional contra o Aedes Aegypti, nossos governantes preferem dar prioridade a ações midiáticas do que a efetivamente combater o mosquito.

No último fim de semana, o presidente do Banco Central Alexandre Tombini e o vice-governador do DF Renato Santana, acompanhados de uma multidão de secretários, assessores e – é claro – repórteres, visitaram uma borracharia na periferia de Brasília devidamente uniformizados com camisetas e adesivos da campanha contra o zika. Lá encontraram diversos pneus empilhados e aproveitaram para posar para fotos jogando-os em uma caçamba próxima – não sem antes procurar o dono do estabelecimento e dar-lhe um sermão sobre os riscos da doença.

O problema é que tanto os pneus como a própria caçamba em que os excelentíssimos os depositaram foram colocadas ali previamente por seus assessores.

Após a bronca, o borracheiro virou motivo de chacota na cidade e afirmou que pretende entrar na Justiça para pedir reparação.

Microcefalia: suspeitas passam de 5 mil, com mais de 500 confirmações e mais de 100 óbitos

No boletim mais recente, o número de casos suspeitos de microcefalia chegou a 5.280, com 508 confirmações. O número de óbitos subiu de 91 para 108, ou algo em torno de 21%. As maiores suspeitas se concentram no Nordeste, especialmente em Pernambuco, dono de quase 30% dos casos.

Os número podem também ser lidos de outra forma: quase 80% dos casos de microcefalia confirmados não chegam a óbito. Ou mesmo 98% dos casos suspeitos. Ainda assim, há um lobby abortista defendendo que o aborto seja legalizado para casos de microcefalia, mesmo com o mundo ainda engatinhando no entendimento da doença.

Aedes Aegypti - Dengue

É um lobby, como a maioria, irresponsável, para dizer o mínimo.

Governo concentra combate ao Aedes em estados onde a situação é menos crítica

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Com a proximidade dos Jogos Olímpicos do Rio e a atenção indesejada que as epidemias de dengue e zika no Brasil estão recebendo, nossas autoridades vem se esforçando para demonstrar que estão combatendo o mosquito. O problema é que isso é bem diferente de realmente combater o mosquito.

Reportagem da Exame demonstra como as ações anunciadas pelo governo guardam pouca relação com as necessidades de cada estado. Dilma “joga para a torcida” reforçando as atenções em localidades que são “vitrines”, como o RJ e DF, e negligencia áreas com altos números de casos por habitante.

Desse jeito, nem com mil CPMFs destinadas integralmente ao combate ao Aedes Aegypti.

Dane-se a zika: ministro da Saúde deixará o cargo apenas para votar em aliado de Dilma

Nessas horas vê-se a real a importância que o governo dá aos problemas do brasileiro. Marcelo Castro, ministro da Saúde, será exonerado do cargo por 24 horas apenas para votar em Leonardo Picciani, aliado de Dilma dentro do PMDB. Caso Picciani vença a disputa, as chances do impeachment de Dilma serão reduzidas a quase zero. Quanto à zika? Dane-se. Não se importam.

A informação foi confirmada há pouco por Andréia Sadi, jornalista da Globo News, no Twitter:

Já passou do tempo dessa corja sair do poder. O brasileiro não pode aceitar isso calado.

Governo Federal, nesta sexta-feira, no  Palácio do Planalto.(Foto:Ed Ferreira / Brazil Photo Press)

Zika na Olimpíada: Rio pode ter evento esvaziado por causa do mosquito

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Depois da delegação americana liberar os atletas para decidir se virão ou não aos Jogos do Rio, na semana passada um diretor de atletismo do Quênia cogitou não participar da Olimpíada.

O Comitê Organizador segue negando o risco de esvaziamento do evento, apesar de o mosquito ter sido a grande estrela da conferência de imprensa concedida na semana passada.

Dois dias após a coletiva em que os organizadores garantiram que tudo está sob controle, cientistas americanos recomendaram cancelar os Jogos do Rio-2016 por causa do risco de proliferação mundial do vírus. Em quem vocês acreditam?